Sexta, 25 de Maio de 2012, 13:50 h

DEPOIMENTO | 11/07/2011 - 08:04

Maggi orienta Pagot a não polemizar

Flávia Borges


Blairo Maggi orientou Luiz Antônio Pagot a responder de forma tecnica as perguntas na Câmara e no Senado

     O senador Blairo Maggi (PR), ex-governador e padrinho político do ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infrastrutura de Transporte (Dnit), Luiz Antônio Pagot, o orientou a não criar mais polêmicas durante o depoimento que prestará na Câmara e no Senado nesta terça (12). Pagot deve responder tecnicamente às perguntas feitas pelos parlamentares, ressaltar que apenas cumpriu ordens e que os trâmites eram extremamente burocráticos.

     Pagot, pretende provar que, devido à burocracia, tudo o que fez foi com o conhecimento e a aprovação do grupo coordenador das obras do PAC e do Ministério do Planejamento. Maggi e Pagot passaram horas reunidos em Rondonópolis, durante este final de semana, para acertar os detalhes do depoimento do ex-diretor, que na primeira gestão do republicano como governador de Mato Grosso respondia pelo apelido de "trator" pelo grande poder de articulação e de resolver os "abacaxis" da gestão Maggi.

     Segundo o senador, Pagot vai ao Congresso tentar mostrar que as denúncias de superfaturamento não são reais. Acontecem de forma totalmente diferente. Quanto ao fato de afirmar que apenas cumpria ordens, é porque, conforme Maggi, ele é um executivo, não um formulador. Ele executa ordens.

    Pagot chegou a ser afastado, junto com outros quatro membros da cúpula do PR: Mauro Barbosa da Silva, chefe de gabinete; Luís Tito Bonvini, assessor do gabinete; e José Francisco das Neves, diretor-presidente da Valec. Ele mostra-se inconformado com a maneira como o Planalto tem lidado com a situação.

    Sobre Pagot pesam graves denúncias de superfaturamento de obras. O Dnit é o principal executor de obras do Ministério dos Transportes. Mais de 80% das licitações de rodovias e outras intervenções rodoviárias estão sob a responsabilidade do órgão. Os outros cerca de 20% são obras delegadas a entes federados, como Estados, Municípios e outros organismos federais, como o Ministério da Defesa, por meio das Forças Armadas.

     Maggi foi convidado pela presidente Dilma Rousseff (PT) para assumir o Ministério dos Transportes, no lugar de Alfredo Nascimento, também envolvido no escândalo e que "caiu" junto com Pagot. O republicano, porém, não assumirá o cargo porque só o fato de ter sido sondado para a vaga já lhe trouxe inúmeros prejuízos econômicos e políticos, já que a imprensa nacional vem divulgando insistentemente as mazelas de sua administração no Estado.

     O senador chegou a fazer campanha nos bastidores pela permanência de Pagot no órgão e isso o carimbou mais ainda como protetor do homem acusado de envolvimento em esquema de propina, conforme denunciou a revista Veja.

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DEPOIMENTO | 25/10/2009 - 17:30

Um estradeiro com festa, conflitos, natureza e acidentes

Romilson Dourado

  Patrícia Sanches
  Enviada Especial




Comitiva caminha pela 235 e acompanha inauguração às margens do rio Papagaio; motorista capota veículo

    Com percurso de mais de mil km, a expedição Estradeiro liderada pelo governador Blairo Maggi, com início na sexta (23) em Cuiabá é término em Sapezal no sábado à noite, foi marcada por momentos de descontração, mas também tenso. Num sol escaldante, presenciei quase tudo, de belezas naturais a acidentes e brigas. Logo às 7h da sexta, autoridades, curiosos, empresários, jornalistas, empreiteiros e políticos de várias partidos se amontoaram no trevo da Guia, ponto de partida da comitiva. Nem todos estavam conscientes do que teriam pela frente. Dez jornalistas embarcaram comigo no micro-ônibus. Logo percebi que, mesmo com a estrada asfaltada, “comeríamos poeira”, já que nosso veículo não era páreo para as caminhonetes e o carro 001 dirigido pelo governador.

    Na primeira etapa, nosso grupo alcançou a comitiva somente em Campo Novo do Parecis (a 380  km de Cuiabá). Almoçamos rapidamente e só aí foi possível fazer a primeira entrevista com Maggi. Logo chega a notícia sobre um acidente automobilístico envolvendo o deputado Antônio Brito (PMDB) que, no desespero para alcançar a comitiva, acelerou demais, atropelou um cachorro, perdeu o controle da direção do veículo Corolla, que pertence à Assembleia e que estava à disposição do seu cabinete, e acabou parando no meio de um pasto. Felizmente todos sobreviveram e sem consequências graves - saiba mais aqui.

