Quinta, 09 de Fevereiro de 2012, 06:59 h

Divergências | 22/10/2011 - 15:07

Fora do poder, Pagot "atira" no governo e expõe mágoa com PR

Andréa Haddad


Luiz Antônio Pagot não esconde a mágoa que sente pelos membros do PR e diz que o Estado perdeu muito com sua saída do Dnit

     Distante há três meses da cadeira de diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot ainda tem uma intensa agenda de viagens pelo país, agora para viabilizar a empresa de navegação que pretende criar em novembro com o prefeito de Lucas do Rio Verde, Marino Franz (PPS). Apesar da vida empresarial intensa, ele demonstra ainda não ter superado a mágoa da presidente Dilma Rousseff (PT) e dos líderes do PR que considerava amigos até o escândalo envolvendo o Ministério dos Transportes, pasta a qual o Dnit é vinculado.

     Nesta quinta (20), Pagot embarcou por volta das 5h rumo a Macapá (AP) para conhecer o sistema que permite a navegabilidade de navios de grande porte. Embora tenha dormido durante todo o voo até desembarcar para fazer escala em Brasília (DF), o ex-diretor-geral se mostrava sereno mesmo que tecendo duras críticas ao governo federal. Praticamente “expurgado” do Dnit, até pouco tempo Pagot defendia com "unhas e dentes" a gestão petista. Tanto que seu padrinho político, o senador e ex-governador Blairo Maggi (PR), e todo o grupo que trabalhou a reeleição de Silval Barbosa (PMDB) ao Paiaguás, lançou mão, durante a campanha, da proximidade com Lula e Dilma para dizer que teriam mais facilidade na liberação de investimentos para Mato Grosso. 

     Longe da Explanada dos Ministérios, Pagot vira sua "metralhadora giratória" contra Dilma. Entende que falta planejamento ao governo federal. Pagot acena positivamente ao ser indagado se Mato Grosso perdeu com sua saída do Dnit. Ele frisa que o Estado fiou não apenas sem os recursos previstos para ferrovias, como a Centro-Oeste, como em rodovias, a exemplo do estipulado para a pavimentação do trecho da BR-163 até Santarém (PA). “Pergunte aos empreiteiros. Eles estão há 90 dias sem receber os repasses e, por isso, pararam as obras. Quem perde é o Estado. Na minha época não tinha isso”, desafia.

     Pagot foi obrigado a pedir exoneração após matéria da revista Veja denunciar suposto superfaturamento e esquema de cobrança de propina de empreiteiros e consultores supostamente distribuída à cúpula do PR. Fragilizado politicamente com o desgaste, o ex-diretor-geral demonstra decepção com os antigos amigos da sigla e garante estar longe das discussões partidárias. “Os membros de outros partidos se unem para defender seus companheiros. No PR, só o Maggi falou alguma coisa, o resto sumiu, desapareceu”.

     Ele comenta que ficou impressionado ao ver a contundência da defesa feita por um deputado federal do PCdoB ao ministro dos Esportes, Orlando Silva, acusado de suposto envolvimento em denúncias de corrupção. “Comigo foi diferente”, lamenta Pagot. Na tentativa de superar a saída traumática do governo federal, ele se apressa em dizer que "isto são águas passadas" e tem o foco no empreendimento particular. 

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Divergências | 19/08/2011 - 19:28

Vices de ex-prefeitos polêmicos administram "heranças malditas"

Laura Nabuco

     Principais cidades do Estado, Cuiabá e Várzea Grande são administradas por prefeitos escolhidos pelos moradores para atuar na condição de vice de titulares polêmicos. Enquanto na Capital Chico Galindo (PTB) rebate as críticas à gestão passada, ressaltando os avanços promovidos por Wilson Santos (PSDB), na cidade vizinha, Tião da Zaeli (sem partido) corre contra o tempo para implementar projetos e solucionar problemas, numa tentativa de provar ser melhor gestor que Murilo Domingos (PR), titular afastado por uma decisão judicial.

     Ambos foram os primeiros entrevistados especiais do novo quadro do RDTV, que vai ao ar todas às sextas. No programa de inauguração, em 12 de agosto, Tião fez questão de deixar claro que responde por erros cometidos pelo seu antecessor. O ex-republicano, no entanto, preferiu adotar uma linha mais branda do que vinha mantendo nos últimos tempos. "O Murilo é muito ausente, mas é uma boa pessoa", ponderou.

