Sexta, 25 de Maio de 2012, 14:31 h

INVESTIGAÇÃO | 14/06/2007 - 12:26

Secretaria abre sindicância para apurar 2 furtos

Romilson Dourado

    Um ano depois, a primeira-dama Terezinha Maggi, secretária de Trabalho, Emprego e Assistência Social, e o procurador-geral do Estado, João Vírgilio do Nascimento, determinaram abertura de duas sindicâncias administrativas, uma para apurar o furto de uma máquina digital fotográfica Sony e outra para apontar responsabilidade sobre sumiço de uma CPU. A câmera pertence à secretaria-adjunta de Assistência Social. Foi furtada em 12 de maio do ano passado.

     A CPU furtada é da superintendência de Defesa do Consumidor (Procon). Foi furtada em dezembro de 2002. Mesmo após muito tempo, ainda não se descobriu os responsáveis pelas subtrações. As comissões de sindicâncias têm prazo até o próximo dia 26 para concluir os trabalhos.

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INVESTIGAÇÃO | 13/06/2007 - 10:33

Rodrigo Figueiredo é citado em gravação da PF

Romilson Dourado

      Uma gravação interceptada pela Polícia Federal, que resultou na Operação Navalha e prisão de 40 pessoas acusadas de envolvimento em fraudes em obras públicas, revela um diálogo entre o ex-presidente do PP, deputado cassado Pedro Corrêa (PE), e Flávio Candelot, ex-diretor da secretaria de Política Urbana (hoje Ministério das Cidades). Na conversa, o ministro Márcio Fontes (PP) é citado e menciona os municípios de Sinop e Cuiabá. 
      O ex-deputado repassa a Candelot orientações que Fontes teria lhe dado para facilitar a liberação de verbas públicas. Os recursos custeariam obra de saneamento básico em Sinop. Aliás, o prefeito sinopense Nilson Leitão (PSDB) chegou a ser preso na Operação Navalha, junto com seu ex-secretário Jair Pessini, sob acusação de desvio de licitação para contemplar a empreiteira Gautama e, em moeda de troca, receber R$ 200 mil de propina.

     Num dos trechos do diálogo, segundo revelou a Folha nesta quarta (13) – clique aqui e confira (para assinante Folha) -, o ex-deputado cita Cuiabá: “Márcio falou na minha frente agora com o superintendente de Negócios, lá em Cuiabá".

      Conforme o relatório da PF, produzido em 19 de outubro do ano passado, sobre o diálogo comprometedor entre Candelot e Corrêa, o nome do secretário-executivo do Ministério das Cidades, Rodrigo Figueiredo, também é citado, como espécie de apoio. Figueiredo é mato-grossense de Santo Antonio de Leverger. O texto da PF diz o seguinte:

"Flávio Candelot também conta com o apoio do ex-deputado federal Pedro Corrêa, o qual se encarrega de fazer tráfico de influência junto ao ministro das Cidades, Márcio Fortes, e ao secretário-executivo, Rodrigo Figueiredo, a fim de tentar conseguir aprovar portaria e reunir pessoas para agilizar e facilitar o recebimento de verbas públicas por parte da organização criminosa".

      À Folha, Figueiredo negou ter sofrido influência política e diz que suas conversas com Candelot foram estritamente técnicas.

INVESTIGAÇÃO | 12/06/2007 - 18:20

Vice de Vila Rica assume e já anuncia mudanças

Romilson Dourado

    O pecuarista Everaldo Simões de Andrade assumiu a Prefeitura de Vila Rica (1.259 km a Nordeste de Cuiabá) e já anuncia mudanças. Everaldo tomou posse após Francisco Teodoro de Faria (DEM) ser afastado. A Câmara afastou o democrata nesta segunda (11), após receber denúncia mostrando irregularidades. Em sessão, seis dos nove vereadores votaram a favor do afastamento.

    O novo prefeito vai instalar auditoria para verificar as reais condições financeiras dos cofres públicos. Na posse, Everaldo revelou que existe a possibilidade de substituir secretários. “As mudanças vão ocorrer, mas não há nada definido”.

  A Câmara tem 90 dias para investigar a denúncia. 

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INVESTIGAÇÃO | 11/06/2007 - 12:57

Empresário de Rondonópolis é preso pela PF

Romilson Dourado

   A Polícia Federal deteve nesta segunda (11) o empresário rondonopolitano Eloi Marchetti, dono da Sementes Carolina. Ele é acusado de comprar agrotóxicos contrabandeados. Outras 15 pessoas foram presas na Operação Zaqueu, desencadeada para combater crime de contrabando, tráfico internacional de drogas, de armas e de agrotóxicos, além de lavagem de dinheiro.

    Apesar de realizada em cinco Estados, a operação se concentra no município de Mundo Novo, em Mato Grosso do Sul, onde há mandados de prisão contra 12 das 16 pessoas acusadas. Cerca de 100 agentes fedeiras estavam cumprindo mandados de prisão e busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e Paraná.

     De acordo com a PF, a quadrilha era liderada por Nasser Kadri e por seu irmão, Abid Kadri. O grupo tem uma frota de vários caminhões, carros e motos de alto valor e um grande giro na compra e venda de veículos leves e pesados, na maioria das transações sempre colocados em nome de "laranjas", com o auxílio de despachantes. No caso do empresário de Rondonópolis, pesa sobre ele a acusação de que comprava produtos contrabandeados, especificamente agrotóxicos.

INVESTIGAÇÃO | 06/06/2007 - 07:10

Sob Dalberto, Intermat vira foco de denúncias

Romilson Dourado

TCE apura ao menos 8 supostas irregularidades na aquisição de terras

   Sob Afonso Dalberto, o Instituto de Terras do Estado (Intermat) se transformou no patinho feio da administração Blairo Maggi. O órgão é precursor de focos de supostas irregularidades, inclusive no beneficiamento a integrantes da própria gestão pública estadual quanto à aquisição de terras com fins de reforma agrária. Dalberto já é chamado de robin hood das terras mato-grossenses. Compra dos ricos para dar aos pobres. Dentro do lema "terra para quem precisa", o que o Intermat paga faz dos ricos mais ricos e dos pobres mais miseráveis.

   O Tribunal de Contas do Estado investiga pelo menos oito casos de denúncias de aquisição de terras feitas pelo órgão. O Ministério Público também começa a apurar supostas irregularidades no Intermat, que tem a atribuição de socializar a propriedade rural, priorizar o trabalhador rural e evitar conflitos agrários.

