Quinta, 17 de Maio de 2012, 18:59 h

Artigo | 01/11/2007 - 09:28

Questão de justiça

Romilson Dourado

     A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados deverá votar, nos próximos dias, pela aprovação do projeto de lei que perdoa as dívidas dos consumidores de energia elétrica contemplados pelo Programa de Eletrificação Rural Luz no Campo, instituído no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1999.
     O projeto já recebeu parecer favorável do relator. Pelo texto, esse perdão vale para os saldos devedores existentes quando a nova lei entrar em vigor. É justiça que se faz, já que outros brasileiros, beneficiados com o atual programa Luz para Todos, implantado pelo governo Lula, e que possui os mesmos objetivos sociais, não exige pagamento algum.
     A universalização da energia elétrica em todo esse imenso Brasil representa mais que um direito – é cidadania e integração nacional. Não é justo virar as costas para uma situação que, por mais que tenha nascido de boas intenções, foi mal programada e instituída.
Se ambos os programas possuem objetivos semelhantes, é condenável a sentença de dois pesos e duas medidas: uma parte de brasileiros paga injustamente uma taxa de energia elétrica, enquanto outra fica isenta pelo mesmo benefício.
     A anistia dessas dívidas, portanto, é uma questão de justiça. Uma justiça que não pode mais tardar, já que muitas famílias estão sendo enormemente prejudicadas, diante da situação de inadimplência. O governo federal não precisa disso. O acesso gratuito à energia elétrica no meio rural representa desenvolvimento com justiça social.
Seria até mesmo o caso de, junto a essa questão da energia elétrica rural, corrigirmos os vícios fundiários que ainda encontramos no país e implementarmos uma reforma agrária para valer, bem conduzida e orientada. São infelizes e equivocadas as resistências contra essa questão, e fazê-la avançar é um dever dos governos e das lideranças políticas.
Estarei me empenhando, junto à minha bancada do PMDB, para que esse projeto de anistia do Luz no Campo vá o mais rápido possível para votação em plenário e receba a devida aprovação. Entendo, até, que essa é uma questão suprapartidária, e devemos aproveitar a discussão para ampliarmos o debate sobre a questão energética no país.
     Agora, é bom lembrar que o relator do projeto, enquanto encaminha favoravelmente para o perdão das dívidas do Luz no Campo, decidiu não acatar outra proposição apensada, que determina a devolução, aos usuários, de todos os valores que tiverem sido pagos como taxa do referido programa. Entende o relator que, tal providência, apesar de bem intencionada, seria inviável do ponto de vista prático.
Os argumentos do relator são os de que, desde que foi instituído, em 1999, muitos usuários do programa Luz no Campo, que pagaram as referidas taxas, venderam suas propriedades e mudaram-se ou faleceram e seus descendentes desmembraram a propriedade em outras menores ou venderam-nas.
Conclui o relator que, restituir os valores pagos exigiria um trabalho de investigação difícil, praticamente inviável e, certamente, extremamente oneroso, possivelmente mais oneroso do que os valores que seriam restituídos.
     Mas o fundamental é o perdão da dívida, e que, definitivamente, a energia elétrica seja levada gratuitamente à população do meio rural. Viabilizar a pequena propriedade agrícola é fortalecer o interior do Brasil. Favorece a subsistência, freia a evasão para os grandes centros e, consequentemente, o inchamento das cidades. Reafirmo, assim, meu compromisso de luta, em plantar no campo brasileiro sementes de esperança e vida para milhares de famílias.

Carlos Bezerra é deputado federal do PMDB-MT. Governou Mato Grosso (1987/1990).

CONVENÇÃO DO PR | 01/11/2007 - 08:00

Trio faz barulho e já incomoda Sachetti e Maggi

Romilson Dourado

   Os deputados Zé Carlos do Pátio (PMDB), Percival Muniz (PPS) e Rogério Salles (PSDB) se transformaram no trio do barulho, estão infernizando a administração de Adilton Sachetti (PR) e ainda trazem ruídos aos ouvidos do governador Blairo Maggi, principal aliado do prefeito rondonopolitano. Eles anteciparam a sucessão municipal e, por interesse puramente eleitoreiro, começaram a "detonar" o governo Maggi. A estratégia e fechar o cerco na Assembléia e tirar proveito político em Rondonópolis.

    Pátio e Muniz tentam se juntar com o ex-governador Salles (2002) para formação da tríplice aliança. A tendência é que o peemedebista seja o candidato do grupo a prefeito da cidade-pólo da região Sul. De um dos principais aliados de Sachetti e de Maggi, Muniz se tornou oposição ferrenha. Na Assembléia, defende até criação de CPI para apurar as razões do tamanho volume de concessão de incentivos fiscais às empresas. Antes, quando Maggi estava no PPS, Muniz não via defeitos no governo. Agora, na opinião dele, trata-se de uma administração que mudou o rumo e está decepcionante. Usa o mesmo argumento em relação ao ex-colega de partido, Adilton Sachetti.

   Pátio sempre teve posição mais dura em relação à turma da botina, tanto que não apoiou à reeleição de Maggi no ano passado, mesmo o seu PMDB estando na chapa majoritário com o vice Silval Barbosa. O deputado é outro que ataca o governo. Salles, mas cauteloso, começa a comprar o discurso dos dois opositores, em que pese a amizade com Maggi e Sachetti.

   As eleições municipais tendem a ser empolgante e acirrada na maioria dos 141 municípios mato-grossenses, mas a de Rondonópolis, onde reside o governador Maggi, reserva um capítulo a parte. O resultado terá influência na sucessão de 2010.

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