     Como ficamos para traz, perdemos oportunidade de cumprir algumas pautas. Em Tangará da Serra, por exemplo, quando chegarmos, o governador já tinha praticamente se reunido com o prefeito Júlio Ladeia. Mesmo em meio ao atraso curtimos a mudança de paisagens que, do cerrado, passou à floresta amazônica. Tiramos fotografias de recordação e conferimos se o asfalto feito pelo governo realmente era de qualidade. O único problema é que, apesar de nas cidades termos sinais de telefone e de banda larga de internet, no restante do período, durante os intermediáveis percursos, ficamos incomunicáveis. Foi difícil convencer a minha editora Flávia Borges e o diretor Romilson Dourado sobre a demora na produção de matérias. Quase fui demitida.

   Foi aí que senti dificuldades em relatar tudo o que estava acontecendo aos leitores. Aproveitei a hora do almoço para redigir um texto rápido e, somente em Juína, no hotel, após a primeira inauguração da obra, a pavimentação da MT-170, é que pude contar alguns fatos. Antes, porém, vi uma cidade parar. Pessoas ficaram à beira da rodovia para receber o governador. Dizem que uma imagem vale por mil, neste caso ela traduzia o tal sentimento de “liberdade” que parecia transpirar em cada pessoa. Acompanhei o discurso de Maggi, que, para mim, parecia uma despedida apesar dele garantir que fará "muita coisa até abril", quando deve renunciar ao mandato para, fora do Palácio Paiaguás, construir sua candidatura ao Senado. Ouvimos umas três músicas de Zezé Di Camargo & Luciano e seguimos para Brasnorte para pernoite, pois em Juína não havia mais vaga nos hotéis.

    Em Brasnorte, por volta da 1h do sábado, eu e minha colega de quarto Ana Paula Bortoloni, do jornal A Gazeta, aproveitamos o aconchego e a companhia da internet para escrever algumas matérias e, enfim, descansar. Às 8h30 já estávamos no Estradeiro de novo, desta vez rumo a Sapezal, município desbravado pela família Maggi. Somente pela manhã soubemos que uma das caminhonetes que levavam jornalistas da Secom também havia se envolvido num acidente com um carro de passeio, mas ninguém se machucou.

O cacique João Garimpeiro, aos 99 anos, referência da região   A 40 km de Sapezal o grupo parou numa pousada, às margens do rio Papagaio. Acompanhamos os discursos na solenidade de inauguração do asfalto da MT-235, a Rodovia dos Índios. Fizemos novas entrevistas e apreciamos as belezas naturais do lugar. A sensação era de que estávamos num paraíso. Fui atraída para um banho naquele rio de águas cristalinas. Tirei fotos com colegas jornalistas. O cacique João Garimpeiro, aos 99 anos, se tornou o símbolo do evento. O tempo passou rápido e saímos rumo à fazenda de Maggi, que já estava nos aguardando para uma nova conversa.

   No trajeto, nos deparamos com um acidente. Um dos funcionários da fazenda do governador perdeu o controle do carro e capotou. O impacto foi tão violento que o corpo voou, provavelmente pela janela. O motorista foi socorrido às pressas. Ele estava consciente. O condutor do micro-ônibus errou o caminho, o que atrasou a chegada à fazenda. Numa roda, discutimos com Maggi diversos assuntos. Falamos principalmente sobre política e lançamos questionamentos sobre a administração pública.

   Depois, fomos conhecer de perto a pequena Sapezal. Numa contagem regressiva, jantamos e fomos direto para a cerimônia de inauguração da MT-235. Na volta, houve uma divergência sobre o horário a ser estabelecido para voltarmos a Cuiabá. Os jornalistas se dividiram entre os que queriam ficar para o show e aqueles em defesa do retorno já. Por fim, deixamos Sapezal às 22h30 do sábado. Chegamos às 6h deste domingo. Na estrada, levamos dois sustos, um na estrada quando nos deparamos com uma espécie de barreira num dos lados da pistas e isso quase provocou acidente e, outro em Tangará da Serra, quando não achávamos um posto para abastecer. Essa foi minha rotina neste final de semana. Ainda bem que ganhei folga nesta segunda. E tem gente que acha que vida de jornalista é moleza.


