Em encontro na última quinta com o governador eleito de São Paulo, José Serra, o prefeito cuiabano Wilson Santos assegurou que permanecerá no PSDB. Negou rumores de que iria seguir para outra sigla junto com o governador Blairo Maggi, que deixará o PPS e deve migrar para o PSB ou PR.
Santos também acertou a visita de Serra a Cuiabá no primeiro semestre de 2007 para ministrar uma palestra aos servidores. Ambos estão entre os quatro prefeitos de capitais eleitos pelo PSDB.
Na surdina, a Câmara Municipal de Cáceres (a 210 km a Oeste de Cuiabá) aprovou, com apenas um voto contrário, reajuste de 40% no salário do prefeito Ricardo Henry (PP). O subsídio mensal sobe de R$ 8 mil para R$ 11.640,00, já a partir de janeiro. Com isso, Henry passa a ganhar mais que o governador Blairo Maggi, que também terá o salário elevado em 5%, a partir deste mês de janeiro, de R$ 10,5 mil para R$ 11.030,25.
Como os salários do vice-prefeito, dos secretários municipais e dos coordenadores estão vinculados ao do prefeito, todos ocupantes desses cargos foram contemplados. O efeito cascata aumentará a folha em cerca de R$ 50 mil por mês. Já para os demais servidores, o reajuste concedido antes foi de apenas 5%.
Irmão do deputado federal Pedro Henry, Ricardo está de licença e reassume o posto de prefeito nesta terça, 2 de janeiro. Ele deixou tudo acertado com o seu vice Massato Nakahara (PTB) para encaminhar o projeto à Câmara. A proposta entrou na pauta na última sessão do ano, realizada quinta (28). Dos 10 vereadores, somente o pedetista Wilson Kishi, que deixa a presidência do legislativo nesta sexta (31), questionou e debateu o projeto. Foi o único a votar contra. Ele considerou uma incoerência elevar o salário do prefeito e assessores em 40% e, em contrapartida, conceder somente 5% de reajuste aos servidores.
Confira reprodução abaixo.
Hoje, derradeiro dia de 2006, data de balanço, ou seja, de avaliar o que se conquistou ao longo dos últimos trezentos e sessenta e cinco dias e, ao mesmo tempo, de pesar o que não se realizou no referido período. Nem sempre o pêndulo pende para o lado dos prós, mas nada de desânimo, afinal o país não alcançou o crescimento tão propalado pelo presidente, ainda mais durante a campanha político-eleitoral, muito embora o mercado mundial tenha contribuído bastante com a balança comercial, denunciando assim a falta de planejamento tão necessário para "agüentar as pontas", particularmente quando o dólar elevava-se, encarecendo sobremaneira o custo da produção agropecuária, ou quando ele caia de valor, em relação ao real, obrigando os produtores a comercializar o resultado da safra por um preço muito aquém do esperado, acarretando-lhes prejuízos, pois havia contraído dívidas no momento de alta. Tanto nesta, quanto naquela, vale repetir-se, o planejar é fundamental, e isso, evidentemente, se estende ao cotidiano individual, familiar e grupos sociais, alcançando assim a vida societária, pois é na esfera do Estado que se dá à plena realização humana, por meio é claro da política.
Acontece que para se alcançar a plena realização humana é imprescindível uma mudança de postura e de atitude daqueles que se investem, via eleição, no papel de representante da população na Câmara Municipal, Assembléia Legislativa, Congresso Nacional e no Executivo local, regional e federal. Tal mudança, porém, ainda está muito longe de vir a ocorrer, particularmente em um país como o Brasil, no qual predominam o patrimonialismo, cartorialismo e o "jeitinho", cujos alicerces educacionais formaram e continuam a formar o conjunto de políticos da nação. Daí toda a prática de fazer do público uma extensão do privado, sob as mais variadas formas, desde o nepotismo até a utilização do erário para proveito próprio, de um grupo ou de uma facção partidária, via intercâmbio empresa particular e o Estado, com a prestação de serviços superfaturados, tal como se viu com o chamado "valerioduto". Por isso, não se deve esperar iniciativas "revolucionárias" na forma de "fazer e ver a política" por parte desses senhores em 2007. Nada disso. Porém, não é por essa razão que se deve desesperar, deixar de acreditar no futuro, pois o amanhã pode não estar tão distante assim, mesmo que o tão falado futuro permaneça incerto.
