Sexta, 25 de Maio de 2012, 14:33 h

Artigo | 06/12/2011 - 00:00

Terra: um planeta generoso

Olga Lustosa

Olga Lustosa    Não há dúvidas de que o Planeta Terra tem sido um Planeta generoso. Tudo o que os humanos precisam para sobreviver e prosperar tem sido naturalmente providenciado; alimentos, água, plantas medicinais, materiais para construção de abrigo, e até o clima e esses presentes são chamados pelos cientistas de serviços ecossistêmicos.

   No momento atual da vida estamos tão desconectados do mundo natural que é, às vezes, conveniente esquecermos que a natureza permanece generosa como sempre, mesmo quando maltratada. O aumento tecnológico e industrial pode ter nos distanciado superficialmente da natureza, mas não tem mudado nossa dependência do mundo natural: a maioria dos bens que usamos e consumimos diariamente são produtos resultados de múltiplas interações depois de extraídos da natureza, e muitas destas interações estão em perigo. Além de bens físicos, o mundo natural providencia embora menos perceptível, presentes como a beleza, arte e espiritualidade.

   A natureza tem nos dado sem cobrar nada em troca. Não há no mundo substância física que humanos possam precisar mais do que água potável: sem água podemos sobreviver por apenas alguns dias. Enquanto a poluição e o desperdício ameaçam várias fontes de água potável do mundo. Ecossistemas saudáveis de água fresca - bacias hidrográficas, pantanais e florestas limpam naturalmente a poluição da água. De acordo com pesquisas, quanto maior a biodiversidade no ecossistema, a água será purificada mais rápida e de forma mais eficiente. Várias plantas precisam de outras espécies para mover as sementes da planta-mãe para um novo solo. As sementes são espalhadas por uma variedade incrível de "trabalhadores": pássaros, morcegos, roedores, elefantes, antas, e até peixes, como prova a recente descoberta de pesquisadores. Dispersão de sementes é especialmente importante em florestas tropicais onde a maioria das plantas dependem de animais para se mover.

   Quase todas as pragas têm inimigos naturais. A perda, ou mesmo diminuição dos predadores que naturalmente se alimentam de pragas pode ter impactos massivos na agricultura e no ecossistema.

   O chão sob nossos pés importa mais do que costumamos pensar. Solo fértil e saudável proporciona ótimos lares para plantas, enquanto promovem uma série de ciclos naturais: da reciclagem dos nutrientes à purificação da água. Embora o solo seja renovável, ele também é sensível ao uso excessivo e degradação, que são geralmente causados pela agricultura industrial, poluição e fertilizantes. Vegetação natural e qualidade de solo também atenua o excesso de erosão, que pode ter impactos dramáticos da perda das terras agrícolas e litorais que podem simplesmente desaparecer dentro do mar.

    Além de tudo isso natureza é nosso mais grandioso armário de medicamentos: até à data de hoje, ela tem provido a humanidade com uma infinidade de medicamentos que salvam vidas. Não há dúvidas de que medicamentos adicionalmente importantes ainda dormem inexplorados no ecossistema mundial. Na verdade, pesquisadores estimam que menos de 1% das espécies conhecidas mundialmente têm sido completamente inspecionadas por seus valores medicinais. No entanto os ecossistemas que têm oferecido algumas das drogas mais importantes e promissoras do mundo são as florestas tropicais, pântanos e recifes de corais. Portanto preservar ecossistemas e espécies hoje pode beneficiar e mesmo salvar milhões de vidas.

   Mas além de fazer o mundo um lugar menos solitário, menos chato, e mais bonito - razões admiráveis por si mesmas -, muitos dos serviços proporcionados pela biodiversidade são similares àquelas providenciadas por toda a natureza. Biodiversidade produz alimentos, fibras, produtos de madeira, limpa a água, controla pragas na agricultura e dispersa as plantas do mundo, e providencia recreações de contemplação. E o mundo natural ajuda a regular o clima da Terra. Um estudo recente descobriu que a floresta Amazônica atua como sua própria biorreatora, produzindo nuvens e precipitações através da abundância dos materiais vegetais na floresta.

   Na costumeira tensão entre a economia e o ambiente, por exemplo, um fator é geralmente negligenciado: o meio ambiente sustenta toda a economia ambiental. Sem solo fértil, água potável, florestas saudáveis e clima estável, a economia do mundo enfrentaria desastres. Ao pôr em perigo o meio ambiente, nós comprometemos a economia também.

   Há que se levar em conta o relacionamento da natureza com a espiritualidade humana. Na maioria das religiões do mundo, o mundo natural é devidamente reverenciado. Na Cristandade, o paraíso terrestre existia em um jardim, enquanto Noé . Budistas acreditam que todo tipo de vida é sagrada e merece compaixão. Para os Hindus cada pedaço da natureza é relacionada a uma divindade. Os muçulmanos acreditam que o mundo foi criado por Alá e foi dado aos humanos somente como um presente para ser mantido em confiança.

    Culturas Indígenas do mundo inteiro celebram a natureza como se fosse sua mãe. Enfim, para entender melhor a importancia real da natureza para o espírito humano, basta passar um tempo a sós, contemplando a imensidão da vida natural. Na verdade ninguém precisa ser religioso para entender a importância da natureza para o espírito humano. Porém a partir do momento, que o ser humano se conscientizar da importância de suas atitudes para o equilíbrio da natureza, estaremos construindo um mundo melhor e em sinergia com o generoso planeta.

    Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e acadêmica de Ciências Sociais pela UFMT e escreve exclusivamente neste blog toda terça-feira - olga@terra.com.br

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Artigo | 05/12/2011 - 00:00

Vazio na política cuiabana - parte I

Vinicius de Carvalho

Vinicius de Carvalho    Uma das questões mais debatidas sobre a política cuiabana nos últimos tempos é o vácuo de lideranças. Nas eleições de 2008 para a Câmara Municipal o percentual de renovação foi de 42,1% e, em 2010, nenhum vereador foi eleito deputado estadual. Isto contrariou uma tendência observada em muitas eleições, na qual pelo menos o presidente da Câmara Municipal ganhava a eleição para a Assembleia Legislativa. Ademais, houve também as inéditas cassações de mandatos de alguns parlamentares.

    Mas quais seriam as reais causas desta situação? O fortalecimento dos municípios do interior, tanto no plano econômico quanto no político? A chamada “descuiabanização” da política mato-grossense, que tem reduzido o peso de Cuiabá na dinâmica estadual? A dificuldade de Cuiabá em produzir bons quadros? O estilo de liderança de alguns dirigentes partidários, que atrapalharia o surgimento de candidatos com potencial?

    Uma fonte importante de respostas sempre será a história política recente de Cuiabá. Uma das máximas mais consagradas da política reafirma seu caráter coletivo, bem traduzido na seguinte frase: “política se faz em grupo”. Bem, o maior líder da política municipal é o prefeito. Portanto, para compreendermos melhor a situação atual devemos olhar para o Palácio Alencastro.

    Desde o restabelecimento das eleições diretas em 1985, tivemos apenas 4 prefeitos eleitos, quais sejam: Dante de Oliveira, Frederico Campos, Roberto França e Wilson Santos. Destes, três foram eleitos duas vezes, o que já demonstra um baixo grau de competitividade política. A única exceção foi Frederico Campos, numa eleição atípica em 1988, quando as forças que apoiavam o então governador Carlos Bezerra se dividiram em três candidaturas. Roberto França, José Meirelles e Serys tiveram 61,4% dos votos válidos e Frederico Campos foi eleito com 38,6%, porque ainda não vigorava o mecanismo do 2º turno.

