Quinta, 24 de Maio de 2012, 11:09 h

Artigo | 19/06/2011 - 07:09

Participação social: direito de voz

Jackelyne Pontes

Jackelyne Pontes   A Constituição Federal de 1988 passou a definir saúde como um direito de todos e um dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos, e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação (Artigos 196 e 198).

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 Não se pode pensar saúde
sem a participação social
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    Como parte da formação acadêmica, mestrandos do Instituto de Saúde Coletiva da UFMT são estimulados a pensar a saúde como um conceito dotado de diversas vertentes que não só a ausência de doença, pois o conceito de saúde é ditado pela realidade do povo, sendo assim estão impregnados nele as emoções, as relações sociais, fatores econômicos e educacionais, históricos, familiares, políticos e também de acesso à saúde.

     Não se pode pensar a saúde sem a participação social, sem o envolvimento dos indivíduos que ao expressarem suas necessidades de segurança, educação, alimentação, cultura, acabam por trazerem a tona suas aspirações e contribuem para a constante modificação deste conceito, fazendo valer a democratização e ajudando a construir novos caminhos.

      Muitas vezes nos perguntamos onde e como podemos nos fazer ouvir. Um dos instrumentos legítimos colocados à disposição da população são as ouvidorias, e devemos lançar mão desse valioso recurso. Mas muitos desconhecem o seu significado. Ouvidoria é um canal de comunicação. As secretarias estaduais e municipais de saúde possuem esse serviço onde a população pode sugerir, reclamar, denunciar, reivindicar e porque não elogiar, colaborando efetivamente como cidadãos, seja por telefone, internet ou mesmo pessoalmente. Porém a ouvidoria deve ser um canal não burocratizado, fácil, ágil, democrático, ético.

    Cabe aqui resgatar o significado da palavra ouvir, que é muito diferente de escutar. Escutar está ligado ao sentido da audição, e ouvir é escutar criticamente, entendendo, elaborando e principalmente percebendo a ação. Temos que nos fazer ouvir! A ouvidoria introduz a nossa voz, a voz do usuário, no sistema de saúde. E nós usuários temos esse poder de fazer com que as ações que nos beneficiem passem da teoria para a prática e seja real, basta que tenhamos conhecimento de como faze-lo e principalmente que o façamos.

    Quanto a mim, na incansável, apaixonada, punjante e porque não dizer utópica vontade de colaborar insisto: manifestemo-nos!

     Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva pela UFMT e passa a escrever exclusivamente para este blog todo domingo -  jackelynepontes@gmail.com

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Artigo | 17/06/2011 - 06:44

Prefeitura de Rondonópolis recusa título de mestrado do Mercosul

Rosângela Cadidé

Rosângela Cadidé     Universidades Federais do Brasil não dão conta da demanda para promover cursos de pós-graduação, assim muitos professores se deslocam para se capacitar fora do país
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    Uma professora em Rondonópolis me disse: “Muito me admira o prefeito que, antes se mostrava um homem que lutava em prol dos direitos dos profissionais da educação, não aceitar títulos de mestrados só porque a universidade não é brasileira. Ele seria um dos pioneiros se a situação fosse inversa, a exemplo de representantes de outros Estados como Rio de Janeiro e Roraima. Isso daria uma arrancada em sua caminhada política. O que ele não sabe é que o ensino oferecido tem qualidade e muita qualidade. Não fui a Assunção, no Paraguai, comprar nenhum diploma. Fui me aperfeiçoar e ampliar meus conhecimentos e realizar meu sonho e com responsabilidade, já que no Brasil as universidades se fecham numa redoma de vidro, onde poucos são beneficiados.”

    Compreende-se a importância de se ter professores capacitados por meio de um processo formativo contínuo, que busque constantemente fundamentos teóricos, pois o professor assume grande parte da responsabilidade do trabalho em sala de aula, pelo fato de fazer a mediação aluno/conhecimento. E é, dentro desta conotação da realidade que se insere a busca do professor por aperfeiçoamento, aprimoramento ou desenvolvimento de novas potencialidades, para uma escola competente, dentro das novas exigências impostas pela cultura plural, heterogênea, ética e facilitadora da cidadania.

   Este é, pois, o momento de se refletir sobre a necessidade de se investir em educação, na formação do professor ao longo de sua vida profissional, de forma contínua, efetiva e eficiente, para que a sociedade colha os frutos através da ação social de seus professores e alunos, como um produto final reerguendo valores de pátria, nação, tornando-a mais humana e humanizadora, com modelos de vida mais digna, mais feliz e mais respeitável, entre seus cidadãos.

    Mas, infelizmente a rede de cursos de pós-graduação strico sensu das universidades federais do Brasil não atende a sua enorme demanda hoje existente, fato surpreendente, pois se trata de uma postura totalmente incoerente com a de um país que carece de mestres e doutores para aprimorar sua educação e que estabeleceu a qualificação do seu corpo docente como uma das metas prioritárias da educação. Assim, a propósito dessa situação, a adesão do Brasil a acordos internacionais para a aceitação mútua de títulos universitários de graduação e pós-graduação obtidos em universidades dos Estados-Partes foi interpretada, pelos brasileiros atuantes na área da educação superior, como um veemente incentivo do governo federal para que pudessem ingressar em cursos ofertados por universidades estrangeiras, notadamente de Portugal e dos países integrantes do Mercosul.

    Esse incentivo conduziu centenas de docentes e outros profissionais do Brasil a realizarem cursos de pós-graduação em universidades estrangeiras. Muitos optaram por cursos totalmente presenciais em universidades do exterior e outros o fizeram em universidades de Portugal (país integrante do denominado "Primeiro Mundo") ou de países do Mercosul (especialmente a Argentina, que tem elevado padrão na área de Educação, como se faz sentir pelo seu elevado número de ganhadores do Prêmio Nobel). Porém, o que se verifica é que os professores que optaram por fazer cursos de pós-graduação em universidades estrangeiras têm sido, com frequência “barrados” na aceitação de seus títulos, desprezados pelo próprio poder público, que os incentivou a ingressar nessa empreitada.

   E esta empreitada, deve-se ressaltar, é muitas vezes mais árdua, devido à divergência de idiomas e, eventualmente, dos métodos de avaliação; e mais onerosa para o estudante, uma vez que, na maioria dos casos de que se tem conhecimento, dão-se às suas próprias expensas - daí dizer-se que praticamente não existem ônus para o país.

    Temos como exemplo em meio a tantos outros professores que vivenciaram/vivenciam essa realidade, a história da professora de Rondonópolis Sebastiana Aparecida Alves, que não teve o seu título de Mestre em Ciências da Educação pela Universidade Autônoma de Asunción aceito pela prefeitura e não quis permanecer no anonimato, pois, segundo ela, há inúmeros professores na mesma situação. Sebastiana é concursada desde 1994. Atualmente coordena a Escola Melchides Figueiredo Miranda, da rede pública municipal de ensino de Rondonópolis. Embora com salário baixo, ela procurou investir com recurso próprio em sua capacitação, principalmente quando viu um dos seus sonhos sendo interrompidos (o desejo de fazer mestrado).

    Ela participou do seletivo para o mestrado em Cuiabá na UFMT. Passou na prova escrita e também na de proficiência de línguas - entre 545 candidatos, passaram 20 e ela ficou entre eles. Mas, na hora da entrevista, foi informada pela orientadora de que disponibilizava apenas uma vaga. Então, se viu obrigada a procurar outras possibilidades, uma delas fazer mestrado em Assunção. Iniciou o curso de mestrado em julho de 2007, apenas nos meses de suas férias, isto é, a cada seis meses, para não se afastar das atividades. Seus gastos com despesas ultrapassavam a R$ 3,2 mil por semestre, incluindo passagens, diária de hotel, alimentação e, principalmente, mensalidade que tinha que pagar seis todas as vezes que pisava os pés no país vizinho.

    Então, com o salário de professora, tinha que economizar para conseguir terminar o seu curso. Segundo relato da mestra Sebastiana, o ensino oferecido é de ótima qualidade e as aulas são ministradas por professores-doutores, inclusive de docentes de universidades brasileiras renomadas. Em 2010, de posse do seu título, encaminhou pedido de elevação de nível, respaldada no acordo do Mercosul que prevê em seu artigo 4º que "a validade dos títulos estrangeiros, para os fins que menciona, aos nacionais de cada Estado", e em seu artigo 5º, que "limita a validade automática do titulo" que, "somente conferirá direito ao exercício das atividades de docência e pesquisa", devendo se proceder ao  reconhecimento dos títulos para qualquer outro efeito.

   Para tanto, se entende que a elevação de nível deve ser efetivada e o acordo respeitado. Além disso, no PCCS (Plano de Cargo, Carreira e Salários) da rede Municipal de Rondonópolis, não há restrição a títulos de universidades estrangeiras. Porém, com tudo isso, teve parecer indeferido pela Procuradoria-Geral do Município, não aceitando o seu título de mestre. Diante do exposto, procurou reunir com os mestrandos do município para informá-los do ocorrido e pensar em soluções para resolver o problema, já que não seria exclusivamente dela.

   Nessa trajetória, perceberam que não estavam na luta sozinhos, pois contavam com apoio de vereador Reginaldo, do deputado estadual Percival Muniz e do senador Pedro Taques, os quais se solidarizaram e estão engajados nessa luta. Agora, o que diria a secretária de Educação e Cultura Marilda Rufino (que é professora), diante dessa situação aos colegas de profissão, sendo ela aluna de mestrado de país do Mercosul (Pedro Juan, no Paraguai)? Vale lembrar que cargos de confiança não são vitalícios.