Assim, se os políticos não mudam, mudem então os brasileiros, os comuns, e não há momento melhor que a passagem de ano para carimbar o passaporte para uma nova era, o da conquista da cidadania. Não é esta uma tarefa fácil, bem sabe o (e)leitor, pois requer um comportamento diferente do até então utilizado, tais como o de recorrer aos parlamentares para conseguir empregos em um órgão público, o de valer-se de parentesco ou amizade com alguma autoridade para pleitear privilégios ou atendimento vip e o de utilizar-se do famoso "jeitinho" para dirigir sem habilitação, deixar de pagar as taxas e os tributos e, por fim, que não é a etapa final, mas o começo de tudo, ignorar o direito de outrem em proveito próprio.
Mudar, na esfera da sociedade política é ver a coletividade primeira e a "res publica", como um bem precioso, e nada, nem ninguém, nem mesmo a importância de determinadas figuras públicas, do prefeito ao presidente do país, passando por membros do Judiciário e do Parlamento, deve sobrepor aos demais cidadãos, independentemente onde estejam, até mesmo no trânsito, no qual o chefe de Estado ou o ministro do Supremo deve aguardar a sua vez, e não se utilizar à força policial ou do cargo para pegar a dianteira. Cidadania requer respeito a quem está do lado ou à frente, mesmo que seja o mais simples dos integrantes do Estado brasileiro. 2007 pode ser o começo de tudo, depende de você (e)leitor. Portanto, boa passagem de ano, que o vindouro seja de fato bem melhor do que agora se vai.
Lourembergue Alves é professor da Unic e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. (lou.alves@uol.com.br)
AO INÍCIO do novo ano, muitas incertezas e pessimismos se apresentam à humanidade. O pobre mundo está cheio de violência e de morte. Certamente em todo o mundo quantos dão a sua vida para promover a paz.
O papa Bento 16 enviou mensagem para o Dia Mundial da Paz a fim de fazer chegar aos governantes e aos responsáveis das nações, bem como a todos os homens e mulheres de boa vontade, os votos de paz.
"Enviou-os, de modo particular, a quantos se encontram na tribulação e no sofrimento, a quem vive ameaçado pela violência e pela constrição das armas ou, espezinhado na sua dignidade, aguarda o próprio resgate humano e social. Enviou-os às crianças que, com a sua inocência, enriquecem a humanidade de bondade e de esperança e, com o seu sofrimento, a todos nos animam a sermos obreiros de justiça e de paz.
Pensando precisamente nas crianças, especialmente naquelas cujo futuro está comprometido pela exploração e pela maldade de adultos sem escrúpulos, quis que, por ocasião do Dia Mundial da Paz, a atenção se concentrasse sobre o tema: Pessoa humana, coração da paz. De fato, estou convencido de que, respeitando a pessoa, se promove a paz, e, construindo a paz, se assentam as premissas para um autêntico humanismo integral."
A pessoa humana foi pensada, amada e criada por Deus, a Ele semelhante na inteligência, na vontade, na liberdade para fazer o bem, não o mal.
A criatura humana tem dignidade de pessoa. Não é alguma coisa, mas alguém, capaz de conhecer, de se possuir e de livremente dar-se e de entrar em comunhão com outra pessoa. A humanidade recebeu um dom e uma missão para viver a paz. A paz vem de Deus -nele subsistem perfeitamente a verdade, a justiça e o amor. João Paulo 2º chamava a atenção: "Não vivemos num mundo irracional ou sem sentido. Existe uma lógica moral que ilumina a existência humana e torna possível o diálogo entre os homens e os povos".
Bento 16 chama de "gramática" transcendente o conjunto de regras da ação individual e do recíproco relacionamento entre as pessoas de acordo com a justiça e a solidariedade inscrita nas consciências conforme o sábio projeto de Deus.
A tarefa humana é respeitar a "gramática", realizar fielmente o projeto universal divino. O reconhecimento e o respeito pela lei natural constituem a grande base para o diálogo entre os crentes das diversas religiões e entre estes e os não crentes.
"O dever de respeitar a dignidade de cada ser humano, em cuja natureza se reflete a imagem do Criador, tem como conseqüência não se poder dispor da pessoa arbitrariamente."