    Portanto, é possível dizer que o grupo do ex-governador Dante de Oliveira esteve presente na prefeitura durante quase todo este período, de forma direta (Dante e Wilson) ou em coligação com o grupo de Roberto França, uma vez que ambos estavam no PSDB e França recebeu o apoio de Dante nas duas eleições.

   Um fato interessante a ser observado é a presença de três vices no exercício da prefeitura neste intervalo de tempo, que assumiram em função de afastamento ou renúncia dos titulares. Estevão Torquato (Dante I), José Meirelles (Dante II) e Francisco Galindo (Wilson II) exercerão, somados, cerca de seis anos e meio, ou seja, quase dois mandatos. Isto nos leva a observar um segundo aspecto importante. Já que “política se faz em grupo”, onde estão os ex-prefeitos de Cuiabá e seus respectivos grupos? Em todos os municípios e, sobretudo nas capitais, os ex-prefeitos não apenas participam do processo, como exercem funções de liderança junto a seus respectivos grupos políticos.

    Basta olhar para o exemplo de Rondonópolis, em que vários ex-prefeitos são cogitados como candidatos em 2012. Carlos Bezerra, Rogério Salles, Percival Muniz e Adilton Sacheti chefiam grupos importantes no município e são lembrados. No caso de Cuiabá, isto não vem acontecendo, porque três dos ex-prefeitos são vices que assumiram e não formaram grupos significativos. Os demais não tiveram vida política expressiva após os mandatos, com exceção de Dante de Oliveira.

   Dante escapou a esta “maldição” porque não cumpriu os mandatos na íntegra, para exercer as funções de ministro e de governador do Estado. Já Roberto França, Frederico Campos e Wilson Santos tiveram resultados eleitorais bem inferiores ao seu capital político quando foram eleitos para a prefeitura. Mas porque isto acontece? Isto já é assunto para a próxima semana.

    Vinicius de Carvalho Araújo é gestor governamental do Estado, mestre em História Política, professor universitário escreve neste blog toda segunda-feira - vcaraujo@terra.com.br

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Artigo | 04/12/2011 - 00:00

Brasil Sorridente Indígena - uma realidade

Jackelyne Pontes

Jackelyne Pontes    O Ministério da Saúde, em parceria com a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), lançou em Brasília o Programa Brasil Sorridente Indigena com o objetivo de prestar assistência e atenção voltada para a saúde bucal destes que são os legítimos donos do nosso país, estes que por direito merecem um tratamento diferenciado, respeitando sua cultura, seus costumes, suas crenças, suas concepções de mundo: os indígenas.

   Esta é a primeira política nacional elaborada especial e especificamente para tratar da saúde bucal destes povos. Coloca-se aqui em prática um dos princípios do SUS (Sistema Único de Saúde), chamado equidade, que significa tratar de forma desigual os desiguais. Na primeira fase foram escolhidos três DSEIs (Distrito Sanitário Epeciail Indígena) como pilotos. Dentre os critérios para a escolha levou-se em consideração dados epidemiológicos e necessidades latentes de tais povos.

    Para atendê-los, formulou-se um protocolo diferenciado, levando em consideração fatores inerentes a cada etnia. Sendo assim foram escolhidos o DSEI Xavante (MT), Alto Rio Purus (AC/AM/RO) e Alto Rio Solimões (AM), que juntos têm uma população aproximada de 70 mil indígenas. Saber que o nosso Estado foi contemplado com um projeto tão ousado e tão necessário foi uma alegria.

    Um capacitação foi oferecida para os profissionais que atuarão em área, sendo eles cirurgiões-dentistas, ASB (Auxiliares de Saúde bucal), TSB (Técnico em Saúde bucal) e responsáveis técnicos, no período de 29 de novembro a 2 de dezembro deste ano, denominada Oficina Brasil Sorridente Indígena. Logo na abertura fui tomada por emoção indescritível. Agnelo Temrite, presidente do CONDISI (Conselho Distrital de Saúde Indígena), presenteou o secretário de Saúde Indígena com a sua borduna, de uso pessoal, que segundo ele lhe foi dada pelo avô no dia em que se tornou cacique.

    A borduna, símbolo de poder, importante instrumento bélico da cultura indígena, passou das mãos de um índio para um não índio, de chefe para chefe, de autoridade máxima para autoridade máxima, em sinal de confiança, respeito e fé. Em uma fala singela, recheada de esperança, Agnelo frisou que acredita no programa e que quer os profissionais cada vez mais próximos do seu povo, disse que a saúde bucal é de extrema importância e que o índígena não vê a boca separada do corpo, e sim em um contexto de totalidade. Foi uma “bordunada” no coração e na consciência de todos os profissionais envolvidos no processo. Confesso que fiquei tentada a voltar a atuar em saúde indígena, mais especificamente em área, convivendo de perto com esses povos que me são queridos.

   As dificuldades de acesso geográfico às aldeias são inúmeras. O deslocamento é feito de carro, barco ou avião, mas o que senti, e sinto, é uma imensa vontade de fazer o melhor por parte da equipe de 50 profissionais selecionados para essa capacitação. Trata-se de pessoas comprometidas e com espírito de equipe, com intenção de integrar-se, adaptar-se e acima de tudo de aprender, porque prestando serviço a estes povos somos bombardeados por doses absurdas de conhecimento, é de grande valia para a vida pessoal e profissional, sendo assim sempre uma troca saudável.

   Embora nesta primeira fase apenas três DSEIs serão beneficiados pelo projeto, o Ministério da Saúde reorganizará o atendimento integral em saúde bucal em todos os 34 DSEIs do país. Realmente tenho esperança de que o projeto será um sucesso. Claro que o quadro de saúde bucal indígena, que beira a calamidade, não será revertido como em um passe de mágica, mas eu tenho certeza de que este é um primeiro passo arrojado e fadado ao êxito. Tenho orgulho de dizer: eu estava presente, eu presenciei o conceber de um fato histórico, eu vi o índio presenciar o branco com a sua borduna! Eu vi o controle social ser ator de uma nova política de sáude pensada para o seu povo.

    Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, filiada ao Sinodonto-MT (Sindicato dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso) e escreve exclusivamente para este blog todo domingo - jackelynepontes@gmail.com

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Artigo | 27/11/2011 - 00:00

Sindicatos: instrumentos de luta

Jackelyne Pontes

Jackelyne Pontes   Todos sabemos que uma categoria profissional unida e bem representada é uma categoria forte. Essa representação política, institucionalizada, visando suprir as necessidades de uma classe, influencia e até mesmo pode determinar mudanças importantes em prol do grupo. Conquistas históricas foram alcançadas quando a junção de ideias aconteceram em torno de um ideal, um objetivo comum. Mas, atualmente, esse modelo de representação encontra-se desgastado por atender a interesses particulares, ser anti democrático e filiar-se a grupos econômicos e políticos resumindo o objetivo maior que é a busca do bem comum à politicagem.