    Não é justo, nem lícito que o poder público municipal impeça professores, assim como a mestre Sebastiana, de exercer direitos assegurados por lei vigente e, ademais, trata-se de um direito social fundamental, nos termos do artigo 6º da Constituição do Brasil (inserido nos direitos sociais à educação e ao trabalho), o qual tem aplicação imediata. A negativa dada não somente a professora, mas também a outros colegas de profissão do município é ilegal e arbitrária, pois traz graves constrangimentos para o seu portador, quer no meio acadêmico, onde ganha a sua vida, quer seja entre os amigos, e, ainda, no seio familiar, surge o direito do lesado à reparação dos danos morais sofridos, que são gravíssimos, mormente para quem vive da atividade acadêmica, já que muito perde em sua reputação, quando deveria ganhar.

    Além disso, como a não-aceitação do título impede o seu portador de usufruir os direitos financeiros que ele lhe proporcionaria, caberá, ainda, a cumulação do pedido de indenização dos danos morais com a indenização dos danos materiais. Estes últimos correspondem ao que o portador do título deixaria de ganhar se estivesse com o título devidamente aceito (lucros cessantes), como também tudo o quanto gastou na realização do curso cujo título está sendo recusado (danos emergentes).

     Sendo assim, tendo-se em consideração que o problema da revalidação atinge direitos sociais fundamentais (educação e trabalho) de uma parcela bastante ampla da comunidade docente do Brasil, cabe perfeitamente a elaboração de denúncia individual, ou por meio do sindicato ou outra associação de classe, perante o Ministério Público Federal - de preferência à Procuradoria da República em Brasília, de onde poderia ser obtida uma solução que alcançasse todas as universidades do Brasil. Os interessados poderão impetrar mandado de segurança contra o ato da autoridade da instituição que recusar o reconhecimento do título, requerendo medida liminar e sua confirmação definitiva, para ordenar o reconhecimento do titulo adquirido.

    Professores, não fiquem no anonimato. Denunciem o desrespeito aos seus direitos, ainda mais, quando se percebe que é por falta de vontade política. Faça isso, a exemplo da professora Sebastiana. Cada conquista adquirida individualmente valerá para toda a classe.

   Rosângela Fernandes Cadidé é professora há 10 anos das redes pública e particular, formada em Letras com Especialização em Recreação e Lazer pela Universidade Federação de MT e escreve neste blog às sextas - rosangelacadide@hotmail.com

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Artigo | 16/06/2011 - 07:09

Cidade: breves reflexões

José Patrocínio

José Patrocínio    A necessidade de viver bem é meta que a população deve perseguir incansavelmente porquanto na faz sentido a dor, o sofrimento, a amargura, o incômodo e o mal-estar. Posto isso, é necessário pensar e repensar a cidade em que moramos a fim de buscar o bem-estar necessário em consonância com o princípio da dignidade humana de toda a população.

    Para reordenar a cidade é imprescindível o envolvimento de todos os segmentos sociais, apontando sugestões e críticas, analisar experiências exitosas a fim de viabilizar um projeto que priorize a população e não os interesses puramente mercantis como vem ocorrendo hodiernamente.

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Precisamos comungar esforços para efetivar
ação planejada para a construção de uma
cidade sustentável e geradora de riquezas
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    Na pauta obrigatória dever-se-á fomentar debates sobre a cidade ideal para os seus citadinos, observando o principio da cidade sustentável garantidora da preservação do meio ambiente e inclusão social, tendo sempre em mira a fruição dos bens coletivos por todos e principalmente um atendimento adequado àqueles com deficiência e restrição de mobilidade.

    A preocupação tem razão de ser porque os dados estatísticos recentes demonstram uma grande concentração de pessoas nos centros urbanos e inobstante a existência de um estatuto próprio para as cidades vigorando desde 2001, pouco se tem feito dada a inércia dos gestores públicos que não possuem a ousadia de pensar em uma cidade inclusiva e sustentável, promovendo acesso amplo e democrático ao espaço urbano, priorizando o transporte coletivo e os não-motorizados.

    O modelo adotado em nossa urbe não difere do padrão de urbanização brasileiro fortemente caracterizado pela fragmentação de espaço e o crescimento desordenado da periferia, alargando por sua vez enorme desigualdade social entre as áreas denominada pobres – assentadas precariamente – e as ricas onde de alguma forma estão fincadas os equipamentos urbanos e infra-estrutura, tornando a cidade viável para uns poucos em detrimento dos demais.

    Nunca é tarde para refletir e fazer o que não foi feito e precisa ser feito. A hora é agora. Estamos em 2011, logo será 2012. As forças políticas partidárias já estão se movimentando aqui e acolá, mesmo que timidamente. Mais que nunca precisamos comungar esforços para efetivar uma ação planejada para a construção de uma cidade sustentável, geradora de riquezas, almejando a conquista da educação integral, do lazer, segurança, tranquilidade e salubridade em nosso ambiente. Não dê espaços para a produção de mais miséria, a exemplo do incentivo exacerbado e irresponsável das implantações de favelas e cortiços desprovidos de qualquer infraestrutura capaz de assegurar minimamente bem-estar aos habitantes.

     O desafio para por em prática uma política urbana sustentável baseado na solidariedade, liberdade, dignidade e da justiça social, constitui tarefa árdua de toda a sociedade civil organizada, podendo seguir diretrizes delineadas pelo Estatuto da Cidade, instituto contemporâneo e renovador das esperanças da população. Porquanto, em seus comandos, estão presentes as linhas gerais de políticas urbanas que propiciam o ordenamento e desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana, instituindo normas impositivas e a favor de toda a coletividade.

     Assim, garantiremos a participação democrática de todos os segmentos da sociedade na construção da cidade que todos almejamos ou sonhamos, podendo traduzir em melhorias efetivas, à medida que se faça o planejamento adequado e o implemente dando efetividade à vontade do cidadão urbano. Na prática, essas ações trazem comodidades fruíveis aos seus habitantes, dignidade e saudável convivência da população consciente de que a proteção de sua individualidade não prosperará, caso não se observe com a devida atenção a divisão equilibrada das comodidades postas à disposição de toda a coletividade.

     José Patrocínio de Brito Júnior é advogado, professor universitário e escreve exclusivamente para este blog às quintas-feiras - jpbj.adv@uol.com.br

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Artigo | 15/06/2011 - 07:54

O grande debate na Câmara

Dejair Soares

"Não devemos ter medo dos confrontos...
Até os planetas se chocam e, do caos, nascem às estrelas", 
Charles Chaplin.

     O prefeito de Cuiabá, Chico Galindo, apresentou na semana passada o Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB). A proposta passará agora por audiências públicas e depois análise da Câmara para se transformar em lei. O problema é que o prefeito só considerou dois parágrafos do terceiro artigo da Lei nº 11.445, omitindo outros dois que tratam de problemas cruciais que a Capital enfrenta e ainda quis posar dizendo que apresentou o projeto. 

     O que dizem esses parágrafos: 

     Os que foram considerados tratam do  "abastecimento de água potável: constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações necessárias ao abastecimento público de água potável, desde a captação até as ligações prediais e respectivos instrumentos de medição" e do "esgotamento sanitário: constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente".

     Já os que foram omitidos deveriam considerar no PMSB a "limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, transbordo tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e vias públicas" e a "drenagem e manejo das águas pluviais urbanas: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de drenagem urbana de águas pluviais, de transporte, detenção ou retenção para o amortecimento de vazões de cheias, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas".

     O Conselho Nacional das Cidades estabeleceu, por meio da Resolução 33/2007, o prazo até dezembro de 2010 para os municípios elaborarem, de forma participativa, seus planos de saneamento básico. Caso contrário, teriam, a partir de 2011, interrompidos os repasses da União destinados ao saneamento.

     Prefeito Galindo, o que o senhor apresentou à sociedade é apenas um diagnóstico do abastecimento de água e da coleta de  esgoto em Cuiabá, não um PMSB. Só que o senhor insiste em afirmar que é, como se ele estivesse realmente de acordo com o artigo 19 da Lei Federal nº. 11.445, de 05 de janeiro de 2007, que estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico, e o Decreto 7.217, de 21 de Junho de 2010, que regulamenta a referida lei.

      O senhor omitiu informações e tentou enganar a sociedade e até mesmo a Câmara de vereadores. A lei é clara e o senhor está fugindo do debate a respeito da limpeza urbana, manejo dos resíduos sólidos e da drenagem das águas pluviais. Esses temas são os maiores problemas que Cuiabá enfrenta hoje. Seu diagnóstico serve apenas para saber qual será a melhor forma de se desfazer da Sanecap, privatizá-la.

      Senhores vereadores, o desenvolvimento de uma cidade, nos aspectos econômicos e sociais, passa necessariamente por políticas públicas devidamente efetivas e adequadas. Não podemos perder de vista que num PMSB está incluso o direito fundamental à vida, à habitação, à saúde, ao meio ambiente equilibrado ecologicamente. 

      O que está sendo apresentado à Câmara e a Cuiabá é um simples diagnostico do que já é feito com a água e o esgoto. Caberá aos senhores aceitarem ou não esse engodo entregue por um prefeito que todo sabem detestar os cuiabanos.

      Não pense, senhor prefeito, que nossos vereadores são bobos. O senhor deveria pedir desculpa ao povo por ser um grande mentiroso.

      Dejair Soares é publicitário em Cuiabá

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Artigo | 14/06/2011 - 07:08

Fatos que desaquecem a alma

Olga Lustosa

Olga Lustosa    A vida não é ficção. E a construção de um projeto de vida requer um planejamento e a vida das pessoas é seguramente o melhor de todos os projetos de construção. Já mudei tanto o meu projeto; de partido, mudei minhas convicções, a ideologia, o rumo da vida.

    Porque a vida não será nunca um rito sequenciado, com acontecimentos lineares. Ganha-se aqui, perde-se ali. Há quem amou muito, há quem perdeu o único amor. Assim, simples mesmo.

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Nosso olhar em sintonia com o
coração não pode perder a
capacidade de indignar-se

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    Os fatos acontecem quando você se expõe, quando é vencido o medo, os preconceitos, quando se quebra conceitos antigos contidos no complexo entendimento que a vida não é feita apenas de ornamentação. É um desafio após o outro, feridas que sangram, feridas que cicatrizam e feridas que contaminam.