O direito à vida e à livre expressão da própria fé em Deus não está nas mãos do homem. É importante conhecer claramente o que é disponível e o que não é.
Não somente as mortes violentas em conflitos entre nações, entre tribos, enfrentamentos políticos dentro do próprio país, terrorismo e diversas formas de violência devem nos impressionar mas também as mortes silenciosas provocadas pela fome, pelo aborto, pelas pesquisas sobre embriões e pela eutanásia. São atentados à paz. Se não há respeito à vida em seu início, como construir a paz duradoura sem criar ambiente de respeito à vida em todo o seu decurso até o fim natural?
O desrespeito à liberdade religiosa tem continuado. Isso é experimentado tanto por cristãos como por adeptos de outras religiões para professar pública e livremente as próprias convicções religiosas.
"No caso particular dos cristãos, devo ressaltar com tristeza que por vezes não se limitam a criar-lhes impedimentos; em alguns Estados, são mesmo perseguidos, tendo-se registrado ainda recentemente episódios de atroz violência. Existem regimes que impõem a todos uma única religião, enquanto regimes indiferentes alimentam não uma perseguição violenta, mas um sistemático desprezo cultural quanto às crenças religiosas." Isso não estimula a paz.
Temos a lamentar as inúmeras injustas desigualdades ainda tragicamente presentes no mundo: desigualdades no acesso a bens essenciais, como comida, água, casa, saúde; contínuas desigualdades entre homem e mulher no exercício dos direitos humanos fundamentais; explorações de mulheres, tratadas como objetos e em numerosas formas de falta de respeito pela sua dignidade.
Mas, nas nuvens carregadas, prenúncios de tempestades no relacionamento humano, há esperança de um mundo melhor, se houver conversão do coração humano para a verdade, a justiça, a fraternidade, a solidariedade e a paz. Depende de cada um de nós.
O ex-presidente da Unimed-Cuiabá, médico Alencar Farina (PR, que sucede o PL), vai ocupar o cargo de adjunto da pasta da secretaria estadual de Saúde. O seu nome, sugerido pelo deputado federal Wellington Fagundes, já foi confirmado pelo governador Blairo Maggi.
Farina deve tomar posse nesta semana. A cadeira de secretário-adjunto está vaga desde novembro, com a saída do segundo escalão de Antônio Augusto de Carvalho, o Gudo (PFL). O cargo estava sendo pleiteado também pelo médico e deputado estadual Joaquim Sucena (PFL), que não se reelegeu. O adjunto de Gestão Alberto Capistrano (PFL) será mantido no cargo.
Farina concorreu a deputado federal e teve apenas 15.024 votos. Ficou na terceira suplência da coligação Unidade e Trabalho (PL-PMDB-PTB), atrás de Ricarte de Freitas (22.672 votos) e do professor Victório Galli (22.981). Antes, em 2004, Alencar Farina concorreu a vice-prefeito de Cuiabá na chapa encabeçada pelo petista Alexandre Cesar, que disputou o segundo turno com o hoje prefeito Wilson Santos (PSDB).
O vereador Domingos Sávio (PMDB), em campanha contra a concessão do sistema de água e esgoto da Capital, espalhou 10 outdoors em pontos estratégicos de Cuiabá. Ele fez questão de inserir nos outdoors a mensagem "Água é vida e vida não se vende", seguida de "concessão = privatização, diga não à concessão da Sanecap. Trata-se de uma frase muito utilizada no passado pelo então deputado estadual e federal Wilson Santos, hoje prefeito pelo PSDB. Santos prepara agora o processo de concessão da Sanecap. Alega que o poder público não tem capacidade de investimentos e a única maneira do setor avançar é ser tocado pela iniciativa privada.
Para Domingos Sávio, "a Sanecap é perfeitamente viável". A autaquia ampliou sua arrecadação de R$ 42 milhões para R$ 56 milhões em menos de 2 anos. Alerta que uma vez entregue o sistema à iniciativa privada, o primeiro impacto será aumento da tarifa.