    O sindicalismo é uma modalidade de representação profissional baseada na mobilização, na organização e nos princípios de coletividade, trabalhando para efetuar uma mudança na estrutura do poder organizacional e teve a sua origem na colonização dos países europeus, mais especialmente na Revolução Industrial, na luta de interesses econômicos entre sociedade detentora da máquina a vapor e do capital, que exploravam os trabalhadores, exigindo uma grande produção, em uma jornada árdua de trabalho, sem garantias ou estabilidade e sem amparo político.

    Hoje não precisamos ir muito longe para notarmos que a situação dos trabalhadores continua preocupante. A precarização do vínculo empregatício, as más condições de trabalho, a ausência de uma política de formação continuada, pois o profissional necessita de atualizar-se constantemente para oferecer um serviço de qualidade, e até mesmo a falta de respeito por parte dos gestores para com a categoria pode ser constada muito perto de os olhos: nos postos de saúde, nas clínicas odontológicas, nos pronto socorros, nos hospitais da rede pública, enfim, na rede de assistência à saúde pública.

    Com a deliberação de trabalhar visando as melhorias para a classe, levando em consideração a vontade do coletivo, e sabendo ser a união de idéias um forte instrumento para a gigantesca mudança estrutural e de postura dos gestores e da população em relação aos profissionais que dele fazem parte, e sabendo que se recebidos, ouvidos e principalmante respeitados obteremos uma resposta positiva para a sociedade, que é o nosso foco, é que o Sinodonto-MT (Sindicato dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso) vem arduamente trabalhando, na pessoa de sua presidente, de toda a diretoria e dos seus filiados.

    É o Sinodonto que dá suporte aos cirurgiões-dentistas do Estado em suas lutas e é um serviço dispendioso e, sendo o sindicato uma entidade sem fins lucrativos, depende quase que exclusivamente da contribuição sindical para sobreviver. Ou seja, quem dá condições de trabalhar em prol da classe é o próprio sindicalizado, que estando em dias com as suas obrigações faz de sua casa, pois o Sinodonto é a nossa casa, uma fortaleza.

    Sendo assim nós profissionais devemos nos filiarmos aos nossos sindicatos, nos inteirando de suas atividades, participarmos ativamente de sua rotina e nos envolvermos de maneira efetiva para que as conquistas da classe sejam sólidas, e só assim quando precisarmos chegar ao extremo de ter que vender pizza para continuarmos sobrevivendo e prestando serviços à categoria, o faremos de pronto, ou nem o precisaremos.

   Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, filiada ao Sinodonto-MT (Sindicato dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso) e escreve exclusivamente para este blog todo domingo - jackelynepontes@gmail.com

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Artigo | 26/11/2011 - 00:00

A lição do fogo

Andre Bellucci

André Bellucci    Certa vez li a seguinte parábola:

    Um membro de determinado grupo, ao qual prestava serviços regularmente, sem nenhum aviso, deixou de participar de suas atividades. Após algumas semanas, o líder daquele grupo decidiu visita-lo. Era uma noite muito fria. O líder encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante da lareira, onde ardia um fogo brilhante e acolhedor.

    Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas-vindas ao líder, conduziu-o a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando. O líder acomodou-se confortavelmente no local indicado, mas não disse nada. No silêncio sério que se formara, apenas contemplava a dança das chamas em torno das achas de lenha, que ardiam. Ao cabo de alguns minutos, o líder examinou as brasas que se formaram e cuidadosamente selecionou a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado. Voltou a sentar-se, permanecendo em silencio e imóvel.

    O anfitrião prestava atenção em tudo, fascinado e quieto. Aos poucos, a chama da brasa solitária diminuía, até que houve um brilho momentâneo e seu fogo se apagou de vez. Em pouco tempo, o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de um negro, frio e morto pedaço de carvão recoberto de uma espessa camada de fuligem acinzentada. Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os dois amigos. O líder, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil, colocando-o de volta no meio do fogo. Quase que imediatamente ele tornou-se incandescente, alimentado pela luz e calor dos outros carvões ardentes em torno dele. Quando o líder alcançou a porta para partir-se, o anfitrião disse:

  - Obrigado. Por sua visita e pelo belíssimo sermão. Estou voltando ao convívio do grupo.

    Não é incomum em nossas vidas nos afastarmos de pessoas que de alguma maneira haviam nos ajudado a ser o que nos tornamos. Também não é incomum, como lideres, deixarmos as pessoas partirem. Dale Carnegie dizia que você precisa aprender a dramatizar as suas ideias. Não para se aproveitar das outras pessoas, mas para acessá-las de uma maneira capaz de fazer com que elas passem a cooperar com o grupo novamente. A maioria dos funcionários ou colaboradores que por algum motivo não estão produzindo como antes perderam o seu entusiasmo em relação à empresa ou ao gestor.

   Cabe a nós como lideres ajuda-los a encontrar esse entusiasmo, cabe a nós aquece-los novamente e despertar a chama interna que existe em cada um deles. Todas as vezes que uma pessoa se desliga da nossa empresa todos perdemos. Até porque é menos uma pessoa para lutar pelo nosso ideal. Durante essa semana olhe para os seus colaboradores, pessoas de sua igreja, família ou comunidade. E se puder, dedique algum tempo a trazê-los de volta ao convívio do grupo. Quem sabe assim, conseguiremos devolver a vida e o entusiasmo a pessoas que só querem uma nova chance para se sentir parte da equipe.

     André Luiz Bellucci é empresário, trainer da Dale Carnegie Training em Cuiabá e escreve neste blog todo sábado - engbellucci@uol.com.br

Artigo | 25/11/2011 - 00:00

Problemas na saúde também no setor privado

Rosângela Cadidé

Rosângela Cadidé    No ranking de reclamações do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) lideram os planos privados de saúde. Entidades médicas relatam que, nos últimos anos, ganhou força o fenômeno do "descredenciamento" de médicos e hospitais, pois os planos de saúde repassam um valor irrisório por consulta. Assim, muitos profissionais e instituições gabaritadas recusam-se, em número crescente, a compor as redes de planos de saúde e a qualidade, que já deixa a desejar, tende a piorar. Para ser sincera, penso que o setor privado de saúde vive hoje uma crise que em quase nada difere do setor público, pois temos dificuldades para marcar consultas e hospitais lotados.

   Saber que o sistema de saúde do nosso país é precário todos nós sabemos, mas de chegar ao ponto do setor privado deixa a desejar. É porque caminhamos para um verdadeiro caos. Todos os fatos acima relatados, pude constatar e aproveito este espaço para expor a minha indignação, a exemplo de tantos outros cidadãos que passaram pela mesma situação. E que muitas vezes permanecem no anonimato.

   Neste mês tive problemas com a minha saúde e se não bastasse isso, encontrei inúmeras dificuldades para conseguir atendimento médico. Tive enxaqueca e os sintomas decorrentes dela por vários dias e a medicação que foi prescrita anteriormente pelo neurologista, para tomar quando a dor começasse, não estava resolvendo. Sendo assim, resolvi marcar uma consulta, mas o médico estava viajando e só retornava em dezembro. Procurei outros neurologistas e, para minha surpresa, descobri que não atendiam pelo meu plano de saúde. Além disso, nem pagando a consulta tinha vaga. Alguns só teriam vagas a partir de janeiro. Agora para quem está precisando no momento não iria aguentar esperar tanto.