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INVESTIGAÇÃO | 03/06/2007 - 14:30

Colniza lidera ranking sobre corrupção no país

Romilson Dourado

Colniza, que já tem fama de cidade violenta, agora está entre as 3 do país em casos de corrupção   

     Com cerca de 20 mil habitantes, Colniza (a 1.065 km de Cuiabá) poderia estar ocupando hoje os três primeiros lugares entre os municípios brasileiros se houvesse ranking medindo as acusações de corrupção. O município mato-grossense aparece no topo da corrupção junto com Presidente Vargas (MA) e Guarujá (SP), revela reportagem da Folha de S. Paulo deste domingo (3) - clique aqui (para assinante Folha) ou acima no título para ler a reportagem completa.

    Colniza, que já figura entre os primeiros colocados no ranking de violência, hoje está sob comando de vice Adir Ferreira de Souza. O titular Sérgio Bastos dos Santos, o Serjão, está afastado desde dezembro do ano passado. É acusado de ter desviado cerca de R$ 10 milhões de verbas estadual e federal. Para piorar a situação de jurídica e política de Serjão, o juiz Michell Lofti Rocha da Silva, em decisão liminar semana passada, manteve-o afastado do cargo.

   A Folha de S. Paulo destaca que no final do ano passado, Colniza enfrentou um surto de dengue que atingiu a cerca de 40% da população, enquanto os médicos desertavam de suas funções e o lixo acumulava-se nas ruas porque a prefeitura não tinha dinheiro. Os opositores afirmam que esse dinheiro que deveria pagar os materiais de prevenção à dengue, o salário dos médicos e dos garis, teria sido desviado, provocando caos administrativo.  

Abaixo, a íntegra da matéria na Folha deste domingo.

Três cidades se destacam nas acusações de corrupção

Desvios provocam mortes e paralisam a administração

Se houvesse um ranking medindo as acusações de corrupção nos municípios, Presidente Vargas (MA), Colniza (MT) e Guarujá (SP) poderiam ocupar os primeiros lugares.
Já em Milagres (BA), a prefeitura escolheu uma forma diferente de prestar contas à população -as três placas de outdoors da cidade servem para divulgar seu balanço bimestral.
Com 10,7 mil habitantes, Presidente Vargas (102 km de São Luís) viu oito dos seus noves vereadores terem a prisão preventiva decretada, em maio, pela Justiça, acusados de receber R$ 1.000 por mês do então prefeito Raimundo Bartolomeu Aguiar (PSC) para deixar de fiscalizar as contas dele.
A investigação do desvio de dinheiro resultou do inquérito que investigou o assassinato do prefeito com três tiros em março: dois dos vereadores acusados de receber propina foram denunciados por participação na morte do prefeito.
A viúva de Bartolomeu disse à polícia que viu o marido entregar o talonário de cheques assinados em branco da conta corrente da prefeitura a um deputado estadual. Durante as investigações foram localizados cheques da prefeitura usados na compra de um terreno em nome de outro deputado.

Lixo nas ruas
Em Colniza (MT), no final de 2006, os cidadãos enfrentavam um surto de dengue que atingia cerca de 40% da população, enquanto os médicos desertavam de suas funções e o lixo acumulava-se nas ruas porque a prefeitura não tinha dinheiro.
Na época, o prefeito eleito em 2004, Sérgio Bastos (PMDB), tinha acabado de ser afastado do cargo, sob a denúncia de ter desviado cerca de R$ 10 milhões de verbas federais e estaduais.
Segundo opositores, era esse dinheiro que deveria pagar os materiais de prevenção à dengue, o salário dos médicos e dos lixeiros. Com o prefeito, sete dos nove vereadores, dois secretários e a tesoureira municipal deixaram suas funções.
Todos hoje sofrem processo e negam as irregularidades.
No Guarujá (87 km de São Paulo), a Câmara ficou ao menos seis sessões consecutivas sem discutir nenhum projeto entre outubro e novembro do ano passado por causa de um suposto esquema de corrupção que envolveria 8 dos 14 vereadores, além do prefeito Farid Said Madi (PDT).
Devido a decisões judiciais, que ora tiravam os vereadores dos cargos, ora os obrigavam a retomar os trabalhos, a Câmara de Guarujá ficou paralisada.
Hoje os oito vereadores seguem afastados de seus cargos (recebendo R$ 4.700 por mês) enquanto suplentes ocupam suas vagas. Eles são suspeitos de envolvimento em um esquema de corrupção entre o Executivo e Legislativo para aprovar projetos do prefeito.

Outdoors
Às margens da BR-116, Milagres (232 km de Salvador) optou por divulgar nos seus únicos três outdoors a arrecadação e os gastos registrados pela prefeitura, do DEM. A cidade tem 14 mil habitantes.
Instalados nos locais de maior movimento, as três placas custam R$ 540 à prefeitura.
Opositores do prefeito, no entanto, questionam a autenticidade dos números divulgados. (SÍLVIA FREIRE, JOÃO CARLOS MAGALHÃES, MARIANA CAMPOS E LUIZ FRANCISCO)

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INVESTIGAÇÃO | 01/06/2007 - 10:59

Pessine alega que carregava vinho e não propina

Romilson Dourado

    Em depoimento à ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, o ex-secretário de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de Sinop (a 500 km ao Norte de Cuiabá), Jair Pessine, apresentou uma versão curiosa, na tentativa de contrapor à acusação de que carregava dinheiro de propina. Segundo informa o blog do Noblat, Pessine, que ficou preso por quatro dias por conta da Operação Navalha, alegou que, em verdade, transportava vinho.

    Na versão da PF, que fotografou Pessine entrando, no dia 21 de março deste ano, na Gautama com a sacola e saindo sem ela, há suspeita de que o ex-secretário sinopense transportava dinheiro "sujo". Ainda conforme relatório da PF - clique aqui e confira na íntegra -, Pessine, no seguinte, busca e leva a sacola para o hotel onde estava. Mais tarde, ainda em Brasília, ele segue com o pacote para o aeroporto, mas desce do carro sem ele.

   Pessine, por sua vez, alegou, perante à ministra, que a tal sacola continua vinho. Disse ainda que esqueceu a compra na empresa, onde voltou no dia seguinte para buscá-la. Na sequência, vai ao hotel para pegar o resto de sua bagagem e, ao chegar ao aeroporto, esquece novamente as garrafas, dessa vez no carro de um amigo.

    Jair Pessine foi preso junto com o prefeito de Sinop, Nilson Leitão. Ambos ficaram detidos por menos de uma semana. O ex-secretário responde em liberdade à acusação de que teria intermediado negociação de propina com o empreiteiro Zuleido Veras, da Gautama. A empresa foi a vencedora do processo licitário para construção de rede de esgoto no município. Leitão é acusado de direcionar a obra para a construtora baiana e, em troca, receber R$ 200 mil em propina. Ele nega veementemente a acusação e promete processar a União por danos morais.

