Sexta, 25 de Maio de 2012, 14:24 h

OPERAÇÃO PLUMA | 26/08/2009 - 18:16

Agenda de Gilbertão revela proximidade com vereadores

Romilson Dourado

   Números telefônicos de políticos, principalmente de Rondonópolis, foram encontrados nas agendas de Gilberto Luiz Rezende, o Gilbertão, apreendidas quando ele foi preso pela Polícia Federal. Por meio das anotações, os investigadores conseguiram angariar provas de que o grileiro pagava propina a policiais militares, pistoleiros e outros envolvidos no esquema de grilagem de terras na região do Vale do Araguaia - saiba mais aqui.

   Apenas em uma das agendas, a PF encontrou anotações com números de telefones dos vereadores rondopolitanos Mohamed Zaher (PR), ex-presidente da Câmara, Lourisval Manoel de Oliveira, o Fulô (PMDB), e Milton Mutum (PR), vice-presidente do Conselho de Ética. O nome do colunista Manoel Ormond também figura nas anotações de Gilbertão, bem como o de militares e advogados.

   Apesar dos telefones aparecerem na agenda de um dos principais responsáveis pela desocupação violenta de imóveis rurais, homicídios, ameaças e outros crimes relacionados à grilagem de terra, não há indícios de envolvimento dos vereadores e do colunista com a organização criminosa, conforme a denúncia do MPF. Eles não são sequer citados no relatório.

   Porém, a polícia suspeita que membros da quadrilha usavam nomes de outros políticos, como os do deputado Wellington Fagundes (PR), do vice-presidente da República José Alencar e até mesmo do Grupo Amaggi, para se passar por pessoas influentes e causar temor aos pequenos produtores que resistiam em abandonar as terras. “Levantamento informa que (Gilbertão) é financiado por Wellington Fagundes, José Alencar e Vander Carlos de Souza, prefeito de Acreúna (GO), que é apontado como sócio de José Alencar, maior produtor individual do mundo e principal fornecedor para a Coteminas”, aponta o MPF na página 29 da denúncia oferecida à Justiça Federal - leia mais aqui.

   Conforme a procuradoria, Gilbertão estimulava grileiros a invadir áreas da terra indígena Marãiwatsede e da União e, depois, expulsava as famílias por meio de força física e ameaças ou comprando os lotes a preço inferior ao de mercado. Quando necessária, a expulsão era feita por policiais militares ou jagunços - veja mais aqui. Gilbertão providenciava a emissão de títulos falsos para a comercialização dos lotes a médicos e grandes fazendeiros e grupos empresariais.

   Com a prática criminosa, ele e o irmão, Admilson Luiz de Rezende, movimentaram quase R$ 18 milhões entre 2003 e 2005 - leia mais aqui. Além de determinar a prisão deles, o juiz da 1ª Vara Federal, Julier Sebastião da Silva, determinou o sequestro dos bens. (Andréa Haddad)

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OPERAÇÃO PLUMA | 25/08/2009 - 19:52

Grileiros movimentam quase R$ 18 milhões em 2 anos

Romilson Dourado

   Quase R$ 18 milhões foram movimentados pelos irmãos Admilson e Gilberto Luiz Rezende, o Gilbertão, entre 2003 e 2005, apontados como chefes do esquema de grilagem de terras na região do Vale do Araguaia. Ao expedir o mandado de prisão dos acusados na Operação Pluma, o juiz Julier Sebastião da Silva também determinou o sequestro dos bens dos irmãos. “Autorizo a atuação no sentido de possibilitar provável ressarcimento dos danos decorrentes do loteamento e venda de terras da União e promovidos ao meio ambiente”, aponta o magistrado.

   No despacho, o juiz também sustenta que há evidências de que Gilbertão e Admilson adquiriram o montante por meio da exploração da Terra Indígena Marãwaitsede, também conhecida por Fazenda Suiá Missú. Conforme o relato do MPF datado de 23 de junho de 2004 e anexado à denúncia, Gilbertão liderava um esquema de pistolagem e venda ilegal de terras. “Ambos encontram-se promovendo a venda e a escrituração de parcelas na área indígena perante o cartório de registro de imóveis de São Félix do Araguaia”.