     Olho a rua, as pessoas apressadas, movimentos desconfiados, troca de palavras ásperas. Eu não quero compartilhar esse sentimento de que nada tem jeito, tudo dá medo, de que os suspeitos se escondem e espreitam. É preciso fundamentar a existência em boas práticas e transformá-las em ações efetivas de compartilhamento, é preciso olhar para o outro, com olhar de quem está enxergando além do universo das aparências. Esse olhar desarma a má intenção, aproxima os opostos. Olhando retrospectivamente os anos, diria que os fantasmas não mais assombram, embora não existam garantias consistentes para mantê-los distantes.

    Porém, as mazelas não devem se tornar familiares. Nosso olhar em sintonia com o coração não pode perder a capacidade de indignar-se. Para falar sobre a pobreza – uma doença incurável em todo o mundo, temos que ver além das causas sociais da miséria. A pobreza é uma realidade que não deve ser banalizada, tanto as causas quanto a falácia em torno dela; a violência é comum a todos; a política produz e reproduz com surpreendente rapidez o “tipo ideal”, o político sagaz, que lança mão de estratégias inusitadas para prosperar.

     Há os que, à sombra do passado influente, tentam erguer fortaleza, há conflitos mesquinhos e falsas promessas, que estrangulam nossa política. Há os que pedem além do que merecem, há os que burlam a lei para se beneficiar. Há e em toda parte há, o medalhão. Aquela figura que dança em torno do poder, que se esconde atrás do influente, dando tapinhas, fazendo afagos, não sai do senso comum, não avança, não muda, não progride. O medalhão tem que manter-se sempre à beira da mediocridade. O medalhão enriquece ilicitamente, desconversa, titubeia , até o dia em que a máscara cai.

     Eu não me contento mais em ser uma cidadã passiva, que caminha sem olhar pra trás. Eu quero escutar o que estão falando. Não podemos parar de perguntar e produzir respostas. As crianças devem receber respostas honestas, mas eu não saberia o que dizer se me perguntassem se há legalidade para um deputado sair por aí prestando consultoria. Não seria tráfico de influência? Por que se empreende tamanho esforço para proteger pessoas que não são relevantes para nosso país, tampouco para nossa história?

    Não quero quebrar o paradigma de dizer a verdade, mas não saberia explicar porque a Corte Suprema nos obrigou a adotar um italiano de origem duvidosa. Membro do grupo terrorista sem expressão alguma, chamado Os Proletários Armados para o Comunismo, Cesari Battisti pertencia a uma organização pequena e regional, que deixou de existir três anos mais tarde, após assassinar três pessoas. O italiano não era nenhum líder revolucionário, os assaltos eram praticados para sustento do próprio grupo, que sequer possuía vinculação ideológica.

     Embora a decisão seja um ato soberano do Executivo que deve ser respeitado, há controvérsias quanto a moralidade e até mesmo necessidade de se expor pelo mesmo. Não deve se concretizar, mas se o governo italiano recorrer ao Tribunal de Haia, o Executivo brasileiro e o Supremo sairiam diminuídos desse episódio.

      Fatos assim desaquecem a alma, diluem as prioridades, não produz notícia, gera excesso de ruído na mídia nacional e internacional.
Mas na minha insistente viagem rumo a desafios interiores maiores e sem me abandonar a uma esperança vã, reconheço que há homens e mulheres que inspiram pela coragem, pela ousadia com que perseguem a paz e a justiça social. Há visíveis progressos e avanços no país, no Estado, na cidade, na minha vida e na sua. Há políticos éticos e sérios, homens solidários que estão comprometidos com bons relacionamentos, bom trabalho, que enxergam mais as oportunidades do que os problemas.

     E se persiste momento  de monotonia em sua vida, avalia,  assuma riscos que transcendam o senso comum, olhe para os lados, para o chão, para o alto. Se ver o sol, agradeça. Se não ver o sol, verá o céu e, então, já terá valido a pena e você não terá movido montanhas.

     Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e acadêmica de Ciências Sociais pela UFMT e escreve exclusivamente neste blog toda terça-feira (olga@terra.com.br)

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Artigo | 13/06/2011 - 07:00

Para entender o PSD – Parte II

Vinicius de Carvalho

Vinicius de Carvalho  Retomo ao artigo da semana passada, que começou a analisar as razões para formação do Partido Social Democrático (PSD) - veja aqui a parte I do artigo sobre PSD

   Renovação à direita e enfraquecimento do Democratas. Uma das marcas da história política brasileira recente é a reconfiguração da direita. Após três reveses consecutivos (ocaso do regime militar, Nova República e Governo Collor), a direita aceitou papel secundário nos governos Lula e FHC.

    Lula fez uma aliança com a chamada “direita inorgânica”, já que não pôde contar com o então PFL, PSDB e parte do PMDB. Lula teve que se aliar com PP, PTB e PL, que acabaram inchando e ajudando a provocar o escândalo do mensalão.

   Desde então, a direita vem tentando reinventar-se, de modo a atingir o eleitorado conservador existente no Brasil, estimado por pesquisadores como algo entre 20% a 30%. Para tanto, diante da vigência da Lei 9096/95, que instituiu a cláusula de barreira, o PL se fundiu com o Prona em 2006, gerando o Partido da República (PR). O PFL, por sua vez, reagiu com a eleição do deputado federal Rodrigo Maia como seu Presidente Nacional e a mudança do nome para Democratas. Desta forma, a disputa pelo eleitorado conservador ficou entre democratas e republicanos, como nos Estados Unidos.

    Contudo, a estratégia do Democratas não gerou os resultados esperados e o partido continua num enfraquecimento progressivo. Alguns fatores vêm contribuindo para este quadro, tais como:

     1 – A perda de participação nos órgãos federais e em alguns Estados;
     2 - O crescimento do PT e PSB nos Estados do Nordeste;
     3 – O crescimento do PR;
     4 - A força do Lulismo nas eleições presidenciais no nordeste;
     5 - A derrota de nomes tradicionais do partido nas eleições de 2010, como Marco Maciel, Paulo Souto, César Maia, Heráclito Fortes e Efraim Moraes;
     6 – A desarticulação do Carlismo na Bahia;
     7 – O escândalo apelidado pela imprensa de “mensalão do DEM”, que vitimou seu único Governador (José Roberto Arruda);
     8 – A derrota de José Serra no Rio, apesar da presença do deputado federal Índio da Costa na chapa;
     9 – Perda de um discurso mais claro para o eleitor; e
   10 – O comportamento de Gilberto Kassab e Guilherme Afif Domingos na criação do PSD.

    Os dados eleitorais apontam este crescimento do PR em nível nacional. Quando se observa a votação para a Câmara dos Deputados, verifica-se que PSDB, PFL/DEM e PP saíram de 264 deputados em 1998 para 138 em 2010, ao passo que PT, PSB e PR saíram de 82 para 163. Quando se confronta as bancadas de PFL/Dem e PL/PR, verifica-se que a relação entre elas caiu de cerca de 8,75 em 1998 para uma quase equiparação, com 43 deputados federais para o Dem e 41 para o PR.

     O PR adotou como bandeira a defesa de investimentos na infraestrutura e no agronegócio, que atraem setores do empresariado, além da importante bancada evangélica. Ou seja, voltou-se para atores emergentes no cenário político-econômico e que buscam canais partidários para vocalizar sua força e posições.

     O PSD está de olho nestas movimentações, numa busca por quadros de peso no cenário nacional e nos Estados. Em função das características personalistas de nosso sistema político, tais quadros podem transformar o PSD no principal partido neste eixo de centro-direita no Brasil. Com poucos quadros de expressão, pode acontecer com o PR o mesmo fenômeno de desidratação do Dem.

     No próximo artigo, veremos como a bipolarização entre PT e PSDB nas eleições presidenciais pode estar contribuindo para a formação do PSD.

      Vinicius de Carvalho Araújo é especialista em gestão pública, mestre em História Política, professor universitário e escreve neste blog às segundas-feiras (www.professorvinicius.com.br)

Artigo | 10/06/2011 - 08:03

Professor nosso de cada dia

Rosângela Cadidé

Rosângela Cadidé    A profissão de professor, no imaginário social atual, ainda está fundamentada na retórica da missão, do sacerdócio e da vocação, arquétipo que impregna fortemente a história do profissional.

    Assim, criou-se um piso salarial para o docente. Um salário que, além de não ser justo, não é suficiente para viver de modo decente.

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A maioria dos professores trabalha os
3 períodos para tentar sobreviver no
limite do colapso ou da asfixia
levando a escola para casa
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    Desse modo, a maioria dos professores acaba tendo que trabalhar os três períodos para tentar sobreviver no limite do colapso ou da asfixia “levando a escola” para casa. Nesta, se trabalha bem mais do que no próprio ambiente escolar, seja elaborando ou corrigindo provas, confeccionando textos e apostilas, revisando trabalhos acadêmicos ou pesquisando. Eu, em meio a tanto outros colegas de profissão, sou  exemplo vivo dessa situação. Entretanto, paga-se o mínimo e se quer o máximo. No caso de professor, ainda tem um agravante, pois é uma profissão que exige sempre atualização, “esquece” que livro, curso, etc., são muito caros e que não há verba sacerdotal para o seu subsídio.

    Quando reivindicamos melhorias salariais, tendo que usar quase sempre a greve (como é o caso dos professores do nosso Estado), é porque estamos cansados dos discursos demagogos por parte dos nossos governantes, que enaltecem a figura do educador dizendo “reconhecer o papel do professor como de fundamental relevância para a educação”; e por verem que a situação salarial que temos hoje ainda é semelhante ao do século XVIII, pois o salário médio do professor brasileiro em início de carreira é o terceiro mais baixo dentro os 38 países desenvolvidos e em desenvolvimento, segundo um estudo da Unesco.