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INVESTIGAÇÃO | 31/05/2007 - 14:02

Jonas nega ter recebido "mimos" de empreiteiro

Romilson Dourado

   O senador Jonas Pinheiro (DEM) divulgou nota em que tanto ele quanto a esposa, ex-deputada Celcita Pinheiro, negam qualquer envolvimento com o empresário Zuleiro Veras, da Gautama, construtora acusada de cometer fraudes em licitações com superfaturamento de obras e pagamento de propina a políticos. O nome do democrata, segundo reportagem na Folha online, aparece numa relação de 225 pessoas, entre parlamentares, ex-deputados, governadores, ex-governadores, prefeitos, ex-prefeitos, ministros de estado e do Tribunal de Contas da União que supostamente teriam sido “agraciados” pela Gautama - clique aqui e leia mais sobre o assunto.

    "Não conheço o empresário Zuleido Veras e que, portanto, nunca fiz nenhum negócio com empresas dele, muito menos com a Gautama, nem tive qualquer contato com integrantes daquela empresa", afirma o senador. "Quero registrar também o meu inconformismo por ver meu nome inserido nessa lista de agraciados com mimos da empresa".

Confira a íntegra da nota assinada pelo senador Jonas Pinheiro

"Fui surpreendido com a matéria do articulista Kennedy Alencar, da Folha de São Paulo, veiculada na Folha Online, e com outras de igual teor, divulgadas por jornais e por portais eletrônicos do estado de Mato Grosso, nas quais é apresentada uma lista de pessoas que teriam sido “presenteados” pela Gautama, empresa que está sendo acusada de estar envolvida em esquema de superfaturamento de obras e de fraudes em licitações governamentais.
As matérias relatam que foram identificadas pela Polícia Federal, na lista da empresa Gautama, 225 pessoas, entre governadores, ex-governadores, prefeitos, ex-prefeitos, ministros de estado e do Tribunal de Contas da União, deputados federais e ainda dezoito senadores.
Quando tomei conhecimento dessa notícia, a minha surpresa foi muito grande, tanto quanto a minha indignação.
Não entendo como o meu nome possa integrar uma lista de “agraciados” pela empresa Gautama, quando jamais tive relacionamento com ela e jamais auferi qualquer vantagem dela. Também não me consta que meu Gabinete no Senado Federal tenha recebido algum brinde, como canetas, gravatas ou bebidas daquela empresa, como foi sugerido nas notícias.
Mesmo com a ressalva feita pelos autores das matérias de que o fato de o nome fazer parte dessa lista não significa que a pessoa seja suspeita, creio que a divulgação dessas acusações, sem uma comprovação, é leviana, é desrespeitosa e é, principalmente, tendenciosa. Alguém se regozija ou ganha prestígio ou tem outra espécie de compensação para disseminar esse tipo de notícia na imprensa.
A responsabilidade por esse ato cabe, primeiramente, a quem fornece essas notas à imprensa e que são chamadas por ela de “fontes”; pessoas que divulgam informações, conseguidas sabe-se lá como, para os veículos de comunicação, com interesses escusos, muitos dos quais, suponho, até inconfessáveis.
É lamentável, porque, na prática, a imprensa divulga uma matéria acusatória dessa natureza com todo o estardalhaço, e, depois de apurados os fatos e inocentados os acusados, ela noticia esse resultado numa matéria lacônica e breve e num espaço infinitamente menor.
Assim, o que fica marcado para sempre na mente e no espírito dos que recebem essas notícias é a imagem denegrida pela primeira informação: aquela que acusa e que denigre.
A contestação do acusado, mesmo que consistente, por ficar em segundo plano, não corrigirá o estrago que já foi feito. O estrago político e, mais que tudo, o moral, que acaba alcançando a nossa família, e enodoa e prejudica nossos filhos e netos.
Deixo registrado e bem evidente que não conheço o empresário Zuleido Veras e que, portanto, nunca fiz nenhum negócio com empresas dele, muito menos com a Gautama, nem tive qualquer contato com integrantes daquela empresa, seja aqui em Brasília, seja em Mato Grosso, meu estado, seja em qualquer outro lugar. Quero registrar também o meu inconformismo por ver meu nome inserido nessa lista de “agraciados” com “mimos” da empresa Gautama ou com vantagens de qualquer natureza por ela distribuída. E mais: quero que fique registrada ainda a minha profunda repulsa a essa divulgação leviana."
JONAS PINHEIRO
Senador da República

INVESTIGAÇÃO | 30/05/2007 - 10:21

Deputado Henry é vinculado a dono da Gautama

Romilson Dourado

   De novo, ele se envolve em escândalo. O deputado federal mato-grossense Pedro Henry (PP), que já conseguiu salvar o mandato após ligação do seu nome ao esquema do mensalão e à máfia dos sanguessugas, agora é vinculado à máfia das fraudes em obras públicas. Ele é acusado de ter sido um dos articuladores para que a Gautama, do empreiteiro baiano Zuleido Veras, ganhasse licitação para construir rede de esgoto em Sinop (a 500 km ao Norte de Cuiabá).

    Os indícios são apontados pela Polícia Federal, que grampeou telefonema de Zuleido. Na conversa, o empresário diz que "é mais fácil conseguir recursos" com o deputado Henry . Os recursos eram para "um novo projeto" em Sinop, revela reportagem da Folha online, publicada nesta quarta (30) pela manhã - confira aqui.

   Segundo a reportagem, a conversa foi captada em 23 de março. Quatro dias antes, Zuleido assinara com o prefeito de Sinop, Nilson Leitão (PSDB), que foi preso na Operação Navalha e foi liberado depois, um contrato de R$ 48 milhões para rede de esgoto local. A PF diz que Zuleido pagou R$ 200 mil de propina a Leitão para obter a obra.

    Leitão nega. Disse que procurou Henry para que o deputado pressionasse pela obtenção de R$ 62 milhões do PAC destinados à uma segunda etapa de obras de esgoto.

    De acordo com a Folha, quando citou Henry, Zuleido conversava com Jair Pessine, ex-secretário de Leitão e que presidiu a comissão de licitação, da qual saiu vitoriosa a Gautama, para fazer esgoto em Sinop. Segundo a PF, Pessine recebeu a propina para o prefeito.

     Diz o relatório da PF sobre a escuta: "Zuleido fala que está ótimo, diz que o prefeito falou com ele para pensarem em um novo projeto. Pergunta como Jair vê essa possibilidade. Jair diz que está vendo bem, com grande otimismo, (...) fala que esteve com ele (Nilson Leitão) no Pedro Henry e vê isso com grandes possibilidades. Zuleido diz que "com Pedro Henry é mais fácil conseguir recursos".

  O financiamento da primeira fase da obra de esgoto, no valor de R$ 38,2 milhões, foi suspenso pelo BNDES após a Operação Navalha, que prendeu Leitão e Zuleido. O dinheiro não chegou a ser liberado.

