Sexta, 25 de Maio de 2012, 13:28 h

Artigo | 25/05/2012 - 00:00

MT é pioneiro na aplicação da Lei Maria da Penha (2)

Ana Emília

  Dando sequência ao artigo de semana passada, em 1º de abril de 2010, no Governo Silval Barbosa foi criada a Superintendência Estadual de Políticas para as Mulheres de Mato Grosso, concretização de um sonho antigo dos movimentos sociais e do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher.

   em 11 de maio do mesmo ano, o governador assinou o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres, com a presença da então ministra Nilcéia Freire. O Pacto Nacional apresenta uma estratégia de gestão que orienta a execução de políticas de enfrentamento à violência contra mulheres, no sentido de garantir a prevenção e o combate à violência, a assistência e a garantia de direitos às mulheres.

   A proposta é organizar as ações pelo enfrentamento à violência contra mulheres, com base em quatro eixos/áreas estruturantes (implementação da Lei Maria da Penha e fortalecimento dos serviços especializados de atendimento; proteção dos direitos sexuais e reprodutivos e implementação do Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da AIDS; combate à exploração sexual e ao tráfico de mulheres; promoção dos direitos humanos das mulheres em situação de prisão); alinhando aspectos técnicos, políticos, culturais, sociais e conceituais acerca do tema, orientando procedimentos, construindo protocolos, normas e fluxos que institucionalizem e garantam legitimidade aos serviços prestados e às políticas implementadas.

   Naquela ocasião, eu tomei posse como primeira superintendente estadual de Políticas para as Mulheres e o governador, através do Decreto 2.540, de 11 de maio de 2010, instituiu a Câmara Técnica Estadual de Implementação do Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra a Mulher no Estado, coordenada pela superintendente, resultando assim no convênio SPM 091/2010, no valor de R$ 2,3 milhões para implantar políticas públicas para as mulheres de Mato Grosso.

   Este recurso viabilizará a criação do Centro Integrado da Mulher de Mato Grosso (CIM/MT), pois identificamos problemas estruturais no atendimento à demanda crescente, haja vista a necessidade de um local de acolhimento, orientação, acompanhamento e atendimento para as vítimas em situação de risco no Estado, com ampliação e consolidação da rede de serviços especializados às mulheres em situação de violência contemplando o atendimento especializado e integral a essas vítimas, proporcionando uma rede de atendimento mais humanizada composta de equipe multidisciplinar (psicóloga, assistente social, pedagoga, médico, enfermeira e dentista), posto da Delegacia da Mulher, núcleo da Defensoria Pública, Organismo Estadual de Políticas para as Mulheres e Organizações Não Governamentais (MTMama; Comitê de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e outras), que militam na questão de gênero; reaparelhamento com móveis, eletrodoméstico, eletrônicos e veículos das delegacias especializadas da mulher e as casas de abrigo para mulher e seus filhos/as vítimas de violência doméstica e familiar, com previsão de funcionamento para julho/2012.

   Após a criação da Superintendência Estadual de Políticas para as Mulheres, visitamos as 15 regiões pólos do Estado e, através de reuniões ampliadas, conhecemos a realidade e ouvimos as dificuldades e acatamos as sugestões e reivindicações das mulheres daquelas localidades. Visitamos aldeias indígenas, prostíbulos, cadeias femininas municipais e fomos para estradas estaduais conversar com travestis e prostitutas e fizemos um diagnóstico das políticas públicas para oportunamente serem implantadas e implementadas.

   Ana Emilia Iponema Brasil Sotero é professora, advogada, doutoranda em Ciências Jurídicas e Sociais, palestrante sobre violência de gênero, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Mato Grosso e escreve exclusivamente para este blog toda sexta-feira - soteroanaemilia@gmail.com - http://facebook.com/AnaEmiliaBrasil

Artigo | 24/05/2012 - 00:00

O ensino à distância ao alcance de todos

José Patrocínio

   É muito acentuada a presença do mundo digital em nosso cotidiano, assim impensável a dispensabilidade da tecnologia em qualquer lugar, seja na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê, tal como musicalizado pelo cantor, produtor musical e compositor baiano Hyldon.

   Na educação não pode ser diferente, portanto, instituições educacionais nacionais e estrangeiras estão firmando parcerias valendo-se da inovação tecnológica existente para democratizar a educação superior - fundamental para o crescimento das pessoas -, levando ao local mais distante do mundo o conhecimento, através de mestres altamente capacitados que disseminam conhecimento para milhões de pessoas, tornando possível o acesso a um curso superior ministrado à distância por um custo mínimo e de ótima qualidade, tudo isso em razão das tecnologias amplamente utilizadas e espalhadas pelo mundo, a exemplo da banda larga, redes sociais, computadores em nuvem permitindo uma super conectividade e interatividade em milhões de pessoas.

   Não pensem que o ensino à distância tem o condão de substituir o ensino convencional. Longe disso! Consoante vem entendendo os especialistas na área de Ensino à Distância, esta se constitui em modalidade alternativa que contribuirá largamente para a democratização do ensino, principalmente para as pessoas que não tem a oportunidade de freqüentar um curso presencial. O ensino convencional é importante e deve ser mantido, mas frente a nova realidade onde através da internet podemos nos comunicar via online, ver imagens e nos comunicar a qualquer hora e de locais distintos, não podemos simplesmente vendar nossos olhos e não utilizar uma ferramenta poderosa que pode contribuir efetivamente para a formação das pessoas, abrindo o portal da educação para quem precisa estudar e se aperfeiçoar, sem perder a essência da qualidade desejada.

   Nada obstante o avanço já demonstrado mediante o oferecimento dos diversos níveis de ensino disponíveis, o ensino à distância ainda tem um longo caminho à percorrer, muitas barreiras a serem superadas e pela sua comprovada modernização pode chegar em lugares ainda não frequentados a exemplos das creches, cárceres, casas de detenção, presídios, abrigos de velhos, centros comunitários, tudo a um custo mínimo e a um acesso amplo.

   Ainda atuamos com determinada timidez considerado o leque de opções e as ferramentas tecnológicas de última geração que poderá ser conjugadas com recursos humanos de mais alto gabarito para auxiliar na tarefa de educar o povo brasileiro de norte ao sul e do leste ao oeste. A democratização do ensino apregoada poderá ser concretizada, mas para isso temos que avançar, ser menos conservador, preconceituoso e egoísta e na medida do possível se esforçar para socializar o pouco aprendido, que fará enorme diferença para quem sabe menos, sendo de grande valia para superar obstáculos iniciais e contribuindo para solidificar a formação intelectual de nossa gente.

   Num país de dimensão continental como o nosso, com a devida permissão de quem pensa o contrário, vejo com bons olhos que a tecnologia moderna hoje apresentada em muito pode contribuir para a formação educacional das pessoas, senão democratizar pelo menos mitigar a deficiência estatal em não conseguir plenamente cumprir o que proclama a Constituição Federal estabelecendo que a educação é direito de todos e dever do Estado, tendo como objetivo desafiador qualificar as pessoas para o trabalho dotá-lo para o exercício consciente da cidadania.

   A realidade hoje permite graças ao avanço tecnológico uma grande interatividade através do mundo digital criar novas relações e estreitá-las, assim o ensino à distância pode contribuir de forma relevante para levar a cabo a missão da formação educacional, pois permite não importando a localização física de quem emite e de quem recebe a mensagem, relacionamentos, comunicações, ensinamentos e informações, tornando plenamente um instrumento indispensável para fins de aprendizagem e acesso a educação.

  O Ensino à Distância (EAD), já devidamente previsto na Lei de Diretrizes e Bases e por legislações marginálias, é hoje essencial para a formação e aperfeiçoamento do capital humano, podendo com o auxílio da tecnologia de informação e comunicação, constituir ferramenta valorosa para despertar e estimular indistintamente o acesso a educação de qualidade, sem esbarrar em obstáculos excludente de cunho social, econômico, físico e geográfico.

   José Patrocínio de Brito Júnior é advogado, professor universitário e escreve exclusivamente para este blog às quintas-feiras - jpbj.adv@uol.com.br

Artigo | 23/05/2012 - 00:00

Inspirado em negócios éticos

Ines Martins

   “Mais do que nunca, a conduta faz a diferença”. Antes vista como bandeira de alguns indivíduos bem intencionados, a ética agora é estratégia para muitas empresas que apostam no sucesso sustentável. Segundo Linda Ferrel e O. C. Ferrel, professores de marketing e empreendimento criativo na Anderson School of Management, da Universidade do Novo México, a questão da ética empresarial saiu dos livros de filosofia e virou prática na direção das organizações, trazendo novas abordagens para os negócios.