    A atribuída importância social ao papel do professor não passa de uma fantasia, uma vez que não o tira da realidade do sofrível ao razoável, diante de uma sociedade cujos cidadãos pagam impostos. Mesmo assim, a imagem do professor ainda é positiva, pelo menos no plano simbólico, pois se depositam sobre os docentes a expectativa e a responsabilidade social de um futuro melhor, onde se espera que ele dê conta das inquietações, das angústias flutuantes do espaço educacional e das infiltrações do mal-estar-social.

   Agora, esperamos que a sociedade entenda que essa “responsabilidade social” não cabe apenas a nós professores, pois há situações que vão além das possibilidades do educador. Para exemplificar essa questão, contarei algo que vivenciei ao dar aulas numa escola pública municipal em um bairro de periferia. Onde a maioria das crianças vive precariamente tendo na escola uma oportunidade para poder comer. Teve um dia que choveu muito próximo ao horário de iniciar a aula. Imaginei que não iria aparecer nenhuma criança, mas apareceu a maioria, pois não teve almoço em casa.

    Dei aulas para essas crianças com fome e molhadas. A falta de higiene era constante. As crianças do jeito que estavam em casa vinham para escola, além de ter comprado inúmeras vezes remédio para piolho, pois havia crianças que até “bicho” na cabeça tinha por conta dos piolhos. Além disso, nessa turma, cuja escolaridade corresponderia a antiga segunda série, muitos não sabiam ler e escrever. Em princípio, leitores, vocês podem até pensar: mas como foram para “essa série” sem esses requisitos básicos? O que o professor fez o ano todo?

    Resolvi não procurar culpados. Mas no decorrer do ano letivo, percebi que o problema de aprendizagem dessas crianças estava relacionado ao social de suas famílias. Comprovei isso, quando fui à casa de um dos meus alunos, pois sempre os seus colegas falavam que o viam na rua, mas não estava vindo à escola. A mãe nem tinha conhecimento de que a criança não estava indo estudar, pois saía todos os dias às cinco horas da manhã para o trabalho, chegava às seis e não tinha com quem deixasse o filho.

    Toda a responsabilidade educacional ficava para a própria criança, que na maioria das vezes, ao invés de ir para escola, ficava na rua. Como fica o rendimento escolar diante dessa triste situação? É muito fácil fechar os olhos para a situação e dizer que a culpa é do professor, pois raramente somos alvos de elogios que transformem em benefícios reais para o nosso ofício, nossa melhoria logística e qualidade de vida; mas sim de pesadas e destrutivas críticas que se destilam a cada momento em artigos de jornais, de revistas, etc.

   Rosângela Fernandes Cadidé é professora há 10 anos da rede pública, formada em Letras com Especialização em Recreação e Lazer pela Universidade Federação de MT e escreve neste blog às sextas rosangelacadide@hotmail.com

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Artigo | 09/06/2011 - 07:42

Recall: instrumento de cidadania

José Patrocínio

José Patrocínio   Em que pese a apatia da classe política brasileira em avançar nas propostas modernizadoras objetivando a reforma política e eleitoral, tal assunto passou a despertar interesse obrigatório a partir das discussões travadas no âmbito da sociedade civil organizada que, a propósito, em passado recente, fez aprovar duas leis de iniciativa popular sobre a questão política eleitoral, uma sobre a cassação de mandato quando comprovado captação ilícita de sufrágio e outra denominada ficha limpa, que veda a candidatura de pessoas condenadas perante a segunda instância em crime de maior potencial.

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 "Instituto reccal visa instituir o arrependimento
eleitoral, porquanto permite aos próprios
eleitores a revogação de mandato eletivo
de políticos que os frustraram"

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    Com a mobilização permanente da sociedade organizada que exige aperfeiçoamento do processo democrático, a reforma política – na atual conjuntura brasileira –, entendida como proposições que objetivam em sentido macro alterar a estrutura política nacional é imprescindível para o aprimoramento democrático de nossa nação, não podendo ser postergada sob pena de comprometer os avanços a partir da promulgação de nossa Carta Magna.

    As conquistas obtidas são inegáveis, mas temas de suma importância não podem ficar represados no âmbito do Congresso Nacional, devendo ser submetidos ao seio da população para que sejam devidamente debatidos, tal como ocorreu na ocasião do referendo sobre o desarmamento.

    O instituto reccal – um dos temas em pauta no Congresso Nacional no bojo da reforma política –, merece mais atenção e divulgação, pois é um mecanismo que visa instituir o arrependimento eleitoral, porquanto permite aos próprios eleitores a revogação de mandato eletivo de políticos que os frustraram, seja por incompetência ou mesmo traição à confiança depositada para o exercício do mandato.

    O Instituto que representa a forma popular de desconfiança do cidadão eleitor é conhecido na Europa, adotado também em inúmeras unidades federativas nos Estados Unidos da América do Norte, tendo como exemplo a destituição do ex-governador da Califórnia Gray Davis, cedendo lugar ao astro do cinema Arnold Schwartzeneger.

     Tal instituto é de vital importância porque a sociedade civil brasileira vem a todo momento dando manifestação de elevado grau de descontentamento com a classe política, em razão dos vários escândalos protagonizados por distintos personagens da alta cúpula dos poderes constituídos, levando a população ao completo descrédito, assim por ser um assistente passivo no modelo atual, nada pode fazer em desfavor dos representantes que não honram o mandato titularizado através da delegação popular, ficando mercê da justiça que obediente aos trâmites processuais e o elevado número de ações, torna possível que um político desonrado exerça na plenitude o seu mandato, em prejuízo de toda a população.

     Diante disso o cidadão brasileiro carece de instrumento modernizador que demonstre efetivamente sua vontade em tempo real, sem entraves e burocracias, extirpando do poder – via direta -- qualquer representante que não mais mereça a confiança de quem o elegeu, o que via de conseqüência importaria para o mandatário maior disciplina na condução dos negócios de interesses da população, menos corrupção e maior controle pelos principais interessados: o povo.

     Para haver possibilidade da existência do recall faz-se necessário a alteração do sistema normativo através de emenda constitucional, como forma de implementar mais um instrumento de participação popular a exemplo do referendo, plebiscito e da iniciativa popular que são formas de exercício de soberania popular através da realização de consultas diretamente ao povo.

     Dada a crise política não tão recente instalada no congresso nacional, destacam-se mais os escândalos do que as ações parlamentares, onde o ato político de maior repercussão nacional da política brasileira provém dos tribunais, não do congresso nacional tal como deveria ser, assim necessário instituir mecanismos – a exemplo do recall -- que auxiliem no aprimoramento do Estado Democrático de Direito.

    José Patrocínio de Brito Júnior é advogado, professor universitário e passa a escrever exclusivamente para este blog às quintas-feiras - jpbj.adv@uol.com.br

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Debate | 08/06/2011 - 20:40

Advogado José Patrocínio passa a integrar o time de articulistas

Romilson Dourado

José Patrocínio    O advogado e professor universitário José Patrocínio de Brito Júnior, um dos mais conceituados e respeitados profissionais do meio acadêmico e jurídico do Estado, é o novo articulalista exclusivo deste blog. O contrato foi assinado nesta quarta (8). Ele passa a escrever artigos toda quinta-feira.

    Patrocínio é coordenador do Núcleo de Práticas Jurídicas da Universidade de Cuiabá (Unic). Ele nasceu em Andradina, na época em que o Estado não tinha sido dividido territoralmente e, por isso, se considera mato-grossense nato, tanto que foi criado na região da Grande Cáceres. Está com 55 anos, é casado, possui 4 filhos e 2 netos. Atua como advogado desde 1994. Antes, foi funcionário de carreira do Banco do Brasil.

   Ele integrou a diretoria da OAB-MT como conselheiro na gestão Francisco Faiad. É autor de vários artigos. Mestre e fazendo doutorado, Patrocínio adianta que vai discorrer sobre temas focados no direito e também no direito público em sintonia com a realidade do país.

   José Patrocínio se junta a uma seleção de articulistas do Blog do Romilson. A página já traz toda segunda-feira o artigo do professor universitário Vinicius de Carvalho. Na terça, o espaço é reservado à cerimonialista e acadêmica de Ciências Sociais Olga Lustosa. O publicitário Dejair Soares escreve às quartas. Patrocínio entra na equipe com artigo na quinta e, na sexta, é a vez da professora da rede pública Rosângela Cadidé. Os leitores ganham com esses profissionais com perfis variados e que buscam fomentar ideias e debate.

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Artigo | 08/06/2011 - 07:00

A Sanecap é tão boazinha!

Dejair Soares

Dejair Soares“A privatização do saneamento é a última fronteira da degradação”
José Walter Vidal
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     Porque os problemas de saneamento ainda trazem tantos transtornos ao administrador público? A água ainda não é prioridade? As cidades desaparecem por terem problemas com a água! Então como fazer para que os problemas envolvendo ela sejam priorizados? O problema é falta de gestão!

     A Sanecap é uma companhia de economia mista, constituída pela Lei Federal 6.404/76. Como ex-diretor comercial dela, denunciei ao prefeito Chico Galindo, à atual direção da Sanecap e ao conselho administrativo, a inconstitucionalidade da Lei Municipal 3.830/99 e da Lei 4.416/2001.

     Elas dizem que “ficam isentos de pagamento do consumo de água fornecida pela Agência Municipal de Saneamento os imóveis em que funcionam centros comunitários, clubes de mães, centros de convivência de idosos, santa casa de misericórdia, creches, igrejas e locais de cultos religiosos e suas liturgias, do município de Cuiabá-MT”.

     Se os vereadores queriam fazer média (leia-se votos) com esses segmentos, deveriam apontar a fonte que pagará por essa gratuidade. Nenhum fiscal da lei se pronunciou na época. Até mesmo a Procuradoria Geral do município autorizou o prefeito a sancionar a lei. Como diretor, determinei que todas as instituições, que até aquele momento não possuíam hidrômetros, tivessem os equipamentos instalados.

     Até setembro de 2010, 1.119 instituições tinham direito à gratuidade. Elas representavam um prejuízo na arrecadação de R$ 287 mil por mês. Dessa forma, pode-se afirmar que a Sanecap já tenha perdido mais de R$ 50 milhões. Pergunto: quem vai pagar por isso?