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INVESTIGAÇÃO | 29/05/2007 - 14:30

Jonas e Celcita estão na lista da Gautama

Romilson Dourado

    O nome do senador mato-grossense Jonas Pinheiro e da sua mulher, a ex-deputada federal Celcita Pinheiro, aparecem na lista da empreiteira Gautama, que está envolvida até o pescoço em fraudes em licitações de obras públicas e de pagar propina a políticos e funcionários públicos.

    A revelação foi feita nesta terça pela Folha online. A empreiteira percente a Zuleido Veras, que está preso desde o úlltimo dia 17, com a Operação Navalha. Celcita, que teve o nome citado na máfia das sanguessugas, não conseguiu se reeleger deputada. Hoje é ocupada a cadeira de secretária de Assistência Social de Cuiabá. Jonas está no segundo mandato de senador.

     De acordo com a reportagem assinada por Kennedy Alencar, figuram na lista de presenteados pela construtora 38 deputados federais e ex-deputados, como Celcita, 18 senadores, entre eles Jonas, além de ex-senadores, três ministros de Estado, cinco ministros do Tribunal de Contas da União e, pelo menos, 23 governadores, prefeitos, ex-governadores e ex-prefeitos.

     Ao todo, a lista enumera 225 pessoas, algumas citadas apenas pelo primeiro nome. "Para a PF, a simples menção na lista não significa que o nomeado seja suspeito. Trata-se apenas de um ponto de partida, que precisaria ser ligado a evidências, provas e depoimentos para ter valor na investigação", cita a reportagem.

   Clique aqui e leia a reportagem na Folha ou confira a listagem abaixo.

Deputados federais e ex-deputados
Benedito de Lyra (PP-AL)
Jonival Lucas Jr. (ex-deputado pelo PTB-BA)
Pedro Novaes (PMDB-MA)
Gastão Vieira (PMDB-MA)
Átila Lins (PMDB-AM)
Jutahy Jr. (PSDB-BA)
Paulo Magalhães (DEM-BA)
Olavo Calheiros (PMDB-AL)
José Carlos Aleluia (DEM-BA)
Marinha Raupp (PMDB-RO)
Paulo Lima (ex-deputado pelo PMDB-SP)
Vicentinho (PT-SP)
Professor Luizinho (PT-SP)
Jorge Bittar (PT-RJ)
José Borba (PMDB-PR)
Ricardo Barros (PP-PR)
Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
Almerinda Carvalho (ex-deputada pelo PSB-RJ)
José Chaves (PTB-PE)
Luiz Piauhylino (ex-deputado pelo PDT de Pernambuco)
Maurício Quintela (PR-AL)
Eduardo Campos (PSB-PE)
Iberê Ferreira (ex-deputado federal pelo PSB-RN)
José Carlos Machado (DEM-SE)
Gervásio Oliveira (ex-deputado pelo PMDB-AP)
Milton Monte (PR-SP)5Humberto Michiles (ex-deputado pelo PL-AM)
Welington Roberto (PR-PB)
Ivan Paixão (ex-deputado federal do PPS-SE)
João Leão (PP-BA)
Wilson Santiago (PMDB-PB)
Celcita Pinheiro (ex-deputada do DEM-MT)
Osvaldo Reis (PMDB-TO)
Márcio Reinaldo (PP-MG)
ACM Neto (DEM-BA)
Albano Franco (PSDB-SE)
Pedro Passos (deputado distrital do PMDB)
Carlos Wilson (PT-PE)

Senadores e ex-senadores
José Sarney (PMDB-AP)
José Agripino (DEM-RN)
Teotônio Vilela (PSDB-AL)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Antonio Carlos Valadares (PSB-SE)
Sérgio Guerra (PSDB-PE)
João Ribeiro (PFL-TO)
Roseana Sarney (PMDB-MA)
Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA)
Almeida Lima (PMDB-SE)
Fernando Bezerra (ex-senador pelo PTB-RN)
Waldir Raupp (PMDB-RO)
José Jorge (DEM-PE)
Fernando Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Jonas Pinheiro (DEM-MT)
Romeu Tuma (DEM-SP)
João Tenório (PSDB-AL)

Ministros de Estado
Geddel Vieira Lima (Integração Nacional)
Alfredo Nascimento (Transportes)
Paulo Bernardo (Planejamento)

Ex-ministro
Silas Rondeau, ex-ministro das Minas e Energia

Ministros do TCU
Walton Alencar Rodrigues (presidente da entidade)
Augusto Nardes
Aroldo Cedraz
Guilherme Palmeira
Benjamin Zinler

Governadores, ex-governadores, prefeitos e ex-prefeitos
Jarbas Vasconcelos (PMDB), ex-governador de Pernambuco e atual senador
Marcone Perillo (PSDB), ex-governador de Goiás
Ronaldo Lessa, ex-governador de Alagoas (PDT)
Amazonino Mendes, ex-governador do Amazonas (DEM)
Eduardo Braga (PMDB), governador do Amazonas
Paulo Souto, ex-governador da Bahia (DEM)
Eraldo Tinoco, ex-vice-governador da Bahia (DEM)
João Alves, ex-governador de Sergipe (DEM)
Moema Gramacho, prefeita de Lauro de Freitas (PT)
Luiz Caetano, prefeito de Camaçari (PT)
Marcelo Miranda (PMDB), governador de Tocantins
Joaquim Roriz (PMDB), ex-governador do Distrito Federal e hoje senador
José Reinaldo Tavares, ex-govenador do Maranhão
Antonio Imbassahy, ex-prefeito de Salvador
Agripino Lima, prefeito de Presidente Prudente
Iris Rezende, ex-governador de Goiás
André Puccinelli, governador do Mato Grosso do Sul (PMDB)
Alcides Rodrigues, governador do Goiás (PP)
Waldez Góes, governador do Amapá (PDT)
Jackson Lago, governador do Maranhão (PDT)
Oswaldo Dias (PT), ex-prefeito de Mauá
Marcelo Déda, governador de Sergipe (PT)
Jaques Wagner, ex-ministro das Relações Institucionais e hoje governador da Bahia

Outros
Alexandra, ex-mulher do ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares

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INVESTIGAÇÃO | 27/05/2007 - 04:59

Veja traz diálogo que compromete lobista de MT

Romilson Dourado

Preso na Operação Navalha, Sérgio Sá tem construtora em Cuiabá  

   Sérgio Luiz Pompeu Sá, que foi preso na Operação Navalha, é dono de uma construtora em Cuiabá. Chama-se Prosper. Sua mulher trabalha no Tribunal de Contas do Estado. Sérgio Sá, que atuou como lobista junto ao Palácio Paiaguás durante o governo Dante de Oliveira (1995/2002), agora tinha fácil acesso nos ministérios dos Transportes e de Minas e Energia.