   Os procuradores relatam que o esquema consiste em remover posseiros de pequenas propriedades, de solo infértil, para assentar pessoas ligadas a latifundiários, dentre eles políticos. “A área indígena vem sofrendo um processo fortíssimo de desmatamento e destruição de seus recursos naturais. (..) Existem diversas madeireiras e se faz necessária, de imediato, a realização de fiscalização do local”, denunciam. Conforme o então coordenador da área indígena, Denivaldo Roberto da Rocha, 60% da área indígena já foi desmatada. 

   Segundo o bispo emérito de São Félix do Araguaia, Pedro Casaldáliga, Gilbertão tinha escritório na cidade até o final de 2004 e se apresentava como uma espécie de corretor de imóveis rurais. “Mas, na verdade, possuía negócios escusos vinculados a pistolagem e grilagem de terras”, relatou.

  Além do município, as atividades do grupo abrangiam Bom Jesus do Araguaia, Confresa e Vila Rica. “Gilbertão fugiu de São Félix do Araguaia após ter conhecimento da existência de um mandado de prisão que seria expedido em seu desfavor". Ao revelar que recebia, em função do cargo, denúncias de homicídios relacionados à grilagem de terras, o Bispo enfatiza o temor dos pequenos agricultores de serem repreendidos pelo grupo de Gilbertão, composto por militares de alta patente. "Muitos dos informantes não se identificavam por medo de represálias”, denunciou o bispo, que chegou a receber ameaças de morte. Apesar disso, continua morando em São Félix do Araguaia. (Andréa Haddad)

OPERAÇÃO PLUMA | 24/08/2009 - 19:42

Camilão trazia pistoleiros do Nordeste para agir em MT

Romilson Dourado

   Depoimentos de assentados a promotores do Gaeco revelam que há dois grupos armados na região do Vale do Araguaia, sendo um comandado pelo bioquímico de Confresa, Camilo de Lelis Brasileiro Pereira, o Camilão. Ele atuaria junto com o ex-prefeito de Porto Alegre do Norte, Luiz Carlos Machado, o Luiz Bang, que já ocupou o posto de 5º pistoleiro mais perigoso do país. “O outro (grupo) é dirigido pelo doutor Iron e Lourival, cunhado de Iron. Gilbertão (Gilberto Luiz Rezende) é ligado ao grupo de Camilo”, aponta um dos promotores.

   Camilão figura no relatório como um dos responsáveis pela contratação de pistoleiros para a facção do subtenente Moreira, além de atuar no tráfico de drogas. Também seria o intermediário entre os comandantes da Polícia Militar e os proprietários das fazendas invadidas. De acordo com os promotores, Camilão atuava como “ponte” entre o coronel Elierson Metello de Siqueira e fazendeiros. Também contrataria desempregados do Nordeste para atuar como pistoleiros, que invadiram pequenas propriedades rurais. Em seguida, Camilo forçaria, por meio de ameaças, a venda do lote por preço inferior ao de mercado. 

   Depoimento de Aparecida Barbosa da Silva revela que Camilão e Luiz Bang ameaçam juízes da região. Um dos promotores relata indícios de que o então presidente da Câmara de Vila Rica, Cláudio Estrada, ex-policial militar, tenha ligação com Luiz Bang e Camilo. “Grandes escritórios de advocacia de Goiânia atuam em processos de liminares e possessórios e o escritório Bertim de Cuiabá. Juízes sérios estão atuando e recebendo ameaças e o Dr. Roman (delegado) concluiu que Luiz Bang e Camilo são os autores das ameaças”. O bioquímico atuaria na contratação dos militares que invadiam e, depois, eram contratados para fazer a segurança das fazendas.(Andréa Haddad)

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OPERAÇÃO PLUMA | 14/08/2009 - 16:59

Pecuarista contrata advogados para desapropriar terra

Romilson Dourado

   O fazendeiro da região do Vale do Araguaia, Romão Ribeiro Flor, foi denunciado pelo Ministérip Público Federal como responsável pelo pagamento de advogados que estariam dificultando o processo de desapropriação da Fazenda Suiá Missú, ocupada por posseiros e indígenas. Nomes de advogados também são aparecem em agendas de Gilberto Luiz Rezende, o Gilbertão, apontado como chefe do crime organizado e tráfico de drogas na região do Araguaia, em conluio com policias militares - saiba mais aqui.

