Blog do Romilson

| 07/10/2016, 00h:00 - Atualizado: 06/10/2016, 22h:25

Escola sem jumento

ceara artigo sexta 400 padrao

Antonio Cavalcante

São assombrosas as más intenções dos usurpadores da República com a educação. Até um leigo percebe que são recheadas de sandices e sem nenhum fundamento científico, bem típico dos ultraconservadores que querem implantar no Brasil a tal “Escola sem Partido”, seja lá a baboseira que isso venha a significar. E o pior é que na esteira de uma proposta tão esdrúxula como essa, o governo golpista ainda resolve que vai mudar a grade curricular do ensino médio, retirando disciplinas fundamentais para a boa formação dos nossos jovens e crianças.

Mas o que esperar dessa velha oligarquia coronelesca, plutocrática, corrupta e golpista que mais uma vez surrupiou o poder no Brasil?

Chega a ser revoltante que tal proposta deseducadora e alienante tenha sido formulada por um desconhecido advogado que não tem a menor militância na área educacional. Isso prova que esse governo dos ricos não tem a mínima preocupação com uma educação de qualidade para os filhos dos trabalhadores. Portanto, são merecedores de uma resposta à altura da idiotice que eles representam.

Em vez de uma “Escola sem Partido”, proponho uma Escola sem Jumento. E não me refiro aqui ao nosso simpático jumentinho, o “Equus africanus asinus”, esse animalzinho que lá no meu Ceará chamamos também de jegue ou jerico, que ao contrário do que se propaga, é um bichinho muito inteligente e de grande valia nas localidades secas e áridas do nordeste brasileiro.

O jumento que me refiro aqui é no termo pejorativo, que indica uma pessoa tola, estúpida, sem-noção, tipo os coxinhas midiotizados e nazi-doidos que foram às ruas pedir o golpe contra a democracia.

Pode ser também que essa asneira conservadora, que incentiva a supressão de parte importante de informações tão necessária ao aprendizado dos estudantes, seja parte de um projeto maquiavélico das elites sanguessugas que querem sucatear a educação para privatizar, como já estão fazendo com o nosso pré-sal. A ideia é manter o povo alienado e massa de manobra das classes dominantes, a exemplo da multidão militonta que foram às ruas bradando contra o Estado Democrático de Direito. Mas, nesse caso, não seria apenas mais uma tolice, uma estupidez, e sim, um projeto maquiavelicamente pensado.

O tal projeto já está tramitando no Congresso Nacional com o número 193/2016, tendo como um dos objetivos afastar da escola qualquer discussão de gênero e, ao mesmo tempo, inserir as disciplinas religiosas, de preferências pentecostais, na grade curricular. Isso significa impor na mente das crianças, desde a tenra infância, que deverão doar dez por cento de seus ganhos ao pastor, para deleite deste. E a igreja continuará deixando de pagar qualquer espécie de imposto ao Estado, mesmo aqueles que incidiriam sobre carrões e aviões dos pastores.

É mole?

O desmonte da educação defendido pelos usurpadores da República, deve durar pelo menos 20 anos, a teor do que desejam eles, uma vez que vão começar o congelamento dos recursos da educação (e da saúde também) a partir de 2017 ou no mais tardar em 2018, para vencer mais uma eleição e legitimar o golpe.

Dentro de pouco tempo, graças a esses espertalhões do maquiavelismo ladrão que não querem nosso jovens críticos, a população vai começar a sentir os efeitos do fim das verbas nos hospitais, escolas, habitação popular e uma queda vertiginosa na qualidade de vida. E tudo isso, sem se quer afetar o humor do eleitorado nas eleições gerais de 2018. Como diria Paulo Freire, “seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica”.

É plano dos golpistas fazer o congelamento sem dó, por vinte anos, com mudanças inclusive da Constituição para permitir tamanho retrocesso e, para isso, já contam com o apoio de três quintos dos votos na Câmara e no Senado. Isto é, 308 deputados e 49 senadores, um quórum alto mas que é fácil de ser alcançado se o governo distribuir verbas e cargos, o que sem dúvidas será feito.

Ou seja: graças a essa classe dominante, que não quer um povo debatedor e crítico, o deputado e o senador que você elegeu está tramando contra os interesses de uma boa educação e saúde pública, condenando você e sua família à miséria, porque a partir de então o acesso a remédios, tratamentos, exames e cirurgias só será concedido a quem tiver dinheiro no bolso. E escola será artigo de luxo, que somente filhos dos poderosos e da classe média terão acesso, acabando de vez com o sonho do filho do pobre se se tornar doutor.