    Ele foi preso no último dia 17 junto com mais 45 pessoas acusadas de envolvimento na suposta máfia que fraudava licitações para realização de obras públicas. A quadrilha foi desarticulada pela Operação Navalha, da Polícia Federal. Sérgio Sá já ganhou a liberdade junto com outros 38 acusados.  Ele é apontado como assessor do Ministério das Minas e Energia, apesar da pastar negar.

   Veja desta semana traz diálogos interceptados pela Polícia Federal. A revista afirma que "o lobista Sérgio Sá fala abertamente de um acerto do Dnit, órgão que cuida das estradas no país". O diálogo revela ligação próxima do lobista com o engenheiro Zuleido Veras, dono da Gautama, empreiteira envolvida até o pescoço nos esquemas de fraudes.

   Clique aqui ou leia abaixo diálogos publicados pela revista Veja, envolvendo Sérgio Sá e algumas pessoas, entre elas o empreiteiro Zuleido e Maria de Fátima Palmeira, diretora da Gautama.

"ACERTOU O ESQUEMA"

Neste diálogo, interceptado às 9h21 do dia 13 de julho do ano passado, o lobista Sérgio Sá fala abertamente de um acerto no Dnit, o órgão que cuida das estradas no país. Na conversa, o lobista, talvez convicto de sua impunidade, nem se dá ao trabalho de falar por códigos ou usar frases cifradas. Ele conta a Maria de Fátima Palmeira, diretora da Gautama, que esteve com o diretor do Dnit, Mauro Barbosa, e que o acerto está feito: o dinheiro vai ser liberado – ou "delegado", como se diz no jargão – para a Rodovia BR-020. A Engevix, de Sérgio Sá, faz o projeto, e o restante fica por conta da Gautama. Tudo muito simples.

Sérgio Sá: Eu tive ontem com o Mauro, no Dnit. Acertou já a delegação. Nós, a Engevix, vamos fazer o projeto básico e o executivo. Acertou o esquema da obra lá para vocês.

Fátima: Tá jóia, fechado.

"CONVERSAMOS BASTANTE"

Esta conversa entre o lobista Sérgio Sá e o dono da Gautama, Zuleido Veras, transcorreu às 22h43 do dia 12 de julho de 2006. A gravação mostra a naturalidade com que o lobista se encontrava com o então ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, e tratavam de assunto que deveria ser sigiloso, como editais de licitações.

Zuleido: E aí?

Sérgio Sá: Foi tudo tranqüilo. Estivemos lá com o Silas. Tava tudo já encaminhado dentro da Eletrobrás com relação ao resto do dinheiro do Luz para Todos. Conversamos bastante sobre a questão dos editais. (...) Foi uma visita boa no final de tarde.

Zuleido: Humm...

"É UM ABSURDO"

Nesta conversa, gravada às 12h25 do dia 29 de agosto do ano passado, o lobista Sérgio Sá fala com o empreiteiro Zuleido Veras. Ele diz que o então ministro

Adylson Motta, do Tribunal de Contas da União, fará uma reunião em sua casa com o procurador-geral do tribunal, Lucas Furtado. O assunto é um caso em que a Gautama estava enrolada. Neste diálogo, tudo é estranho: ministro recebe lobista, ministro convoca procurador, procurador se explica, lobista reclama... A conversa sugere que se trata de uma quadrilha capaz de manipular decisões do TCU.

Sérgio Sá: Adylson chamou Lucas na casa dele à 1 e meia. Tenho que chegar um pouco antes. Deixa o celular ligado que te informo.

Zuleido: O.k.

Horas mais tarde, às 16h56, o lobista comenta com Fátima Palmeira, diretora da Gautama, o teor da reunião na casa do ministro Adylson Motta.

Sérgio Sá: O Lucas levou só os pareceres dos processos. Quando cheguei lá, o Adylson leu e ficou p... para c... Ele falou assim: "Faz de conta que eu não vi isso."

Fátima: É um absurdo!

Sérgio Sá: E tem outra, né? Combinado é combinado.

INVESTIGAÇÃO | 27/05/2007 - 04:41

Deputado cassado garante que mensalão não existiu

Romilson Dourado

Em entrevista ao RDNews, ex-ministro da Casa Civil nega acusação de líder de quadrilha, aposta que será inocentado pelo STF e garante que Lula fará o sucessor

    O ex-deputado e ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, principal articulador político do governo Lula até vir a ser cassado em 2005 com o escândalo do mensalão, disse que provará sua inocência no Supremo Tribunal Federal. Reclama do porquê do processo não ter sido julgado ainda. Em seguida, destaca que pedirá anistia à Câmara dos Deputados. Ex-presidente nacional do PT, Dirceu se defende das acusações, entre elas de que seria líder de uma quadrilha junto com outras 30 pessoas, conforme denúncia feita pelo Ministério Público Federal. Assegura que o mensalão não existiu.

     Após perder o mandato, Dirceu montou um  blog, abriu escritório de advocacia e de consultoria.  O ex-parlamentar afirma não ganhar os R$ 150 mil mensais, como a revista Veja destacou, mas, também não reclamou da questão financeira. Diz que tem trabalhado muito. O ex-ministro chegou a Cuiabá neste sábado. Esteve em dois eventos. No início da noite, participou de uma reunião com dirigentes petistas da Baixada Cuiabana. Mais tarde, jantou com jornalistas-editores e com lideranças do PT do Campo Majoritário, como o deputado federal Carlos Abicalil, os estaduais Alexandre Cesar e Ságuas Moraes, o vereador por Cuiabá Lúdio Cabral e o prefeito de Barra do Bugres, Aniceto Miranda. Neste domingo, Dirceu debate com colegas petistas, em reunião fechada.
  José Dirceu falou ao RDNews. Ele condena a campanha pelo fim da reeleição, considera que Lula fará o sucessor, descarta aliança PT-PSDB, mesmo havendo "namoro" entre o presidente e o governador mineiro Aécio Neves, evita comentar a indicação do nome de Luiz Pagot para o Dnit e elenca propostas que considera primordiais para o país crescer.

   Leia a seguir a entrevista completa com o ex-ministro José Dirceu.