   Mas, o que é uma empresa ética? No guia "Negócios Éticos" (Publifolha), os dois autores explicam que uma organização ética é aquela que "tem clareza quanto ao que é certo ou errado, de acordo com as expectativas da sociedade”. Diferente da ética pessoal, a ética empresarial segue um código que recebe a mesma importância que outros sistemas de gestão de qualidade.

   Por exemplo, uma empresa pode assumir o compromisso de não mentir para fornecedores e clientes e não tolerar qualquer descumprimento. Segundo o guia, a partir desse princípio, a empresa vai adotar processos para garantir sua aplicação. Na trilha da ética, as empresas que estão na boa pista concentram-se em princípios coletivos, criam uma cultura ética em todos os níveis de funcionários, têm lideranças fortes e íntegras e transformam essa preocupação ética em um aspecto constante e geral.

  A falta de conduta ética já afundou muitas empresas gigantes no mundo. ”... No Brasil, o cidadão está à espera que a conduta ética seja levada aos poderes constituídos, como uma lei a ser rigorosamente cumprida já que todos eles se encontram contaminados por um numero considerável de pessoas sem ética, sem Deus no coração, vaidosos e sem um mínimo de vergonha por enriquecer a si, a sua família e amigos mais chegados por conta da miséria, da falta de saúde, de educação e de segurança dos milhões de cidadãos (?) escravos desse sistema injusto, que não pune, que aceita as mentiras para subornar os eleitores e que encontra na própria lei as justificativas para mostrar que na realidade tudo é legal embora imoral.

   Ninguém é culpado, tudo tem defesa. Então o certo se confunde com o errado. Depende das crenças de cada um os quais não se pode interferir e da ética, essa sim, deveria ser ensinada desde o berço e reforçada no jardim da infância, na educação de base, no ensino médio até a universidade e ser igual para todos. Depois desse aprendizado todo, a sentença mais justa para aqueles que a infringissem, seria pelo menos viver algum tempo como pobre, limpar as praças, trabalhar nos hospitais, no lixão, ser professor de escola publica, medico do SUS, bombeiros e tantas outras profissões com seus respectivos salários.

   Para completar, deveriam andar de ônibus, poderiam viajar em classe econômica para ver de perto a miséria dos países subdesenvolvidos, aliás, acho que nem precisaria ir tão longe seria só viver mais um ano como o nordestino, que vive na seca e sentir na pele a fome e ver de perto morrer o seu gado e suas plantações por falta de água. Quem sabe assim, inteligentes como são, usariam a inteligência para melhorar a vida das pessoas e do país em que vivem. Se mesmo assim, suas consciências não fossem despertas, então que vivam enquadrados por muitos e muitos anos sem nenhuma mordomia, sem TV, sem celular, sem visita intima e com todos os bens confiscados e aplicados na educação de base, na segurança do cidadão que perdeu seu direito de ir e vir, na recuperação de viciados em drogas e nos andarilhos sem tetos que perambulam pela cidade dormindo ao relento.

   Isso tudo pode ser uma utopia, mas sonhar e ter esperança ainda não são proibidos, lembrando de que quando só um sonha é mesmo um sonho, mas quando todos sonham juntos, o sonho pode se tornar realidade. E, enquanto houver impunidade, brechas nas leis que só os bons e bem pagos advogados conhecem, tudo vai continuar como está e então nos resta rezar e ter fé para que Deus nos ajude a mudar o que é possível e a aceitar as coisas que não podemos mudar. Isso pelo bem da nossa própria saúde.

   Inês Martins é produtora cultura, escritora, autora do concurso literário "Casos Lembrados, Casos Contados", direcionado às pessoas com idade acima de 60, poetiza, palestrante da maturidade, vovó blogueira e escreve exclusivamente neste espaço toda quarta-feira - www.vovoantenada.com.br)

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Artigo | 22/05/2012 - 00:00

Como conciliar demanda econômica com futuro mais justo e sustentável?

Olga Lustosa

 "Há o suficiente para a necessidade de todos,
não há suficiente para a ganância de todos"
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Mahatma Gandhi, líder e pacifista indiano

   O grande desafio que todos nós enfrentamos são muito claros: a pobreza corroendo nosso tecido social; nossos ecossistemas em declínio; a ameaça bem documentada de mudança climática. E ainda assim muitos de nossos líderes políticos tendem a não colocar estes desafios como prioridades nas agendas.

   Como podemos conciliar a demanda de crescimento econômico com um futuro mais justo e mais sustentável? Estas são as aflições de muitos e também do arcebispo Sul-Africano, Desmond Tutu, que criou um fórum em que pede a jovens selecionados da Suécia, Brasil, Nigéria e China, que discutam entre si se a ideia progressiva do desenvolvimento sustentável é algo que apenas os países ricos podem pagar para ter.

   Ao longo do debate, que pude acompanhar por e-mail, sempre recheado de formulações arrojadas, os jovens, quase unânimes afirmam que a maioria dos líderes dos países ricos e pobres colocam os desafios de se combater as alterações climáticas e a injustiça social, como se fosse uma espécie de artigo de luxo, algo que deve ser feito, quando sobrar tempo e recurso. Acreditam que os políticos atuais são muito fluentes em encontrar soluções para crises já instaladas e frustram-se ao constatar que não há comprometimento com soluções de longo prazo, que trariam prosperidade, justiça social e sustentabilidade. Tanto países pobres quanto países ricos tem oportunidades diárias de repensar seus investimentos, visando o bem-estar dos seres humanos.

   A jovem sueca admite que seu país é o maior consumidor de energia per capita do mundo e que se cada pessoa no planeta consumisse tanto recurso quanto a média sueca, a nossa Terra não conseguiria fornecer o suficiente. É um país que atingiu um nível de desenvolvimento que nosso planeta simplesmente não pode pagar. Ela diz que a dificuldade do jovem em promover a mudança de comportamento radical é que eles já nasceram dentro desse sistema de consumo exacerbado, mas certamente não nasceram para aceitar esse estado de comportamento predador.

   O jovem brasileiro reconhece a urgência de todos os líderes mundiais abraçarem o desenvolvimento sustentável como prioridade em suas agendas para garantirem um ambiente digno, bem-estar e ambiente seguro para seus cidadãos. Ele aponta a corrupção dos governos como uma das causas que impede a verdadeira mudança, e também o financiamento privado das campanhas políticas, que amarram candidatos eleitos aos interesses dos grupos privados que os financiaram. No Brasil, os interesses de curto prazo e o crescimento a qualquer custo tem gerado desperdícios e impedido a prática de políticas efetivas contra a destruição e a pobreza.

   Culpar os governos é uma retórica que aos poucos cai em desuso porque todos nós devemos apresentar alguma alternativa decisiva para uma vida sustentável, seja através de mudanças culturais, compromissos voluntários ou políticas públicas eficientes. Durante as discussões fica o sentimento que o desenvolvimento sustentável pleno só será abraçado pelos políticos se for apresentado como um exercício lucrativo. Pois bem, tanto o arcebispo Tutu quanto o grupo de jovens asseguram que o desenvolvimento sustentável não deve ser visto como luxo, é de fato, a única opção que temos. A vida sustentável tem que ser vista em sua totalidade, como uma maneira de criar um ambiente limpo ao mesmo tempo, gerar emprego e renda, só assim, os líderes políticos entenderiam sua premência, falando a linguagem da economia.

   A questão do desenvolvimento sustentável não está restrita a plantar árvores, replantar florestas. É muito mais que isso. É plantar o sentimento de pertencimento ao planeta dentro de si.

   Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e acadêmica de Ciências Sociais pela UFMT e escreve exclusivamente neste blog toda terça-feira - olga@terra.com.br

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Artigo | 21/05/2012 - 00:00

Remédio contra a impunidade

Vinicius de Carvalho

   Hoje quero destacar dois problemas dentre os vários problemas que o Brasil precisa enfrentar em sua necessária modernização: corrupção e impunidade. Uma fonte interessante de informações a este respeito é o Banco Mundial. Este importante organismo multilateral vem realizando pesquisas periódicas sobre a governança em vários países do mundo, de modo a permitir maior comparabilidade. Uma das dimensões da governança trabalhada por eles é voz e accountability.