     Galindo, por sua vez, durante a entrevista desta sexta (19), foi mais longe e jogou a culpa nos antecessores de Wilson. Segundo o petebista, o tucano solucionou problemas como, por exemplo, a inadimplência. Ele disse que, quando Wilson assumiu, o município possuía débitos com a Rede Cemat e do programa passe-livre, que correspondiam ao total da receita que normalmente é executada durante todo um semestre, mas que ainda assim foram quitadas logo no primeiro ano de trabalho de seu antecessor.

     Apesar de um defender e outro atacar, Galindo e Tião concordam em dois pontos. Ambos enfatizam que seus trabalhos são independentes das gestões dos antecessores e atribuem a fatores externos justificativas para as crises em que se encontram. O petebista disse enfrentar uma batalha com a imprensa para explicar os motivos e os trâmites da concessão da Sanecap. Já Tião lembrou que a insegurança política, causada pelos sucessivos afastamentos dos que ocupam o cargo de prefeito, geram turbulência no gerenciamento da cidade.

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Divergências | 15/03/2010 - 07:15

Racha no petismo "mina" Silval

Romilson Dourado


Petistas, como a senadora Serys, o deputado Brunetto e o vereador Lúdio Cabral, passaram domingo em debates

   O peemedebista Silval Barbosa não vai ter apoio por inteiro do PT na disputa a governador. Em meio às discussões sobre projeto visando às eleições de outubro, no encontro de Tática Eleitoral e Política de Alianças neste domingo, o termômetro que mediu a temperatura no partido mostrou que o clima esquentou entre os grupos da senadora Serys Marly, que liderada a corrente "Pela Mensagem ao Partido" e o do deputado federal Carlos Abicalil, dirigente regional da legenda e líder da tendência Construindo um Novo Brasil. O grupo que perder nos embates internos tende a ignorar as candidaturas majoritárias, tanto ao Senado quanto ao governo. 

   Houve até troca de acusações entre os dois blocos. Alexandre Cesar, aliado de Abicalil, disse que o partido não poderia errar de novo no pleito deste ano, como aconteceu em 2006, quando lançou Serys para governadora num momento em que a senadora enfrentava desgaste por causa da acusação de suposta ligação com a máfia das sanguessugas. Jairo Rocha, assessor da parlamentar, reagiu na base de contra-ataque. Disse que foi o grupo do próprio Alexandre quem "inventou" a acusação contra Serys para prejudicá-la e lembrou dos escândalos envolvendo petistas, como o caso da tentativa de compra de um dossiê contra tucanos.

    Embora o PT não tenha batido o martelo neste domingo quanto à aliança com o PMDB de Silval, que assume o governo em 31 de março, o partido do presidente Lula vai estar no palanque do peemedebista. Vai seguir a conjuntura nacional. O problema são as brigas internas. O bloco de Serys, que deve perder o embate contra Abicalil por este contar com apoio da maioria dos delegados para a prévia de 18 de abril e para um novo encontro em 16 de maio, deve fazer "corpo mole" sobre as candidaturas majoritárias. A tendência é que o petismo apoie Silval ao Paiaguás e Abicalil ao Senado. Nesse caso, os aliados de Serys, que já demonstram uma certa mágoa por entender que estão sendo "patrolados", devem "lavar as mãos".

   Esta será a primeira vez nos últimos 12 anos que o PT não terá candidatura própria a governador. Depois de apoiar Dante de Oliveira (então PDT) em 94, o partido concorreu ao Paiaguás com Carlos Abicalil em 98. No pleito seguinte (2002) disputou e perdeu com Alexandre Cesar e, em 2006, com Serys Marly. Agora, o que mais interessa à legenda petista é projeto ao Senado, daí a briga entre Serys e Abicalil pelo direito à candidatura.

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Divergências | 01/02/2010 - 14:35

Para militante tucano, o PSDB se deteriora por causa de panelinhas

Romilson Dourado

  O gestor público e militante histórico do PSDB Dejair Soares alerta, em artigo, sobre divergências internas e vaidades que, segundo ele, podem comprometer o projeto de reconquista do poder do tucanato. Observa que pessoas que se julgavam “herdeiras naturais” do ex-governador Dante de Oliveira acabaram por formar um grupo fechado, onde "ninguém mais entra e tomaram para si o direito de impor decisões aos demais correligionários e filiados do partido". "Naturalmente, quem se sentiu preterido, também tratou de buscar asilo em outros grupos que foram se formando dentro da sigla". Para Dejair, esses rachas são precedentes perigosos para um partido que sonha em voltar a comandar o Palácio Paiaguás. Observa que, com exceção da deputada Thelma de Oliveira, viúva de Dante, todos os demais militantes tucanos, inclusive que detêm mandato, passaram a ser considerados “personas non gratas” dentro da agremiação. "(...) O que vimos foi o PSDB se deteriorando e deixando de ser um organismo político para se tornar um partido, na acepção da palavra, rachado, dividido e dirigido por uma panelinha que se considera dona e proprietária da instituição PSDB (...), escreve Dejair.