O historiador Leandro Karnal disse que o tal programa (Escola sem Partido) é “uma asneira sem tamanho, uma bobagem conservadora, de gente que não é formada na área e que decide ter uma ideia absurda, que é substituir aquilo que eles imaginam que seja uma ideologia, por outra ideologia”. Foi a adjetivação utilizada por Karnal (asneira) que me inspirou a escrever esse texto intitulado “Escola sem Jumento”, para que as maldades preparadas por maus governantes possam ser entendidas, contestadas e combatidas pelos cidadãos conscientes e principalmente pelas atuais e futuras gerações de educadores e estudantes.

Mudar a grade escolar, manter os gastos em escolas e hospitais paralisados durante 20 anos é um escândalo, uma maldade, uma perversidade sem tamanho, que pode lançar o Brasil no rol de países como Haiti e Gabão, onde a guerra civil é uma realidade tão natural como o sol que nasce todos os dias.

E há uma outra certeza: graças a golpistas, como Aécio, Serra, FHC, Alckmin, Pedro Taques, Wilson Santos e o seu PSDB; Temer, Cunha, Renan Calheiros, Carlos Bezerra, Emanuel Pinheiro e o seu PMDB; inúmeros partidos de aluguel; Rede Globo e comparsas a frente, não mais teremos paz e concórdia.

Parabéns, plutocratas, corruptos e golpistas! Por enquanto, mas somente por enquanto, vocês estão vencendo.

Antonio Cavalcante Filho, cidadão, escreve às sextas feiras neste Blog. E-mail: antoniocavalcantefilho@outlook.com

Postar um novo comentário

Comentários (2)

  • JEFERSON MATOS | Sexta-Feira, 07 de Outubro de 2016, 12h21
    5
    1

    Se temos um país atrasado devemos tudo a falta de investimento em educação. É reconhecido o atraso que vivemos em relação a outros países, muito se deve ao fato do aluno não aprender sequer o básico devido a enorme quantidade de matérias ofertadas em curto período de tempo e com baixa qualidade. As disciplinas que pra mim deveriam ser dadas com mais horas de aula é português, matemática e inglês ( vivemos num mundo em que o inglês é língua universal ), as demais matérias não deixariam a grade curricular ( filosofia, artes, educação física ), mas seriam ministradas de acordo com a oferta local e pra atender as necessidades do aluno.

  • Carlos Nunes | Sexta-Feira, 07 de Outubro de 2016, 10h12
    13
    3

    Toda essa crise que vivenciamos agora, é herança da dupla Lula e Dilma -má gestão, política econômica errada, prioridade equivocada e roubalheira desgraçada (debaixo do nariz deles, e eles não viram nada). A Economia brasileira ficou arregaçada, com 12 milhões de desempregados. Também na prioridade equivocada, por exemplo, enquanto era pra investir em setores mais essenciais, estavam de braços dados com a FIFA corrupta...onde presidente e até secretário geral foram até expulsos por corrupção. Copa 2014 virou prioridade nacional e estadual. E a Saúde? Bem, o nosso Hospital Central parado há décadas, não avançou um metro na obra. Fazer Arena Pantanal era muito mais importante. VLT então. Até o Fantástico exibir para o mundo todo, na matéria Cadê o Dinheiro que estava Aqui, o Éder Moraes dizendo que "levaria 5 Milhões de propina na Arena Pantanal, e mais 5 Milhões no VLT". Até hoje a PF, o MP, o Gaeco, estão correndo atrás para saber a conjugação do verbo: levaria ou levou. A bomba explodiu agora, quando delator premiado informou que o ex-governador foi mexer com AGIOTA, é já deve 45 milhões; que levava até uns sopapos para pagar a dívida; e que começou a fazer irregularidades para pagar a dívida. Dever de AGIOTA, é dever do próprio d... Vote! A crise na Educação é resultado do Brasil estar agora afundado até o pescoço, com caixa do governo vazio, e bolso do povo vazio e endividado. NÃO TEM DINHEIRO - ainda não inventaram passe de mágica para fazer dinheiro aparecer; caixa vazio continuará vazio. Depois da eleição, virão as MEDIDAS IMPOPULARES do Temer (PMDB), uma série de manobras para encher o caixa do governo, esvaziando o bolso do povo, e tirando inúmeros direitos adquiridos. PT mandou o paciente (a Nação) para a UTI, pois arregaçou a Economia; e PMDB vai dar o remédio que pode matar o paciente...se não matar da doença, mata de raiva mesmo.

| 24/07/2017, 00h:00 - Atualizado: 09h atrás

Deduções do IRRF para cultura


sandra alves articulista perfil

Sandra Alves

Desde 1991 é possível destinar uma parcela do IRRF devido para projetos específicos de fomente à cultura. É a previsão da lei n. 8.313/91, mais conhecida por Lei Rouanet, em razão de seu criador, o então secretário nacional de Cultura, o diplomata Sérgio Paulo Rouanet. Um dos mecanismos previstos pela lei é o incentivo fiscal, objeto principal deste artigo.