   Accountability é uma palavra inglesa que não possui tradução literal para o português. Ela é compreendida no meio acadêmico e técnico como prestação de contas, transparência ou relatabilidade, que seria a capacidade de expor as contas públicas para toda a cidadania. Esta dimensão considera, portanto, variáveis como direitos humanos, políticos e civis, responsabilidade, transparência liberdade de expressão e de associação. Pela medição do Banco Mundial, o Brasil vem avançando, embora ainda ocupe uma posição intermediária na comparação com os países da América do Norte, Europa, Oceania ou mesmo alguns vizinhos de sul-americanos como Uruguai e Chile.

   Quer dizer, por estes dados é possível perceber que o Brasil vem implantando algumas mudanças institucionais que favoreceram a governança. Aqui posso citar a instalação de conselhos em várias políticas públicas, a realização de conferências, audiências públicas, implantação de ouvidorias e corregedorias e os diversos mecanismos de transparência adotados pelo setor público. Na última semana, foi dado mais um passo nesta caminhada, com a entrada em vigor da lei federal 12.527/11, denominada de lei de acesso à informação. Mas por que o acesso à informação é tão importante?

   Muitos autores e profissionais da área entendem que o aumento do número de denúncias no setor público é condicionado por três variáveis:

   1 - Maior acesso às informações do setor público (transparência);
   2 - Maior conhecimento sobre o direito de denunciar pelos cidadãos;
   3 - Credibilidade nas apurações e suas consequências.

   A nova lei pretende contribuir para a primeira. Seu objetivo é instrumentalizar o acesso a informações no serviço público, definindo diretrizes e conceituando partes importantes deste meio como informação, documento, disponibilidade, autenticidade, integridade, etc. Além disto, ela aborda as normas e procedimentos específicos para assegurar o acesso à informação, bem como os dados que devem ser disponibilizados, prazos, recursos, restrições, classificação, responsabilidades, dentre outros aspectos.

   No caso da Administração Pública Federal, foi instituída a Comissão Mista de Reavaliação de Informações. A sua função principal será dispor sobre o tratamento e classificação de informações sigilosas. O decreto federal 7.724 de 16/05/2012 estabeleceu as principais práticas e rotinas para implementação da lei no âmbito da União. No seu artigo 8°, a lei dispõe que os órgãos deverão promover a divulgação em local de fácil acesso, no âmbito de suas competências, de informações de interesse coletivo ou geral produzida ou custodiada por ela. Dentre estas, ela especifica que no mínimo os órgãos e entidades devem fornecer informações com “dados gerais para o acompanhamento de programas, ações, projetos e obras”.

   A lei dispõe ainda sobre a utilização de todos os meios disponíveis para divulgação das informações, obrigando a divulgação nas páginas oficiais dos órgãos na internet. Para tanto, são estabelecidos alguns requisitos para os sítios na internet, de modo a favorecer a transparência das informações. Por fim, a lei dispõe que serão criados serviços de informações aos cidadãos, em local e condições apropriadas para cumprir os objetivos. Com mais esta arma nas mãos, está na hora dos cidadãos exigirem maior transparência daqueles que exercem a função pública em seu nome, para que tenhamos uma verdadeira democracia.

  Vinicius de Carvalho Araújo é gestor governamental do Estado, mestre em História Política, professor universitário escreve neste blog toda segunda-feira - vcaraujo@terra.com.br www.professorviniciusaraujo.blogspot.com

Artigo | 20/05/2012 - 00:00

O tabagismo e a doença periodontal

Jackelyne Pontes

   Doença periodontal é um processo inflamatório da gengiva (gengivite) e dos tecidos que fazem o suporte dos dentes (periodontite), que quando agravada pode levar à perda do dente pela reabsorção do osso que aloja o dente (osso alveolar). Na forma mais branda, que é a gengivite, a gengiva infectada pelas toxinas produzidas pelas bactérias presentes na placa bacteriana, torna-se vermelha, inchada e sangra com facilidade.

   A gengivite não tratada pode evoluir para a periodontite. Porém, não é só a falta de higienização da boca que causa doenças periodontais, grande parte dos fumantes também são acometidos pela doença. O tabagismo tem efeito deletério na cavidade bucal, e além de periodontias pode causar câncer, leucoplasias, estomatites e sangramento gengival, para citarmos alguns exemplos de agravos.

   A fumaça do cigarro é constituída por nicotina e monóxido de carbono, cuja mistura interfere na circulação sanguinea genginal, provocando vasoconstrição, levando a perda de osso, perda de inserção periodontal , formação de bolsas e consequentemente perda do dente. Outro componete do cigarro é o cianeto, que dificulta no processo de cicatrização das feridas. Estudos mostram que mostram que os fumantes têm um risco de 2,6 a 6 vezes maior de desenvolver doenças gengivais do que em pacientes não fumantes.

   A nicotina prejudica a resposta imunológica do fumante. Devemos compreender que fumar é um ato de risco, e que o melhor para a nossa saúde é cessar o hábito.

   Pensando nisso, a Sociedade de Pneumologia e Tisiologia de Mato Grosso promove no próximo dia 31 o passeio ciclístico Mato Grosso Sem Tabaco. A concentração será na praça do Chopão, às 18 horas, e toda a sociedade está convidada a participar. Um iniciativa louvável que visa a sensibilização quanto aos prejuízos para a saúde trazidos pelo vício do tabaco. O SInodonto-MT (Sindicato dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso) aplaude e apoia o evento, e conclama os colegas ciclistas, porque sim, temos odontociclistas a abrilhantarem a festa - confira detalhes no cartaz reproduzido acima.

   Depois de ler estes parágrafos você fumante pode pensar: parar de fumar é difícil, e eu concordo plenamente, e aproveito para lembrar que não é impossível. Tente!

   "Não sabendo que era impossível, foi lá e fez" (Jean Cocteau)

   Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, filiada ao Sinodonto-MT (Sindicato dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso) e escreve exclusivamente para este blog todo domingo - jackelynepontes@gmail.com

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Artigo | 19/05/2012 - 00:00

Sonhe como uma criança

Andre Bellucci

   Em setembro de 2010, minha enteada que tinha apenas sete anos me entregou o esboço de um “projeto” do nosso escritório. Ela estava nos acompanhando a alguns dias no trabalho e resolveu dar a sua contribuição. Era uma folha A4, com o desenho de um prédio de três andares com fachada, desenhado por ela mesma no world. Em princípio, eu me limitei a dizer que estava bonito, reconhecendo o trabalho dela, porém, só mais tarde fui entender a profundidade daquele desenho que ela havia me entregado.

   Depois de deixar o esboço em cima da mesa durante a tarde, eu resolvi olhá-lo com mais atenção antes de ir para casa e percebi que junto do desenho da fachada tinha uns dizeres que se referia à quantificação e a o slogan da empresa. Lembro-me de olhar para o desenho e dizer: “Essa menina sonha alto, desenhou um prédio de três andares para a nossa empresa”. E foi nesse momento que eu pude interpretar o desenho como deveria ter sido desde o início. Na verdade aquele esboço com um prédio muito maior que eu já imaginei era como ela nos enxergava, ou melhor, como os olhos de criança dela nos enxergavam. E pensei que talvez os meus sonhos precisassem ter um pouco mais disso, da visão da criança, e eu explico porque.

   A criança tem poucas barreiras internas para serem quebradas, como não tem muitas experiências ela ainda não desenvolveu um conjunto de ideias e de julgamentos que impeça ela de realizar, toda a limitação está direcionada a figura dos pais. Sendo assim, ela se permite sonhar, até porque nunca precisou se preocupar de onde vem os recursos, apenas cria o quadro mental e entende que o pai que é provedor de tudo vai ajudá-la a realizar. Nós adultos temos um monte de conceitos, planos de negócios, e maneiras próprias de fazer as coisas que nos impedem de sonhar como crianças.

   Acostumamos pensar numa ideia e logo abandoná-la porque junto dela apareceram dez objeções que na sua grande maioria só existem nas nossas cabeças. Por vezes esquecemos que criar uma visão de futuro com aquilo que gostaríamos de realizar não nos custa muito e é o pontapé inicial para qualquer negócio. Alguns neste momento podem me perguntar: Ok, e quem fara o papel de pai quando eu estiver sonhando? E a resposta é simples: - Deus.