    Na sua avaliação, o grupo mais próximo ao prefeito Wilson Santos, pré-candidato a governador, se julga dominante, mas não tem a visão suficiente para aglutinar dentro do próprio partido. Ele percebeu isso na semana passada, durante a visita de membros da cúpula nacional a Cuiabá. Thelma, enquanto presidente do PSDB no Estado, sequer, comunicou os demais membros da Executiva sobre a vinda de lideranças nacionais. Mandou convocar os membros apenas para aplaudir os convidados. Por fim, Dejair pergunta, em forma de questionamento: "O que vieram fazer em Cuiabá os membros da Executiva nacional?"

                                                Confira abaixo o artigo de Dejair Soares acerca do PSDB e dos conflitos internos

Dejair Soares, do PSDB    Alguns preferem dividir, ao invés de somar!

    A exemplo do que já aconteceu com praticamente todos os partidos políticos brasileiros, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) vive hoje, infelizmente, uma divisão que não acrescenta nenhum ganho político para uma agremiação que tem todas as possibilidades de chegar ao comando do Estado, além de eleger uma boa representação na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa, como sempre fez. Sem contar as chances do governador de São Paulo, José Serra, de chegar à Presidência da República.

   Lamentavelmente, após a morte prematura do ex-governador Dante de Oliveira, em 6 de junho de 2006, o PSDB perdeu o comando, ficou sem rumo, cada um dos que se julgavam “líderes”, passou a olhar para o próprio umbigo tentando assumir a lacuna deixada por Dante (o que jamais vai acontecer) não atentando para os interesses coletivos do partido, mas, sim, para satisfazer seus próprios desejos de estar constantemente em evidência. Aqueles que se julgavam “herdeiros naturais” do ex-governador formaram um seleto grupo fechado, onde ninguém mais entra e tomaram para si o direito de impor decisões aos demais correligionários e filiados do partido. Naturalmente, quem se sentiu preterido, também tratou de buscar asilo em outros grupos que foram se formando dentro da sigla.

    Com exceção da deputada federal Thelma de Oliveira, viúva de Dante, todos os demais representantes do partido, até os que detêm mandato outorgado pelo povo, diga-se de passagem, passaram a ser considerados “personas non gratas” dentro da agremiação e deu no que deu ao longo do tempo. O que vimos foi o PSDB se deteriorando e deixando de ser um organismo político para se tornar um “partido”, na acepção da palavra, rachado, dividido e dirigido por uma “panelinha” que se considera dona, proprietária, da instituição PSDB, que não é de ninguém, é nosso, é do Brasil.

    Porém, determinadas pessoas continuam cultivando a vaidade dentro do partido, certamente, achando que a eleição do prefeito Wilson Santos ao governo do Estado já está garantida. Longe disso, ou nos unimos, juntamos forças, somamos esforços em busca do mesmo objetivo, ou, vamos nadar e morrer na praia. Será que no fundo é isso que querem? Acredito que não, até porque nós temos a responsabilidade de levar o partido avante, somando, ao invés de dividir. É a nossa única alternativa, haja vista que os nossos adversários estão se preparando exatamente para ocupar os espaços que fomos deixando ao longo dessa caminhada que tem dia e hora para terminar.

     O grupo mais próximo ao prefeito e que se julga dominante não tem a visão suficiente para aglutinar dentro do próprio partido. Isso pôde ser sentido na semana passada, durante a visita das principais lideranças nacionais do PSDB, Sérgio Guerra, Marisa Serrano, Rodrigo de Castro e Arthur Virgílio a Cuiabá. A presidência do partido não comunicou a vinda a nenhum membro da Executiva. Pelo contrário, mandou convocar os membros para dar coro a sua reunião, sequer aceitou uma visita dos parlamentares à Assembleia Legislativa, caixa de ressonância de tudo o que acontece no Estado, alegando problemas de agenda. Ora, se a presidente atual e uma das mais expressivas lideranças do PSDB no Congresso Nacional não tem tempo para dedicar meia hora àqueles que vão buscar os votos para o partido, então, o que vieram fazer exatamente em Cuiabá, a Executiva Nacional?