    Lembrei que todo médico é clínico-geral, independente de sua especialidade, e liguei para o consultório do meu ginecologista que ,além de não ter vaga, descobri que ele não estava mais atendendo pelo meu plano de saúde. Depois de várias horas ligando no celular dele, expliquei a situação e consegui com que me atendesse depois de todos os seus pacientes. Paguei a consulta. Fui para o consultório às 17 horas e sai de lá quase 22 horas. Pediu que fizesse alguns exames, pois os sintomas da enxaqueca estavam semelhantes ao de uma gravidez. Ao término da consulta, perguntei a ele por que não estava atendendo pelo plano de saúde. Ele apenas confirmou o que eu imaginava: financeiramente não estava compensando.

    Ao aguardar os resultados dos exames, um dia antes do feriado 15 de novembro, meu estado de saúde agravou um pouco decorrente de uma febre que não “passava”. Assim, resolvi procurar o hospital conveniado ao meu plano de saúde e sinceramente tive a impressão que estava sendo atendida num hospital público. Primeiro, a atendente me disse que não tinha plantonista. Perguntei a ela se estavam em greve e me respondeu que não. Depois de algumas horas, me disse que seria atendida, mas não pelo plantonista e sim por um pediatra que provavelmente estava passando por lá. O médico mal me deixou relatar o que estava acontecendo, já foi receitando medicamento e logo saindo. Falei para ele que esperasse um pouco e disse da provável gravidez e se ele não iria pedir algum exame. Ele disse que não, que aguardasse depois do feriado para fazer.

     Agora, você já não está bem e ainda é atendida por um médico que mal olha para você como se tivesse fazendo um favor... deixou claro a falta de profissionalismo e que o atendimento que receberia era um “quebra galho”, quando vi já tinha falado: que meu dinheiro não era capim e nem dava em pé de árvore... onde estava o lado humano e o profissional de se preocupar com o que faz. Para falar a verdade, fui atendida pelo enfermeiro que ficou preocupado por conta da medicação e pediu ao médico que solicitasse o exame e fez os demais procedimentos. O exame foi pedido, mas nele veio escrito: exame solicitado pelo paciente. Achei um absurdo. No outro dia, descobri que o diretor do hospital tinha assumido o plantão de madrugada, tinha me dado alta e já estava indo embora.

     O médico, com muita pressa, mal explicou acerca dos exames. Disse que era uma virose e era para tomar os remédios da receita e saiu. Fiquei perplexa com o tratamento recebido e fui para casa sem saber o certo o que tinha, pois quando escolhemos o sistema de saúde no setor privado é porque pensamos que estamos mais seguros. Será? Praticamente tive que brigar para me atender.

     Rosângela Fernandes Cadidé é professora há 10 anos das redes pública e particular, formada em Letras com Especialização em Recreação e Lazer pela Universidade Federação de MT, coordena o Centro de Estudos às Forças Armadas(CEAM) e escreve neste blog às sextas - rosangelacadide@hotmail.com

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Artigo | 24/11/2011 - 00:00

Até breve meu camarada Ivo Borges!

José Patrocínio

José Patrocínio    A perda de um ente querido nos deixa triste e inconformado. Com toda a sinceridade nada é compreensível, tudo fica muito sombrio, turvo e os pensamentos desencontrados. Não encontro resposta para nada. Pouco avanço nas minhas indagações! Muito sofro e sem dúvidas compartilho minha dor com outras pessoas queridas a quem nutro simpatia, carinho e amor. Tento consolar, sou consolado e nessa reciprocidade mútua seguimos passos largos nessa travessia para outra dimensão.

    As lembranças dos que cumpriram sua missão mais rapidamente são inevitáveis, principalmente quando aflora instantaneamente um trabalho realizado com muito zelo, perseverança e dedicação, sempre objetivando a busca incessante da melhoria das pessoas a fim de construir um mundo mais justo e humano. Vamos em frente grande Ivo! As minhas impressões continuam a mesma, aluno exemplar, professor altamente capacitado e comprometido com a educação, um grande colega de profissão a qual me sinto honrado em autenticar trabalhos no último ano e sentar ao lado nas mesas de audiências em defesa de nossos constituintes.

    A você bravo colega, a qual nosso comitê jurídico carinhosamente apelidara de “comunista cristão”, todos - indistintamente - sentimos a sua partida inesperada, prematura e sem notificação. Fique certo que cada um a seu jeito e modo elevamos preces para que Deus o abençoe e cuide de você, o que é merecido por tudo o que fez em prol da prática do bem, da ética e da moral, dando exemplo cabal fincados em princípios da decência, honestidade, probidade e principalmente respeito ao ser humano.

    Fique certo meu camarada que você vai fazer muita falta em nosso meio, a nossa equipe jurídica ressente a sua ausência, nosso material de trabalho está encharcado de lágrimas derramadas pela irreparável perda de um membro efetivo de uma equipe coesa, alegre, expansiva, bem humorada, receptiva e composta de gente muito especial. Até breve camarada Ivo, não demora muito estaremos todos juntos para dar início a uma nova jornada.

   “Querido Ivo, em seu último vôo de parapente, desceu no céu amparado pelos braços de Deus” (Mauro César Pereira)

    José Patrocínio de Brito Júnior é advogado, professor universitário e escreve exclusivamente para este blog às quintas-feiras - jpbj.adv@uol.com.br


 

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Artigo | 09/11/2011 - 00:00

Cota não se encobre com má distribuição de renda e pobreza

Ines Martins

Inês Martins   Quando vejo a maior polêmica sobre cotas, meu pensamento volta no tempo e vejo minha mãe: pobre, linda de olhos azuis, analfabeta e muito inteligente. Andava pelos bairros e comprava coisas antigas, depois arrumava tudo bonitinho em casa e lá ia um tanto de gente comprar o que ela havia conseguido. Assim, ela ajudou muito o meu pai a criar os filhos, com dignidade e amor ao trabalho.

    Sou também, fruto de uma escola publica de qualidade que nunca entendi porque foi abolida, sendo que dava tão certo. Não é costume dizer que em time que está dando certo não se deve mexer? Daí, a minha dificuldade em compreender porque o governo acha mais simples abrir cotas para o jovem entrar na faculdade do que investir pesado na qualidade do ensino básico e médio.

   Os professores deveriam ser seduzidos por bons salários e estimulados a se qualificarem, dentro de normas rigorosas do conhecimento. E os alunos deveriam, sim, serem avaliados para mostrar que de fato estão sabendo aproveitar a oportunidade do ensino público gratuito, garantido pela constituição e pago com dinheiro dos nossos impostos e que não é nada pouco.

   Ser mestre para ensinar, médico para curar e policial para defender o cidadão, poderia também voltar a ser um sonho digno para as crianças e adolescentes. Mas, pelo que se mostra esse pensar, além de ser uma utopia, está longe de acontecer. Não está mais na moda. Sou testemunha das muitas renúncias que famílias de classe média precisam fazer no seu cotidiano para dar conta de pagar alimentação, impostos, água, luz, telefone, internet, aluguel ou prestação da casa própria, do carro, combustível (inclui aí as necessidades criadas pelas novas tecnologias e facilidade da compra de carros), tudo isso alimentando a economia do país e sustentando o andar de cima e o alicerce de baixo.