Enquanto o prefeito prepara uma campanha publicitária, com apoio do governador Blairo Maggi e da Federação do Comércio (Fecomércio) para buscar respaldo popular, Domingos Sávio faz o contrário. Ele iniciou um trabalho de panfletagem. Vai distribuir 140 mil panfletos, alertando sobre o ônus da concessão que, na sua análise, será o mesmo que privatizar. Para ingressar na Câmara com um projeto de iniciativa popular com vistas a derrubar o polêmico projeto, são necessários ao menos 17 mil assinaturas. O vereador garante que essa meta será alcançada nos próximos dias.
É tenso o clima entre a direção regional do PFL e o secretário de Estado de Infra-estrutura (Sinfra), Vilceu Marchetti, acusado por membros da executiva de ignorar a legenda para se firmar no cargo. O senador eleito Jaime Campos e alguns deputados da bancada pefelista na Assembléia, como Dilceu Dal Bosco e Humberto Bosaipo, defendem a expulsão de Marchetti.
Já o secretário considera que o partido está sendo injusto com ele. "Eu tenho um perfil de secretário e não vou mudar. Se o PFL não quer esse perfil eu prefiro sair do partido", avisou Marchetti, nesta sexta (31). Segundo ele, o seu histórico partidário e também como secretário de Estado mostra que tem sido atuante e leal. Enfatiza que é preciso fazer um retrospecto. Lembra que, inicialmente, o PFL havia indicado o vereador várzea-grandese Gonçalo Almeida, o Pente Fino, para o cargo de superintendente de Manutenção de Rodovias da Sinfra. Assim que Pente Fino foi exonerado, o governador ofereceu-lhe o cargo de superintendente. Quase dois anos depois, Marchetti recebe outro convite de Maggi, desta vez para substituir o então secretário Luiz Pagot, remanejado para a Casa Civil. "Assim que o governador acenou, eu fui no PFL buscar apoio. A direção do partido fez três ou quatro reuniões e nem indicou e nem vetou e eu fui nomeado. Acho que fiz um bom trabalho e fui convidado para continuar. Que crime eu cometi contra o partido!", reage Vilceu Marchetti. "Não vou mudar minha forma de agir. Só tem uma pessoa que cumpro ordens enquanto secretário: o governador Blairo Maggi", completa.
O deputado estadual Dilceu Dal Bosco foi um dos que articularam nos bastidores para ficar no comando da Sinfra. Numa reunião recente no Palácio Paiaguás, o governador propôs que ele assumisse o Centro Estadual de Educação Profissional e Tecnológica (Ceprotec). Dal Bosco recusou a proposta. Disse que só aceitaria compor o governo se fosse a Sinfra.
A rodovia estadual MT-246, principalmente entre Jangada e Barra do Bugres, está em péssimo estado de conservação. A situação é mais grave no distrito de Currupira. As constantes reclamações nesse sentido O governo Blairo Maggi começa a enfrentar desgaste na área de infra-estrutura. Há muitos trechos nas MTs que poderiam ser priorizados, mas não existe previsão para recuperação, manutenção ou asfaltamento. No último dia 22, por exemplo, o governador inaugurou a pavimentação asfáltica de 37,5 km entre o distrito da Guia e Acorizal. Gastou R$ 17,9 milhões. Quanto aos 11 km sem asfalto que completam a rodovia o governo não fez referênca.
Providências
Questionado sobre a precariedade da MT-246, o secretário de Infra-estrutura Vilceu Marchetti (PFL) disse que as obras de recuperação vão ter início assim que passar este período de chuva. Segundo ele, está previsto no cronograma para o segundo mandato a recuperação de todo o trecho entre Jangada e Tangará da Serra.
O jornalista Onofre Ribeiro destaca, em artigo no Diário de Cuiabá neste último dia de 2006, que o 'estilo Lula é mal compreendido e combatido e por isso merece mais discussões do que preconceitos'.
Leia abaixo a reprodução da íntegra.
As eleições presidenciais de 2006 consagraram um estilo de governar chamado “estilo Lula”. Mal compreendido e combatido, merece mais discussões do que preconceitos. É a nova cara do Brasil, queiramos ou não. 2007 entrará com Lula presidente, eleito legitimamente e sobrevivente de uma catástrofe chamada Partido dos Trabalhadores.