    Dejair Soares é militante do PSDB em Mato Grosso

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Divergências | 31/01/2010 - 08:20

Brigas políticas entre governador e prefeito prejudicam Rondonópolis

Romilson Dourado

Fernando Ordakowski

Governador Blairo Maggi (PR) e prefeito rondonopolitano Zé do Pátio (PMDB) se estranham e voltam a trocar farpas

   O governador Blairo Maggi e o prefeito de Rondonópolis Zé do Pátio voltaram a se estranhar, após alguns meses de tentativas de reaproximação.  Desta vez, a briga foi motivada pelo cancelamento de duas obras que o governo estadual, em parceria com o município, pretendia inaugurar na última sexta, sendo a entrega de 277 títulos de regularização fundiária urbana e o monitoramento eletrônico no centro, com 27 câmeras. Maggi anunciou as inaugurações e, Pátio, por sua vez, mandou cancelá-las, sob alegação de que os projetos não estão totalmente finalizados.

     A briga do Palácio Paiaguás, sede do governo estadual em Cuiabá, com o Palácio da Cidadania, que abriga a prefeitura, está prejudicando o terceiro maior município mato-grossense, com 181,9 mil habitantes, conforme estimativa do IBGE de 2009, e detentor de um orçamento de  R$ 412 milhões para este ano. O curioso é que Maggi e ao menos quatro de seus secretários residem em Rondonópolis. O governador vê o que chama de politicagem nas ações do prefeito, tido como populista. Reclama que Pátio omite o que o Estado tem investido a partir de 2009, período em que o peemedebista tomou posse. Menciona, entre as obras, a construção da rodovia do Peixe, com 23 km ligando o centro a uma região com 15 bairros da Vila Salmen e a 100 sitiantes que vivem às margens do rio Vermelho, aumento do repasse de recursos para a saúde e melhora na estrutura do hospital regional, canalização do córrego Canivete com emenda federal e contrapartida do Estado, inauguração de casas populares e também de uma base comunitária.

    Pátio, por sua vez, acusa o governo de não priorizar mais Rondonópolis como na época do prefeito Adilton Sachetti, tudo para prejudicar sua administração. Esse discurso vem desde o ano passado, quando o peemedebista tomou posse, após derrotar nas urnas de 2008 o projeto de reeleição de Sachetti, afilhado político de Maggi. Pátio reforça o argumento ao anunciar que o Estado praticamente bloqueou os convênios com a prefeitura em 2009, já que fez repasse de apenas R$ 531, praticamente um salário mínimo.

    Desde quando era deputado estadual, Pátio já apresentava a certa resistência à chamada turma da botina, grupo de Maggi, mesmo o PMDB fazendo parte da administração com o vice-governador Silval Barbosa. Ele não apoiou Maggi à reeleição e se reelegeu em 2006 num palanque separado. Quatro anos depois, ambos continuam agindo como inimigos políticos. Para azedar ainda mais a relação nesta fase de uma nova campanha eleitoral, Pátio avisou que não apóia Silval para governador, mesmo se tratando de um colega do próprio PMDB. Silval tem Maggi como principal cabo eleitoral e assume o Paiaguás em 31 de março. O pré-candidato do prefeito é o tucano Wilson Santos. É mais um sinal de que Silval, como governador, enfrentará a mesma queda-de-braço com Pátio. Se não houver maturidade política, os grupos vão continuar prejudicando Rondonópolis.

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Divergências | 25/01/2010 - 08:05

Jayme prega ruptura com governo Maggi, mas bancada do DEM resiste

Romilson Dourado

Deputado Gilmar Fabris   O senador Jayme Campos, pré-candidato do DEM à sucessão estadual, não tem encontrado respaldo da bancada na Assembleia para romper desde já com o governo Blairo Maggi (PR), mesmo nesta fase de transição em que o concorrente ao Paiaguás nas urnas de outubro, peemedebista Silval Barbosa, se prepara para comandar o Estado. A razão é uma só: cargos. Líderes do velho PFL contam com cerca de 300 indicações entre segundo e quarto escalões. São cabos eleitorais que pressionam os deputados para não perderem o emprego de DAS. O que mais resiste a uma ruptura com a chamada turma da botina é o Gilmar Fabris. Contrariado com a cúpula do DEM, ele nem participa das reuniões do partido.

   A bancada é composta por quatro deputados: Chica Nunes (ex-PSDB), Dlceu Dal Bosco, José Domingos e Fabris. O mais afinado com o discurso de Jayme é Dal Bosco, que ora defende o nome do senador para governador, ora torce pela sua desistência, na esperança de vir a ser escolhido como vice numa composição com o pré-candidato tucano Wilson Santos. Jayme, que em 2006 se elegeu senador numa composição com Maggi, reeleito na época, é favorável a tese do DEM sair de vez da administração estadual e tomar outro rumo. Hoje, está mais próximo do tucanato, seguindo a conjuntura nacional.