O incentivo é um mecanismo em que a União faculta às pessoas físicas ou jurídicas a opção pela aplicação de parcelas do Imposto sobre a Renda, a título de doações ou patrocínios, no apoio direto a projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura.

A forma doação é a transferência definitiva e irreversível de dinheiro ou bens em favor de pessoas físicas ou jurídicas de natureza cultural, sem fins lucrativos. Importante informar que a pessoa que fizer o investimento/doação não pode utilizar publicidade nem exigir gratuitamente parte do produto cultural.

O patrocínio é a transferência definitiva e irreversível de dinheiro ou serviços, ou a cobertura de gastos ou a utilização de bens móveis ou imóveis do patrocinador. Pode ser dado a pessoas físicas, ou jurídicas de natureza cultural, com ou sem fins lucrativos. O objetivo geral do patrocinador é divulgar sua marca (publicidade).

Projetos culturais de qualquer pessoa podem se beneficiar desta lei, desde que apresente uma proposta que cumpra determinadas condições. Podem fazer propostas (a) pessoas físicas com atuação comprovada na área cultural; (b) pessoas jurídicas de natureza cultural com, no mínimo, dois anos de atividade, podendo ser: (1) pessoas jurídicas públicas da administração indireta (autarquias, fundações culturais etc.); (2) pessoas jurídicas privadas com ou sem fins lucrativos (empresas, cooperativas, fundações, ONGs, organizações culturais etc.)

Hoje, a apresentação de uma proposta para captação de recursos de renúncia fiscal é feita em um sistema disponibilizada na internet, denominado Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (SALIC).

Em seu sítio eletrônico, o Ministério da Cultura possui uma série de vídeos tutoriais sobre o Salic. Em cinco etapas, existe orientação do proponente para inscrever o seu projeto cultural de acordo com as novas regras da Instrução Normativa nº 1/2017 .

Quando o projeto se referir aos segmentos previstos no artigo 18 da lei, o apoiador poderá deduzir 100% do valor investido, desde que respeitado o limite de 4% do imposto devido para pessoa jurídica e 6% para pessoa física.

São eles: a) artes cênicas; b) livros de valor artístico, literário ou humanístico; c) música erudita ou instrumental; d) exposições de artes visuais; e) doações de acervos para bibliotecas públicas, museus, arquivos públicos e cinematecas, bem como treinamento de pessoal e aquisição de equipamentos para a manutenção desses acervos; f) produção de obras cinematográficas e videofonográficas de curta e média metragem e preservação e difusão do acervo audiovisual; g) preservação do patrimônio cultural material e imaterial; h) construção e manutenção de salas de cinema e teatro, que poderão funcionar também como centros culturais comunitários, em municípios com menos de cem mil habitantes.

Tudo que não estiver previsto no artigo 18, terá um percentual de dedução no imposto de renda de 30% (no caso de patrocínio) ou 40% (no caso de doação), para pessoa jurídica; e 60% (no caso de patrocínio) ou 80% (no caso de doação), para pessoa física.

A Cultura precisa da atenção social e a utilização da Lei Rouanet é um mecanismo que permite à população decidir em quais projetos deseja ver investido o valor de seus impostos pagos. Não desperdice a oportunidade de incentivar projetos de artes cênicas, livros, músicas, exposições entre outros. Seja um cidadão ativo!

Sandra Cristina Alves é defensora pública do Estado, jornalista, escritora e escreve exclusivamente neste Blog toda segunda (sandrac.alves@terra.com.br)

Postar um novo comentário

ERA SILVAL | 23/07/2017, 16h:57 - Atualizado: 09h atrás

Confissões naturais de ex-governador "de arrepiar"


Arquivo RDnews

Silval

Revelações de Silval Barbosa sobre corrupção reforçam a tese segunda a qual se gastava 80% do tempo como governador para negociatas e só 20% para tocar o Estado

É chocante e fere de morte os bons princípios a forma tranquila com que Silval Barbosa revela para a Justiça, após quase dois anos atrás das grades, como buscou se enriquecer ilicitamente na cadeira de governador, permitindo ainda que fizessem igual os demais do núcleo da administração. O seu péssimo exemplo de gestor deu munição para se criar uma quadrilha. Conta detalhes de arrepiar dos esquemas de corrupção. Por praticamente cinco anos, de 2010 a 2014, transformou o Palácio Paiaguás num balcão de negócios.