*

RDNews - Após ter o mandato cassado, o sr virou consultor. Presta consultoria também para o presidente Lula?
José Dirceu
- Não. Sou ex-ministro, ex-presidente do PT e ex-deputado. A minha relação com o presidente é de amizade, de companheirismo. Eu não participo do governo e nem da direção do PT. Participo da vida política do país porque sou militante, sou liderança, tenho peso político, mas não exerço nenhum papel que eu exerci no passado.
RDNews- O sr lançou um blog na internet. É um novo momento da sua vida?
Dirceu
- É um novo momento na minha vida, totalmente novo porque, não só estou com o blog, como também sou consultor e advogado e voltei a percorrer o Brasil todo, levando a minha mensagem como eu sempre fiz durante toda a minha vida e reorganizei a minha vida familiar. Estou morando em Vinhedo, fora de São Paulo, tenho uma filha morando comigo. O Imposto de Renda acabou a investigação sobre minha vida e me inocentou. NO caso Santo André, o irmão do Celso Daniel que me acusava se retratou em juízo. No Caso Waldomiro Diniz, fui inocentado em dois inquéritos, em duas CPIs. Agora eu quero ser julgado pelo Supremo e tenho certeza de que vou ser inocentado e aí vou lutar pela minha anistia na Câmara (dos Deputados).
RDNews - Mas no episódio do mensalão, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, denunciou o sr por formação de quadrilha junto com outras 39 pessoas?
Dirceu
- De fato, em 27 de maio de 2005, o procurador-geral da República me acusou de ser chefe de uma quadrilha de 40 pessoas que tinham (influências) nos setores financeiro,publicitário e publicitário. A questão é que eu não era nem deputado, nem dirigente do PT. Eu era ministro e na Casa Civil não há nenhuma acusação contra mim, nem no inquérito. Não há prova contra mim. Eu vou ser inocentado. Agora é grave porque eu fui acusado e não se julga. Eu quero é que julgue. Eu tenho 40 anos de vida pública e nunca fui acusado de nada. Quero que eu seja julgado porque não posso ter virado bandido do dia para a noite.
RDNews- Vai então buscar a anistia?
Dirceu
- Eu tenho apoio em todo o país. Todo mês eu viajo para dois ou três Estados. Já faz três meses que estou viajando e, tirando os Estados onde eu sempre estou, como São Paulo, Rio, Minas e Brasília, estou visitando todos os outros. Tenho apoio para fazer campanha de anistia e para coletar milhões de assinaturas. Agora, primeiro, prefiro ir ao Supremo.
RDNews - O mensalão existiu?
Dirceu
- Não houve mensalão e nunca se provou que existiu. O que houve foi transferência de recursos que o PT tinha para partidos políticos para a campanha eleitoral de 2004 e, assim, pagar dívida da campanha de 2002. Isso já está documentado e o PT está respondendo pelo caixa 2, pelos empréstimos bancários, não os legais, na Justiça Comum e na Eleitoral Vários dirigentes do PT foram afastados. Agora, outra coisa foi a tentativa de desestabilizar e derrubar o presidente Lula, uma tentativa também de desconstituir o PT. Não é verdade e nem há prova que havia recursos públicos e ninguém se enriqueceu com isso. Os recursos eram para a campanha eleitoral e, no meu caso, eu não tive nenhuma participação.
RDNews - A cassação do seu mandato então foi por uma questão política?
Dirceu
- A minha cassação foi política. A Câmara sabe, os deputados sabem. Eles sabem que não havia nenhuma prova de que eu quebrei decoro parlamentar. Eu respondi pela história da esquerda, do PT, pelo governo Lula, enfim, fui cassado pelo que eu representava e é por isso que eu tenho até honra.
RDNews - O que é preciso fazer para o país crescer?
Dirceu
- O que o presidente está fazendo. O Programa de Aceleração do Crescimento, o Programa de Desenvolvimento da Educação, baixar os juros, aumentar os investimentos, diminuir os impostos, melhorar a infra-estrutura, a gestão pública, fortalecer o mercado interno, integrá-lo à América do Sul e defender o Brasil no mundo. Acredito que o Brasil está no caminho do crescimento, tanto que todos os índices são de queda da inflação, de crescimento da economia, do emprego, da renda, mais investimentos externos, mais reservas para o Brasil e menor risco.
RDNews - Então, não existem problemas?
Dirceu
- Os problemas que temos são o juro e o câmbio. Precisa baixar o juro para colocar o câmbio no lugar certo. Precisa melhorar a eficiência da gestão pública para fazer os investimentos em infra-estrutura e resolver problemas que o presidente está tentando com o PAC.
RDNews- Lula fará o sucessor, em 2010?
Dirceu
- Lula será o grande eleitor. O PT será o principal partido na sucessão e há condições de eleger o candidato da coalizão em 2010. Até porque, para se ter uma idéia, o Brasil criou 710 mil empregos em quatro meses, enquanto Fernando Henrique, em quatro anos, criou 800 mil. Vamos criar mais de 1,6 milhão de empregos este ano. Acredito que neste segundo mandato o presidente vai criar 8 milhões de empregos formais. O Brasil vai mudar completamente, principalmente se nós conseguirmos fazer a reforma política e tributária. Esse sistema político com essa estrutura de orçamento que nós temos e estrutura de gestão, facilita e viabiliza toda forma de corrupção que estamos vendo. Tem que ter fidelidade partidária, financiamento público e voto em lista. Precisamos acabar com as emendas individuais e fazer orçamento impositivo e melhorar a gestão pública. Se fizermos isso o Brasil vai crescer.
RDNews - Por que o sr agora resolveu pedir prioridade aos jovens?
Dirceu
- Porque hoje metade do desemprego no Brasil é de jovens. São 1,3 milhão de jovens analfabetos. Metade dos jovens em idade escolar estão fora da escola. Precisamos fazer um grande esforço. Primeiro, investimento em lazer, cultura e esporte nas periferias, além de investimentos na infra-estrutura, transporte, saneamento e habitação, além de criar empregos. Acho que todos os partidos, todas as organizações sociais e igrejas deveriam fazer um mutirão em defesa da juventude, que deve ser prioridade nos próximos 10 anos no Brasil.
RDNews - Porque é contra o fim da reeleição?
Dirceu
- Porque é um casuísmo, como foi a reeleição. Agora, nós já aprovamos a reeleição. Quem disse que a reeleição deu errado! Ah, o governante que está no poder vai usar a máquina! E você acha que ele não vai usar (a máquina) para apoiar outro candidato do partido dele? Então, o problema não é a reeleição. O que se deve é acabar com o uso da máquina. É reprimir isso, fazer legislação para impedir ou desincompatibilizar seis meses antes o prefeito, governador e presidente. Acho que é um casuísmo que interessa ao PSDB, porque o Aécio pode fazer um acordo com o Serra, um para 2010 e outro para 2014.
RDNews - Não há um acordo entre PT e PSDB, já que Lula e Aécio estão bastante próximos?
Dirceu
- Não vejo nenhuma possibilidade. O PT jamais apoiaria um candidato do PSDB. O PT ou vai ter candidato próprio ou vai apoiar o candidato da coalizão. Não vejo como o PT apoiar alguém que não faça parte do nosso projeto, da história, não tem os mesmos objetivos que nós e nem tem as mesmas políticas que nós temos e nem vai dar continuadade à obra do presidente Lula.
RDNews - O PT não precisa ser reconstruído?
Dirceu
- Que o PT faça o terceiro congresso em setembro, faça eleição de sua direção em dezembro, se renova e se refaça. Já tem as bandeiras próprias. Deve mobilizar a sociedade com essas bandeiras como, por exemplo, da reforma pólitica, da juventude, da democratização dos meios de comunicação, da integração da América do Sul, do apoio ao PAC, do Programa de Desenvolvimento da Educação e, principalmente, que o PT se renove. Precisa abrir o partido para a militância, fortalecer os diretórios municipais, a comunicação do partido, a formação política, ter uma escola de governo e de formação politica, ampliar sua direção com os presidentes dos diretórios regionais que são eleitos diretamente, criar um conselho nacional com representação dos movimentos dos parlamentares, prefeitos e governadores para que possa orientar o partido a cada quatro meses. Criar um conselho fiscal independente para acompanhar as contas do PT. O PT pode fazer várias mudanças para se transformar num partido mais forte. É o maior partido do Brasil. Foi o mais votado para Câmara dos Deputados, mas precisa ter 25% dos votos em 2010 e não 17%.
RDNews - Que nome o sr apóia para renovação da direção nacional, o do atual presidente Ricardo Berzoini?
Dirceu
- Essa é uma questão que não foi discutida ainda nem pela chapa Construindo um Novo Brasil porque o Campo Majoritário já não existe mais como antes. Estou participando só como filiado e militante. Mas eu acredito que, se o presidente Berzoini disputar a reeleição, ele terá o meu voto. Se ele não concorrer, acho que vamos buscar uma nova liderança mais jovem, mais contemporânea. Existem muitos nomes no PT para isso.
RDNews - O sr. não pretende retomar à direção nacional?
Dirceu
- Eu não vou ser mais dirigente do PT. Já fui sete anos presidente e sete como secretário-geral e acho que já cumpri o meu papel.
RDNews - Cadê as promessas do presidente Lula para MT, principalmente na área de infra-estrutura?
Dirceu
- Acho que as três principais rodovias estão no PAC, uma delas a BR-163,que liga MT ao Pará. Acredito que a ferrovia virá até Rondonópolis e, depois, a Cuiabá. Isso nós vamos viabilizar.
RDNews - Como avalia a indicação de Luiz Pagot para a direção-nacional do Dnit?
Dirceu
- Essa questão de nome é mais com o presidente e o ministro Alfredo Nascimento (Transportes). Acho que todos os nomes que o MT, o governador Blairo e o PT tiver para oferecer para o presidente com experiência, competência e com história de vida correta devem ser aproveitados, até porque é preciso que MT tenha representação no governo federal.