   Toda vez que o senador inclui a proposta de ruptura nas reuniões internas, parte da bancada na Assembleia reage contra. Os deputados pedem trégua. Querem aproveitar as benesses no governo Maggi o máximo possível. Ex-democratas se desfiliaram para continuar no primeiro escalão, como José Aparecido, o Cidinho (Projetos Estratégicos), Vilceu Marchetti (Infraestrutura) e Neldo Egon (Desenvolvimento Rural). Já Leôncio Pinheiro, presidente da Empaer, atua como bombeiro para apagar o incêndio na relação conflituosa entre o DEM e o governo estadual para, assim, ser preservado no cargo ao menos até 31 de março, quando Maggi renuncia ao mandato para concorrer ao Senado.

  O grupo dos irmãos e ex-governadores Jayme e Júlio Campos têm sede de poder. A última vez que comandou o Estado foi há 16 anos. Hoje no DEM, eles se articulam com a cautela de quem sabe que não pode mais sair derrotado nas urnas e nem fazer composições que venham a ser rejeitadas nas urnas, como a de 1998, quando Júlio Campos perdeu para governador e levou para o mesmo buraco o até então adversário ferrenho Carlos Bezerra (PMDB), que disputou para o Senado.

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Divergências | 18/01/2010 - 22:20

Euclides avisa que não apoia Thelma e azeda crise no PSDB

Romilson Dourado

Secretário Euclides Santos  Recém-filiado ao PSDB, o ex-prefeito de Poconé e secretário de Infraestrutura de Cuiabá Euclides Santos resolveu colocar mais lenha na fogueira para "queimar" parte do tucanato. Na última sexta (15), ele abriu o jogo numa reunião com demais filiados do seu próprio partido e avisou que não apóia de maneira alguma o projeto de reeleição da deputada federal Thelma de Oliveira e muitos menos outros pré-candidatos proporcionais do partido, como o colega secretário de Educação da Capital Carlos Carlão do Nascimento. Euclides levou a sério a briga com a família de Dante de Oliveira (já falecido), depois de enfrentar divergências com Leonardo de Oliveira ao ponto de provocar a queda do sobrinho do ex-governador do cargo de diretor de Serviços Urbanos e Limpeza. Mesmo rejeitado pela maioria do tucanto, Euclides é mantido no primeiro escalão.

   Na bronca, Leonardo de Oliveira se juntou aos demais familiares, que praticamente decretaram ruptura com o prefeito Wilson Santos, pré-candidato a governador. No meio do tiroteio, Thelma tenta apagar incêndio, mas também se afastou de Euclides, que militou no PMDB por vários anos. Thelma preside o PSDB estadual e evita entrar na briga publicamente para não trombar com o prefeito, que decidiu que seu secretário Euclides continuar no seu staff até março, quando deixará o Palácio Alencastro para concorrer ao Paiaguás. Euclides deve sair junto para ou tentar cadeira de deputado estadual ou ajudar na coordenação da campanha majoritária de Wilson.

    Na reunião, o secretário de Infraestrutura sinalizou que não deve entrar na disputa eleitoral e que a tendência é de aderir à candidatura de quem for indicado pelo seu ex-padrinho político, deputado federal Carlos Bezerra. Ele mantém estreita relação de amizade com o cacique peemedebista. Nessa linha, Euclides deve pedir voto para Teté Bezerra à Assembleia. Ela é esposa do deputado Bezerra.

    Euclides tenta sobreviver no cargo, em meio a uma série de críticas, inclusive de colegas do primeiro escalão. Todos consideram-no populista e que vem "empurrando com a barriga" problemas que exigem planejamento para ter solução rápida, como limpeza de ruas, coleta de lixo e recuperação de estradas vicinais. Esta é a segunda vez que o ex-peemedebista conduz a Infraestrutura. Havia saído para concorrer de novo a Prefeitura de Poconé, em 2008, mas acabou derrotado pelo petebista Clovis Martins por menos de 200 votos.

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Divergências | 12/01/2010 - 20:51

Democratas criticam governo Maggi, mas não deixam cargos

Romilson Dourado

  O DEM do pré-candidato a governador Jame Campos enfrenta uma situação contraditória e não está nem aí por isso. Seus líderes descem o pau no governo Blairo Maggi, como aconteceu no encontro do partido no último sábado em Poconé, mas posam de aliados da administração e, de quebra, ainda mantêm dezenas de filiados empregados em cargos de DAS na máquina. O presidente da Empaer, Leôncio Pinheiro, por exemplo, é um dos indicados do DEM (ex-PFL). Sua irmã Rosalina, embora efetiva, ocupa posto de diretoria da mesma empresa e pertence aos quadros do partido dos irmãos Jayme e Júlio Campos.