   No relato dos promotores do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o candidato a vereador por Ribeirão Cascalheira, Altamiro Scheneider, o nego Scheneider, que teve o registro cassado pela Justiça Eleitoral, contratou o advogado Deusiano Ferreira dos Santos para defendê-lo - leia mais aqui. Um dos promotores revela que Deusiano recorreu à influência do procurador Diasis dos Santos Filho ao ter o cliente denunciado. “Quando denunciei este último, tal advogado procurou Diasis, procurador do Estado de Mato Grosso, que já foi candidato a prefeito em Cascalheira”, relatou a promotoria.

   Conforme o Gaeco, à época Diasis recebeu apoio político do subtenente Adalberto da Cunha de Oliveira, responsável pelo recebimento de propinas e preso na Operação Pluma, da PF, veja mais aqui-, do pistoleiro Nego Scheneider e do candidato derrotado à Prefeitura de Ribeirão Cascalheira em 2008, Adário Carneiro, conhecido na região por Comendador do Araguaia, numa referência a João Arcanjo Ribeiro - saiba mais aqui. Os três teriam subido no palanque de Diasis.

   Afastada por corrupção, concussão e venda de sentença, a então juíza de Vila Rica, Daniele Amarilo também se beneficiou do esquema, segundo a promotoria. O marido dela, identificado como Henrique, teria advogado em favor de grileiros.

   No relatório do Gaeco, o fazendeiro Romão também aparece como beneficiário do esquema que consistia na expulsão de pequenos posseiros da Fazenda Suiá Missú. Posteriormente, ele intermediava a emissão de títulos falsos em nome de grandes proprietários de terras. O fazendeiro também foi multado pelo Ministério Público do Trabalho, em 2004, em R$ 414 mil por manter trabalhores em situação análoga à de escravo. A fazenda Rio Preto, em Porto Alegre do Norte, foi alvo de ações civis propostas pelo MPT. Segundo uma delas, "o empregador havia determinado que os trabalhadores, que faziam a roçagem de pasto, refugiassem pelo meio do mato para esconder do grupo móvel (de promotores) as reais condições de trabalho. Eles só foram resgatados graças a informações colhidas durante os depoimentos de outros trabalhadores". (Andréa Haddad)

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OPERAÇÃO PLUMA | 11/08/2009 - 16:24

Engenheira e técnico davam suporte a grileiros, diz MPF

Romilson Dourado

   Um grupo formado por quatro pessoas dava suporte técnico aos responsáveis pela grilagem de terras indígenas na região do Vale do Araguaia. É o que aponta a denúncia do Ministério Público Federal e as investigações da PF, que culminaram na prisão de 18 pessoas, entre fazendeiros, policiais militares, engenheiros e uma escriturária, na Operação Pluma, deflagrada pela PF em 3 de julho.

   Na ocasião, a escrevente do Cartório de Registro de Imóveis de São Félix do Araguaia, Maria Elisabeth G. Carvalho, foi presa. Ela é apontada como uma das responsáveis pelo suporte técnico do grupo. Segundo a denúncia do MPF, a escrevente confeccionou matrículas e registros de lotes da Terra Indígena Marãwaitsede. Também é acusada de agir em conluio com os irmãos Admilson e Gilberto Luiz Rezende, o Gilbertão, apontado como chefe do grupo que grilava terras na região. A escrevente alega, por sua vez, que cumpriu uma determinação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF 1ª).

