Fiscais de tributos de Alto Araguaia são investigados por exigir propina de empresários. Nesta terça (20), policiais civis cumprem nove mandados de busca e apreensão no município, expedidos pela Delegacia Especializada em Crimes Fazendários. As investigações fazem parte da operação “Mala Preta”, deflagrada no ano passado, em parceria com a secretaria estadual (Sefaz), de Fazenda para apurar fraudes em novas fiscais.
Conforme a delegada, Maria Alice Amorim, foi descoberto o envolvimento de servidores com a corrupção. Ela explica que um novo inquérito foi instaurado para apurar as irregularidades. Segundo informações da Polícia Civil, fiscais de Tributos da Sefaz estariam exigindo propina para reduzir a cobrança do auto de infração. “Um empresário confirmou toda a transação que o fiscal cobrou”, confirma a delegada. Com os mandados de busca e apreensão, ela pretende localizar documentos para que “prática material do crime de corrupção”. Os mandados foram expedidos para duas residências e sete empresas do município de Alto Araguaia.
O esquema investigado pela Operação "Mala Preta" pode ter gerado um desvio de R$ 3 bilhões aos cofres públicos. A fraude se daria por meio de alterações em documentos notas fiscais, sendo que algumas não ultrapassavam mais de 5% do valor real do produto. Também investiga-se ação de empresários que declaravam nas notas operações de vendas como se fosse exportação para não pagar o ICMS, mas os produtos não saiam do país. Por algumas vezes, "laranjas" teriam sido usados.
No fim do ano passado, 27 pessoas chegaram a ser detidas em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sapezal, Paranatinga, Água Boa e Sorriso. Também foram cumpridos mandados de busca e de prisão nas cidades de Orlândia, em São Paulo e Santa Rita do Araguaia, em Goiás.