    Além disso, ela, com a consciência da necessidade de uma boa educação para os filhos, se dispõe a pagar caro uma escola particular, controla o orçamento, corta aqui, corta ali, deixa de fazer uma poupança que poderia muito bem lhe garantir uma velhice mais digna, deixa de fazer viagens de férias para curtir a família e tudo isso para tentar garantir um futuro melhor e uma vaga na faculdade. Tudo muito suado, diga-se de passagem.

    Considero pois, injusta, essa família ver seu filho, embora com boas notas, perder a vaga para outro, que mesmo sem o devido preparo (aqui sem culpa do mesmo) usar da cota para ocupá-la. Assim também, como considero injusto, aquele que deseja estudar, não encontrar um ensino público de qualidade, garantido pela Constituição, que o prepare para competir de igual para igual. Mas, considerando talvez o meu engano fui pesquisar outras fontes de informações e vejam o que encontrei. São observações feitas por Gabriela Cabral, da Equipe Brasil Escola.

    “Sistema de cotas é uma espécie de compensação que o Estado oferece à raça negra. Esta compensação reserva vagas em concursos públicos para empregos, preenchimento de cargos para estudo em faculdades públicas. Para ser beneficiado com o sistema de cotas, o aluno deve se declarar como negro ou pardo e provar através de fotos anexadas à matrícula. Este benefício foi adotado primeiramente no Rio de Janeiro após a promulgação da Lei nº 3.708, de 09 de novembro de 2001. O sistema de cotas surgiu nos Estados Unidos, mas pouco durou, pois foi proibido pela Suprema Corte por estar aumentando a discriminação racial e a desigualdade republicana. É um projeto bastante polêmico, pois opositores não acreditam em discriminação racial em instituições de ensino e também não acreditam que tal benefício é justo, já que o Brasil é um país miscigenado sendo de difícil comprovação quanto à raça.”

    Luís Renato Cruz, do Viva Cidade, em outro trecho comentou o seguinte acerca do tema: "Acredito que existem duas dificuldades quando se fala em cotas raciais. A primeira é admitir que um grupo precisa de oportunidades que não teria se não através de cotas. Admite-se também que os governos pouco investem em educação para as camadas menos endinheiradas onde está a maior parte dos classificados como negros. A segunda é que as cotas podem significar um preconceito declarado, ou seja, se você pertence a um grupo que ganhou cota, quer dizer que faz parte de um grupo de excluídos e incapacitados? A questão é complicada, mas a solução é simples: investir em educação para que todos, independentemente da raça e da classe social, possam ter as mesmas oportunidades.”

  Inês Martins é produtora cultura, escritora, autora do concurso literário "Casos Lembrados, Casos Contados", direcionado às pessoas com idade acima de 60, poetiza, palestrante da maturidade, vovó blogueira e escreve neste espaço toda quarta-feira (www.vovoantenada.com.br)

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Artigo | 08/11/2011 - 00:00

A Canção dos Homens

Olga Lustosa

Olga Lustosa    A música pode ser usada para expressar a emoção, unir as comunidades e fazer juramentos. No livro O Mundo Musical em Seis Canções, Daniel Levitin sugere que todas as músicas podem ser agrupados em seis tipos; amizade, alegria, conforto, religião, conhecimento e amor são os seis fundamentos. Ele vê esses temas básicos como indicadores do estado de ânimo pessoal. Como exemplo, ele vê uma canção de alegria como um indicador confiável da saúde física e mental de uma pessoa.

   Ele observa que a música afeta a biologia humana e pode influenciar o pensamento e sentimento, além de aliviar as tensões e agir como um mecanismo de ligação entre os grupos distintos.

    A música tem desempenhado um papel vital na história da humanidade e as evidências parecem sugerir que o canto é bom em um nível comum e pessoal. Pesquisas diversas revelam uma relação inequívoca entre ouvir música, cantar e bem-estar. Seus benefícios físicos incluem aumento da oxigenação da corrente sangüínea e trabalha grandes grupos musculares na parte superior do corpo, aumenta a energia, melhora a postura, reduz a pressão arterial.

    Psicologicamente a música tem o efeito positivo na redução dos níveis de estresse através da ação do sistema endócrino que está ligado ao sentido de bem-estar emocional, elevação do humor, ativação da memória, aumento da concentração e melhoria no sistema imunológico também.

    No sistema social Xinguano, a música é ritual que performatiza a delicada linguagem da relação entre os indios do Xingú. A música é sempre a história de um passado recente, fatos cotidianos da vida, sobre encontros com outras tribos e ao mesmo tempo, a música promove uma comunicação entre os que tocam e os que escutam. Assim, na mitologia kalapalo, a música é tratada como manifestação das transformações dos seres perigosos e como um meio de exercer o controle sobre essas forças. Dessa forma, os Kalapalo usam a música ritualmente como meio de comunicação entre categorias desiguais de seres.

    A poetisa africana Tolba Phanem conta que quando uma mulher, de certa tribo da África, sabe que está grávida, ela segue para a selva com outras mulheres e juntas rezam e meditam até que surge a canção da criança. Quando nasce a criança, a comunidade se junta e cantam a sua canção. Logo, quando a criança começa sua educação, o povo se junta e canta sua canção. Quando se torna adulto, eles se juntam novamente e cantam. Quando chega o momento do seu casamento os noivos escutam a sua canção. Finalmente, quando sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, como no nascimento, cantam a sua canção para acompanhá-lo na viagem. Nesta tribo da África há outra ocasião na qual os homens cantam a canção. Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, levam-no até o centro do povoado e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor.

    Então todos cantam a sua canção. A tribo reconhece que a correção para as condutas anti-sociais não é o castigo; é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade. Quando reconhecemos nossa própria canção já não temos desejos nem necessidade de prejudicar ninguém. Os amigos conhecem a sua canção e a cantam quando a esqueces, os amigos recordam sua beleza quando te sentes feio; sua totalidade quando estás quebrado; sua inocência quando te sentes culpado e seu propósito quando estás confuso.

     A sua música pode ser Tocata e Fuga, de Bach, a belíssima Missa da Coroação, peça de Mozart; de Heitor Villa-Lobos ao repertório de Artur Piazzolla, como visto, transmitido com amor e paixão no concerto em homenagem aos 90 anos do músico argentino semana passada, no Cine Teatro. Parte da beleza da música dos pássaros deve-se a sua brevidade. O som não deixa evidência para trás. É efêmero!

    Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e acadêmica de Ciências Sociais pela UFMT e escreve exclusivamente neste blog toda terça-feira - olga@terra.com.br

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Artigo | 07/11/2011 - 00:00

Divisão de opiniões - parte 3

Vinicius de Carvalho

Vinicius de Carvalho   Continuo a série de artigos sobre a criação de novos Estados. Terminei a parte II comentando sobre os resultados encontrados no Texto para Discussão de Rogério Boueri do IPEA, que podem ajudar a compreender um pouco melhor esta problemática, de forma geral e em Mato Grosso.  Primeiro, é importante dizer que autor baseou-se em apenas alguns dos projetos de Decreto Legislativo que criam novos Estados em Mato Grosso.

    Ele trabalhou apenas com o PDC 1.217/2004, de autoria do então deputado José Roberto Arruda (PFL/DF) e com o PDC 606/2000, proposto pelo deputado federal Rogério Silva (PFL/MT). Arruda propôs plebiscito para criação dos Estados de Araguaia e Aripuanã e, Rogério Silva, do Mato Grosso do Norte.

