O ex-presidente da extinta Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fema e hoje Sema), Frederico Muller, será o novo diretor-presidente da Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap). Ele aceitou o convite tanto do prefeito Wilson Santos (PSDB) quanto do vice Chico Galindo (PTB), que já se prepara para comandar a Capital a partir de 3 de abril com a renúncia do titular para poder concorrer à cadeira de governador. Frederico já tem o irmão Guilherme Muller que compõe o staff do Palácio Alencastro, como secretário de Finanças. Ambos foram da administração Dante de Oliveira (1995/2002). O novo diretor-presidente visita a Companhia na quinta. Sua posse está prevista para segunda (25).
Hoje a Sanecap está sob o ex-governador e ex-prefeito de Cuiabá Frederico Campos, que acumula as funções de diretor-administrativo e financeiro e de presidente. Integram também o comando da empresa responsável pelos serviços de saneamento Édio Ferraz, como diretor-técnico, e Cilbene Lobão, ex-chefe de gabinete de Wilson e hoje no cargo de diretora comercial.
Uma série de "pepinos" administrativos aguardam por Frederico Muller na Sanecap, que possui orçamento superior a R$ 65 milhões por ano, mas "vive no vermelho". O prejuízo acumulado é de cerca de R$ 70 milhões, maior que o capital social, o que demonstra a fragilidade da situação econômica da Companhia. O passivo a descoberto chega a R$ 10,2 milhões. Para se ter uma ideia, a Sanecap pagou R$ 1,7 milhão em juros e taxas somente no decorrer de 2008. De 92 servidores, 74 são efetivos. Uma das alternativas para torná-la viável apresentada pelo prefeito é de transformá-la em S/A, a fim de ampliar o ramo de atuação, inclusive em outros municípios. Projetos nesse sentido foram aprovados pela Câmara Municipal
Na gestão Wilson Santos, que começou em janeiro de 2005, passaram pela presidência da Sanecap o advogado José Antônio Rosa e a engenheira sanitarista e professora universitária Eliana Rondon. O nome do vice-prefeito e secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão Chico Galindo chegou a ser anunciado por Wilson como novo presidente da empresa, mas, uma semana depois, recuou da ideia porque o petebista já acumula funções e vive expectativa de assumir o cargo de chefe do Executivo para concluir mais de dois anos de mandato.
As obras do PAC em Cuiabá, cujos investimentos previstos da União superam a R$ 200 milhões, estão vinculadas à Sanecap. Por conta disso, o ex-presidente José Rosa foi até preso, junto com outras 10 pessoas sob acusação de envolvimento em fraudes nas licitações acerca do Programa de Aceleração do Crescimento. São recursos destinados a construção de asfalto, água encanada e rede de esgoto. As obras estão empacadas. Com a saída de José Rosa da Sanecap e seu retorno à Procuradoria-Geral do Município, o prefeito conseguiu convencer Eliana a reassumir a Companhia. No ano passado, ainda assustada com o escândalo, Eliana pediu exoneração. Wilson nomeou então à presidência o antigo adversário político Frederico Campos.