Lula traz no mesmo balaio que o elegeu a derrota dos sistemas políticos e institucionais brasileiros. Vale citá-los
1 – O Congresso Nacional auto-desmilinguiu-se numa sucessão de erros e de envolvimentos inadmissíveis, mas é tão impermeável que não se apercebeu que perdeu o senso de representante da sociedade;
2 – os partidos políticos perderam-se na sua própria falta de história. Até o PT que tinha DNA, vendeu-o por um projeto mal-feito de poder. Sai da História pela porta dos fundos, por onde saíram todos os demais. Uma reforma política urge mais do que urgente, mas não sairá já porque a sobrevivência do agora respira mais do que a do futuro. Deverá vir a conta-gotas;
3 – o Judiciário entrou na ciranda da política e acabou espremido entre o corporativismo e a perplexidade da dinâmica social. Já não representa a garantia do equilíbrio social pelo respeito das leis vigentes;
4 – as universidades públicas entraram em colapso, supostamente por falta de recursos, mas vítimas do corporativismo retrógrado que sonha com tempos passados de dinheiro farto. Produzir conhecimento e vendê-lo seria um dos caminhos. Mas isso custa trabalho. Melhor queixar-se do governo, ou fazer greves;
5 – a classe média perdeu-se no meio do caminho da suposta ascensão social das bolsas-família do presidente Lula, os impostos e os péssimos serviços públicos que pagam em dobro para existir. Nos últimos anos cedeu espaço para as classes mais pobres, animadas com a chamada “política de compensações sociais” do governo. O país empobrece sem o fermento da classe média;
6 – as classes menos favorecidas começam a se organizar num contexto muito mal-costurado de ascensão social, mas legítimo, ainda que sustentado pelos cofres públicos. De qualquer forma, é melhor do que a miséria por destino, já que sempre foram as maiores vítimas dos desacertos econômicos de todos os governos;
7 – a economia descolou-se da política no correr e depois da enorme crise política que começou em junho de 2005 e arrastou o Congresso, o presidente, os partidos políticos, congressistas e terceiros nos sucessivos escândalos. A política descia a serra, e a economia sustentava o país. Este talvez tenha sido o imenso avanço da crise;
8 – por último, está em andamento no Brasil um sutil movimento de organização social que é muito maior do que tudo que já se viu até hoje. Claro que levará um tempo até consolidar-se. Mas será alimentado pelos erros do governo, das instituições e da política. Mas, mesmo o brasileiro mais pessimista não poderá negar que o país avançou com as crises e com a reeleição do presidente Lula. Foi uma espécie de fatalismo do tipo seja o que Deus quiser. Melhor do que encolher-se e esperar a mão de Deus vir sabe-se lá de onde para interferir em nossas vidas e na vida do Brasil!
* ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM (onofreribeiro@terra.com.br)
O deputado petisa José Eduardo Cardoso (SP) vai apresentar relatório ao Conselho de Ética da Câmara, sugerindo a cassação do deputado Ricarte de Freitas (PTB). Será tarde demais. O Congresso Nacional está em recesso e Ricarte, derrotado nas urnas à reeleição, conclui o seu mandato em 31 de janeiro, antes mesmo do processo ir à votação.
A situação do deputado mato-grossense se complicou porque o empresário Luiz Antônio Vedoin, um dos chefes da máfia dos sanguessugas, entregou à Justiça Federal comprovantes de depósitos e de transferência de dinheiro para conta de parlamentares.
Os papéis complicam a defesa de Ricarte, acusado de receber cerca de R$ 600 mil de propina em troca de emendas ao Orçamento. Também está em poder do relator Eduardo Cardoso documento que revela transferência de um Fiat Ducato, avaliado em R$ 70 mil e repassado a Ricarte.
O deputado mato-grossense admite o uso do veículo, como teste, durante dois meses em 2002. Garante que não recebeu propina e diz não ter qualquer relação com a máfia.
Dos 11 parlamentares que integram a bancada federal mato-grossense, sete foram acusados de envolvimento com a máfia dos sanguessugas - esquema montado pela Planam, de Cuiabá, que consistia na compra de ambulâncias para as prefeituras com preços superfaturados a partir de emendas parlamentares. Para viabilizar o negócio, os empresários Darci e Luiz Antônio Vedoin (pai e filho) confessaram que pagaram propina a dezenas de parlamentares em troca de emendas à área da saúde. Ao todo, segundo a Polícia Federal, a máfia movimentou em torno de R$ 110 milhões.