Silval ganhou dinheiro como dono de garimpo no Nortão, mas ampliou e muito o patrimônio quando entrou na vida pública, ocupando, por mais de 20 anos seguidos, os cargos de prefeito de Matupá, de deputado estadual, de vice governador e de governador.

O ex-governador argumenta que tinha várias dívidas, a maioria de campanha eleitoral. E, para saná-las, encontrou “alternativa” nos cofres públicos. Pediu, segundo o próprio Silval, que os então secretários Pedro Nadaf e Cézar Zílio resolveram o problema das dívidas. A cada rodada de reunião, definia-se um novo esquema milimetricamente engendrado, envolvendo fraudes, desvios e cobrança de propina.

Silval revelou, em juízo, que queria apenas resolver o seu problema e deixou a sua “equipe” à vontade para ampliar as negociatas e faturar mais. E o resultado foi ter deixado um governo quebrado e afundado em um mar de lama. Está explicada a tese muito forte na época da gestão Silval em meio às crises financeira e política que tinham sido estabelecidas, a de que ele dedicava 80% do tempo para fazer negócios e somente 20% para trabalhar pelo Estado.

Postar um novo comentário

No Senado | 23/07/2017, 09h:01 - Atualizado: 23/07/2017, 09h:03

Medeiros gastou R$ 252 mil em cota parlamentar no 1º semestre; republicanos, R$ 180 mil confira


O senador José Medeiros (PSD) gastou R$ 252,2 mil de cota parlamentar neste primeiro semestre. A maior parte do recurso foi utilizada para divulgação de atividade parlamentar, quando  aplicou mais de R$ 70 mil. Em janeiro, quando os parlamentares estão de recesso, o social-democrata teve despesa de R$ 45 mil  com divulgação das suas atividades. As informações constam no Portal Transparência do Senado e podem ser acessadas por qualquer cidadão.

Mário Okamura

senadores_mt_cota

  Gastos dos senadores Medeiros, Wellington e Cidinho estão disponíveis no Portal Transparência do Senado 

Atrás de Medeiros estão os senadores do PR Wellington Fagundes (PR), que utilizou R$ 182 mil, e Cidinho Santos, com gasto de  R$ 179 mil.

Wellington tem suas principais despesas nas passagens aéreas, totalizando R$ 45,9 mil, sendo o mês de fevereiro o mais elevado, com quase R$ 17 mil.  

Cidinho, por sua vez, foi na mesma linha de Medeiros, sendo a principal despesa com a divulgação dos trabalhos. O mês passado o gasto chegou R$ 16 mil. Em passagem aérea o republicano gastou R$ 24,7 mil. Em fevereiro, o parlamentar gastou R$ 6,9 mil. Uma passagem de Cuiabá a Campinas custou R$ 1,1 mil na Azul Linhas Aéreas.

Com viagens, Medeiros utilizou da cota parlamentar R$ 44 mil. Em abril, o social-democrata fez 18 viagens ao custo de R$ 13,2 mil. A mais cara foi de Cuiabá a Brasília que saiu por R$ 1,7 mil.

Para locomoção, hospedagem, alimentação e combustíveis,  Medeiros é o que mais gasta também. O social-democrata utilizou até julho R$ 45,9 mil. Deste valor, R$ 18 mil foram gastos em junho. Chama atenção uma hospedagem no hotel de luxo Gran Odara que saiu por R$ 1,2 mil. E um jantar/almoço na Lélis Peixaria não saiu por menos de R$ 800 reais.

Wellington, por sua vez, utilizou R$ 38,5 mil de janeiro a junho. Assim como Medeiros, o mês passado foi onde o republicou gastou mais, num total de R$ 9,2 mil. Para abastecer aeronave, foi utilizado R$ 2,3 mil.

Se os colegas gastaram aproximadamente R$1 mil, por outro lado, Cidinho utilizou apenas R$ 42, sendo R$ 13 em março e R$ 29 em abril. Todas essas despesas foram com táxi.

Salário e cotas

Cada um dos 81 senadores têm recebem de salário R$ 33,7 mil. Além dos vencimentos, os parlamentares têm direito ao auxílio moradia de R$ 4,2 mil e cotas, como a parlamentar de R$ 15 mil (despesas com funcionários, aluguel de escritório de apoio, material de consumo, combustível, entre outras coisas).

As despesas extras, como custo de gráficas e telefonia fixa pode gastar até R$ 9 mil. Com passagens os senadores têm direito a cinco trechos de passagens aéreas entre a capital do Estado do senador e Brasília. Já os cargos de confiança o parlamentar tem direito de R$ 15 mil.

Caso todo valor seja utilizado em sua totalidade, um senador em Brasília não custa menos de R$ 102,8 mil mensais.