     Justificaram que a isenção da tarifa de água era uma forma de compensar essas instituições pelos serviços que prestam à comunidade. Reconheço que prestem tais serviços, mas a Câmara ou a prefeitura deveria ter assumido esse pagamento. A Sanecap não pode ser uma "casa de mãe Joana".

     Perguntei também se Cemat havia aceitado isentar essas instituições e a resposta foi negativa. A Sanecap é tão "boazinha" que não corta água de 35 bairros, mesmo tendo uma queda no faturamento, até setembro de 2010, de R$ 670 mil mês, o que corresponde a 540.565 m³ de água não medidos. A solução seria a padronização e construção de novas redes. Com a própria arrecadação desses bairros seria possível pagar o custo dessas obras, mas a incompetência e fala mais alto.

     Na Sanecap, por haver um regime presidencialista, não adianta ser um excelente funcionário ou um ótimo diretor. Tudo depende do bom humor do presidente.

     Cuiabá tem hoje mais de 30 empresas de limpa fossa. Os dejetos que elas recolhem são jogados em qualquer córrego. Me reuni com o sindicato dessas empresas e com o Ministério Público para assinarmos Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Todas as empresas teriam que se licenciar junto à Sanecap para que os dejetos pudessem ser descarregados na ETE Tijucal. Só com essa padronização a Sanecap faturaria em torno de R$ 800 mil por anos, mas o sistema não foi implantado por pura incompetência do ex-presidente Carlos Roberto da Costa, o Nézinho.

     Em julho de 2010 convidei a Procenge, empresa de saneamento de Recife, em Pernambuco, para por um fim na máfia da seca. Eles presentaram um sistema de controle de abastecimento de carros-pipa, que acompanha o processo pela internet. As empresas cadastradas junto à Sanecap comprariam credito com um cartão pré-pago, o sistema debitaria a quantidade de água solicitada, mantendo sob controle as informações de quem e quando utilizou os pontos de abastecimento e quais pontos foram estes.

     A companhia arrecadaria em torno de R$ 300 mil por mês. Hoje os carros-pipa abastecem sem pagar um centavo à Sanecap. Este caso tem a mesma resposta: não foi implantado por pura incompetência de Nézinho.

     A Sanecap tem cerca de R$ 50 milhões a receber em contas não pagas. Implantei o Serasa, mesmo com oposição da diretoria, e deixei a companhia recebendo o valor de mais de 13 mil contas por mês, o que correspondia a aproximadamente R$ 900 mil. Agora aparece "a mãe Diná" (leia-se Aray Fonseca) dizendo que Cuiabá precisaria de R$ 1 bilhão para levar serviços de água e esgoto à todos e que a implantação demoraria 115 anos. É verdade Aray, com sua incompetência levará mais de 115 anos.

     A conclusão a que chego é que 92% dos administradores acreditam que os problemas de água e esgotos só poderão ser resolvidos com recursos a fundo perdido. Mas até mesmo com o PAC, que funcionava a fundo perdido, esses incompetentes não deram conta do recado. Outros 95% atribuem a existência do problema a causas políticas. O que deve ser verdade, já que eles mesmos fazem da companhia um comitê político e enchem a administração de incompetentes. E ainda tem 98% que não conseguem descrever o problema do saneamento de forma correta. Prova maior disso é o Aray dando uma de mãe Diná do saneamento, fazendo suas previsões.

     Agora resta uma pergunta: será que as empresas que vencerem a licitação ou a concessão, quando a companhia for privatizada como se pretende, continuarão sendo tão boazinhas como os presidentes têm sido até agora? 

“A água tem um preço e sua gratuidade prenuncia escassez”, Jacques Chirac

     Dejair Soares é publicitário em Cuiabá

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Artigo | 07/06/2011 - 07:10

O olhar voltado para a vida cotidiana

Olga Lustosa

Olga Lustosa  A cultura se movimenta, as vezes e muitas vezes com movimentos desarticulados, mas que sempre impulsionam para o progresso de uma determinada cultura. Nem tudo está ligado a tudo como uma rede e nem tudo afeta o funcionamento do sistema cultural. As pessoas são alimentadas e moldadas segundo sua cultura. O que é sagrado para uma, pode ser profano para outra. Deve-se compreender uma cultura a partir do seu cotidiano, conhecer a identidade e o que pensa e fala quem produz as riquezas culturais.

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 Parque Indígena do Xingu é um mundo extraordinário,
onde índio não é só homem pintado de jenipapo
e urucum, mas um ser supersticioso,
que conta historias fantásticas
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    A cultura de um povo é como o conjunto dos textos escritos pela vida deles, pelos ritos, canções, danças, jogos e troca de presentes. É através das diferenças que nos reconhecemos nos outros, pois a distância é um elemento essencial para a percepção dos contrastes. Reconhecemos nosso próprio costume quando observamos um costume diferente. Alteridade é isso; reconhecer-se no outro.

    Muitos grupos produzem suas próprias fronteiras, para resguardar seu modo de viver e pensar. Aos poucos devemos quebrar essas barreiras, porque se não compreendemos um povo, não temos como nos situar entre eles. As Culturas diferentes geram um modo peculiar de produzir história. História que as pessoas herdam, usam, renovam os hábitos e costumes, acrescentam e transmitem aos outros, numa relação de troca que acontece a todo momento.

     A cultura é nosso modo de vida, é o legado que recebemos e depois deixamos para o nosso grupo social. Falar de cultura em plena semana de aniversário de 50 anos da criação do Parque Indígena do Xingu mais parece um pretexto para eu penetrar nesse mundo extraordinário, onde índio não é só homem pintado de jenipapo e urucum, mas um ser supersticioso, que conta historias fantásticas, como escreveu Orlando Villas Boas, no livro A Arte dos Pajés.

    Tive a sorte de ter ido ao Parque Indígena do Xingú algumas vezes, caminhar ao lado do grande Líder Aritana Yawalapiti, ouvir entusiasmada os projetos de Ianacolá. Hospedamos no Posto Leonardo e dalí, montados num velho trator visitamos os Kamayurá, dormimos em redes na casa dos hóspedes, um grande salão de uso comunitário. Presenciamos a ordem que se estabelecia naturalmente ali, na divisão da comida e do trabalho. Nos alimentamos de peixe assado, de beiju de mandioca e pequi. Mas os ovos de tracajá e carne de caça eram também servidos.
Todo movimento era uma demonstração cultural carregada de simbolismo e magia. Tentávamos entender um pouco de cada cena que se passava diante dos nossos olhos perplexos; a paisagem, as cores, a nudez!

    As aldeias são dominadas por grupos de descendência, mas o índios xinguanos desenvolveram rituais de interação entre as tribos diversas, como os casamentos e a prática do moitará e isso foi tornando suas culturas similares.

    No inicio do período de seca, os índios começam a movimentar o sistema de troca, chamado moitará. As trocas são controladas pelos Caciques e podem se dar entre aldeias ou entre famílias. Eles carregam os objetos que pretendem trocar; artesanato, frutas, redes e se dirigem a casa escolhida para iniciar a negociação. Víamos os objetos serem passados de mão em mão e de repente, um objeto era colocado no chão pela família visitada. Esse era o objeto escolhido e se a negociação fosse aceita pelo visitante, estava feito o moitará.

    As crenças e as práticas das mesmas levam à superstições e aos ritos, tais como; o da flauta sagrada, tocada na casa dos homens, onde se passam os ritos masculinos e que as mulheres não devem vêr e nem tampouco saber quem as toca. E se por ventura tocadas no pátio da aldeia, mulheres e crianças ficam trancadas nas casas até o término do ritual. No mundo dos Kamayurá a proibição não é apenas visual, é também auditiva, as mulheres não devem sequer ouvir o som das flautas.

    A eficácia das práticas mágicas dependem da crença na magia por parte do doente ou enfeitiçado. No mundo Xinguano sómente os homens podem se tornar Xamãs. Os Xamãs são grandes feiticeiros, homens que mantém relações íntimas com as forças naturais, controlam as relações das aldeias com o mundo sobrenatural, a relação entre o homem e o espírito que habita a floresta e os rios, que traz doenças, invade as casas e se transforma em animal da floresta.

    Os espíritos aparecem apenas para as pessoas doentes e para o Xamã em transe. Quando não são curados, a morte é recebida com tranqüilidade e não há incompatibilidade alguma entre a alegria e a morte. E a dança em homenagem aos mortos é conhecida como Quarup. Uma cerimônia que as palavras não descrevem mas é o ritual do Adeus Aldeia das Almas e acontece nem sempre, numa data fixa, porque depende da chegada do período de seca. Cada povo indígena celebra seu próprio Quarup, convidam as aldeias vizinhas, dura dois dias regados a muita música e comida farta.

    A morte não é o fim para os povos xinguanos. Os mortos se reencontram na Aldeia das Almas. O Parque Indígena do Xingú não é um mundo perfeito, é certo, mas agora está em festa e daqui eu penso no universo xinguano com encantamento contraditório porque lendo Geertz aprendi que é importante que um ser humano possa ser um enigma para outro ser humano.

   Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e acadêmica de Ciências Sociais pela UFMT e escreve exclusivamente neste blog toda terça-feira (olga@terra.com.br)

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Artigo | 06/06/2011 - 07:00

Para entender o PSD – Parte 1

Vinicius de Carvalho

Vinicius de Carvalho    A reunião de assinaturas para criação do Partido Social Democrático (PSD) vem despertando uma série de questionamentos nas elites políticas e na própria imprensa. Quais seriam as razões para formação de um novo partido liderado por Gilberto Kassab? É uma nostalgia do velho PSD de 1945-1965? São apenas questões conjunturais ligadas às próximas eleições municipais de 2012 e as gerais de 2014? Há alguma tendência estrutural que pode ser identificada? Qual é o posicionamento político-ideológico do novo partido?

   Pretendo oferecer algumas respostas numa série de artigos a partir de hoje. Começo pela conjuntura.