Dos 7 processos abertos contra parlamentares de MT, só falta apresentação de um relatório que envolve Ricarte. As acusações contra Pedro Henry (PP), Wellington Fagundes (PR), Celcita Pinheiro (PFL), Teté Bezerra (PMDB) e a senadora Serys Marly (PT) foram arquivadas. No caso de Lino Rossi (PP), o Conselho de Ética aprovou relatório pela cassação. A exemplo do caso de Ricarte, Rossi deve concluir o mandato antes do relatório ser votado em plenário. Somente Henry e Fagundes foram reeleitos nas urnas de 2006.
A indicação do nome do empresário Gilberto Goellner para a pasta do Desenvolvimento Rural provocou revolta na bancada do PFL na Assembléia. Os deputados não aceitam a nomeação como sendo do partido e marcaram uma reunião para segunda, 1º de janeiro, às 14h, duas horas antes do início da solenidade de posse do governador Blairo Maggi. O encontro será no gabinete do líder da bancada, Dilceu Da Bosco. Além dele, vão participar os eleitos Wallace Guimarães, Zé Domingos e Gilmar Fabris, além do reeleito Humberto Bosaipo.
A bancada argumenta que Goellner, em que pese ser filiado ao PFL, não pode ser considerado indicação da legenda. A sugestão do nome, em verdade, partiu do próprio governador, com aval do senador Jonas Pinheiro. Os deputados afirmam ainda que, pelo acordo, a indicação teria que ser discutida com a bancada, o que não aconteceu.
Na lista do governo, o PFL comandará três secretarias: Desenvolvimento Rural, com Goellner; Auditoria-Geral, com Sírio Pinheiro; e Infra-estrutura, com Vilceu Marchetti. Já para o PFL, nenhum dos 3 devem ser considerados como indicação da legenda.
Para tentar superar o desgaste político por conta do processo de concessão do sistema de água e esgoto de Cuiabá, o prefeito Wilson Santos já recebeu autorização do governador Blairo Maggi para explorar sua imagem, em campanha publicitária, como defensor do projeto. Assim também fará em relação ao presidente da Federação do Comércio (Fecomércio), Pedro Nadaf, que assume nesta segunda-feira a secretaria de Estado de Desenvolvimento do Turismo.
Santos comemorou quando, no programa Terceiro Mundo, da TV Record Canal 10, o governador disse que o prefeito estava buscando uma boa alternativa ao propôr a concessão da Sanecap, já que o município não tem capacidade de investimentos e muito menos de assegurar melhora na qualidade dos serviços. Esse avanço no setor de saneamento, destacou Maggi, só será possível com a iniciativa privada. Era tudo que o prefeito gostaria de ouvir. Santos pretende usar esse discurso do governador na esperança de convencer a maioria da população e, assim, não amargar consequências políticas, como, por exemplo, derrota à reeleição em 2008.
O secretário de Comunicação da Capital, jornalista Pedro Pinto, está prestes a concluir várias peças publicitárias em defesa da concessão da Sanecap.
O promotor de Justiça, Gerson Barbosa, da Defesa do Meio Ambiente de Cuiabá, ingressou nesta sexta com uma ação cautelar na Justiça. Buscar barrar a redução das dimensões dos parques Cristalino 1 e 2, entre Alta Floresta e Novo Mundo (nortão), uma das áreas mais ricas em biodiversidade da floresta amazônica. Ele contesta a decisão da Assembléia Legislativa, que aprovou a redução da área dos parques em sessão do dia 18 deste mês, mesmo após ter sido vetada pelo governador Blairo Maggi.
Para o promotor, a redução é ilegal e inconstitucional. Assim como o MPE, a secretaria de Estado de Meio Ambiente também deu parecer técnico contrário ao projeto da Assembléia, no qual se baseou o governador para o veto. A ação é assinada pelos promotores Gerson Barbosa e Marcelo de Carvalho e também pelo procurador-geral de plantão José Eduardo Faria. É movida contra a AL na figura do seu ex-presidente Silval Barbosa, que renunciou ao cargo de deputado na quinta (28) para tomar posse na segunda como vice-governador. Silval sempre apoiou o novo traçado do Cristalino. O seu irmão Antônio Barbosa possui uma área dentro do parque.