   Segundo o coordenador da Terra Indígena, Denivaldo Roberto da Rocha, mais de 60% da área já foi desmatada. “Admilson e Gilberto afirmam ser proprietários de toda a reserva Marãwaitsede e, com a cumplicidade do cartório de São Félix do Araguaia, vem emitindo registros e escrituras de terras da União (...)”.  Na denúncia, o nome da engenheira agrônoma Maristela Maranhão Fonseca, aparece como encarregada da planta e memorial descritivos da Fazenda Suiá Missú. Segundo a procuradoria, os limites da área foram demarcados dentro da Terra Indígena. A delimitação da área, incluindo parte da reserva, teria sido feita por Antônio César Rocha Felipe.

   O técnico agrimensor Josemar Pereira dos Santos é citado pelo MPF como responsável pelos mapas e memoriais descritivos usados nos desmembramentos das fazendas Suiá Missú e Bridão Brasileiro mediante deslocamento de títulos. “Nota-se que Josemar Pereira dos Santos foi o engenheiro agrônomo responsável pela indicação dos limites da Fazenda Bridão Brasileiro, conforme consta das matrículas 73 a 88 do 1º Serviço Registral da Comarca de porto Alegre do Norte, informadas no laudo do Incra. A adulteração foi efetivada mediante concurso da cartorária Maria Elisabeth G. Carvalho”, apontou a procuradoria.

   Em depoimento, um antigo proprietário de terras da região de Confresa, Abraão Alves Sobrinho, disse que a página 305 da perícia realizada pelo Incra, durante o processo de desapropriação da fazenda Bridão, revela que os documentos apresentados ao órgão eram de outra gleba. Segundo ele, Josemar fez o deslocamento da área para a Fazenda Bridão “para fins de gerar direito de posse ao então proprietário que receberia o dinheiro da desapropriação da terra”. (Andréa Haddad)

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OPERAÇÃO PLUMA | 07/08/2009 - 09:11

Grileiro vende terras no Araguaia com limites sobrepostos

Romilson Dourado

   O grileiro Jurandir de Souza Ribeiro aparece no inquérito da Política Federal como responsável pela venda de lotes da Terra Indígena Marãwaitsede mediante utilização de título dominal com limites sobrepostos. Ele adquiriu, em fevereiro de 2003, área remanescente de 157 mil hectares da Agip do Brasil. Um mês depois vendeu diversos lotes a Admilson Luiz Rezende, irmão de Gilberto Luiz Rezende, o Gilbertão, apontado como chefe do esquema de grilagem de terras na região do Vale do Araguaia.

   O curioso é que o nome de Jurandir figura no inquérito no rol de financiadores do esquema, junto com Adário Carneiro Filho, o Darinho, candidato derrotado à Prefeitura de Ribeirão Cascalheira. A compra da terra da Agip foi registrada no memorial descritivo da escrevente do cartório de São Félix do Araguaia, Maria Elisabeth Carvalho, presa no início de julho pela PF na Operação Pluma. Os promotores destacaram que tanto Jurandir como Admilson sabiam que os lotes eram litigiosos ao adquirir as áreas e que, inclusive, podiam ser declarados como reserva indígena.

   Os responsáveis técnicos pela delimitação da área, Antônio César Rocha Felipe e o técnico agrimensor Josemar Pereira dos Santos, também são apontados no inquérito da PF, assim como a engenheira agrônoma Maristela Maranhão Fonseca, supostamente encarregada da planta e memorial descritivos da Fazenda Suiá Missú. Os limites da área foram demarcados dentro da Terra Indígena, segundo o inquérito. (Andréa Haddad)

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OPERAÇÃO PLUMA | 04/08/2009 - 17:10

Major do Bope recebeu R$ 150 mil de propina, diz Gaeco

Romilson Dourado

   Preso há 31 dias por suposto envolvimento com crimes decorrentes da disputa por terras na região do Vale do Araguaia, o ex-comandante-adjunto do Bope, major José Carlos de Moraes, figura no inquérito como suspeito de ter recebido R$ 150 mil do proprietário da Fazenda Codeara, em Santa Terezinha (a 287 quilômetros de Cuiabá), para retirada de invasores em três oportunidades. A grilagem das terras, por outro lado, era estimulada pelos próprios PMs que integravam o esquema. “As invasões eram estimuladas pelo soldado Pereira”, diz um trecho do documento.