    Apenas esta multiplicidade de projetos com vários recortes regionais diferentes demonstram que ainda há um dissenso nesta matéria. Não há clareza por parte das elites nacionais e matogrossenses acerca dos contornos territoriais das regiões que buscam sua emancipação. Isto se deve ao caráter relativamente recente da ocupação econômica destes municípios e também de uma série de incógnitas nesta equação. Estes aspectos serão melhor abordados em momento mais oportuno.

     Por hora, quero me concentrar nas simulações feitas por Boueri. No caso do Estado de Aripuanã, ele seria composto por 30 municípios, na sua maioria provenientes das regiões de planejamento 1, 2, 7, 8, 9, 10 e 11, definidas pelo Zoneamento Sócio-Econômico-Ecológico de Mato Grosso (ZSEE-MT). Ele teria cerca 465 mil habitantes, participação da administração pública estadual de 17,94% do Produto Interno Bruto (PIB) e despesa estadual per capita de R$ 2.884, sempre com valores de 2005.

     No caso do Estado de Araguaia, ele seria composto por 32 municípios, na sua maioria provenientes das regiões de planejamento 2, 3, 4 e 12 do ZSEE-MT. Ele teria cerca de 455 mil habitantes, participação da administração pública estadual de 28% do Produto Interno Bruto (PIB) e despesa estadual per capita de R$ 3.576.

     No caso do Estado de Mato Grosso do Norte, ele seria composto por 44 municípios, com uma configuração territorial bem semelhante ao de Aripuanã, apenas com um avanço maior em relação ao Parque Nacional do Xingu. Ele teria cerca de 690 mil habitantes, participação da administração pública estadual de 19,21% do Produto Interno Bruto (PIB) e despesa estadual per capita de R$ 2.489.

     Apenas para efeito de comparação, vale destacar que Mato Grosso apresentava em 2005 14,35% de participação da administração pública estadual no PIB e despesa estadual per capita de R$ 1.918. Já os valores para o conjunto dos Estados brasileiros e Distrito Federal foram 12,74% de participação da administração pública estadual no PIB e despesa estadual per capita de R$ 1.485.

    É possível observar pelos dados expostos, portanto, que os Estados propostos não seriam inviáveis. Em termos de população e PIB, as áreas emancipandas equivalem ao município de Cuiabá. Mas estariam todos acima da média dos indicadores nacionais e mesmo do atual Estado de Mato Grosso. Por coincidência ou não, os resultados se aproximam dos indicadores apresentados pelos Estados resultantes de emancipações recentes, como Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins e Mato Grosso do Sul.

    Boueri optou por não simular os dados contidos no PDC 850/01, de autoria do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB/RR) e também os projetos 55/95, 73/1995 e 49/03, propostos pelo deputado federal Wellington Fagundes e que foram apensados ao projeto de Mozarildo. Este último também cria os Estados de Araguaia e Mato Grosso do Norte. No próximo artigo, farei algumas simulações para os projetos ora em tramitação e com dados mais atualizados.
 

     Vinicius de Carvalho Araújo é gestor governamental do Estado, mestre em História Política, professor universitário escreve neste blog toda segunda-feira - vcaraujo@terra.com.br

Artigo | 06/11/2011 - 00:00

O que é tratamento humanizado no SUS?

Jackelyne Pontes

Jackelyne Pontes    Se recorrermos ao dicionário veremos que humanizar significa tornar mais humano, mais sociável, civilizar. Na saúde, o tratamento humanizado é aquele que se preocupa com o outro além da visão técnica da doença, dos procedimentos cirúrgicos, dos remédios. É se preocupar com o lado emocional do usuário, e fazer com que ele confie e sinta que o profissional o vê afetivamente, com os problemas que são inerentes do cotidiano, como um ser falível, e assim recuperá-lo de suas condições físicas corroborando para a sua melhoria emocional. No SUS (Sistema Único de Saúde), o tratamento humanizado é preconizado, estreitando assim a relação profissional-usuário.

    Não custa olhar e ouvir. Ultrapassar a barreira da impessoalidade é um ganho no tratamento. Isso não quer dizer que nos tornaremos os melhores amigos de nossos pacientes, mas que o vemos como nosso semelhante, e que o respeitamos. Convém ver o paciente não apenas como doente, mas ter uma visão completa como ser humano biológico, social e psicológico.

    Humanização é um processo, um exercício diário que consiste em deixarmos de lado a posição de “homens e mulheres de jalecos brancos”, detentores da sabedoria e colocados em um patamar elevado frente ao paciente, que encontra-se fragilizado, acometido de uma injúria e necessitado de tratamento, e por muitas vezes ignorante de seu estado, e aqui esclareço que ignorante deve ser interpretado como o não conhecer do assunto, e não no sentido pejorativo da palavra.

     Para que o tratamento humanizado na saúde seja efetivo deve-se discutir políticas a serem utilizadas na assistência, assim como treinar o profissional para saber lidar com pessoas, reformular as estruturas já estabelecidas e quebrar com o comportamento mecanizado arraigado no sub consciente de quem trabalha e de quem usa o SUS. Tratamento humanizado é aquele em que o profissional trata o usuário como gostaria de ser tratado e vice versa! Humanização é uma atitude!

     Humanizar não é somente chamar o usuário pelo nome, sorrir constantemente e dizer bom dia, é compreender seus medos, suas dores, suas angústias e principalmente suas carências físicas, emocionais e por muitas vezes econômicas, e dar-lhe apoio e atenção que ele necessita. É ser eficiente e eficaz. Sou servidora do SUS, uso jaleco lilás e meus pequenos pacientes me chamam de Jackie.

     Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, filiada ao Sinodonto-MT (Sindicato dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso) e escreve exclusivamente para este blog todo domingo - jackelynepontes@gmail.com

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Artigo | 05/11/2011 - 00:00

Quem tem cliente tem o negócio

Andre Bellucci

André Bellucci    Em 2006, estava sentado em meu escritório imaginando como poderia fazer para melhorar os rendimentos, já que acabara de montar o negócio como engenheiro autônomo e percebia que depois de um bom início comecei a sofrer com a falta de fluxo de caixa. Fui visitado em uma tarde por aquele que havia sido meu trainner na Dale Carnegie, o senhor César Kaghofer. Ele havia ido ao escritório fazer o acompanhamento do meu desempenho pós-treinamento.

    Após alguns minutos de conversa ele resolveu me dar um feedback sobre tudo que havia escutado. Então me disse: André, quem tem o cliente tem o negócio, enquanto você ficar atrás da escrivaninha você representa custo para a empresa, quando você estiver lá fora visitando os clientes você representa lucro. Após dizer isso se levantou e foi embora. Disse que me aguardava para o próximo treinamento que aconteceria uma semana após aquela.

    Depois de sua partida, fiquei pensando se aquilo poderia mesmo ser verdade, afinal, se eu saísse para vender, quem executaria os projetos? Logo comecei a perceber que deveria separar tempo para as duas coisas. Sendo assim passei a visitar os meus atuais clientes na época e pessoas conhecidas no período da manhã, e a tarde me dedicar à execução dos projetos. Em algum tempo os resultados das visitas começaram a aparecer, mais e mais pessoas começaram a entrar em contato e solicitar orçamento dos meus serviços, em um ano o escritório já contava com mais três colaboradores e, a partir daí, não paramos mais de crescer. Descobri depois de um tempo que aquela frase não só era verdadeira, mas havia sido a responsável por boa parte do nosso faturamento nos últimos anos.