   1. PMDB em São Paulo e fator Kassab. As razões conjunturais mais visíveis para a tentativa de criação do PSD são o enfraquecimento do PMDB em SP e o surgimento de Gilberto Kassab como liderança de expressão nacional. O PMDB já teve no Estado de São Paulo uma das suas principais bases eleitorais. Basta lembrar de André Franco Montoro (1982), Orestes Quércia (1986) e Luiz Antonio Fleury Filho (1990), eleitos Governadores pelo partido.

    Entretanto, a partir da década de 1990, o PMDB perdeu espaço nas eleições de Governador para três dissidentes que foram para o PSDB (Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra) e o PT/PSDB nas eleições para o Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Com a morte de seu grande líder Orestes Quércia e a eleição de apenas um deputado federal em 2010 (2,2% dos votos válidos), o PMDB ficou muito fragilizado em SP.

     Por se tratar de um partido grande no cenário nacional, seu potencial político despertou as atenções de Kassab (13% dos votos para a Câmara dos Deputados e 14,1% para o Senado). Como prefeito reeleito com uma votação expressiva na capital, Kassab tornou-se um nome nato para Governador em 2014. Seu objetivo esbarra, entretanto, na candidatura a reeleição de Geraldo Alckmin. Kassab cogitou filiar-se ao PMDB, para se tornar sua maior liderança no Estado.

   Embora o vice-presidente da República Michel Temer seja domiciliado em SP, ex-presidente do PMDB e da Câmara dos Deputados, ele não tem tanta força política no Estado. Neste ponto, Temer repetiu seu antecessor Ulisses Guimarães, que nunca ganhou uma eleição majoritária em SP.

     O atual partido de Kassab (DEM) apoiará a reeleição de Alckmin e fala até em fusão com o PSDB, em virtude da aliança nacional. Com a criação do PSD, Kassab torna-se peça-chave neste cenário, porque poderá ser candidato e prorrogar a eleição para um segundo turno. O resultado seria imprevisível, já que Alckmin, Kassab e o candidato do PT estariam em condições de disputar a segunda rodada e saírem vitoriosos.

     A pré-candidatura de Kassab a governador seria, também, uma forma de empurrar Alckmin para a eleição presidencial e fortalecer o PSDB/SP na relação com a ala mineira, liderada por Aécio Neves, uma vez que uma terceira candidatura de Serra à Presidência da República parece hoje improvável.

    Em suma, este movimento de Kassab fortalece o PSDB serrista tanto em SP quanto em nível nacional, porque Serra poderia se candidatar a senador nesta chapa, ajudando a interiorizá-la. Não por acaso, o grupo de Alckmin vem apontando Serra como o melhor nome do PSDB para a Prefeitura de SP. Se Serra perde, termina sua carreira. Se ganha, teria dificuldades de repetir a renúncia de 2006 e ficaria até o final do mandato.

     No próximo artigo, veremos como a renovação das forças políticas à direita e o enfraquecimento do Democratas vêm também contribuindo para a formação do PSD.

     Vinicius de Carvalho Araújo é especialista em gestão pública, mestre em História Política, professor universitário e escreve neste blog às segundas-feiras (www.professorvinicius.com.br)

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Artigo | 03/06/2011 - 07:00

Traficantes impedem o trabalho de professora, revela Rosângela

Rosângela Cadidé

Rosângela Cadidé   “Vou mais um dia para a escola, desanimada, com medo e certa de que minhas aulas não serão dadas conforme planejei. Quando saio, tenho sensação de que estou sendo seguida”
Revelação de uma professora da rede estadual de ensino
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   O comentário desesperador acima foi feito por uma colega de profissão. Ela pediu anonimato para contar o drama pelo qual passou a viver após tentar convencer grupo de jovens estudantes a abandonar as drogas. Professora há mais de 18 anos, ela dedicou 10 deles ao trabalho numa escola pública no período noturno. Viu a necessidade de desenvolver projeto que conscientizasse jovens a não usar drogas.

    Percebeu interesse deles pelo assunto e todos até estavam participando dos debates. Mas, mal sabia que os seus problemas estavam apenas começando. De repente, é interrompida em seu trabalho para atender a um telefonema na secretaria do colégio. Recebe ameaças verbais de traficantes.

    Em princípio, pensou que seria trote, mas as ameaças continuaram e sempre os traficantes diziam: “Pare de atrapalhar o meu comércio. Vá fazer o seu serviço que é dar aula de sua disciplina.” Além disso, percebeu inúmeras vezes ao retornar para sua casa que estava sendo seguida. Constatou que o seu projeto estava surtindo efeito, pois estava tirando jovens do tráfico e certamente diminuindo o lucro de traficantes.

    A professora não sabia se naquele momento poderia ficar alegre ou triste com a situação. Percebeu que estava colocando a vida em risco e também de seus familiares. Agora imagine: como fica o psicológico dessa educadora, após as ameaças! Deveria retornar à sala de aula como se nada tivesse acontecido?

     A direção da escola, preocupada com a integridade física da professora e da comunidade escolar, pediu que ela parasse de trabalhar o projeto.

     Meu Deus! Como conviver com essa inversão de valores tão gritante? O que mais falta acontecer? É lamentável essa situação. Com certeza, ninguém gostaria de estar no lugar dessa professora, que em seu local de trabalho é atingida, talvez não pelas ameaças, mas pela sensação de impotência diante de tamanha violência.

    Solidarizo-me com a colega de profissão e com tantos outros que passaram ou que estão passando pela mesma situação. Que Deus tenha piedade de todos nós professores. Que possamos trabalhar com mais segurança e que sejamos reconhecidos e valorizados pela importância da nossa profissão! Definitivamente, não queremos estar em evidência por fatos lamentáveis como esses.

    Rosângela Fernandes Cadidé é professora há 10 anos da rede pública, formada em Letras com Especialização em Recreação e Lazer pela Universidade Federação de MT e escreve neste blog às sextas (rosangelacadide@hotmail.com)

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Artigo | 01/06/2011 - 07:00

Acorda povão!

Dejair Soares

“Todo aquele que possui coisas de que não precisa é um ladrão”- Gandhi

     Em um posto de saúde a recepcionista sempre notava a presença diária de duas senhoras, dona Maria e dona Carmem. Todos os dias elas compareciam ao posto e aguardavam, pacientemente, por atendimento. Os dias foram passando até que num deles a recepcionista notou que dona Carmem não compareceu. Ela estranhou e, se dirigindo à amiga que sempre a acompanhava, indagou: "Bom dia Dona Maria! Como vai a senhora? E a Dona Carmem onde está?". Dona Maria, com toda doçura de uma avó, respondeu: "Ora minha filha, a Carmem faleceu. A doença à levou. Ela esperou tanto por um atendimento. Talvez, se tivesse um filho govenador ou um prefeito, pudesse estar viva".

     Essa tragédia é corriqueira em centenas de postos de saúde e também no Pronto-Socorro. A falta de atendimento é a reclamação que cerca a saúde pública. Fato conhecido por todos, assim como os serviços sobrecarregados e a indisponibilidade de medicamentos e profissionais. A dispensa de remédios, como o caso daqueles que perderam o prazo de validade guardados no estoque, é outro grande problema. O secretário estadual de saúde, Pedro Henry, incinerou 20 mil toneladas deles e ainda colocou a culpa na empresa que administrava o depósito. Isso é chamar o povo de palhaço, de imbecil. Os orgãos fiscalizadores estão inertes a tudo, enquanto o recurso da saúde vai sendo jogado no lixo.

     Você já parou para tentar entender o que faz uma pessoa aceitar ser tão maltratada e humilhada num posto de saúde ou mesmo num pronto socorro? O pior é que essa mesma pessoa vota e até reelege o responsável por sua tragédia! Ainda consegue agradecer por sobreviver a pão e água.

     A saúde de Mato Grosso, princinpalmente em Cuiabá, está uma tragédia. Imagine a felicidade do político que vive da exploração desse povo sofrido. A população se nega a reconhecer o tamanho do buraco, da omissão, este estado de catástrofe nos encontramos. Há uma espécie de escravidão psicológica, uma manipulação da maioria dos cidadãos. Com a bola no pé, cerveja gelada, caipirinha, televisão, novela, carnaval, churrasco e fofoca, o povo aceita passivamente ter um sanguessuga, um ficha-suja, como dirigente da Saúde.

      Um secretário bonzinho, que paga para o  hospital de seu amigo dez vezes o valor da tabela SUS. Uma operação com a qual o Estado gastaria R$ 1,5 mil, de acordo com os preços estipulados pelo SUS, acaba custando R$ 11,5 mil se for realizada na unidade desse tal amigo. Enquanto isso os nossos fiscais da lei dormem em berço explêndido. Este secretário de Saúde está simplesmente se promovento com a desgraça do povo, com este estado de miserabilidade em que se encontra a saúde pública. 

      Não sabe o Governo em que bomba se meteu. Nada melhor que o tempo para essas questões. Governador, esses recursos que vêm sendo investidos em hospitais particulares, que recebem três vezes mais do que deveriam, são a prova que o Estado tem verba. Mas até quando essas benesses serão dadas aos amigos do secretário? Somos a única Capital do país que não tem um hospital público estatual. O único Estado que tem um sanquessuga como herói. Um defensor ferrenho das "Organizações Sanquessuga" (OS).

     Nossos políticos tranformaram o Governo num sócio que o cidadão comum precisa sustentar com quase meio ano de trabalho. É isso mesmo! Você precisa trabalha cinco meses por ano para pagar as mordomias desses senhores que estão no poder. Isso sem falar daqueles que se favorecem das “oportunidades estatais” para não precisarem se preocupar com suas finanças particulares pelo resto da vida. Eles ainda levam toda a família e seus cúmplices neste mesmo trem da alegria.