Alguns jornalistas na comitiva, como Patrícia Sanches (RDNews), Rubens de Souza (24horasnews), que posa para fotografia abraçando Antonielle Costa (Midianews), Disney D´Paula (TV Record), Ana Bortoloni (Jornal A Gazeta), Venilson Ferreira (Agência Estado) e Jardel Arruda (site Olhar Direto, agachado)

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DEPOIMENTO | 13/03/2009 - 12:32

Ralf ignora sindicância da PM e falta a novo depoimento

Romilson Dourado

   O vereador por Cuiabá, Ralf Leite (PRTB), não compareceu, pela terceira vez consecutiva, ao Comando Regional II, em Várzea Grande, para prestar depoimento sobre a suposta tentativa de extorsão que teria sofrido, em 6 de fevereiro, por policiais militares. O tenente-coronel Wilson Batista é responsável pela sindicância instaurada pela Corregedoria da Polícia Militar para apurar a denúncia. O militar já chegou, inclusive, a entregar a notificação para o comparecimento de Leite à PM ao presidente da Câmara de Cuiabá, vereador Deucimar Silva (PP), mas nem assim teve sucesso.

   Leite sustenta que foi vítima de policiais que tentaram extorqui-lo após terem flagrado o parlamentar em ato sexual com um travesti menor de idade, no Ponto Zero, em Várzea Grande. Depois do flagrante, Leite foi detido, mas liberado no mesmo dia.

   Vereador do PRTB, Leite também é investigado pela Comissão de Ética da Câmara de Cuiabá por quebra de decoro parlamentar. Ele teria usado a prerrogativa de ser vereador para ameaçar os policiais militares que o detiveram. O parlamentar responde criminalmente aos crimes de exploração de menores, desacato à autoridade, ameaça e falsidade ideológica. (Andréa Haddad)

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DEPOIMENTO | 30/06/2008 - 23:45

Em depoimento, Chica alega não saber de fraude

Romilson Dourado

Deputada Chica Nunes (PSDB)  A exemplo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a deputada Chica Nunes (PSDB) diz que não sabia de nada que acontecia na sala ao lado de seu gabinete na Câmara Municipal de Cuiabá, à época em que foi presidente da Casa entre 2005 e 2006. Pelo menos foi o que alegou a parlamentar durante seu depoimento à Polícia Civil nesta segunda (30), na sala da Presidência da Assembléia.

  Cinco delegados realizaram a oitiva com a deputada, que das mais de 100 perguntas se recusou a responder apenas a uma delas, a qual o advogado de defesa Ricardo Almeida prefere não divulgá-la. Ele conta que nas mais de quatro horas de depoimento, Chica disse que nunca interferiu no processo de licitação da Câmara, que era comandado pela presidente da Comissão de Licitação, Ana Maria Franco de Barros, que tinha autonomia para realizar todo o procedimento.

  Em coletiva, a deputada pediu desculpa a imprensa pela demora para se pronunciar, mas justificou que precisava tomar conhecimento de todo o processo, para poder dar esclarecimentos. Em sua defesa, Chica disse: “pequei por ter confiado demais”. A tucana também negou conhecer Silas Lino de Oliveira, acusado de ser o líder do esquema. Quanto ao envolvimento dos seus irmãos Benedito Élson Santana Nunes e Élson Benedito Santana Nunes e do marido Marcelo Ribeiro, Chica alega que eles não eram funcionários da Câmara e, portanto, não poderiam participar da fraude.

   Sobre as empresas fantasmas, a deputada negou qualquer envolvimento. O seu advogado informou que Silas disse, em depoimento à polícia, que ele (Silas) foi responsável por criar as empresas. Ricardo Almeida explicou também que a prisão preventiva a parlamentares só é pedida nos casos de flagrante ou crimes inafiançáveis, o que não é o caso de Chica.

 Os delegados devem concluir o inquérito nos próximos dias e enviar ao Ministério Público, que pode ou não acatar a denúncia. Caso o MP aceite, Chica deverá prestar esclarecimentos sobre o caso ao Tribunal de Justiça. A deputada deve responder pelos crimes de formação de quadrilha, falsificação ideológica e fraudes. A polícia concluiu que o rombo aos cofres da Câmara chegou a R$ 6 milhões. (Alline Marques)

Delegados já indiciam deputada por 6 crimes

  Após prestar depoimento, a deputada Chica Nunes acabou indiciado no inquérito por envolvimento em seis crimes, sendo eles formação de quadrilha ou bando, falsidade ideológica, falsificação de documento particular, falsificação de documento público, peculato e coação. A exemplo dela, outras 6 pessoas também foram incriminadas pelo rombo milionário da Câmara da Capital. Chica corre risco de ser presa, apesar de possuir foro privilegiado.

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