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INVESTIGAÇÃO | 26/05/2007 - 08:50

19 exploradores de madeira continuam presos

Romilson Dourado

  Dezenove pessoas acusadas de explorar ilegalmente madeira no Parque Nacional do Xingu vão continuar presas. Acatando ao pedido do Ministério Púlico Federal, o juiz federal Julier Sebastião da Silva, da 1ª Vara de Cuiabá, decretou a preventiva dos acusados presos na Operação Mapinguari na região norte do Estado. A maioria está recolhida na cadeira de Sinop (a 500 km da Capital).
    Em seu despacho, o magistrado destaca que é necessária garantir a coibição da exploração de forma ilícita de produtos florestais do parque, em nome “da ordem pública, econômica, conveniência da instrução criminal e da aplicação penal”. Para a Justiça, a manutenção das prisões "propiciará o desenvolvimento e conclusão de todos os atos próprios ao inquérito policial, impedindo o desaparecimento de provas, identificando-se os envolvidos e difinindo-se as responsabilidades de cada um dos membros da quadrilha".
    Dos 33 pedidos de prisões feitos pelo MPF, 14 foram indeferidos pela Justiça. Dez estão foragidos e um obteve habeas corpus.

Madeireiros presos
Vlademir Canello
Gilmar Meyer
Reinhard Meyer
Gilberto Meyer
Arildo Bona
Dário Leobert
Gleomar Henrique Graf
João Paulo Faganello
Cassiano Zimmermann
Leandro Bali
Arrendatários de terra presos
Luciene Francio Garaffa
Gilvan José Garaffa
Flávio Turquino
Índios na cadeia
Ararapan Trumai
Maitê Trumai
Servidores públicos
Vanderlei Cardoso de Sá
Carlos Henrique Bernardes
Vilmar Ramos de Meira

Foragidos
Fábio Jean Ludke
Gleiçon Benedito de Figueiredo
Custódio Bona
Altair Bona
Ângelo Roberto Faganello
Sérgio Edgar Zimmermann
Gaucho Trumai
Hulk Trumai
Itaqui Trumai
Mirim Trumai
Liberados
Ilton Vicentini
Ivo Vicentini
João Ismael Vicentini
Mauro Lúcio Matricardi

INVESTIGAÇÃO | 25/05/2007 - 08:50

No reencontro com famíla, emoção, choro e raiva

Romilson Dourado

Prefeito de Sinop, que ficou 4 dias preso, se diz traumatizado

    O prefeito de Sinop (a 500 km ao Norte de Cuiabá), Nilson Leitão (PSDB), acusado de fraudes e de receber propina da construtora Gautama, ainda está traumatizado com sua prisão. Na primeira entrevista coletiva concedida nesta quinta, após ganhar a liberdade, Leitão ficou com a voz embargada quando lembrou a forma como agentes da Polícia Federal invadiram sua casa na manhã do último dia 17. Fez pausa por alguns segundos e quase chorou. Os aliados que acompanharam a entrevista garantem que foram fortes emoções. Nada de lágrimas de crododilo.

   Os seus dois filhos, um de 4 e outro de 2 anos, estavam dormindo. A esposa, primeira-dama Renata Pauli Leitão, está grávida. Os agentes, segundo o prefeito, já chegaram revirando os colchões das camas à procura de objetos e de supostas provas para incriminá-lo, criando ambiente de pânico.

   Algemado, Leitão foi conduzido pela Polícia Federal a Cuiabá e, em seguida, para Brasília. Foi liberado na segunda à noite, quatro dias depois, assim que prestou depoimento perante a ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça. Já de volta a Sinop na terça (22) pela manhã, Leitão foi recepcionado pelos familiares, entre eles os irmãos Glaucio, Adriana, Cláudia e Paula e a mãe Nice. Emocionados, todos caíram em prantos. Se mostraram revoltados com a ação da PF.

   O prefeito garante que seu patrimônio se resume a uma casa financiada, construída no ano passado, um veículo Fiat Stilo, ano 2005, também financiado, e está prestes a concluir o financiamento de uma picape Strada, ano 2003, de sua esposa.

   Nilson Leitão negou as acusações de envolvimento em fraudes e de recebimento de propina. Diz também que as gravações feitas pela PF em que aparece conversando com o empreiteiro da Gautama, Zuleido Veras, em Brasília, não o compromete em suposto esquema de irregularidade, muito menos o relatório, no qual a ministra Eliana se baseou para pedir sua prisão.

