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Divergências | 31/01/2010 - 08:20

Brigas políticas entre governador e prefeito prejudicam Rondonópolis

Romilson Dourado

Fernando Ordakowski

Governador Blairo Maggi (PR) e prefeito rondonopolitano Zé do Pátio (PMDB) se estranham e voltam a trocar farpas

   O governador Blairo Maggi e o prefeito de Rondonópolis Zé do Pátio voltaram a se estranhar, após alguns meses de tentativas de reaproximação.  Desta vez, a briga foi motivada pelo cancelamento de duas obras que o governo estadual, em parceria com o município, pretendia inaugurar na última sexta, sendo a entrega de 277 títulos de regularização fundiária urbana e o monitoramento eletrônico no centro, com 27 câmeras. Maggi anunciou as inaugurações e, Pátio, por sua vez, mandou cancelá-las, sob alegação de que os projetos não estão totalmente finalizados.

     A briga do Palácio Paiaguás, sede do governo estadual em Cuiabá, com o Palácio da Cidadania, que abriga a prefeitura, está prejudicando o terceiro maior município mato-grossense, com 181,9 mil habitantes, conforme estimativa do IBGE de 2009, e detentor de um orçamento de  R$ 412 milhões para este ano. O curioso é que Maggi e ao menos quatro de seus secretários residem em Rondonópolis. O governador vê o que chama de politicagem nas ações do prefeito, tido como populista. Reclama que Pátio omite o que o Estado tem investido a partir de 2009, período em que o peemedebista tomou posse. Menciona, entre as obras, a construção da rodovia do Peixe, com 23 km ligando o centro a uma região com 15 bairros da Vila Salmen e a 100 sitiantes que vivem às margens do rio Vermelho, aumento do repasse de recursos para a saúde e melhora na estrutura do hospital regional, canalização do córrego Canivete com emenda federal e contrapartida do Estado, inauguração de casas populares e também de uma base comunitária.

    Pátio, por sua vez, acusa o governo de não priorizar mais Rondonópolis como na época do prefeito Adilton Sachetti, tudo para prejudicar sua administração. Esse discurso vem desde o ano passado, quando o peemedebista tomou posse, após derrotar nas urnas de 2008 o projeto de reeleição de Sachetti, afilhado político de Maggi. Pátio reforça o argumento ao anunciar que o Estado praticamente bloqueou os convênios com a prefeitura em 2009, já que fez repasse de apenas R$ 531, praticamente um salário mínimo.

    Desde quando era deputado estadual, Pátio já apresentava a certa resistência à chamada turma da botina, grupo de Maggi, mesmo o PMDB fazendo parte da administração com o vice-governador Silval Barbosa. Ele não apoiou Maggi à reeleição e se reelegeu em 2006 num palanque separado. Quatro anos depois, ambos continuam agindo como inimigos políticos. Para azedar ainda mais a relação nesta fase de uma nova campanha eleitoral, Pátio avisou que não apóia Silval para governador, mesmo se tratando de um colega do próprio PMDB. Silval tem Maggi como principal cabo eleitoral e assume o Paiaguás em 31 de março. O pré-candidato do prefeito é o tucano Wilson Santos. É mais um sinal de que Silval, como governador, enfrentará a mesma queda-de-braço com Pátio. Se não houver maturidade política, os grupos vão continuar prejudicando Rondonópolis.