   Um dos trechos do inquérito do Gaeco, anexado ao relatório do Ministério Público Federal e Polícia Federal, aponta indícios de pagamento de propina ao major Moraes pela desocupação da Fazenda Uirapuru, em Porto Alegre do Norte, junto com o ex-comandante-geral da Polícia Militar, coronel da reserva Adaildon Evaristo de Moares Costa, e o capitão Curi, que respondia pelo comando da Companhia do bairro Planalto, em Cuiabá. As investigações apontam que, numa das ocasiões, Adaildon cobrou R$ 30 mil para desocupar a fazenda - saiba mais aqui e aqui.

   Além de Moraes, Adaildon e Curi, policiais federais prenderam, em 3 de julho deste ano, o ex-comandante regional da PM de Sinop e Tangará da Serra, Elierson Metello, o sub-tenente Adalberto da Cunha de Oliveira, o capitão Antonio de Moura Neto e o major Wlamir Luis da Gama Figueiredo.

   Segundo informações da PF e do MP, os militares agiam em conluio com fazendeiros. Estimulavam a invasão de áreas da União por posseiros, inclusive reservas indígenas, para depois retirá-los por meio de violência física e moral. “A expulsão é feita por policiais militares e jagunços deste Estado e de outros. Esses agentes policiais ainda incentivam invasões com a finalidade de vender segurança aos proprietários das terras".

   Os militares, segundo a PF, eram contratados por Gilberto Luiz Rezende, o Gilbertão, conhecido como um dos principais grileiros da região do Vale do Araguaia e um dos responsáveis pela falsificação de títulos para a venda dos lotes de áreas da União a médios e grandes fazendeiros e grupos empresariais. (Andréa Haddad)

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OPERAÇÃO PLUMA | 03/08/2009 - 11:40

Relatório do Gaeco revela crimes praticados por soldado

Romilson Dourado

   Investigações do Ministério Público e da Polícia Civil apontam que o soldado PM Alessandro Farias Lima é o autor de um homicídio relacionado à grilagem de terras na região do Vale do Araguaia. Segundo o relatório do Gaeco, Alessandro executou Rogério Farias de Lima a mando do pistoleiro Altamiro Schneider, o Nego Schneider, também envolvido com o tráfico de drogas na região - saiba mais aqui.  “Em Ribeirão Cascalheira, houve a morte do jovem Rogério Farias de Lima, o Pébinha, onde há fortes indícios de que o soldado Alessandro foi o executor”, diz um trecho do relatório.

   De acordo com as investigações, Alessandro, assim como Schneider, era um dos responsáveis pelo tráfico de armas e drogas no Vale do Araguaia. O PM comprava as drogas na avenida principal de Canarana para depois revendê-las, diz o Gaeco. “Fomos informados de que o soldado Alessandro traficava armas e drogas, sendo que o mesmo pegava as drogas na cidade de Canarana”. 
  
   O relatório revela ainda que Alexandro mantinha uma relação próxima com o candidato derrotado à Prefeitura de Ribeirão Cascalheira, Adário Carneiro Filho (DEM). O democrata é apontado pelo Gaeco como um dos chefes do crime organizado na região - veja mais aqui. Numa ocasião, o soldado teria emprestado dinheiro ao amigo. “(...) Alguns meses atrás o soldado Alessandro emprestou para o senhor Adário Carneiro Filho a importância de R$ 50 mil”. O valor gerou desconfiança por ser incompatível com o salário de soldado da PM.