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INVESTIGAÇÃO | 24/05/2007 - 16:34

3 senadores de MT não assinam CPI das propinas

Romilson Dourado

  Até agora nenhum dos três senadores mato-grossenses assinou o requerimento para a criação a CPMI com vistas a apurar o desvio de dinheiro  em obras públicas revelado pela Operação Navalha. Grave o nome deles: Serys Marly (PT), Jonas Pinheiro (DEM) e Jaime Campos. Independente da bancada de MT, já chega a 29, dois a mais do que o mínimo exigido, o número de senadores que assinaram a lista. O grupo  suprapartidário que está recolhendo as assinaturas divulgou lista a lista - confira os nomes logo abaixo

   Na Câmara, faltam menos de 20 nomes para completar o número mínimo de 171 assinaturas  de deputados no requerimento. Os coordenadores acreditam que esse número será  atingido até esta sexta (25), mas querem ter uma reserva de assinaturas e, portanto,  deverão protocolar o requerimento de CPMI apenas na próxima semana.

    No Senado, o PSDB foi o partido que mais forneceu assinaturas: 12. Na bancada  do DEM, foram oito senadores que assinaram o pedido; na do PMDB, cinco; do PDT,  dois; e do PT e do PSOl,  um de cada partido.

Os senadores que assinaram o pedido de CPMI:

PSDB
Mário Couto (PA)
Cícero Lucena (PB)
Tasso Jereissati (CE)
Flexa Ribeiro  (PA)
Lúcia Vânia (GO)
Eduardo Azeredo (MG)
Marisa Serrano (MS)
Marconi Perillo  (GO)
Arthur Virgílio (AM)
Sérgio Guerra (PE)
Wilson Matos (PR)
Papaléo  Paes (AP)
DEM
Heráclito Fortes (PI)
Demóstenes Torres (GO)
César Borges (BA)
Rosalba  Ciarlini (RN)
José Agripino (RN)
Raimundo Colombo (SC)
Antonio Carlos Magalhães  (BA)
Adelmir Santana (DF)
PMDB
Jarbas Vasconcellos (PE)
Pedro Simon (RS)
Geraldo Mesquita (AC)
Mão  Santa (PI)
Almeida Lima (SE)
PSOL
José Nery (PA)
PDT
Jefferson Peres (AM)
Osmar Dias (PR)
PT
Delcídio Amaral (MS)

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INVESTIGAÇÃO | 24/05/2007 - 10:00

PF faz terrorismo com a democracia, diz Mendes

Romilson Dourado

  Com seu estilo polêmico, o ministro mato-grossense de Diamantino, Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, detonou a Polícia Federal, para quem agiu com métodos fascistas na Operação Navalha. Entre as 45 pessoas presas semana passava estavam o prefeito de Sinop, Nilson Leitão (PSDB) e o ex-secretário municipal, Jair Pessini.
    Para Mendes, foi uma canalhice o vazamento de informações pela PF sobre inquérito que tramita em segredo de Justiça. Ele responsabilizou o ministro Tarso Genro (Justiça) pelo vazamento de informações da Operação Navalha.

   "É responsabilidade do ministro da Justiça responder por esses vazamentos. Eu disse hoje ao ministro Tarso que esse tipo de prática revela uma canalhice. Não podemos brincar com as pessoas sérias do país", criticou. Mendes afirmou que a PF vem fazendo "terrorismo com a democracia" ao divulgar informações sigilosas em conta-gotas. "É cinismo falar em segredo de Justiça nesse momento. Cínico é o quadro que vivemos no país. É uma lógica absolutamente totalitária. Então, rasguem a Constituição."
 Clique aqui e leia mais sobre o assunto.

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INVESTIGAÇÃO | 23/05/2007 - 23:12

Prefeito dirá que ministra admite falta de provas

Romilson Dourado

    O prefeito de Sinop Nilson Leitão (PSDB), que ficou quatro dias preso sob acusação de cometer fraudes em licitação,  vai usar como um dos argumentos na defesa pública de sua honra um comentário feito no blog de Ricardo Noblat nesta quarta à noite.

   Primeiro, o jornalista destaca que a Operação Navalha prendeu 47 pessoas na quinta-feira da semana passada e que até agora 26 haviam sido libertadas, cinco por ordem do ministro Gilmar Mendes e as demais por ordem da ministra Eliana Calmon, o jornalista. Segundo, que "a pelo menos dois presos interrogados por ela (ministra Eliana), um deles o prefeito de Sinop, a ministra pediu desculpas um tanto constrangida. Admitiu informalmente que eram inconsistentes as provas que levaram à prisão dos dois".

    Essas observações que teriam sido feitas pela ministra, responsável pelo pedido de prisão dos 45 acusados, vão ser exploradas ao máximo pelo prefeito e também pelos demais tucanos. Leitão contesta as investigações da Polícia Federal, que o aponta como suposto recebedor de R$ 200 mil de propina da empreiteira Gautama. Trata-se da empresa que venceu a licitação milionária para construir rede de esgoto em Sinop e que agora está no olho do furacão. Seu proprietário, empresário Zuleido Veras, está preso.

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INVESTIGAÇÃO | 23/05/2007 - 09:00

Em depoimento, prefeito menciona 2 deputados

Romilson Dourado

   O prefeito de Sinop Nilson Leitão (PSDB) citou dois deputados federais mato-grossenses em seu depoimento junto à ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça. Eles teriam sido interlocutores de Leitão junto à construtora baiana Gautama, do empresário Zuleido Veras, apontado pela Polícia Federal como chefe de uma organização criminosa especializada em fraudar licitações públicas e receber recursos de obras nunca realizadas.

    Os nomes dos dois parlamentares são preservados. No depoimento, segundo revelou o prefeito a interlocutores, ele não chegou a comprometer os dois deputados sobre suposto envolvimento em fraudes ou esquema de propina. Citou apenas que atuavam na articulação de emendas e na canalização de obras para a empreiteira. Tanto o processo envolvendo Leitão quanto em relação aos outros 44 presos semana passada na Operação Navalha correm em segredo de Justiça.

   Nilson Leitão ganhou a liberdade na segunda à noite, após prestar depoimento no STJ. Ele foi acusado nas investigações da Polícia Federal de manobrar uma licitação para beneficar a Gautama na implantação da rede de esgoto em Sinop e, em troca, receber R$ 200 mil em propina. As obras iriam começar esta semana, com liberação de recursos pelo BNDES. As negociações teriam intermédio do ex-secretário Jair Pessini, que também foi preso e, quatro dias depois, liberado junto com o prefeito.

    O tucano se prepara para uma entrevista coletiva nesta quinta. Virá a público se defender das acusações. Dirá que é inocente e que provará que não tem qualquer envolvimento com a quadrilha.



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