Em síntese, a ação busca suspender os efeitos da votação que derrubou o veto do governador. O MP pede também uma liminar para que o substitutivo dos deputados de Mato Grosso fique suspenso até o julgamento do mérito da ação. Com a redução, que seria de 14% (27 mil ha), boa parte das áreas protegidas invadidas ficarão de fora da zona de preservação ambiental.
O PFL dos caciques JJ (Jaime Campos e Jonas Pinheiro) demonstra frustração com o novo quadro de secretários do governo Blairo Maggi. Só conseguiu emplacar um secretário no primeiro escalão: Gilberto Goellner. A legenda não considera o pefelista Vilceu Marchetti, mantido na Infra-estrutura, como indicação política. Os pefelistas preferem também omitir que mantiveram os 350 cargos com níveis entre segundo e terceiro escalões.
A mesma frustração é demonstrada pelo também cacique e deputado federal eleito Carlos Bezerra, presidente regional do PMDB. A sigla não conseguiu uma secretaria. Só terá o vice-governador Silval Barbosa como representante no staff.
O PP de José Riva e Pedro Henry conduzirá uma pasta: Ciência e Tecnologia. Para não deixar Chico Daltro desempregado, já que foi derrotado a deputado federal, o PP, o qual ele próprio preside, referendou o seu nome para a secretaria.
A Rede Globo mostrou duas personalidades mato-grossenses e cometeu uma gafe na retrospectiva-2006, apresentada nesta sexta (29) à noite. Quando fez referências a Dante de Oliveira, que faleceu em julho, os caracteres no video identificaram-no como 'ex-governador de Mato Grosso do Sul'. Dante era uma figura de destaque no cenário nacional. Foi ministro da Reforma Agrária no governo José Sarney, prefeito de Cuiabá por dois mandatos, governador duas vezes e deputado federal. Apresentou, enquanto parlamentar, a emenda constitucional pelas eieções direta, em defesa da redemocratização do país. Mesmo assim, a Globo fez confusão e o identificou com um político de MS.
A imagem da senadora Serys Marly (PT) foi mostrada em destaque da tribuna, no instante em que o narrador William Bonner enfocava os escândalos políticos e falava em pizza. Serys foi uma das 8 parlamentares de MT que tiveram nomes envolvidos na chamada máfia dos sanguessugas. Acabou absolvida, assim como Wellington Fagundes (PL), Pedro Henry (PP), Teté Bezerra (PMDB) e Celcita Pinheiro (PFL). Lino Rossi (PL) teve pedido de cassação aprovado no Conselho de Ética. Sobre Ricarte de Freitas (PTB), o relatório ainda não foi votado.
O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Júlio Campos, garante que não está particpando de atividades partidárias. Segundo ele, o ex-prefeito Roland Trentini (PFL) deve ter mencionado o seu nome com alguém que o orientou politicamente "mais por um ato de gentileza".
Em entrevista ao Reumo do Dia, da TV Rondon (Rede TV!), apresentado por Roberto França, Trentini contou que tinha sido convidado pelo governador para assumir a secretaria de Desenvolvimento Rural e, segundo ele, Júlio foi uma das pessoas consultadas a respeito do assunto. Júlio desconversa. Devido ocupar cargo de conselheiro do TCE, Júlio está proibido de se envolver na militância política, sob pena de perder a cadeira vitalícia. Ele assegura que encontrou Trentini por acaso. "Eu estava almoçando com o Jaime Campos (irmão) e o Trentini chegou comentando que tinha sido convidado pelo Blairo Maggi para assumir secretaria. Foi só isso. Não tem nada demais", argumenta Júlio Campos, que compõe o Pleno do TCE desde junho de 2002.
Como teve uma militância partidária muito forte - presidiu o PFL e foi prefeito de Várzea Grande, deputado federal, senador e governador -, Júlio Campos admite que constantemente é procurado pelos amigos, que buscam orientação. "Se algum amigo me liga para me consultar, não tem nada demais. Não sou capado! Mas quero deixar claro que, depois que saí da política, nunca mais fui convidado pra nada", diz Júlio. Em seguida, o conselheiro conta que o governador Blairo Maggi, ao avistado no trecho próximo a Acorizal, fez questão de levá-lo na inauguração da rodovia de acesso ao município, cujo projeto teve início no seu governo.
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