    Na minha formação como engenheiro fui treinado para resolver problemas complexos, visando sempre à economia para o cliente. Porém, só com a lida do dia a dia descobri que a empresa poderia ter o melhor padrão de projeto da cidade, e mesmo assim, se não houvesse compradores ela não existiria. Por vezes, é comum em nosso negócio nos queixarmos de clientes que por um motivo ou outro nos cobram de uma maneira que não estávamos preparados para atender.

   Quando isso acontece, temos vontade de excluir essas pessoas da nossa lista de relacionamento, afinal eles “dão trabalho”, e é mais fácil atender aqueles que nunca observam nada. Porém, são com essas pessoas que aprendemos a identificar uma oportunidade de melhoria nos nossos produtos e serviços. Toda crítica, injusta ou não, é uma chance dada de pararmos e avaliarmos se o que estamos entregando esta de acordo com aquilo que o cliente espera de nós. Afinal, o negocio só existe quando clientes estão dispostos a pagar por nossos produtos e serviços. É claro, existirá a crítica injusta, mas esta só reforça que você esta no caminho certo e que alguém ainda não viu os fatos com a mesma visão que você.

    Na construção de um novo negócio é importante entender que vamos errar também, e por consequência perder alguns dos nossos clientes, mas a cada erro corrigido e não mais repetido a empresa ganha em qualidade e torna-se mais forte. Podendo assim, aumentar a sua fatia de mercado já que agora possui uma maior capacidade de entrega e atendimento.

   Fica a experiência para você que está lendo este artigo agora e que deseja montar uma empresa ou melhorar o seu resultado. O cliente é com certeza o agente externo mais precioso de toda e qualquer organização. Sem ele nada existe e enquanto a empresa possuir um cliente ela será um negócio.

    André Luiz Bellucci é empresário, trainer da Dale Carnegie Training em Cuiabá e escreve neste blog todo sábado - engbellucci@uol.com.br

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Artigo | 02/11/2011 - 00:00

Dia de Finados, dia de saudade

Ines Martins

Inês Martins  Não importa a crença, cada um tem a sua, mas hoje é um dia que nos convida a pensarmos com mais carinho e saudades naqueles que já se foram. Também abre espaço para pensarmos melhor no que realmente vale a pena nessa vida. Muitas vezes nos aborrecemos por tão pouco e quando o tempo passa até rimos dessas fraquezas.

   Outras vezes a vaidade toma posse dos nossos sentimentos que até nos faze esquecermos o quanto somos vulneráveis e que estamos por aqui com uma bula, que nos esquecemos de ler, as indicações e as contra indicações. Nem sequer enxergamos nosso prazo de validade e outras, chegamos a pensar que somos imortais. (risos). Hoje, aproveitei também para pesquisar mais a fundo a origem dessa comemoração para entendermos melhor essa data, que, na realidade, está guardada mesmo é no coração de cada um que já perdeu alguém muito querido. Assim, qualquer tempo é tempo para uma reflexão mais profunda e para sentir a dor da “saudade”.

     “O dia de Finados só começou a existir a partir do ano 998 d. C. Foi introduzido por Santo Odilon, ou Odílio, abade do mosteiro beneditino de Cluny, na França. Ele determinou que os monges rezassem por todos os mortos, conhecidos e desconhecidos, religiosos ou leigos, de todos os lugares e de todos os tempos. Quatro séculos depois, o Papa, em Roma, na Itália, adotou o 2 de novembro como o Dia de Finados, ou Dia dos Mortos, para a Igreja Católica.

     O costume de rezar pelos mortos nesse dia foi trazido para o Brasil pelos portugueses. As igrejas e os cemitérios são visitados, os túmulos são decorados com flores e milhares de velas são acesas. Nada de errado existe quando, movidos pelas saudades dos parentes ou pessoas conhecidas falecidas, se faz nesse dia visita os cemitérios e até mesmo se enfeitam os túmulos de pessoas saudosas e caras para nós. Entretanto, proceder como faz a maioria, rezando pelos mortos e acendendo velas em favor das almas dos que partiram, tal prática não encontra apoio bíblico.

     Porque segundo a doutrina católica, os mortos, na sua maioria estão no purgatório e para sair mais depressa desse lugar, pensam que estão agindo corretamente mandando fazer missas, rezas e acender velas. Crêem os católicos que quando a pessoa morre, sua alma comparece diante do arcanjo São Miguel, que pesa em sua balança as virtudes e os pecados feitos em vida pela pessoa. Quando a pessoa não praticou más ações, seu espírito vai imediatamente para o céu, onde não há dor, apenas paz e amor. Quando as más ações que a pessoa cometeu são erros pequenos, a alma vai se purificar no purgatório. (Fui educada a crer nessa balança).

      No entanto, a Bíblia fala apenas de dois lugares: céu e inferno. Jesus ensinou a existência de apenas dois lugares. Os espíritas crêem na reencarnação. Reencarnam repetidamente até se tornarem espíritos puros. Não crêem na ressurreição dos mortos. Os hinduístas crêem na transmigração das almas, que é a mesma doutrina da reencarnação. Só que os ensinam que o ser humano pode regredir noutra existência e assim voltar a este mundo como um animal ou até mesmo como um inseto: carrapato, piolho, barata, como um tigre, como uma cobra, etc.
Os budistas crêem no Nirvana, que é um tipo de aniquilamento.

     As testemunhas de Jeová crêem no aniquilamento. Morreu a pessoa, está aniquilada. Simplesmente deixou de existir. Existem três classes de pessoas: os ímpios, os injustos e os justos. No caso dos ímpios, não ressuscitam mais. Os injustos são todos os que morreram desde Adão. Irão ressuscitar 20 bilhões de mortos para terem uma nova chance de salvação durante o milênio. Se passarem pela última prova, poderão viver para sempre na terra. Dentre os justos, duas classes: os ungidos que irão para o céu, 144 mil. Os demais viverão para sempre na terra se passarem pela última prova depois de mil anos. Caso não passem, serão aniquilados. Os adventistas crêem no sono da alma. Morreu o homem, a alma ou o espírito, que para eles é apenas o ar que a pessoa respira, esse ar retorna à atmosfera. “A pessoa dorme na sepultura inconsciente.”

     Pelo sim e pelo não, eu fico do lado do bem, pois entre penar no fogo do inferno eu desejo mais é curtir o verdadeiro paraíso. Aquele da missão cumprida...

   Inês Martins é produtora cultura, escritora, autora do concurso literário "Casos Lembrados, Casos Contados", direcionado às pessoas com idade acima de 60, poetiza, palestrante da maturidade, vovó blogueira e escreve neste espaço toda quarta-feira (www.vovoantenada.com.br)

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Artigo | 01/11/2011 - 00:00

Outubro Rosa

Olga Lustosa

Olga Lustosa    Em virtude dos dados alarmantes e prognóstico ruim quanto as ocorrências de casos de câncer de mama, surgiu a idéia da campanha “Outubro Rosa – Mulher Consciente na Luta Conta o Câncer de Mama”. O movimento que se iniciou mundialmente em 1992, no mês de outubro, traz diversos monumentos e principais pontos das cidades mais importantes do mundo, como Sidney e Rio de Janeiro com iluminação cor-de-rosa para alertar as mulheres sobre a importância dos exames preventivos contra o câncer de mama. Em Mato Grosso, a Igreja do Bom Despacho, a Praça Alencastro também ficaram rosa num movimento orquestrado pelo MTMama - Amigos do Peito.