   Outro indício das atividades ilegais de Alessandro é o fato de todos os seus bens estarem registrados em nome da mãe, Maria de Jesus dos Santos Lima. Já Adário Carneiro, por sua vez, possui movimentação financeira incompatível com a renda declarada entre 2003 e 2005. (Andréa Haddad)

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OPERAÇÃO PLUMA | 30/07/2009 - 18:22

Gaeco aponta que adversário de Diá financiava esquema

Romilson Dourado

   O pedido de prisão de fazendeiros e militares do Vale do Araguaia, encaminhado pelo Ministério Público e Polícia Federal ao juiz federal Julier Sebastião da Silva, revela que um dos chefes do crime organizado na região é o candidato derrotado à Prefeitura de Ribeirão Cascalheira, Adário Carneiro Filho (DEM). Investigações do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), formado por promotores e policiais civis, apontam que a movimentação financeira de Adário é incompatível com a renda declarada entre 2003 e 2005.

   Num dos trechos do relatório, os investigadores chamam atenção para o pagamento de R$ 25 mil efetuado por Adário ao subtenente Adalberto da Cunha e Oliveira, preso com outros cinco militares na Operação Pluma, da PF – saiba mais aqui. O montante seria referente à propina paga aos militares pela desocupação da Fazenda Noirumbá. “Há indícios de que outros servidores públicos (fiscais e oficiais de justiça) também se beneficiaram dos recursos do investigado Adário Carneiro (...), além de proximidade com outros notórios bandidos que agem na região como Gilberto Luiz Rezende, vulgo Gilbertão, Luiz Bang, Camilão, etc” – veja mais aqui.

   Segundo o relatório, as investigações resultaram na prisão em flagrante de Adário por porte ilegal de arma de fogo, sendo que uma delas é de uso restrito. Entre os materiais apreendidos, há documentos que comprovariam pagamentos a policiais e outros servidores públicos. Também teria influência sobre os militares lotados na região.  Na casa dele, os investigadores apreenderam um bilhete com a lista de integrantes da quadrilha que ficariam responsáveis pela segurança da Fazenda Esmeralda, em Porto Alegre do Norte. Adário também seria responsável pelas armas e pagamentos a militares que, por meio de ameaças e torturas, expulsavam grileiros das terras a mando de fazendeiros – leia mais aqui

   Outro trecho do relatório do Gaeco aponta que a família de Adário tinha uma relação próxima com o soldado PM Alexandro Farias Lima, investigado por tráfico de drogas e armas, e por homicídio. “(...) Alguns meses atrás o Sd PM Alessandro emprestou para o Sr Adário Carneiro a importância de R$ 50 mil”, diz o relatório.

   Perseguição

   “Estamos sofrendo uma perseguição política. Somos pessoas simples e honestas e, se meu marido não tivesse disputado a eleição, jamais haveria estas denúncias”, reagiu Maria Dantas Carneiro, esposa do candidato derrotado à prefeitura, Adário Carneiro. Segundo ela, a família é perseguida por Francisco de Assis dos Santos (PT), o Diá, que derrotou Adário por uma diferença de 470 votos, mas acabou sendo cassado por compra de votos e prestação de contas irregulares, além de ser multado em R$ 26 mil.

   “Por ser procurador, o Diá usa o cargo para divulgar inverdades, mas temos consciência da nossa honestidade. Vamos processar o Diá por ingressar com uma representação em que cita meu marido como Comendador do Araguaia. Isso é uma acusação infundada de pessoas que não querem o desenvolvimento desta região. Eles (políticos supostamente ligados à Prelazia de São Félix do Araguaia) perseguem os novos moradores para que desistam e mudem de cidade”, sustentou.