   Quando depositamos em Deus a mesma confiança que a criança deposita no pai sabemos que muitos dos nossos sonhos se tornarão realidade porque ele proverá o necessário. Assim como o pai faz para o filho algumas coisas não nos serão dadas. Por exemplo: Nenhum pai deixaria uma criança de cinco anos saltar de paraquedas sozinha se a ama de verdade. Sendo assim, para conseguir o que desejamos é importante que possamos crescer até ter a confiança necessária para desfrutar daquilo que sonhamos. E mesmo crescendo em alma, corpo e espírito, devemos continuar a ser crianças quando o assunto é sonhar ou criar uma visão.

   Portanto, durante esta semana livre-se de todas as suas barreiras mentais, pense como uma criança e trabalhe pelo êxito. Porém, deixe aquilo que você não é capaz de realizar para aquele que possibilita todas as coisas. Assim você poderá fazer aquilo que é mais simples, e ao final do dia voltar para casa e junto ao seu Pai se orgulhar de tudo.

    André Luiz Bellucci é empresário, trainer da Dale Carnegie Training em Cuiabá e escreve neste blog todo sábado - engbellucci@uol.com.br

Artigo | 18/05/2012 - 00:00

MT é pioneiro na aplicação da Lei Maria da Penha (1)

Ana Emília

    O Estado Brasileiro assinou vários Tratados e Convenções visando a erradicação da violência de gênero, que gerou na adoção de medidas que vieram dar visibilidade à violência contra a mulher, culminando com o sanção da Lei 11.340/2006, que pune e especifica crimes praticados contra a mulher. Em que pese a modificações e avanços trazidos pela lei, ainda não prevalece de fato e no cotidiano da mulher brasileira situações de violência.

    No Brasil, tem-se adotado como definição de violência contra a mulher aquela contida na Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher - Convenção de Belém do Pará, que a trata como qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada.

    A Lei Maria da Penha (11.340/2006), para coibir a violência doméstica e familiar especificamente contra a mulher, enfoca o fenômeno no sentido de sua identificação e tratamento, em cumprimento à Constituição Federal de 1988, que traz dispositivo reconhecendo a existência da violência doméstica no âmbito das relações familiares, à Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e a citada Convenção de Belém do Pará.

   Segundo Wagner de Cerqueira e Francisco, da equipe Brasil Escola, Mato Grosso, com extensão territorial de 903.329,700 quilômetros quadrados, é o maior Estado do Centro-Oeste e o terceiro do Brasil. Conforme contagem populacional realizada em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), possui 3.035.122 habitantes, o que representa 1,59% da população brasileira. É o segundo Estado mais populoso da região Centro-Oeste. Apenas Goiás possui população superior (6.003.788 habitantes). No entanto, o território mato-grossense possui grandes vazios demográficos, fato que interfere diretamente na densidade demográfica estadual, que, atualmente, é de 3,3 habitantes por quilômetro quadrado, portanto, o Estado é pouco povoado. A taxa de crescimento demográfico é de 1,9% ao ano.

    A maioria dos mato-grossenses reside em áreas urbanas (82%). A população rural compreende 18%. O Estado possui 141 municípios, a maioria é habitada por menos de 20 mil pessoas. Cuiabá é a mais populosa (551.098 habitantes). Outros municípios com grande concentração populacional são Várzea Grande (252.596), Rondonópolis (195.476), Sinop (113.099), Cáceres (87.942) e Tangará da Serra (83.431). Nos últimos anos, o Mato Grosso tem recebido consideráveis fluxos migratórios, consequência da expansão da fronteira agrícola. A população do Estado é formada por pessoas de diferentes composições étnicas. De acordo com dados do IBGE, a distribuição é a seguinte: pardos (55,2%); brancos  (36,7%), negros (7%) e indígenas (1,1%).

   Portanto, os habitantes que se declaram como pardos é maioria. A população indígena de Mato Grosso se concentra no Parque Nacional do Xingu. Ali vivem tribos indígenas que preservam a tradição do Kuarup, ritual realizado em homenagem aos mortos. O Estado apresenta grande pluralidade cultural, entre os elementos da cultura mato-grossense estão o Cururu, o Siriri, o Rasqueado Cuiabano, o Boi, a Dança de São Gonçalo, a Dança dos Mascarados e o Congo. Mato Grosso ocupa a 11° posição no ranking nacional de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com média de 0,796. A taxa estadual de mortalidade infantil é de 19,2 a cada mil crianças nascidas vivas, essa média é a maior do Centro-Oeste. A taxa de assassinatos por 100 mil habitantes é de 25,2, sendo uma das maiores médias do país. A maioria dos habitantes é alfabetizada (89,8%) e 48,7% possuem oito anos ou mais de estudo.

   O Estado possui 5 delegacias especializadas de Atendimento à Mulher, sendo 1 na capital, 1 em Várzea Grande, 1 em Rondonópolis, 1 em Cáceres e 1 no município de Barra do Garças. Possui também 4 casas de abrigos, localizadas em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sorriso. Existem 4 Varas Especializadas de Violência Doméstica e Familiar, situadas em Cuiabá (2), Várzea Grande (1) e Rondonópolis (1). Mato Grosso foi o primeiro Estado brasileiro a instalar as Varas Especializadas em Violência Doméstica e Familiar quando a Lei 11.340/2006 entrou em vigor em 22 de setembro de 2006.

   Ana Emilia Iponema Brasil Sotero é professora, advogada, doutoranda em Ciências Jurídicas e Sociais, palestrante sobre violência de gênero, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Mato Grosso e escreve exclusivamente para este blog toda sexta-feira - soteroanaemilia@gmail.com - http://facebook.com/AnaEmiliaBrasil

Artigo | 17/05/2012 - 00:00

Abrace a vida, largue o cigarro

José Patrocínio

   É louvável o esforço de todos aqueles que dedicam parte de seu precioso tempo lutando em prol de seres humanos, a fim de oferecer qualidade de vida, longevidade e melhor aproveitamento da nossa curta existência com mais prazer, amor e obtenção de uma vida saudável e duradoura.

   Faço o registro porque relevante a atuação de agentes e instituições que não poupam esforços - às vezes sacrificando o seu sagrado e merecido lazer -, para empreender ações prevenindo ou combatendo males que ceifam vidas, quando outros - ao contrário - promovem a desgraça alheia oferecendo produtos - lícitos e ilícitos - que visam prazeres efêmeros com o objetivo de atrair pessoas para fatura alto, capitalizar lucros para o seu negócio e socializar o prejuízo para toda a sociedade. É o caso da indústria de cigarros que não mede esforço para disseminar todo tipo malefício e lucrar altas somas de dinheiro.

   Os dados disponíveis acerca das perdas provocadas pelo tabagismo causa espanto sendo deveras preocupante, atingindo gasto na ordem de 200 bilhões de dólares anuais destinados ao tratamentos de doenças ligadas ao tabaco, a exemplo de mortes prematuras, (aproximadamente 5 milhões morrem anualmente no mundo) aposentadorias precoces e pensões, freqüência irregular ao trabalho, baixa produtividade, incêndios e assistência à saúde.

    Por ser uma atividade lícita a indústria do tabaco investe fortemente para fascinar as crianças, jovens e adolescente, atraindo-os para uma armadilha e torná-los dependentes, não importando com as graves conseqüências a porvir, assim para combater tais malefícios imprescindível o apoio da sociedade em ações revestida de extrema seriedade e comprometida com a vida do ser humano, tal qual o passeio ciclístico Mato Grosso sem tabaco, a ser realizado no próximo 31 de maio, Dia Mundial de Luta de Combate ao Fumo, pela Sociedade Mato-Grossense de Pneumologia e instituições parceiras.

   Em favor da vida longa e saudável, as ações da Sociedade Mato-grossense de Pneumologia não se resume ao passeio contra o tabaco, mas também na implementação do projeto do pulmão itinerante - pulmão gigante inflável -, objetivando alertar e informar a população a propósito das principais doenças respiratórias, a exemplo do tabagismo. O pulmão itinerante devidamente equipado, contará com especialistas esclarecendo as particularidades dos males que atingem a saúde respiratória, além da abordagem sobre as queimadas urbanas e rurais de Mato Grosso, as suas implicações ao meio ambiente e à saúde humana.