Postar um novo comentário

| 23/07/2017, 08h:40 - Atualizado: 23/07/2017, 08h:55

Constituição Patronal e o fim do sistema sindical


ricardo bertolini artigo

Ricardo Bertolini

Pasmem! Estamos assistindo ao surgimento de uma constituição patronal. Nesta semana o sindicato que dirigimos (que não depende da contribuição sindical) completa 27 anos de lutas, mas poucos resistirão por muito tempo.

Com a aprovação da "Reforma Trabalhista" veio também o ataque aos sindicatos, federações, confederações e centrais de trabalhadores. O movimento é conhecido. Eliminar, deixar à míngua por falta de recursos! Ora, a contribuição sindical, garantida na Constituição Federal, é fonte para os sindicados e organizações viabilizarem os meios de proteção dos direitos sociais dos trabalhadores.

A contribuição sindical no valor de um dia de trabalho é descontada de todos os trabalhadores em atividade para custear o sistema sindical (Centrais, Confederações, Federações, sindicatos e FAT). Tem caráter de imposto e seus administradores se sujeitam à fiscalização e respondem criminalmente no caso de desvio de finalidade.

O sistema “S”, composto por Senai, Sebrae e Senac, financiado pelo trabalhador, arrecada muito mais que o imposto sindical, mas ninguém se atreveu a discutir o assunto. O sistema "S" nem de longe foi atingido.

Vamos aos números: em 2016, a arrecadação do sistema “S” foi de quase R$ 16 bilhões, dinheiro que não tem transparência e é cobrado diretamente dos contribuintes, SEM fiscalização federal, portanto, financiamento público. Este número é 4,5 vezes maior do que o obtido com o imposto sindical, que arrecadou R$ 3,5 bilhões no ano passado, dinheiro quem vem dos trabalhadores, sujeito à fiscalização do Ministério Público Federal.

O próprio governo federal fica com o dinheiro do trabalhador (Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT), mas não fiscaliza o sistema "S". Alguém tem dúvidas que essas contribuições integram os custos dos produtos e serviços das empresas?

O STF decidiu em processo com repercussão geral pelo impedimento da fixação da Contribuição Confederativa em instrumentos coletivos, contrariando preceito constitucional (art. 7º, XXVI, da CF/88) e pretendendo o enfraquecimento dos direitos sociais e das instituições sindicais, arrancando-lhes sua autonomia, enfraquecendo a arrecadação sindical e dificultando a mobilização e conscientização dos trabalhadores.

Trata-se de um ataque à própria atividade sindical, merecedora de denúncia à Organização Internacional do Trabalho - OIT. A estrutura sindical é fundamental para a mobilização dos trabalhadores. Sua atuação política, jurídica, econômica e social permite o enfrentamento de empresas e organizações patronais. Sua ausência deixaria os trabalhadores à mercê dos interesses do poder econômico.

Uma estrutura sindical é essencial para dar base aos anseios dos movimentos sociais que podem ser engolidos pela força dos capitalistas e seus instrumentos de dominação, como a terceirização, trabalho intermitente, condições degradantes de trabalho. Os programas de demissão voluntária já estão aparecendo, um convite para o trabalhador se retirar com dignidade, pois os empresários estão focados no aumento da produtividade e da jornada de trabalho, redução do descanso e lógico, maximização de lucros.

O financiamento dos sindicatos, federações, confederações e centrais é justo e indispensável para o equilíbrio social. Podemos caminhar com nossas próprias pernas, pois somos mais de 90 milhões de trabalhadores e 16 milhões de servidores públicos.

Vamos mudar essa realidade em 2018! Elejamos nossos verdadeiros representantes!

Ricardo Bertolini é presidente do Sindicato dos Fiscais de Tributos Estaduais de Mato Grosso (SINDIFISCO-MT)

Postar um novo comentário

| 23/07/2017, 00h:00 - Atualizado: 22/07/2017, 09h:00

Que pena, Diolena!


jackelyne_pontes_artigo_400

Jackelyne Pontes

Tenho vontade de iniciar este texto com um trecho de um poema chamado José, do querido poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade: “e agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? E agora, Você?”, e parafraseá-lo: “e agora, odontologia?”

Afinal, para onde estamos caminhando? A sensação que tenho é que a cada dia perdemos mais espaço, que os nossos profissionais estão mais desvalorizados, e que a gestão não se preocupa com o coletivo, e sim com os seus.

E você, caro leitor, deve estar se perguntando quem é Diolena. Eu explico: é uma trabalhadora da rede municipal de saúde, profissional de carreira, competente, honesta e dedicada, que é atuante na saúde pública seja como membro do Fórum Permanente da Odontologia ou na presidência da Comissão de Políticas Públicas de Saúde do CRO-MT (Conselho Regional de Odontologia), e que assumiu a coordenação de saúde bucal de Cuiabá, sob a indicação de seus colegas, através de uma lista quadrupla.