     Adriana Corrêa da Costa Monteiro, esposa de Leonardo Leão, assessor no Senado de Jayme, é secretária-adjunta de Ciência e Tecnologia. Ela é filha de Filinto Corrêa da Costa, ex-secretário de Estado de Saúde da gestão do próprio Jayme, e irmã do advogado João Celestino Corrêa da Costa, advogado do senador democrata. O prefeito de Nossa Senhora do Livramento, que no encontro dos democratas em Poconé, acusou o governador de menosprezar os prefeitos e de não atender pleitos dos municípios, tem o primo Valter Sampaio empregado na pasta de Infraestrutura como diretor do departamentode Pontes. Eduardo Abelara Vizoto, genro do ex-governador e ex-senador Júlio Campos, um dos caciques do DEM, foi nomeado há dois meses como chefe do Escritório de Representação do governo Maggi em Brasília.

     Desse modo, ao mesmo tempo que democratas atacam o governo e sinalizam para formação de bloco de oposição com o tucanato, capitaneado pelo prefeito de Cuiabá Wilson Santos, pré-candidato a governador, não abrem mão de cargos na administração. Os deputados democratas Gilmar Fabris, Dilceu Dal Bosco, José Domingos e Chica Nunes (ex-PSDB) não se mostram tão críticos ao governo como Júlio e Jayme para preservarem os seus apadinhados em postos estratégicos da máquina estatal. E, assim, o DEM caminhas sem rumo, esperando as convenções. Atira para todos os lados. Ora defende candidatura de Jayme à sucessão estadual, ora se mostra aliado do ex-adversário político Wilson e, ainda, não descarta uma outra hipótese: a de se manter no arco de aliança do PR de Maggi e vir a subir no palanque do peemedebista Silval Barbosa, que assume o Paiaguás a partir de 31 de março e concorrerá a governador.

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Divergências | 10/01/2010 - 11:16

Zenildo diz que governo maltrata prefeitos

Romilson Dourado

Zenildo Sampaio, prefeito de Nossa Senhora do Livramento, faz discurso durante encontro do DEM   Prefeitos e vereadores do DEM, motivados pelos discursos acalorados de seus caciques, especialmente dos irmãos Jayme e Júlio Campos, começam a entrar na onda de ataques ao governo estadual, com a intenção de desconstruir a gestão Blairo Maggi (PR) e atingir o vice e pré-candidato ao Paiaguás Silval Barbosa (PMDB). No encontro do partido em Poconé neste sábado, por exemplo, o prefeito de Nossa Senhora do Livramento, Zenildo Pacheco Sampaio, declarou, em discurso, que "quando prefeito visita o Palácio Paiaguás é maltratado pelo governador Maggi". Disse que suas reivindicações não são atendidas pelo governo estadual.

   Pré-candidato do DEM (ex-PFL) à sucessão estadual, Jayme disparou, depois, que ajudou a eleger (em 2002) e a reeleger (em 2006) Blairo Maggi ao posto de governador e que hoje está contra a administração estadual porque "não tiveram o respeito nos campos político e administrativo. "Blairo tinha 3% nas pesquisas e graças a mim e ao Jonas Pinheiro (senador que faleceu em 2008), o Blairo foi eleito no primeiro turno", diz o senador, sob aplauso de parte das 300 pessoas presentes no encontro do partido. Ele fez críticas duras às áreas de saúde e segurança pública da gestão Maggi, que renuncia ao mandato em 31 de março para concorrer ao Senado, enquanto Silval, que assume o posto de chefe do Executivo, tentará a reeleição.

   O pecuarista e ex-deputado Zeca D´Ávila reforçou ataques ao governo e disse também que políticos que ajudaram Poconé não são lembrados pelos moradores. Ele se referia a si próprio, por ter viabilizar recursos para cobertura de uma quadra de esportes no distrito de Cangas e não haver reconhecimento por esse pleito. Antes, a vereadora Ornela Falcão (PSDB) criticou o que chamou de "invasão" de políticos que vão a Poconé em época de eleição, "abocanham" votos e não voltam mais ao município. O ex-governador e ex-senador Júlio Campos disse que "ajudou muito Poconé" e que ajudou a eleger a eleger deputado estadual Djalma Rocha, do município.