     O ser político deveria trabalhar altruisticamente para a sociedade. Por que os políticos cheiram a tantas distorções? Quando eles estão sem maquiagem nós encontramos pessoas doentes por poder, gananciosas, levianas, frias, oportunistas, incapazes de sobreviverem produtivamente sem o refrescante e fácil dinheiro alheio, dinheiro do contribuinte. Você acredita que já houve um tempo em que ospolíticos brasileiros trabalhavam de graça pelo prazer autêntico de ajudar a população?

     Não precisamos de guerras, nem de terremotos, nem de discernimento lúcido, de saúde pública digna, de segurança, de educação, de justiça séria, muito menos de pena de morte para crimes hediondos. Aqui já temos a solução para tudo isso: os nossos políticos!

     Lembre-se: todo este caos que vive a saúde é culpa de um político.

     Uma recomendação: para se viver moralmente satisfeito e feliz nesse Estado, sem saúde pública, não seja louco de estudar nenhum pouco a mais do que o mínimo necessário! Concentre-se em aprender a fingir, a mentir, a iludir, a puxar o saco de quantos políticos e autoridades públicas você conseguir. Nunca compreenda as coisas como elas realmente são ou deveriam ser, pois você ficará chocado, estarrecido, revoltado. Se sentirá isolado da grande maioria da sociedade. Você tem duas opções: mudar de Estado ou país; ou se tornar um puxa saco de verde e amarelo.

“Uma civilização é julgada pelo tratamento que dispensa às minorias”, Gandhi

      Dejair Soares é publicitário em Cuiabá

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Artigo | 31/05/2011 - 06:57

Preconceito, liberdade e a cartilha do MEC

Olga Lustosa

Olga Lustosa     Os valores e a integridade não podem ser medidos por orientação sexual, credo, raça ou qualquer outro balisamento preconceituoso. Não ser homofóbico é o mesmo que não ser racista. Onde quer que vamos na sociedade de hoje, o preconceito e a discriminação estão ainda vivos e latentes, embora não admitamos isso.

    O preconceito coletivo praticado por um grupo social inteiro é também dirigido a um grupo social e deixa conseqüências nocivas nas minorias golpeadas e age a luz da ilegalidade porque vai contra o princípio da dignidade da pessoa humana - art. 1o, III, da Constituição Federal. Em Aristóteles os desiguais devem ser tratados desigualmente, na medida de suas desigualdades. O núcleo duro do sistema, por assim dizer, é o princípio da dignidade da pessoa humana, isso porque o ser humano deve ser posto a salvo de qualquer situação indigna.

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Na sociedade hoje, o preconceito e a
discriminação estão ainda vivos e
latentes, embora não admitamos
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    Ninguém dever ser discriminado ou tratado com diferenciação por razão alguma. Discriminar é não reconhecer os direitos do outro, é ter atitude de desconfiança com quem é diferente, sendo que entre os homens existem desigualdades naturais. A discriminação repousa sobre como se observa e se ensina a encarar a diversidade. Se com respeito e compreensão, a discriminação não encontra campo fértil para florescer, se com intolerância contra a essência da alma do outro, gera ofensa, desrespeito e pode desencadear violência.

     Para Bobbio, o juízo negativo dado a homossexualidade tem origem histórica e é produto da mentalidade de grupos formados também historicamente e que precisam evoluir. No regime democrático as pessoas podem expressar suas opiniões livremente e ao se chocarem no campo das idéias, elas se depuram, naturalmente. Mas ao Estado, não creio caber meter-se nas relações privadas entre pais e filhos. Não cabe abordar levianamente assuntos sérios que merecem trato diário.

    Não se educa um jovem livre de preconceitos na leitura apressada de uma cartilha tampouco numa sessão de cinema improvisada na sala de aula. É preciso muito mais que isso para educar um cidadão pleno, que respeita, que aceita e que convive com todos sem indiferença, sem repulsa. Ser hetero ou homo não deve ser um fator determinante para que eu me relacione ou não com alguém.

      O Ministério da Educação está vivendo momentos de lapsos e políticas desencontradas com o anseio da comunidade escolar em geral. Primeiro, indo contra todas as teorias da lingüística, defendendo a idéia de que não existe mais o certo e o errado na língua portuguesa. Enfim, a disseminação da valorização da ignorância; agora preocupado com o resultado de uma pesquisa feita na rede pública do país, que detectou que há cerca de 6 mil escolas que são ambientes hostis para homossexuais, onde ocorrem casos sistemáticos de homofobia. O MEC lança e recolhe uma cartilha e vídeos do projeto “Escola sem Homofobia”, que seriam distribuídos para professores e alunos do ensino médio ainda este ano. Segundo o Ministro Haddad, o governo investiu R$ 1,8 milhão para a produção do material e formação dos professores no tema. 

     Vi um dos vídeos e desconheço a íntegra do conteúdo programático do kit, mas estudando Sociologia da Educação, tenho aprendido que a demanda da educação é outra e que passa longe desses rumores sobre prevenção ou estímulo a homossexualidade.  O MEC poderia propor as instituições de ensino uma matéria sobre a sexualidade, para o jovem conhecer melhor a si mesmo, mas direcionar o foco para a questão macro da violação dos direitos humanos nas escolas, na questão da violência, do bullying, infra-estrutura precária e professores mal remunerados.  
No site do MEC há um atalho chamado “ Dia a dia do seu filho” ensina os pais a verificarem como anda o atendimento a educação do filho.  Destila uma centena de orientações básicas e muito simples, que se observadas e cumpridas nas escolas já promoveriam uma acentuada melhoria na qualidade do ensino. 

    Deveria ser uma aspiração do homem viver numa sociedade de diferentes que respeita a individualidade das pessoas, considerando que cada ser humano é um conjunto de substantivos e adjetivos, sem que nenhum deles o defina completamente.

      Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e acadêmica de Ciências Sociais pela UFMT e escreve exclusivamente neste blog toda terça-feira

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Artigo | 30/05/2011 - 07:57

Lulismo x Carlismo

Vinicius de Carvalho

    No artigo da última semana, fiz uma reflexão sobre o tabuleiro político subjacente ao desgaste do ministro-chefe da Casa Civil Antonio Palocci. Algumas questões ficaram suspensas, como a possível candidatura de Palocci a presidente da República em 2014 e a relação Lulismo-PT.

    Palocci já era um forte candidato desde o primeiro mandato de Lula, quando foi o coordenador do plano de Governo e, depois, ministro da Fazenda. Absolvido pelo STF no processo do caseiro Francenildo Santos Costa e com as funções exercidas na campanha e no Governo Dilma Roussef, Palocci voltou a ser cogitado como um dos possíveis pretendentes a voltar ao Ministério da Fazenda e disputar a Presidência.

    O Ministério da Fazenda, desde o Plano Real, exerce função diversa da Casa Civil, projetando seus titulares para candidaturas a Presidente. A única exceção é Guido Mantega, que tornou-se o ministro ideal, porque é italiano naturalizado brasileiro e, portanto, inelegível. Mas 2014 não será o retorno de Lula?

    De fato, todas as condições para isto estão dadas. São elas: 1 - A grande popularidade adquirida nos primeiros mandatos; 2 - Copa do Mundo no Brasil; e 3 - Os 11 senadores eleitos pelo PT em 2010 estarão em meio de mandato e serão todos candidatos naturais a Governador em Estados como BA, SP, RJ, PR, RS, PE e CE, permitindo trocar o vice-presidente do PMDB para outro aliado tradicional.

     Entretanto, um eventual terceiro mandato é um risco muito grande para Lula, pois a probabilidade de repetir as condições encontradas nos dois primeiros é baixa. Portanto, um dos cenários possíveis é disputar uma cadeira no Senado Federal, a exemplo dos ex-presidentes Sarney, Fernando Collor e Itamar Franco. Ele se manteria como Presidente de Honra e coordenador político do PT. Quer dizer, em caso de sucessivos mandatos do partido, poderia haver um revezamento nos candidatos a Presidente da República, mediado por Lula.

      Este cenário se assemelha àquele praticado por Antonio Carlos Magalhães (ACM) no Estado da Bahia, no movimento denominado de Carlismo. ACM foi prefeito de Salvador, Governador biônico da Bahia por dois mandatos e eleito pela via direta para um terceiro em 1990. A partir de 1995, fez carreira no Senado Federal e administrou seus sucessores dentro do grupo carlista, garantindo a alternância entre Paulo Souto e César Borges. Alguns fatores desarticularam o grupo carlista, como a dissidência de Antônio Imbassahy, a eleição de Jacques Wagner em 2006, a onda Lula na região nordeste e as mortes de Luis Eduardo Magalhães em 1998 e do próprio ACM em 2007.

     Portanto, o Lulismo em nível nacional poderia caminhar para um cenário semelhante ao Carlismo na Bahia. Alguns analistas consideram que o Lulismo tornou-se um movimento superior e diferente do PT, pela distribuição de votos observada nas candidaturas presidenciais de 2006 e 2010 em face da tradicional base do partido. De acordo com o cientista político André Singer, enquanto a maior parte da votação do PT vêm das cidades médias, grandes e das regiões metropolitanas nas regiões sul e sudeste, as suas candidaturas presidenciais foram mais fortes nas regiões norte, nordeste e nos municípios pequenos.

     O Lulismo se transformará num movimento político como o Getulismo, com vários partidos? É possível a formação de um novo partido que seja capaz de consolidar esta base lulista para futuras eleições? Esta polarização social e regional do eleitorado nas eleições presidenciais é estrutural ou conjuntural? Uma unificação do PT com PSB e PC do B poderá ocorrer? São perguntas que apenas o tempo e a evolução dos fatos responderão.

    Vinicius de Carvalho Araújo é especialista em gestão pública, mestre em História Política, professor universitário e escreve neste blog às segundas-feiras (www.professorvinicius.com.br)

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Artigo | 27/05/2011 - 07:26

Em Rondonópolis, há escolas que expõem risco à integridade física

Rosângela Cadidé

Rosângela Cadidé    Os diretores da rede municipal de ensino público de Rondonópolis, diante da situação caótica em que se encontram a maioria das unidades, incluindo creches, criaram uma comissão. Querem resolver inúmeros problemas, já que a prefeitura municipal vem “empurrando com a barriga”, e, principalmente, porque a maioria desses problemas coloca em risco a integridade física tanto dos funcionários quanto dos alunos. Muitas unidades de ensino tiveram que escolher entre a limpeza ou a dedetização. Há escolas que estão com seus extintores de incêndio vencidos desde 2009, além de ficar na fila de espera para ser feita a manutenção elétrica.