Acontece que ninguém é capaz de desenvolver um bom trabalho apenas com boa vontade e muito menos sem uma equipe técnica qualificada para que possa atender as demandas da coordenação, que diga-se de passagem não são poucas.

Ao longo dos três meses que ficou à frente do cargo, de acordo com a sua carta aberta onde explica os motivos de seu pedido de exoneração, ela frisa a falta de autonomia tanto na tomada de decisões quanto para a contratação ou remanejamento de pessoal para a formação de uma equipe.

Triste, porque absolutamente ninguém é capaz de desenvolver um bom trabalho sozinho, isolado e principalmente sem respaldo da gestão, que por sua vez deve entender que quando a indicação de alguém para um cargo tão importante nasce da escolha do trabalhador, significa que este nome é forte.

Em momento algum trabalhou-se em prol do sindicato da categoria, e muito menos para o seu conselho regional, como aventou-se nos bastidores. Aliás estas instituições, que tem atribuições distintas, mantém um estreito e harmônico relacionamento, já que o que defendem é a categoria e não os seus interesses particulares.

Este é um daqueles momentos de repensar a gestão. A saúde do município vai tomando um caminho preocupante, e a inércia do gestor municipal nos aflige. Uma pasta tão importante merece mais atenção e cuidado, e a tal humanização tão exigida tem que ser colocada em prática com urgência.

A decisão de publicar uma carta aberta ao solicitar a sua exoneração foi acertada, assim evita-se que sejam aventadas causas que não sejam reais. Sabemos do enorme desafio que é estar à frente de uma secretaria, principalmente esta que é um ponto crítico da administração, porém o que é inadmissível é administrar para um seleto grupo, e muito menos decidir importantes coisas com base em depoimentos de pessoas que se sentiram lesadas pela indicação da colega.

Popularmente chamamos isso de “engravidar pelo ouvido”. Autonomia e isenção são características primordiais para o sucesso.

Diariamente os sites publicam notícias sobre a saúde municipal, e os feedbacks recebidos em forma de comentários são assustadores e deveriam servir para que uma luz de alerta seja acionada, porque a situação é cada vez mais desanimadora. Tenho a impressão que ao longo dos anos só piora.
Enfim, é uma pena, Diolena! É uma pena, odontologia!

Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, mestre em Saúde Coletiva, diretora do Sinodonto-MT (Sindicato dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso) e escreve exclusivamente para este blog todo domingo - jackelynepontes@gmail.com

Postar um novo comentário

Comentários (1)

  • Eu | Domingo, 23 de Julho de 2017, 09h36
    3
    1

    É isso que anda acontecendo na Saúde com essa nova gestão. São pessoas competentes sendo trocadas por outras para satisfazer esse ou aquele vereador. Pesssoas estão sendo mandadas embora porque tem irmão ou outro parente qualquer agora com a desculpa de enxugar a máquina ou por causa do TC. Mas, como sabemos é simplesmente para colocar aqueles a quem os srs vereadores fizeram contrato entre sr Prefeito e Vereadores. Mandam 20 contratados com salario mínimo e contratam 200 com prêmios exorbitantes em relação aqueles que já estão há tempos esperando uma oportunidade. Parece que alguns funcionários são donos da secretaria porque só eles mandam. Hoje os fu cionáruos contratados vivem numa situação de desesperos com medo de serem os próximos a ter o contrato cancelado.

Dança das cadeiras | 22/07/2017, 09h:45 - Atualizado: 23/07/2017, 09h:05

Em dois anos e meio, Taques faz 27 mudanças no secretariado; Ricardo e Lesco são últimos a sair


Arquivo

Lesco e Ricardo

Coronel Evandro Lesco e Ricardo Tomczyk foram os últimos a deixar o Governo Taques

O governador Pedro Taques (PSDB) fez 27 mudanças no secretariado em dois anos e meio de gestão. As mudanças foram feitas por necessidades administrativas, arranjos políticos ou pelo envolvimento dos titulares em escândalos.

A última mudança foi anunciada quando Ricardo Tomczyk deixou a pasta de Desenvolvimento Econômico e foi substituído por Carlos Avalone (PSDB). Seneri Paludo havia passado pelo cargo no inicio da gestão.

Antes, o coronel da PM Evandro Lesco acabou exonerado da chefia da Casa Militar após ser preso por envolvimento no escândalo dos grampos ilegais. Agora em liberdade, aguarda decisão de Taques sobre possível retorno ao cargo. Em meio ao escândalo, o coronel Wesney de Castro Sodré foi o escolhido para substituí-lo. Nos primeiros meses da gestão,  o posto foi ocupado pelo coronel Antônio Ribeiro Leite.