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Divergências | 07/01/2010 - 06:57

Antero teme desgaste e veta Avalone à AL

Romilson Dourado

 Fernando Ordakowski
Pré-candidato à AL, Carlos Avalone enfrenta resistência no PSDB, principalmente do ex-senador Antero de Barros

   O ex-senador Antero de Barros começou a bater duro dentro do PSDB para excluir da lista de concorrentes à Assembleia o empreiteiro e suplente de deputado Carlos Avalone. Sustenta a tese de que Avalone mancharia a chapa tucana, pois seu nome remeteria a "coisas ruins" do governo Dante de Oliveira, motivando questionamentos como, por exemplo, sua evolução patrimonial e, para piorar, a vinculação com a Operação Pacenas (Sanecap, escritório ao contrário), que resultou em 11 prisões, entre as quais do próprio Avalone, sócio da Três Irmãos, do Consórcio Cuiabano, que inclui também Gemini, Concremax, Encomind e Lúmen Engenharia.

    As prisões, bloqueio de recursos, de bens e das obras foram determinados pela Justiça Federal por causa de denúncias de fraudes em licitação dos projetos do PAC em Cuiabá e Várzea Grande. Houve recurso junto ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região e, uma semana depois, os acusados conseguiram habeas corpus. Por fim, todo o inquérito foi anulado, após 22 indiciamentos, porque a própria Justiça excluiu do processo as interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal e que serviram de principal prova das supostas fraudes contra políticos, empresários, servidores e advogados.

    Avalone está em liberdade, mas com a imagem arranhada, principalmente no meio político. Mesmo assim, ele pretende concorrer novamente a deputado estadual. Avalone foi tesoureiro da campanha vitoriosa à reeleição de Dante em 98, secretário de Indústria, Comércio e Energia da gestão tucana e ainda concorreu, sem êxito, como primeiro-suplente da chapa de Dante ao Senado, em 2002. No pleito de 2006 tentou vaga na Assembleia. Os 13.857 votos garantiram-no a primeira-suplência pela PSDB, que elegeu dois: Guilherme Maluf e Chica Nunes, que "pulou" para o DEM. Avalone assumiu o posto por mais de um ano, com licenciamento de Maluf, que neste período ficou como secretário de Saúde de Cuiabá.
 

    Na briga interna, o suplente de deputado se mostra irritado com o posicionamento radical de Antero, que deve concorrer a deputado estadual, embora o partido o pressione para concorrer de novo ao Senado. A tese de Antero tem respaldo do próprio prefeito cuiabano Wilson Santos, pré-candidato tucano a governador, e da maioria dos membros da Executiva regional. Eles entendem que a candidatura de Avalone daria "munição" para os adversários atacarem o tucanato, mesmo se tratando de um processo que foi arquivado. A operação Pacenas se transformou num escândalo nacional. Foi explorado como o primeiro caso de fraudes envolvendo o tão propagado PAC do governo Lula. Cinco meses depois, Avalone, por ser o único dos envolvidos no esquema, com pretensões políticas, é o que mais sente nos ombros o "peso da Pacenas". Os demais saíram de cena.

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Divergências | 31/12/2009 - 07:30

Henry vê manobra de Riva e Eliene, suspende eleição no PP e rejeita apoiar Wilson e Jayme

Romilson Dourado

    Os deputados José Riva e Pedro Henry, principais caciques políticos do PP no Estado, continuam em rota de colisão nos debates internos. Apesar de não admitirem publicamente o clima de racha, ambos não chegam a um acordo sobre quem o partido deva apoiar para governador e senador. Presidente da Assembleia, Riva se mostra simpático a uma coligação com o DEM do senador Jayme Campos, de quem é amigo há vários anos. Jayme, por sua vez, se não consolidar sua candidatura ao Palácio Paiaguás, sinaliza para apoio ao prefeito tucano Wilson Santos. Já Henry deixa claro que não apóia nem Jayme e muito menos Wilson. O deputado federal está costurando junto à direção nacional para o PP fechar aliança com o PMDB do vice-governador Silval Barbosa, que assume a administração estadual em 31 de março.

Fernando Ordakowski
Deputado estadual José Riva e o federal Pedro Henry não chegam a um acordo sobre quem o partido deva apoiar para governador e senador

  O confronto entre os dois caciques aumentou quando, no mês passado, Henry descobriu que Riva e o deputado federal Eliene Lima estavam conspirando contra ele. Queriam formar comissão provisória regional e excluir Henry, já pensando no poder de decisão na hora de definir sobre que rumo o PP deve tomar quanto às eleições gerais de 2010. Henry ficou na bronca e buscou respaldo da Nacional e conseguiu recompor o diretório estadual, hoje sob seu aliado Chico Daltro, que deixa nesta quinta a secretaria estadual de Ciência e Tecnologia já para trabalhar candidatura à Câmara Federal. A eleição para renovar a Executiva do PP que deveria ocorrer neste ano acabou suspensa por causa dessa queda-de-braço. Dos membros da cúpula estadual, Riva ficou com apenas três votos. Hoje, o PP está sob controle de Pedro Henry, aliado de carteirinha do governador Blairo Maggi, principal cabo eleitoral de Silval.