    Eles fazem peregrinação ao almoxarifado da prefeitura. Buscam materiais pedagógicos (giz, papel sulfite, entre outros) e de limpeza (desinfetante, vassoura, etc), mas nem sempre encontram-nos. O que está disponível não é suficiente para atender a demanda. Além disso, há evidente deterioração da estrutura física da maioria das unidades de ensino pela ausência de manutenção predial e inclusive da coleta de resíduos sanitários (já que a empresa contratada tem apenas dois caminhões limpa fossa que não dão conta da demanda). Assim, em muitas escolas de ensino fundamental e creches, resíduos das fossas correm a céu aberto. Se houvesse uma fiscalização, haveria até interdição.

   A situação está tão precária que, além da falta de fornecimento de serviços de manutenção, como de limpeza de fossa, de pátio, de caixa d’água e mobília, temos, em algumas creches, crianças que dormem no chão por falta de colchão e unidades que, antes atendiam, por exemplo, 89 crianças e hoje, com a mesma estrutura, se contam com 140.

   Diante dessa situação extremamente absurda, a comissão de diretores, visando uma solução mais rápida, encaminhou essas denúncias à Câmara Municipal de Rondonópolis que, prontamente, passou à Comissão de Educação. Foram feitas várias reuniões com representantes de vários segmentos. Tentaram algumas vezes, sem êxito, marcar audiência com o prefeito Zé do Pátio. Há rumores de que até os seus secretários ele não está recebendo. O próprio secretário Miltão, por exemplo, disse que iria solicitar via tribuna uma audiência com o prefeito, pois ele não atende ninguém.

   A secretária Marilda Rufino justificou o mau funcionamento das unidades de ensino decorrente do não fornecimento de materiais e serviços. Disse que não há compreensão das secretarias de Administração e Planejamento, que não entendem as especificidades da educação, com tempo demarcado (200 dias letivos). Precisa ter os prazos eximiamente cumpridos, ou seja, para ano letivo de 2011 deveriam ter feito as licitações no ano anterior para não iniciar as aulas faltando materiais.  Já Miranda, da secretaria de Planejamento, disse que “precisaria saber o porquê de tantas faltas, pois teve mês que o município aplicou 33% dos recursos na educação. Então, a sociedade rondonopolitana precisa saber para onde está indo essa verba.

   O vereador Reginaldo dos Santos, presidente da Comissão de Educação, afirma que grande parte dos problemas está relacionada com gestão e logística, pois mesmo sendo criada mais uma equipe de pregão/licitação no ano passado para atender exclusivamente a Educação, não se verificou melhorias e agilidade. Em muitos casos, os processos ficam parados. Ressalta ainda que há casos em que muitos prestadores de serviços e fornecedores não querem participar dos certames, em virtude do atraso e recebimento de pagamentos.

   Em resumo, segundo o vereador, não há integração dentro dos vários setores e órgãos da administração municipal. Ele sugere a implantação de licitação/pregão por registro de preço, o que daria condições de se ter veículo e recursos humanos para o almoxarifado fazer a entrega dos materiais. Propõe ainda a implantação urgente da gestão plena na secretaria. Disse que o objetivo não é apenas criticar, mas de buscar solução para os problemas com proposta de política pública e não partidária.

    Um fato curioso foi o da merenda escolar não ter aparecido como um dos problemas e preocupações dos gestores. Mas, ao analisar a questão, foi verificado que houve descentralização. O município passou a transferir recursos federais e próprios às escolas e elas administram a verba. No caso das creches, isso está em fase de adaptação. Percebe-se, porém, que os diretores e equipe têm dedicado mais tempo para as questões burocráticas administrativas em detrimento do pedagógico. Além disso, existem unidades educacionais que não são contempladas em seu quadro de funcionários com profissional na área administrativa. Há possibilidade de mudança na lei para se regulamentar as verbas de custeio das comunidades escolares.

   A qualidade do ensino das escolas municipais de Rondonópolis está comprometida, não pela falta de profissionais qualificados, pois estes têm investido com recursos próprios, com o, por exemplo, em especialização. Há casos até de vigilantes que estão terminando mestrado. Lamentavelmente, o que se nota, por outro lado, é o descaso da administração pública para com a educação. Não oferece condições adequadas e dignas de trabalho aos seus funcionários, o que reflete nos filhos dos cidadãos. Paga-se imposto cada vez mais e não se tem retribuição disso.

    Rosângela  Fernandes Cadidé é professora há 10 anos da rede pública, formada em Letras com Especialização em Recreação e Lazer pela Universidade Federação de MT e escreve neste blog às sextas

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Artigo | 25/05/2011 - 07:00

Cuiabá não precisa de prefeito

Dejair Soares

     “A democracia, muitas vezes, é o poder nas mãos de uma maioria de incompetentes”, Bernard Shaw.

 

     Péricles foi um dos homens que mais influenciaram a história de Atenas. Ele pregava o governo do povo para povo, e passou a ser referido como "o pai da democracia".  Forma de governo em que o poder e a responsabilidade cívica são exercidos por todos os cidadãos, diretamente ou por meio de seus representantes livremente eleitos. Por isso defendo que deveriamos ter, desde o ensino básico, formação sobre educação política e administração pública. Isso para que os candidatos saibam qual é o seu papel e os eleitores escolham melhor seus representantes.

     O prefeito por ser um agente político, conduzido ao cargo por eleição popular, se torna o porta-voz natural dos interesses e das reivindicações municipais como planejar, comandar, coordenar, controlar e manter-se competente para resolver os problemas da cidade. Não cabe a ele tornar-se um entreguista do patrimônio público.

     A grande maioria dos candidatos a prefeito e vereador não sabe até onde vão os limites dos cargos que almejam. Prometendo aquilo que só um governador poderia fazer ou até mesmo atos que precisariam ocasionar uma mudança no texto da Constituição. O povo acaba elegendo verdadeiro incompetentes e demagogos.

     O prefeito deve ter uma visão estratégica do município. O ponto de partida precisa ser o equilíbrio entre as potencialidades e necessidades, tendo em vista a melhor qualidade de vida para a população, oferecendo serviços essenciais como habitação, transporte, educação, saúde, meio ambiente e saneamento. Além disso, ele precisa ter iniciativa para proporcionar novas oportunidades de emprego para seu povo. Tudo isso numa gestão compartilhada e criativa, em que os resultados positivos possam ser alcançados em dimensões maiores em tempo real.

     As necessidades da população estão acima de interesses pessoais e até mesmo partidários. O prefeito deve conhecer de perto os problemas do município, andar pelas ruas verificando os buracos, semáforos, coleta de lixo, transporte coletivo e o saneamento. Ele tem obrigação de saber se todos esses serviços prestados são de boa qualidade. Precisa ainda desburocratizar sempre que puder a máquina pública e acabar com essa farra de vereadores, que vez por outra tentam dar uma de chefes do Executivo.

     Cuiabá está andando na contra mão da administração pública. Não adianta jogar culpa nos ex-gestores. Ao renunciar ao cargo de deputado estadual e se candidatar a vice-prefeito, o nobre prefeito tinha conhecimento da situação do município. Até porque, enquanto ainda era vice, exerceu por dois anos o cargo de secretários de Planejamento.

     Prefeito Chico Galindo, não tenho procuração para defender o ex-secretário de Saúde, Luiz Soares, mas o senhor agiu com extrema covardia, quando concedeu entrevista ao jornal Folha do Estado. Foram palavras suas: "Ele (Soares) ficou muito tempo à frente da pasta e não fez nada, nem pagou os salários em dia".

     Sei que o ex-secretário afirmou a todos os veículos de comunicação que sua gestão sumiu com três repasses do SUS. Verba que deveria ser utilizada para o pagamento das redes conveniadas. Até agora o senhor ainda não respondeu essa denúncia. Sei também que o ex-secretário pediu aos Ministérios Públicos Federal e Estadual que investiguem sua gestão. Não tente mudar o debate. Apenas responda ao povo cuiabano, onde está o dinheiro do SUS?

     Outra atitude deselegante da parte do prefeito foi falar que o Governo do Estado não está fazendo mais que a obrigação em ajudar Cuiabá. O Governo não só está ajudando, como está administrando a Capital. Tudo que está sendo feito em Cuiabá tem recurso do Estado. O senhor tem de responder, prefeito, onde está sendo aplicado o dinheiro dos impostos. O presidente da AMM, Meraldo Figueiredo, tem que reivindicar junto ao Governo a mesma ajuda que está sendo dada a Cuiabá para todos os demais municípios. Afinal, somos todos iguais perante a lei.

     Prefeito Chico Galinho, quando o senhor afirma que o ex-secretário de saúde, Luiz Soares, não pagou os salários em dias, prova que não entende nada de planejamento. A folha de pagamento não é competência do secretário, mas sim da pasta de Finanças. O senhor ficou dois anos como secretário de Planejamento fazendo o que? É evidente, que neste cargo deveria ter conhecido as potencialidades econômicas da prefeitura, mas pelo visto foi apenas programar a entrega dos serviços essenciais.

     Primeiro não deu conta do PAC e entregou ao Governo. Agora não dá conta de administrar o Pronto-Socorro e também passa para eles. Não dá conta de tapar os buracos de Cuiabá e para isso pega dinheiro com o Governo. Tem ainda o caso da administração da Sanecap, que já pensam em entregar para o Governo também, assim como o aterro sanitário.

     Então eu pergunto, o senhor vai ficar fazendo o que? Fecha logo a prefeitura, entrega a chave para o Governo e volte para Presidente Prudente.

     Dejair Soares é publicitário em Cuiabá

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