O escândalo dos grampos ilegais também derrubou o ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques, que é primo e homem de confiança do governador. Deixou a pasta antes da denúncia ser exibida pelo Fantástico e foi substituído pelo então adjunto José Adolpho.

Outro que saiu por envolvimento em escândalos de corrupção foi Permínio Pinto (PSDB). Substituído na secretaria estadual de Educação (Seduc) por Marco Marrafon quando eclodiu a Operação Rêmora, que investiga fraudes em licitações da pasta, chegou a ser preso e atualmente cumpre prisão domiciliar.

A pasta com mais mudanças no comando é a Saúde. Começou com Marcos Bertúlio e passou por Eduardo Bermudez e João Batista. Agora, está sob a direção de Luiz Soares.

Em seguida, vem a Segurança Pública com três trocas de secretário. O promotor de Justiça Mauro Zaque foi substituído pelo então colega de profissão Fábio Galindo, que foi exonerado após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) proibindo membros do Ministério Público de ocupar cargos no Executivo. O delegado Rogers Jarbas, que presidia o Detran, está na titularidade da pasta.

A decisão do Supremo também resultou na exoneração da promotora de Justiça Ana Luiza Peterlini da pasta de Meio Ambiente. Quem assumiu o cargo foi o vice-governador Carlos Fávaro (PSD).

A Fazenda teve Paulo Brustolin como primeiro secretário na Gestão Taques. Depois Seneri Paludo, que foi remanejado do Desenvolvimento Econômico para a pasta, retornou para a iniciativa privada e Gustavo Oliveira o substituiu.

José Medeiros

Taques secretariado

   Taques mantém diversos membros na equipe desde o inicio da gestão; alguns trocaram de pasta nas  adequações

Até chegar na Fazenda, Gustavo Oliveira passou pelo Gabinete de Assuntos Estratégicos e pela secretária estadual de Planejamento. Na segunda pasta, ocupou o lugar deixado por Marco Marrafon quando foi remanejado para a Seduc e foi substituído por Guilherme Müller.

Hoje, o Gabinete de Assuntos Estratégicos é dirigido pelo jornalista Jean Campos. Ele começou a gestão no Gabinete de Comunicação (Gcom) e foi substituído pelo também jornalista Kleber Lima.

No Gabinete de Transparência e Combate à Corrupção (GTCC) Adriana Vandoni (PSDB) cedeu o cargo ao delegado Fausto Freitas. Já no Gabinete de Articulação e Desenvolvimento Regional, Eduardo Moura (PSD), atual diretor presidente da Agência Reguladora dos Serviços Delegados (Ager), foi substituído por Antônio Carlos Paz.

O coronel Airton Siqueira respondia pela Casa Militar e depois assumiu a pasta de Justiça e Direitos Humanos que era comandada pelo defensor público Márcio Dorileo. Domingos Sávio (PSD) passou a comandar a Ciência, Tecnologia e Inovação quando a professora Luzia Trovo foi exonerada.

Dois deputados estaduais estão no Governo Taques. Max Russi (PSB) comanda a pasta de Trabalho e Assistência Social e Wilson Santos (PSDB), a secretaria estadual de Cidades. Substituem Valdiney Arruda e Eduardo Chiletto, respectivamente.

Na Procuradoria-Geral do Estado (PGE) houve uma troca. Patrick Ayala foi substituído por Rogério Gallo. Ambos são procuradores de carreira.

Os secretários que estão no cargo desde 1º de janeiro de 2015 são Júlio Modesto (Gestão), Leandro Carvalho (Cultura), Suelme Evangelista (Agricultura Familiar e Assuntos Fundiários), Marcelo Duarte (Infraestrutura e Logística), Ciro Gonçalves (Controladoria) e José Arlindo (Gabinete de Governo). O último acompanha Taques desde o Ministério Público Federal (MPF).

Postar um novo comentário

| 22/07/2017, 07h:52 - Atualizado: 22/07/2017, 07h:58

Preparar, apontar e férias de verão


akio_artigo_400

Akio Maluf Sasaki

As férias de inverno (julho) já estão indo embora e esse é o melhor momento para começar a planejar as férias de verão (dezembro e janeiro), pois quem sai na frente sempre consegue o melhor assento.

O melhor momento para planejar suas férias de verão é agora pois os preços ainda não estão “super turbinados” e ainda existem vagas nos voos e hotéis, situação que irá mudar drasticamente a partir do mês de setembro.