   A respeito ainda da luta contra o tabagismo a ação não é solitária, sendo nítida a preocupação com esse mal licito que é oferecido abertamente pelas casas comerciais, objetivando sua total proibição ou tornar ou torná-lo mais restrito para que as pessoas possa viver num ambiente saudável, sem ficar exposto direta ou indiretamente ao tabaco. Em Mato Grosso está em pleno vigor a Lei Estadual 9.256/2009, com as alterações da Lei Estadual 9.552/2011, dispondo:

   Artigo 2º - Fica proibido no território do Estado de Mato Grosso, em ambientes de uso coletivo, públicos ou privados, o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos ou de qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco. § 1º Aplica-se o disposto no caput deste artigo aos recintos de uso coletivo, total ou parcialmente fechados em qualquer dos seus lados por parede, divisória, teto ou telhado, ainda que provisórios, onde haja permanência ou circulação de pessoas. (redação da Lei 9.552/2011). § 2º Para os fins desta lei, a expressão “recintos de uso coletivo” compreende, dentre outros, os ambientes de trabalho, de estudo, de cultura, de culto religioso, de lazer, de esporte ou de entretenimento, áreas comuns de condomínios, casas de espetáculos, teatros, cinemas, bares, lanchonetes, boates, restaurantes, praças de alimentação, hotéis, pousadas, centros comerciais, bancos e similares, supermercados, açougues, padarias, farmácias e drogarias, repartições públicas, instituições de saúde, escolas, museus, bibliotecas, espaços de exposições, veículos públicos ou privados de transporte coletivo, viaturas oficiais de qualquer espécie e táxis. § 3º Nos locais previstos nos §§ 1º e 2º deste artigo deverá ser afixado aviso da proibição, em pontos de ampla visibilidade, com indicação de telefone e endereço dos órgãos responsáveis pela Vigilância Sanitária e pela Defesa do Consumidor(redação da Lei 9.552/2011).

    Como visto, o legislador mato-grossense também não se omitiu e estabeleceu regras restritivas de consumo ao tabaco em locais de uso comum, portanto cabe a todo nós fiscalizar e denunciar todos àqueles que não vem cumprindo a legislação. Abrace a vida, largue o cigarro, não importa se seja andando ou correndo.

   José Patrocínio de Brito Júnior é advogado, professor universitário e escreve exclusivamente para este blog às quintas-feiras - jpbj.adv@uol.com.br

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Artigo | 16/05/2012 - 00:01

O trote e a Polícia Militar

Ines Martins

  Acabo de ver na TV, a infeliz ideia de um senhor que bem poderia estar trabalhando para o bem, prestando um trabalho voluntário, ou mesmo quem sabe, fazendo teatro, mas não, seu divertimento era passar trote. No momento agora temos dois lados bem definidos, o do bem e o do mal. Não é como antigamente que tudo ficava meio camuflado. Agora, quem é do bem é do bem e quem é do mal é do mal. O meio termo está como a antiga classe média, meio perdida sem saber em que patamar está. Esse senhor achou bonito passar um trote na policia militar e mobilizou tudo que a nossa segurança possui e que custa muito caro ao contribuinte para satisfazer o seu desejo que na certa a psicologia encontrará uma explicação.

   Enquanto a conta fica para nós pagarmos o constrangimento vai também para a educação de base que na maioria das vezes não é capaz de formar cidadãos mais conscientes dos seus deveres. Portanto está ai um bom debate para os nossos ilustres representantes do povo. Nós somos multados por tantas coisas, que tal agora instituir também a exemplo do estado do Paraná uma multa para quem passa esse tipo de trote? Fica aqui a dica, muito bem explicada para ser adaptada a nossa realidade.

   Veja o exemplo:

  “Foi sancionada pelo governador Beto Richa a Lei 17.107/12, que estabelece punição para quem passar trote telefônico para serviços públicos de emergência. A proposta foi elaborada e aprovada pela Assembleia Legislativa e estabelece uma multa de R$ 135,78 pela prática de chamada falsa. O valor equivale a duas Unidades Padrão Fiscal do Paraná (UPF) e deverá ser pago pelo responsável pelo número telefônico que fez o acionamento indevido para remoções médicas, resgates, combate a incêndios, ocorrências policiais ou atendimento a desastres. A multa instituída pela nova legislação será cobrada pelo Estado pela via judicial, caso não seja paga administrativamente. O valor arrecadado será repassado integralmente ao Fundo Especial de Segurança Pública do Paraná (Funesp). A multa dobra em caso de reincidência. A lei determina que as operadoras de telefonia devem informar em 30 dias os dados dos responsáveis pelas linhas telefônicas que forem identificadas como origem de trote. As empresas que não cumprirem o prazo para repasse das informações serão punidas com multa de 20 UPF, que duplica em caso de reincidência. A partir do momento em que receber o auto de infração, o proprietário do telefone tem 30 dias para recorrer da punição, justificando o ocorrido por escrito. A multa não será emitida se ficar comprovado que não houve má-fé ou que se tratava de situação real que justificasse a ligação. Ligações originadas de telefones públicos serão alvo de levantamentos específicos para verificar a procedência das ligações. Os dados permitirão a adoção de medidas preventivas ou posterior investigação, identificação e responsabilização de pessoas, de acordo com a lei.”

   Portanto, agora trata-se de uma decisão também política. Punir ou não punir?

  Inês Martins é produtora cultura, escritora, autora do concurso literário "Casos Lembrados, Casos Contados", direcionado às pessoas com idade acima de 60, poetiza, palestrante da maturidade, vovó blogueira e escreve exclusivamente neste espaço toda quarta-feira - www.vovoantenada.com.br)

Artigo | 15/05/2012 - 00:00

Se nos governos democráticos existem pobres, eles devem ser bem tratados

Olga Lustosa

  Lendo um artigo sobre as democracias desenvolvidas, contextualizando a tendência de que as mesmas possuem base industrial avançada e sistemas de governo complexos, a maioria da população deveria ser de ricos e uma minoria pobre. Claro que num governo democrático, além das diferenças econômicas, existem as diferenças étnicas, religiosas e de gêneros. Se o regime é democrático, por que existe a exclusão social? Não existiria um meio de abraçar a todos indistintamente numa forma de governo que seria para contemplar o povo?

   O que percebemos é que as democracias ainda dependem do apoio dos ricos e por isso tendem a praticar a política voltada para o favorecimento destes em detrimento das necessidades dos mais pobres. O governo democrático precisa ter moderada propensão ao apetite pelos resultados financeiros, por si só. A grande fraqueza do governo democrático são suas promessas de fazer, onde as vezes, o esforço de enganar ainda é bem maior do que o esforço de realizar o bem.

   Os ricos preocupam-se principalmente com a tributação de riqueza em geral e segurança, os pobres se preocupam principalmente com os benefícios gerais do estado de bem-estar, com escolas, hospitais, segurança, transporte e com os impostos que incidem nos bens de consumo básico.

   Levantou-se a hipótese de que a solução para a maioria das questões sociais, tendem a ter impacto sobre a classe mais abastada. Grandes mudanças nos níveis das prestações de assistência social podem alterar o nível geral de tributação e isso amarra as decisões de avançar, porque os governos temem a reação dos ricos. Os governos democráticos precisam oferecer ajuda necessária para a sua população mais pobre, mas de maneira que promova o bem-estar e menos dependência. Entretanto, as estratégias de redução da pobreza só surtirão efeitos se houver conhecimento da percepção dos pobres quanto a sua própria condição . E as condições de vida dos pobres, segundo eles mesmos, são críticas e geralmente negativas. Os pobres tem plena consciência da sua falta de voz, poder e independência. A pobreza os deixa vulneráveis à humilhação e os empurra para a ruptura com as normas sócias.

   É preciso parar de pensar só nos poucos, para cuidar de todos. Só assim estreitaremos a lacuna que separa os ricos dos pobres.
Onde quer que ocorra, a pobreza contribui significativamente para a desarmonia social, para o sofrimento e conflitos. Se continuarmos nosso caminho atual vamos permitir que esta lacuna fique cada vez maior. Devemos também sentir a responsabilidade para com os indivíduos pobres da nossa comunidade, nós devemos despertar para a compaixão por aqueles que sofrem, porque a compaixão afirma os princípios da dignidade e igualdade para todos, porém devemos também nos comprometer em assegurar a justiça social, abraçando a causa da redução da pobreza.