   O deputado tem divergências com Jayme desde a época em que o hoje senador era prefeito de Várzea Grande. Além disso, entra em jogo questão paroquial de Cáceres. Pedro Henry é irmão de Ricardo, prefeito reeleito em 2008 e que foi cassado sob acusação de ter cometido crime eleitoral. Os irmãos Henry são adversários do hoje prefeito Túlio Fontes, que pertence ao DEM de Jayme. Pedro Henry e o pré-candidato do PSDB a governador Wilson Santos estão tão distanciados devido a brigas do passado que nem se cumprimentam. Além disso, o secretário-executivo do Ministério das Cidades, Rodrigo Figueiredo, se juntou a Henry para rejeitar composição com o tucanato. Desse modo, se depender do grupo de Henry, que domina o PP em Mato Grosso hoje, o partido estará no palanque de Silval e Maggi.

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Divergências | 27/12/2009 - 17:48

Wilson culpa juiz por obras empacadas

Romilson Dourado

 
Prefeito cuiabano Wilson Santos transfere responsabilidade sobre projetos paralisados a seu provável adversário nas urnas de 2010

 Wilson Santos, pré-candidato tucano à sucessão estadual, começa a incluir no seu discurso político o nome do polêmico juiz federal Julier Sebastião da Silva, que alimenta expectativa de concorrer também à cadeira de governador. O prefeito de Cuiabá que curte férias com a família no Nordeste joga culpa no magistrado toda vez que é questionado sobre as obras empacadas do PAC. Moradores de alguns bairros vivem o caos por causa de buracos abertos à espera da rede de distribuição de água. A partir de investigação da Polícia Federal que apontou fraudes nos processos licitatórios, Julier determinou interrupção das obras, bloqueio de recursos e de bens de acusados e de empresas, além de prisões.

   Depois, em meio a brigas jurídicas, tudo foi arquivado. As frentes de trabalho precisam recomeçar. A Operação Pacenas, deflagrada em 10 de agosto, trouxe desgaste ao prefeito, que teve aliados próximos presos, como o ex-procurador-geral do Município José Antonio Rosa e o empresário e ex-deputado Carlos Avalone. Agora, sob orientação do seu marqueteiro Antero Paes de Barros, Wilson tenta "carimbar" o juiz federal como culpado pela "lambança" e "ingerência".

   O tucanato já fez manobras parecidas para desqualificar Julier na CPI dos Bingos, em Brasília, quando o magistrado e o MPF apontaram suposto envolvimento de Antero e de outras lideranças do partido com a factoring do ex-policial civil João Arcanjo Ribeiro, acusado de comendar o crime organizado. O calcanhar de Aquiles de Julier é sua antiga militância no PT nos tempos de faculdade. Apesar de não estar mais filiado há 14 anos, desde quando ingressou na magistratura, ele é visto como suspeito pelo tucanato.

    Em pré-campanha pelos municípios, Wilson tem dito que o juiz foi tão afoito para colocar pessoas ligadas ao PSDB atrás das grades que não respeitou nem mesmo os trâmites legais do processo, tanto que foi afastado do caso por determinação do TRF da 1ª Região. Posteriormente, as provas provenientes das escutas telefônicas, gravadas com autorização do magistrado, foram excluídas do processo. Diante disso, o pré-candidato do PSDB ao Paiaguás avalia que já tem argumentos de sobra para culpar Julier. Dirá que o magistrado forjou uma história criminosa a partir das conversas gravadas e inventou os personagens a ponto de confundí-los. Prova disso, dirá o tucano, é que Julier, na ânsia de condenar tudo e todos, confundiu a ex-presidente da Comissão de Licitação de Cuiabá, Ana Virgínia de Carvalho, a Naná, com a empresária Ana Virgínia Ferraz. Filha do ex-deputado estadual Alves de Matos, Ferraz morreu cinco dias após a deflagração da Pacenas e teria R$ 50 mil para receber da prefeitura a título de indenização por um terreno desapropriado. O montante, porém, teria sido atribuído pela PF como pagamento à Naná “sem motivo esclarecido”.

    Wilson sustenta o argumento de que Julier tem interesses políticos em suas decisões, tanto que é pré-candidato a governador. O magistrado, por sua vez, parece não está nem aí. Quando está distante das megaoperações, evita a imprensa e costuma alegar que os fatos falam por si. O magistrado tem defensores intransigentes que destacam a coragem dele no combate ao crime e à corrupção.
 



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