O mês de julho é ótimo para fechar sua viagem, agosto ainda é um ótimo período, mas posterior a isso será um tanto complicado viajar, seja por preço ou por disponibilidade de hotéis.

Além da possibilidade de preços melhores, é possível garantir que o seu bolso irá respirar mais aliviado, pois comprar um pacote agora lhe permitirá parcelar e pagá-lo antes mesmo de viajar.

Pagar uma viagem antes de voar significa que, durante a viagem, você terá uma disponibilidade maior de crédito para uma lembrança, restaurante ou até mesmo para um imprevisto.

Ainda é possível (apesar de um tanto complicado) encontrar tarifas promocionais para o fim de ano, seja para dezembro ou para janeiro, e essa situação lhe permitirá conhecer destinos que ainda estão em seus sonhos.

Inclusive, graças as recentes alterações tributárias brasileiras, não se paga mais imposto em bilhetes internacionais e também no combustível utilizado nas aeronaves, situação que, se atento, poderá mudar o destino “praia no Nordeste” para “vinho na Argentina”.

Viajar pela América Latina está sendo muito atrativo por conta da diferença cambial, o Real tem se tornado uma moeda forte em relação aos países vizinhos e isso te permite um conforto maior nos vizinhos do que dentro de nossa pátria.

Com isso, aproveite este final de julho para escolher sua próxima aventura pelo mundo, utilize agosto para começar a pagá-la e vá gastar seu dinheiro da melhor forma possível: adquirindo experiência.

É imperioso lembrar que uma viagem é muito mais do que uma passagem aérea ou de um hotel, se trata de todo um momento de felicidade familiar que pode se transformar em uma total catástrofe se mal planejado.

Por isso, planeje sua viagem, conte sempre com seu agente de viagens para não permitir que nada de errado ocorra durante seu planejamento, compre tudo o que for necessário e vá se divertir ganhando boas memórias.

Akio Maluf Sasaki é acadêmico de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), preside a comissão dos Estagiários da OAB/MT, atua em cooperação internacional do turismo e escreve neste Blog todo sábado - akio_maluf@hotmail.com

Postar um novo comentário

polêmica tucana | 21/07/2017, 14h:15 - Atualizado: 21/07/2017, 14h:35

Partido político não é igual camisa que se muda todo dia, diz Taques sobre ala rebelde do PSDB


Maria Anffe

Taques PSDB

 Pedro Taques aguarda reunião em agosto para discutir situação dos correligionários 

O governador Pedro Taques (PSDB) deve reunir com a cúpula do PSDB, no inicio de agosto, para debater o posicionamento da ala rebelde chamada “cabeças pretas” que ameaça sair do partido caso os tucanos não desembarquem do Governo Michel Temer (PMDB). No entanto, deixa claro seu posicionamento contrário à saída dos correligionários.

“Partido político não é igual camisa que se muda todo dia. Vamos fazer essa discussão e a avaliação será feita em conjunto. É importante saber que partido recebe esse nome porque não existe posição única. Vejam o PT, que tem umas 10 tendências”, disse Taques, nesta sexta (21), durante evento na Arena Pantanal .

A ala dos “cabeças pretas” é formada por 10 deputados federais jovens, na faixa etária abaixo dos 40 anos, que tem se destacado na defesa do desembarque do PSDB do governo federal. O grupo está atraindo os holofotes após o desgaste de lideranças tradicionais tucanas como o senador Aécio Neves (MG), afastado da presidência nacional da sigla por envolvimento em escândalo de corrupção.

O desembarque do Governo Temer é discutido pelos tucanos desde o inicio do mês. Em reunião realizada em São Paulo, no último dia 10, com a presença de Taques e das principais lideranças do país, os tucanos adiaram a saída do governo e liberaram a bancada na Câmara dos Deputados para se posicionar sobre o parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que recomendava o prosseguimento da denúncia por corrupção passiva formulada pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente da República.

Atualmente, o PSDB mantém quatro ministros. São eles Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Bruno Araújo (Cidades) e Luislinda Vallois (Direitos Humanos).

Mudança 

O próprio Taques, que iniciou a vida política em 2010 quando se elegeu senador, já trocou de partido. Migrou do PDT para o PSDB em agosto de 2015, menos de um ano após ter sido eleito governador pela sigla pedetista. 

Postar um novo comentário

Comentários (1)

  • Air Francisco Costa | Sexta-Feira, 21 de Julho de 2017, 18h19
    0
    0

    Será que, o governador utilizou recursos públicos para ir a São Paulo, tratar de assuntos partidários? Se fez isso precisa o Ministério Público acioná-lo para devolver o valor gasto aos cofres públicos. Pois reunião do partido é interesse pessoal e não governista.

INíCIO
ANTERIOR
1 de 2023