   O governo brasileiro anunciou na noite do domingo, Dia das Mães, o lançamento da Ação Brasil Carinhoso. Segundo a presidenta, um programa para tirar da miséria absoluta todas as famílias brasileiras que tenham crianças com até 6 anos de idade. Para a presidenta é profundamente triste que as situações de extrema pobreza se concentrem com mais força entre crianças e jovens, razão pela qual, o programa prevê a construção de 1.500 creches em todo o país.

   Em um discurso antigo, o Dalai Lama disse:“Se somos sérios em nosso compromisso com os princípios fundamentais da igualdade, que eu acredito estar no cerne do conceito de direitos humanos, a disparidade econômica de hoje não pode mais ser ignorada. Não basta apenas dizer que todos os seres humanos devem gozar de igual dignidade. Isso deve ser traduzido em ação".

   Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e acadêmica de Ciências Sociais pela UFMT e escreve exclusivamente neste blog toda terça-feira - olga@terra.com.br

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Artigo | 14/05/2012 - 00:00

Coluna Prestes em Mato Grosso

Vinicius de Carvalho

   Na última terça-feira (8) tive a oportunidade de participar de dois eventos importantes liderados por colegas sócios do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHG-MT). Uma delas é foi a exposição “Uma janela de sonhos”, aberta à visitação às 19h do dia 8 no Cine Teatro Cuiabá, em comemoração aos 70 anos de inauguração do espaço. O curador da exposição é o sócio Aníbal Alencastro, que vem se destacando nesta temática do cinema. Outro foi o lançamento do documentário “Heróis não renunciam”, tendo o também sócio Joel Leão como produtor e diretor. O filme retrata a passagem da Coluna Prestes pelo Estado de Mato Grosso em 1926 e destaca a resistência oferecida pelos chamados “batalhões patrióticos” àquele grupamento militar.

   Aproveito o lançamento do filme para me aprofundar um pouco mais na própria Coluna Prestes e sua importância na História do Brasil e, em particular, de Mato Grosso. Foi um dos episódios mais relevantes da primeira metade do século XX no Brasil. Teve relação direta com os movimentos políticos da Reação Republicana liderada por Nilo Peçanha e a própria Aliança Liberal.

   O Estado de Mato Grosso teve uma participação importante na marcha realizada pela Coluna. Primeiro porque foi um dos Estados no qual eles mais andaram, dada a sua extensão territorial de então, que incluía os atuais Estados de Mato Grosso do Sul e Rondônia. Foram 2 mil km dos cerca de 25 mil km estimados para a Coluna nos 13 Estados atravessados.

   Segundo porque eles passaram por aqui em duas ocasiões. Logo após o encontro em Foz do Iguaçu, no Paraná, da Coluna de Prestes vindo do Rio Grande do Sul e de Miguel Costa de São Paulo. Eles foram em direção ao Paraguai e percorreram boa parte da região sul do “velho Mato Grosso”, partindo em seguida na direção de Goiás. Depois, passaram por aqui na volta, no final de 1926 e começo de 1927, em direção a Bolívia, tanto com a Coluna principal quanto com o chamado “périplo de Siqueira Campos”.

   Personagens importantes para história regional como o Marechal Rondon e o então coronel Bertoldo Klinger tiveram papel de destaque nestas passagens. O Marechal Rondon teve a oportunidade de comandar as tropas legalistas contra a Coluna na região de Catanduvas (PR) e Bertoldo Klinger foi um perseguidor implacável dos chamados “rebeldes” não apenas em Mato Grosso, mas também no vizinho Estado de Goiás.

   Algo interessante é que o estado-maior da coluna planejou a invasão de Mato Grosso, inicialmente por Três Lagoas, visando a criação de uma outra república, que eles denominaram de Estado Livre do Sul ou Brasilândia. Eles entendiam que a maior parte dos militares na região eram favoráveis à causa da Coluna e que, portanto, manifestariam adesão ao movimento. Desta forma, eles teriam um recurso de poder importante para negociar com Artur Bernardes. Foi mais um episódio na longa história do separatismo no Estado, que culminou com a emancipação de Mato Grosso do Sul, em 1979. Só para relembrar, menciono a proclamação da República Transatlântica em Corumbá em 1892, como parte dos levantes militares do começo da República.

   Os ecos deste período ainda estão presentes no Estado, com o município de Brasilândia (MS), próximo a Três Lagoas e Nova Brasilândia (MT), na região de Chapada dos Guimarães. A produção é, portanto, uma contribuição importante para melhor compreensão deste importante momento histórico em Mato Grosso. Parabenizo novamente todos os responsáveis pela sua produção e recomendo aos interessados no tema.

   Vinicius de Carvalho Araújo é gestor governamental do Estado, mestre em História Política, professor universitário escreve neste blog toda segunda-feira - vcaraujo@terra.com.br www.professorviniciusaraujo.blogspot.com

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Artigo | 13/05/2012 - 00:00

Quando for a minha vez...

Jackelyne Pontes

  Quero ser o seu retrato.
  Quero ter o seu talento.
  Quero ter a sua percepção.
  Quero saber distinguir o certo do errado.
  Também quero ser exclusiva.
  Também quero educar com sensibilidade.
  Também quero ser a dona da verdade.
  Também quero errar com dignidade.
  Saber dizer sim e não.
  Saber a hora certa para tudo.
  Saber ser escudo.
    Saber ser espelho.
    Ter um repertório de bons conselhos.
    Ter uma vasta lista de estórias.
    Ter uma memória monstruosa.
    Ter paciência até certo ponto.
    Ser aquela que fala e escuta.
    Ser aquela que sai, mas sempre volta.
    Ser aquela que brilha, mas não ofusca.
    Ser a primeira a valorizar.
    Estar presente e deixar marcas.
    Ausentar-se quando convém.
    Mostrar para que todos vejam.
    Ocultar só o que é só nosso.

    Quando for a minha vez de ser mãe, já tenho a minha referência. Parabéns a todas as mães pelo seu dia, em especial às mães de meus pequenos pacientes que de certa forma me “emprestam” os seus filhos.

   Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, filiada ao Sinodonto-MT (Sindicato dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso) e escreve exclusivamente para este blog todo domingo - jackelynepontes@gmail.com

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Artigo | 12/05/2012 - 00:00

Velocidade e segurança

Andre Bellucci

   Certa vez assistindo a fórmula 1 ouvi o locutor Galvão Bueno questionar o então comentarista Luciano Burti sobre qual seria a maior evolução da categoria nos últimos tempos. Eu imaginei no momento que ele diria que era a evolução dos motores que duram várias corridas e que estão mais potentes, ou o câmbio no volante ou até a suspensão eletrônica que foi proibida anos antes. Mas, para minha surpresa e, eu acredito que de muitos que estavam assistindo, ele disse que eram os freios. Justificou dizendo que os freios eram fundamentais para que o piloto pudesse acelerar ao máximo e no fim de uma reta para o carro com segurança.

   Durante esta semana me lembrei dessa história e pensei que talvez o Luciano realmente tivesse razão. De nada adianta ter um veículo muito rápido se você não consegue pará-lo no fim da reta. Então pensei que com muitas empresas o mesmo pode acontecer. A cada dia somos convidados a fazer nossos serviços com menos tempo, menor custo e maior qualidade, costumamos chamar isso de tríplice restrição, isso porque todas as vezes que você tenta atender as três uma fica descoberta. Dentre essas restrições o tempo sempre foi aquela que mais me chamou a atenção, e na maioria das vezes eu confundi ser rápido com ser veloz.

    Apesar dos dois conceitos parecerem a mesma coisa, fiz uma simples distinção para poder trabalhar de forma mais eficaz, e para isso usei o conceito do Burti. Disse para mim mesmo que, todas as vezes que fizesse algo em um espaço de tempo menor que o normal e comprometesse a segurança da empresa e dos processos eu apenas estava sendo rápido. E quando fizesse a mesma atividade com menor tempo que o normal e respeitasse os processos e os limites da empresa eu estava sendo veloz. Desde então me limitei a tentar ter mais velocidade naquilo que faço.