   Diá teve mais de 50% dos votos válidos nas eleições e, com a cassação, o presidente da Câmara de Ribeirão Cascalheira, Daniel Correia Beraldo (PDT), passou a responder interinamente pela prefeitura até que a Justiça Eleitoral determine nova eleição no município. Adário já antecipou que pretende disputar novamente o pleito - confira aqui. "Trabalhamos honestamente. Meu marido é corretor e trabalha com compra e venda de gado. Estou confiante de que vamos provar que nunca tivemos envolvimento com criminosos e grilagem de terras”, assegurou. (Andréa Haddad)

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OPERAÇÃO PLUMA | 24/07/2009 - 17:15

Prefeitos do Araguaia negam envolvimento com grilagem

Romilson Dourado

   Os prefeitos de São Félix do Araguaia, Filemon Limoneiro (PPS), e de Alto Boa Vista, Aldecides Milhomens (DEM), afirmaram nesta sexta (24) que vão processar a Prelazia de São Félix do Araguaia e o juiz federal Julier Sebastião da Silva por calúnia e difamação. Eles foram denunciados pelo bispo emérito de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, por suposto envolvimento com o homem apontado pela Polícia Federal como um dos responsáveis pelo esquema de grilagem de terras na região do Vale do Araguaia, Gilberto Luiz Rezende, o Gilbertão. “Estou abismado com estas afirmações inverídicas sobre a minha pessoa. Nunca me envolvi em grilagem de terras, apenas temos posicionamento político em defesa dos trabalhadores da Suiá-Missú”, disse Filemon ao RDNews.

   O socialista sustentou que há pessoas interessadas na desapropriação da fazenda e consequente expulsão dos trabalhadores da área. Também argumentou que teve o nome envolvido na denúncia, assim como os do prefeito de Alto Boa Vista e do ex-prefeito de Porto Alegre do Norte, Luiz Carlos Machado (PRP), o Luiz Bang, por ter um posicionamento político contrário ao defendido por Casaldáliga. “Usaram os nomes de políticos que disputaram eleição contra candidatos apoiados pela Prelazia. Eles querem forçar uma desocupação da Fazenda Suiá-Missú e nós defendemos os trabalhadores. Nunca me envolvi em grilagem de terras, não se pode acusar pessoas sem provas”, defendeu. Ele ressaltou que mora na região há 45 anos e há 25 é funcionário da Justiça.

   O prefeito teceu críticas ao juiz Julier e alegou que não existe grilagem de terras na região, mas sim pessoas mal-intencionadas e com interesse na desapropriação da fazenda. “Acredito que o juiz não tenha lido o processo, pois não há grilagem de terras na região. Ele está equivocado e isto vai ser provado pelo nosso advogado. Acreditamos que a Justiça Federal seja um órgão sério, mas está deixando a desejar. Se o juiz continuar proferindo sentenças desta forma, daqui uns dias todos os cidadãos de bem poderão ser presos de uma hora para outra”, alegou Filemon.

   Milhomens, por sua vez, assegurou que as denúncias não têm veracidade e que a Justiça Federal agiu de forma irresponsável. “Estão distorcendo os fatos para pressionar a Justiça a determinar a desapropriação da fazenda. Nunca vendi um palmo de terra e também nunca comprei. Ninguém grilou terras aqui”. Segundo ele, cerca de 10 mil pessoas moram na região da Fazenda Suiá-Missú e o processo de desapropriação da área está no Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região. “A Funasa tem interesse em criar uma reserva indígena no local e nós defendemos a permanência dos trabalhadores na fazenda. Tudo que o bispo disse é mentira”.

   Ele também defendeu a idoneidade da escrevente do cartório de São Félix do Araguaia, Maria Elisabeth Carvalho, presa no início do mês pela Polícia Federal na Operação Pluma, por suposta confecção irregular de registro de lotes na Terra Indígena Marãwaitsede. “A cartorária não fez nada de errado, ela agiu dentro da lei ao cumprir uma determinação judicial. Os documentos, que a Polícia Federal diz que são falsificados, na verdade foram emitidos pelo governo do Estado”, disse.

    O advogado dos prefeitos, Romes da Mota, reforçou que não há ligação entre os gestores públicos e os crimes praticados por grileiros e militares. “Eles (Filemon e Milhomens) apenas defendem os produtores rurais. Tudo que o bispo disse, de ponta a ponta, é mentira”, sustentou. (Andréa Haddad)

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