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ARTICULAÇÃO | 27/08/2010 - 12:50

Em acordão por votos, Percival não pune prefeitos dissidentes

Romilson Dourado

Deputado Percival Muniz   Percival Muniz é mesmo um político matreiro. Com suas jogadas maquiavélicas nos bastidores, o deputado estadual e presidente regional do PPS fez acordão com os prefeitos dissidentes, aqueles que saíram do palanque do candidato ao governo Mauro Mendes (PSB), para reforçar o projeto de reeleição do peemedebista Silval Barbosa. Percival orientou o presidente da comissão de Ética do partido, professor Antonio Carlos Máximo, para "liberar" os gestores do compromisso de estarem com Mendes e, para não acioná-los por infidelidade, o que poderia provocar até perda do mandato, condicionou espécie de rateio de votos para sua candidatura à reeleição. Cada um dos prefeitos do PPS se comprometeu a conseguir ao menos 500 votos para Percival.

    Esse entendimento interno não passou por discussão com o candidato majoritário Mendes, que tem o deputado como um de seus fortes aliados. O pacto entre os socialistas sugere traição a Mendes. Na prática, alguns prefeitos do PPS vão trabalhar para Silval, mas com a missão de conquistar votos também para Percival.

    Entre os que fecharam esse acordão estão Gaspar Domingues Lazari, de Confresa (a 1.165 km de Cuiabá), e Filemon Gomes Costa, de São Félix do Araguaia. Assim, pensando em salvar o próprio mandato, Percival vai "costurando" apoios, mesmo que seja na base da pressão. Ex-vereador e prefeito de Rondonópolis e ex-deputado federal constituinte, o dirigente socialista provocou a maior confusão na defesa de definição de candidaturas. Rompeu com o então governador Blairo Maggi (PR), incentivou Mendes a troca a legenda republicana pelo PSB e se lançou ao Senado.

   Quando todos os candidatos já estavam acomodados nos partidos e coligações, Percival desistiu de concorrer à senatória e entrou como concorrente à reeleição pela coligação Mato Grosso Melhor Pra Você, que congrega PPS, PSB, PDT e PV. Assim, ele se tornou espécie de puxador de voto do bloco desses quatro partidos. Para os analistas, com tal jogada política, Percival está com a reeleição praticamente garantida, enquanto outros nomes com boa visibilidade eleitoral enfrentam disputa apertada em coligações "pesadas" e que exigem pelo menos 30 mil votos para estar entre os 24 futuros parlamentares.

    Ele tira proveito político na condição de presidente regional do PPS, que, mesmo tendo minguado, já que comandava 56 prefeituras e, com a desfiliação de Maggi, está hoje com apenas 8, Percival controla seus filiados. Na Assembleia, foi o único que restou na sigla. Seu desafio agora é reconquista a cadeira no Legislativo mato-grossense para ganhar força em outro projeto, o de voltar ao posto de prefeito de Rondonópolis em 2012.