    A grande questão que ficou depois disso foi saber qual era o limite de velocidade que a empresa estava preparada para andar. Sendo assim percebi que três coisas precisavam ser administradas para que eu pudesse aumentar a velocidade da empresa sem perder o controle dela no fim de um projeto. Foram elas:

   • Os recursos financeiros existentes e os recursos financeiros possíveis, ou seja, dar atenção ao dinheiro que existe em caixa e ao dinheiro que o mercado pode oferecer.

   • A capacidade do gestor. Quando digo isso falo da capacidade em lidar com pessoas e a capacidade de lidar processos, uma vez que o gestor fica melhor nessas áreas ele a condição de frear depois dos outros, o que permiti ir mais longe.

   • A administração do tempo disponível. Até porque por mais que você se esforce algumas demandas do mercado referentes ao tempo nunca poderão ser cumpridas, e cabe ao gestor da empresa descobrir o quanto tem de tempo disponível ainda para atender ou não o mercado em uma demanda especifica.

   Estes três itens passaram a ser como o freio do negócio para mim, talvez no futuro eu encontre outras, mas todas as vezes que fico melhor em conhecer esses três primeiros eu aumento a minha capacidade de dar mais velocidade para o negócio, e todas as vezes que ignoro um deles percebo que as coisas saem do controle. Portanto, acredito que se desejamos melhorar ou recriar uma empresa devemos antes saber o quanto somos capazes de mantê-la sobre controle, para que assim como um piloto de fórmula-1 possamos andar sempre com a maior velocidade possível, sem necessariamente comprometermos a segurança e a vida do negócio.

   André Luiz Bellucci é empresário, trainer da Dale Carnegie Training em Cuiabá e escreve neste blog todo sábado - engbellucci@uol.com.br

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Artigo | 11/05/2012 - 00:00

As políticas públicas para as mulheres de MT para o mundo

Ana Emília

    No último dia 4 de maio, as magistradas Amini Haddad Campos e Adriana Coningham, representando o Poder Judiciário de Mato Grosso, apresentaram o painel "O Brasil Pós-Lei Maria da Penha", na 11ª Bienal IAWJ – Londres 2012. Naquela oportunidade, as políticas públicas para as mulheres do Poder Executivo de Mato Grosso foram referência brasileira para mais de 500 pessoas de carreira jurídica mundial. Baseadas em dados, as juízas demonstraram os benefícios da Lei Maria da Penha e enfatizaram a importância das políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres.

   Foram distribuídos mais de dois mil exemplares do livro e da revista intitulados Vulnerabilidades Direito e gênero - O Brasil Poós-Lei Maria da Penha. Ambos contêm artigos sobre políticas para as mulheres de vários operadores e operadoras do Direito e da Secretária de Trabalho e Assistência Social Roseli Barbosa, e trazem também esclarecimentos sobre o projeto de Pesquisa Vulnerabilidades, Direito e Gênero desenvolvido pelos acadêmicos de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso, sob a coordenação da professora-doutora Amini Haddad Campos.

   A superintendência estadual de Políticas para as Mulheres, representada por mim, participou do Congresso Internacional com uma fala em espanhol que, a seguir, transcrevo: “Permisso para hablar em spañol. Jo soy brasiliana, mi trabajo es com políticas para mujeres em Mato Grosso, estado Republicano, em Brazil - Superintendencia para las mujeres. Jo quiero dicer a respecto de la diferencia existente posteriormiente a ley Maria de la Peña in Brazil. Ahora nosotros tenemos estatística, informativos a respecto de la condena e mejores condiciones para ofertar a las mujeres brasileñas. Non teníamos nadie a dicer com referencia a las políticas antes de la ley. Ahora esto es possible! Esto es una revolición en Brazil”.

    Ao final da apresentação do vídeo institucional, parte integrante do painel, as magistradas brasileiras foram aplaudidas de pé pela plateia. Foi um momento extremamente emocionante e coroado com êxito nosso trabalho de comprometimento com a melhoria da qualidade de vida e resgate da dignidade para milhares de mulheres mato-grossenses.

   Ana Emilia Iponema Brasil Sotero é professora, advogada, doutoranda em Ciências Jurídicas e Sociais, palestrante sobre violência de gênero, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Mato Grosso e escreve exclusivamente para este blog toda sexta-feira - soteroanaemilia@gmail.com - http://facebook.com/AnaEmiliaBrasil

Artigo | 10/05/2012 - 00:00

O MMA em debate

José Patrocínio

   O brasileiro é um bom apreciador de qualquer esporte e deveras fanático por futebol. É quase impossível um encontro entre duas ou mais pessoas, sem a inevitável provocação das partes sobre o tema, isso sem contar a saudável disputa para convencer a nova geração - ainda em formação -, para fazer valer a sua preferência. É uma verdadeira guerra. Imagine o avô da academia palmeirense ressaltando os feitos do campeão do século XX para convencer/atrair a neta e o neto de pais flamenguistas, corinthianos ou sãopaulinos?

    Com periquitos, urubus, mosqueteiros e "Santo" Paulo à parte, já se sabe que o mar está mais para peixe com a ascensão do craque Neymar que reina absoluto em solo brasileiro. É um craque em campo e fora de campo, segundo o respeitável técnico Muricy Ramalho. Em campo tem um repertório invejável de jogadas, incluindo a folha seca do Didi, drible da vaca, lençol, pedalada do Robinho, elástico do Rivelino, carretilha, calcanhar do Sócrates e o sensacional chute no vácuo do Valdivia. Já extra campo - mesmo muito jovem -, sinaliza possuir responsabilidade, educação, humildade e comprometimento, máxime no seio familiar. É isso que se espera do esporte, passar uma imagem boa para incentivar a formação de jovens pautados em valores éticos e morais.

    Posto isso, a título de ilustração, é preocupante o se vê na atualidade o espaço ampliado de expressões outrora desconhecidas, mas fartamente já utilizadas por crianças e adultos a exemplo de - mata leão, Katagatame, chave de ombro, chave de braço, joelhada voadora, cruzado de direita ou de esquerda, estrangulamento, cinturar... - denotando que um outro tipo de "esporte" vem crescendo em progressão geométrica crescente, ganhando adeptos e admiradores no mundo todo. É o MMA.

    Ainda não regulamentado no Brasil, as Artes Marciais Mistas (MMA), modalidade de luta sem um estilo próprio de arte marcial, o que permite a utilização conjunta de várias técnicas das denominadas artes marciais (jiu-jitsu, boxe, capoeira, judô, karatê entre outras) atualmente vem dividindo opiniões na sociedade brasileira, porquanto é considerado muito violento e vem ocupando um grande espaço nos lares brasileiros, máxime pela sua propagação hoje através da maior rede de televisão brasileira.

    A polêmica já está instalada no próprio Congresso Nacional, de um lado uma corrente liderada pelo Deputado baiano Acelino Popó Freitas, requer a regulamentação do esporte no Brasil, tendo como motivação a sua evolução, a profissionalização do esporte, regras mais severas visando a proteção da integridade física do lutadores e o promissor mercado que impressionam os promotores de eventos e as redes de televisão que disputam esse nicho de mercado.

    O ex-lutador Popó, se inspirando em estrelas mundiais dessa modalidade esportiva, a exemplo de Anderson Silva, Shogun, irmãos Minotauro e Minotouro, Lyoto Machida, Vanderley Silva, Victor Belfort, José Aldo, Cigano entre outros, pretende debater o tema demonstrando não tratar o MMA de pancadaria, mas sim de mais uma modalidade esportiva capaz de proporcionar a inserção social, por isso necessário a sua regulamentação no Brasil. O deputado baiano tem o apoio explícito dos grandes lutadores e da principal rede de televisão brasileira que vislumbra engordar mais ainda seu faturamento empregando abusivamente nos lares brasileiros - pela telinha aberta -, muito soco, cotovelada, pontapé, cabeçada e todo tipo de selvageria que só contribuirá para o aumento desenfreado da violência brasileira.

    A favor da vida e contrário a fabricação em série de brutamontes sem cerébros, o Deputado paulista José Mentor apresentou Projeto de Lei proibindo a transmissão dessa modalidade de luta MMA nos canais de televisão abertos, porquanto o seu conteúdo agressivo é fator fomentador e disseminador da violência gratuita e contribuirá negativamente influenciando crianças e adolescentes, tudo às custas do próprio Estado que detém o monopólio das telecomunicações e responde pela maior fatia da conta publicitária para manter os meios de comunicação.

    A propósito os princípios fixados na Constituição Federal que devem ser atendidos pelas emissoras de rádio e televisão, expõe com precisão e clareza a pauta da programação, que inclui a) preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; b) promoção da cultura nacional e regional estímulo à produção independente que objetive sua divulgação; c) regionalização da produção cultural, artística e jornalística; d) respeito ao valores éticos e sociais da pessoa e da família.

   É indiscutível a força da televisão brasileira interferindo diretamente na sociedade de uma forma geral, tanto podendo colaborar positivamente promovendo a cultura e a educação, assim também influenciar negativamente com programações dedicadas à violência, perversão e sexo, em dissonância com os enunciados de nossa Carta Cidadã. Viva a vida e abaixo a brutalidade.

    José Patrocínio de Brito Júnior é advogado, professor universitário e escreve exclusivamente para este blog às quintas-feiras - jpbj.adv@uol.com.br

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Artigo | 09/05/2012 - 00:00

Nostalgia de mãe não prejudica a saúde

Ines Martins

  "Maturidade é a segurança que se conquista quando sabemos que não fugimos aos desafios e temos consciência de que fizemos o melhor que podíamos para enfrentá-los". Um dia qualquer da vida a gente chega a essa constatação, e é claro, também bate uma nostalgia danada. Num desses dias cliquei num dos neurônios onde estava registrada as “minhas saudades”. Todos nós temos a nossa história e a minha, não cabe aqui contar com todos os matizes de cores que consegui mesclar para colorir a minha vida, mas, dá para revelar o resultado do clic que dei no neurônio que acabou por me mostrar o que de bom aprendi.

    Que andar de bicicleta, sentir o vento beijar a face era para lá de moderno. Que levar as crianças ao colégio Coração de Jesus, assistir as reuniões de pais, era uma missão que marcaria o tempo para sempre. Que tentar assistir televisão preta e branca e reclamar do “Aderbal” (que Deus o tenha), quando a imagem saía do ar e ficava dias sem aparecer, seria um dia compreendido e perdoado.

    Que as árvores embora não esteja em nós é parte de nós, e quando derrubadas indiscriminadamente mutilamos a natureza, mutilando a nós mesmos. Que pilotar barco e pescar no Rio Paraguai era a melhor alternativa de compreender a nova cultura. Que apreciar um dos mais belos pôr do sol, com o seu reflexo dourado nas águas do rio era momento sublime de conciliação com a natureza. Que a emoção de fisgar um enorme Pintado poderia não se repetir. Que ver um cardume de Dourado, dançando sobre as águas (ainda límpidas do rio) era como assistir um filme em 3D. Que ver o anoitecer de dentro de um barco no rio, os olhos dos jacarés se confundindo com as luzes de uma cidade, sem nome era um grande aprendizado. Que a Vitória Régia muitas vezes se mostra mais bela quando está só no meio do verde.

    Que é uma felicidade não ter que se preocupar com trancas nas portas e janelas. Que cheiro de bolo de queijo assando e chá mate no bule é sinônimo de família e amigos reunidos. Que Maria Izabel é uma comida das mais simples e saborosa que deixa sempre o desejo de: quero mais. Que farofa de banana é um casamento que deu certo. Que banana da terra frita ou assada com açúcar e canela é de dar água na boca. Que mujica de pintado, além de saboroso, é saudável. Que ventrecha de Pacu é a melhor parte desse peixe. Que licor de pequi, doce de caju, bolo de arroz, paçoca de pilão, são iguarias inesquecíveis.

    Enfim, aprendi tantas coisas até que, anjo dificilmente sobrevive na política e que a simplicidade deveria ser a primeira a estar nessa lista, mas, também aprendi que o melhor presente da vida é a maternidade e que cada momento desse estágio da vida fica gravado num cantinho do coração para sempre e não importa o tempo, jamais será esquecido. Portanto, feliz dia das mães para todas as mães principalmente para aquelas que , amam seus filhos, os educam para a vida e se preocupam com um mundo melhor e mais justo.

   Inês Martins é produtora cultura, escritora, autora do concurso literário "Casos Lembrados, Casos Contados", direcionado às pessoas com idade acima de 60, poetiza, palestrante da maturidade, vovó blogueira e escreve exclusivamente neste espaço toda quarta-feira - www.vovoantenada.com.br)

 

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Artigo | 08/05/2012 - 00:00

A diferença entre ser mãe na Noruega e no Afeganistão

Olga Lustosa

  Quase todas as estatísticas vão muito além dos números. Neste caso que apresento aqui, o desespero humano, a esperança perdida mostra que às mães devem ser dadas as oportunidades que necessitam para quebrar o ciclo da pobreza e melhorar a vida para si e seus filhos. Todos os anos cerca de 343 mil mulheres morrem durante a gravidez ou durante o parto.

   A organização internacional Save the Children publicou o décimo segundo relatório anual sobre as mães do mundo. A pesquisa traz à luz a disparidade entre os tratamentos recebidos pelas mães nos mais diversos países e abre-se corajosamente para o entendimento de que uma mulher entenderia e cuidaria melhor de outra mulher. Relata a falta de profissionais de saúde no mundo em desenvolvimento e na necessidade de mais profissionais do sexo feminino para salvar a vida das mães e dos bebês, porque 50 milhões de mulheres no mundo em desenvolvimento, dão à luz sem ajuda de nenhum profissional. Porém apenas o acesso à educação à mulheres jovens criaria oportunidade de sobreviver, criar os filhos e prosperar.

    Eis a lista dos 10 melhores lugares do mundo para ser mãe: Noruega, Austrália e Islândia, Suécia, Dinamarca, Nova Zelândia, Finlândia, Bélgica, Holanda e França. Os 10 piores países são: República Centro-Africana, Sudão, Mali, Eritreia, República Democrática do Congo, Chade, Iêmen, Guiné-Bissau, Nigéria e Afeganistão. Os Estados Unidos classificado, segundo a pesquisa no ranking geral em 31º lugar e o Brasil em 58º.

   Num quadro comparativo pode-se ver o alarmante fosso que separa as mães norueguesas das mães afegãs ou etíopes. Na Noruega 100 por cento dos partos são assistidos por profissionais de saúde qualificados, no Afeganistão, menos de 15 por cento, na Etiópia, nem 6 por cento. Na Nigéria, o risco de uma mulher morrer por causa da gravidez ou causa relacionada ao parto é de 1 em 7. Na Itália o risco de morte materna é menos de 1 em 25.000 mulheres. Os números não soam frios, porque a indignação corre as veias. Lembra quando linhas acima citamos a educação? Pois bem, uma mulher no Afeganistão, Angola, Chade e Guiné-Bissau recebe menos de cinco anos de educação formal,enquanto na Austrália e Nova Zelândia, a mulher permanece na escola por mais de 20 anos.

   São investimentos rentáveis, que salvam vidas, que deveriam ser prioridade para os líderes políticos do mundo todo.

   No Brasil, que ocupa a 58ª posição no ranking, cerca de 51 por cento das mulheres são mães que admitem que não conseguem equilibrar bem o tempo entre o trabalho e os filhos e por isso sentem-se culpadas. No tempo que passam em casa, cuidam dos filhos, escutam suas histórias e os orientam. São mães com tantos rótulos, agrupadas de tantas formas distintas, classe A/B, C/D, mães solteiras, mães adotivas ou simplesmente mães, que revelam o que todos sabemos; a maternidade transforma a vida da mulher, apesar do trabalho, da preocupação constante, da omissão dos companheiros.

   No Brasil e na América Latina convive-se com o risco premente da gravidez precoce, são meninas de 15 a 19 anos, geralmente solteiras, que incham as estatísticas de histórias tristes. Muitas tornam-se mães porque foram abusadas.

   A diretora executiva da ONU Mulheres, ex-presidente do Chile, a médica Michelle Bachelet, defendeu recentemente uma abertura e favorecimento para maior participação das mulheres nas discussões políticas no Brasil e no mundo. Segundo Bachelet apenas 19 por cento dos parlamentares do mundo são mulheres, quase todas mães e não há democracia, não há desenvolvimento sem um olhar mais carinhoso para as mulheres.

   Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e acadêmica de Ciências Sociais pela UFMT e escreve exclusivamente neste blog toda terça-feira - olga@terra.com.br

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