    Em todo o mundo, esse conceito de iluminação global foi criado para atrair ainda mais atenção para a causa da prevenção do câncer de mama. A fita rosa onipresente nas lapelas emite sinal claro de engajamento. Esse movimento tem combinado as mais diversas mídias sociais para compartilhar uma mensagem com todas as mulheres: o diagnóstico precoce salva vidas!

    A explosão do movimento rosa não é apenas para trazer a público números devastadores, mas sobretudo para promover a consciência da detecção precoce. A campanha do mês de outubro é o símbolo de uma visão otimista para a cura. Espera-se que, ao chamar a atenção para a doença, novas pesquisa e tratamentos possam surgir e levar o doente a viver mais tempo.

    A campanha, que deve ser estendida ao ano todo é um lembrete que há esperança quando fazemos a prevenção e mantemos a disposição de discutir o câncer não mais a portas fechadas. Liderar uma campanha em seu círculo de amigos, sua família, seu escritório, igreja e no bairro, incentivar ou encorajar os outros a assumir a doença, falar dela, enfrentá-la. Ao assumir esta responsabilidade você está incentivando outros a fazerem o mesmo.

    O câncer de mama é uma das maiores causas de mortes entre as mulheres, embora 95% das incidências, podem ser curadas, se descobertas no começo, razão pela qual, as campanhas deflagradas, agora, muito mais preventivas, estão encorajando mães, tias e avós a marcarem consultas e a continuarem com a prática caseira do auto-exame.

    No contexto global, de acordo com a Organização Mundial de Saúde são diagnosticados cerca de 12,4 milhões de novos casos de cancer a cada ano no mundo. A entidade estima que em 2020, esse número subirá para mais 15 milhões, ultrapassando as doenças cardíacas como a principal causa de morte no mundo. Nos Estados Unidos 250 mil mulheres foram diagnosticadas com câncer no ano de 2010 e 25% delas provavelmente morrerão. Em contraponto a esse quadro, o câncer é uma das doenças crônicas com maior potencial de cura e, mesmo nos casos em que não são curáveis, pode-se aumentar o tempo de sobrevida ou melhorar a qualidade de vida do paciente.

    De acordo com o INCA, no Brasil, as estimativas para o ano de 2011, apontam para a ocorrência de 489.270 casos novos de câncer. Os tipos mais incidentes, são câncer de pele do tipo não melanoma, de próstata e de pulmão no sexo masculino e os cânceres de mama e do colo do útero no sexo feminino, acompanhando o mesmo perfil observado em toda América Latina.

    O câncer de mama é uma doença que já provocou cerca de 7 milhões de morte no mundo, sendo cerca de 10 mil por ano Brasil, além disso, 25 milhões de mulheres no mundo inteiro receberão o diagnóstico de câncer de mama nos próximos 25 anos. Segundo a Dra. Maira Caleffi presidente da FEMAMA (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio a Saúde da Mama), os números de mulheres diagnosticadas irá triplicar até 2030, principalmente nos países subdesenvolvidos.

   Em parceria com a FEMAMA, pesquisa Datafolha aponta que apenas 17% das mulheres entrevistadas procuraram algum especialista devido a suspeita da doença e que 6% citaram a ultra-sonografia e toque do médico como únicos exames realizados. Mais de 31% das mulheres nunca fez a mamografia, especialmente as que dependem do sistema publico de saúde, afirma a Dra. Maira Caleffi.
A fragilidade do sistema público de saúde fica evidente em uma pesquisa realizada pela BBECAM (Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama ), onde a diferença entre o diagnóstico feito em hospitais públicos e privados é grande; 36% das mulheres atendidas nas unidades públicas, ao serem diagnosticadas, apresentam tumor em estágio avançando, contra apenas 16% das particulares.

  Que a onda rosa que coloriu o mês de outubro tenha deixado alguma marca e nos ensinado que o simples ato de nos tocar pode salvar a nossa vida. O ex- presidente Lula, que recentemente reclamava de incômodo na garganta e rouquidão, foi diagnosticado com câncer na laringe, sexta-feira passada.

    Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e acadêmica de Ciências Sociais pela UFMT e escreve exclusivamente neste blog toda terça-feira - olga@terra.com.br

Artigo | 26/09/2011 - 00:00

Vassouras para a faxina ética

Vinicius de Carvalho

Vinicius de Carvalho    As sucessivas trocas de ministros promovidas pela presidente, denominada na imprensa de “faxina ética”, suscitaram discussões sobre impunidade, corrupção e ética no serviço público. Surgiram vários comentários sobre projetos de lei que transformam os crimes contra a administração pública em crimes hediondos, definem ritos sumários para o seu julgamento, quebram sigilos bancários de servidores públicos, etc.

    A isto, somam-se as exigências cada vez mais intensas dos órgãos de controle interno e externo, da imprensa, movimentos sociais, conselhos e da sociedade civil de forma geral. Surge, portanto, a necessidade de atualização nos instrumentos de gestão na área da ética no serviço público.

    A norma pioneira em nível federal nesta matéria foi o Decreto 1171/94, que regulamentou o primeiro código de ética para o servidor público federal civil. Já no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), foi criada a Comissão de Ética Pública (CEP) pelo decreto S/N de 26/05/1999, vinculada à Presidência da República, como órgão de assessoramento direto. A primeira missão da CEP foi formular um código de conduta para a alta administração federal, em resposta ao contexto já descrito antes. Neste período foi também criada a então Corregedoria-Geral da União (CGU), depois transformada em Controladoria, como cabeça do sistema de correição.

    Em 22/08/2000, foi publicada no Diário Oficial da União a Exposição de Motivos 37, que instituiu o Código de Conduta da Alta Administração Federal. Quer dizer, além das normas contidas no decreto 1.171/94 que vigoravam para o conjunto dos servidores federais, foi acrescentada mais uma camada cumulativa de responsabilidades para os servidores em exercício de cargos considerados da Alta Administração, como ministros, secretários executivos dos ministérios, presidentes e diretores de entidades da Administração Indireta, etc. A observância deste Código ficou sob responsabilidade da CEP da Presidência da República.

     Já durante o Governo Lula (2003-2010), foi percebida a necessidade de melhorar a gestão nesta área e também dotar o processo nas comissões de ética de melhores instrumentos e recursos. Para tanto, foi publicado o decreto 6.029/2007, que instituiu o Sistema de Gestão da Ética. A CEP e as comissões de ética de cada órgão federal eram desarticuladas entre si, com pouca operação em conjunto e tratamento sistêmico.

     O decreto objetivou, portanto, fazer da CEP um órgão “cabeça de sistema” no que se refere à gestão da ética. Desta forma, surgiu a “rede de ética”, que pretende potencializar os resultados nesta área tão importante.
Dentre as principais mudanças introduzidas por ele estão as seguintes:

   1. O número de denunciantes passou a incluir qualquer cidadão, pessoa Jurídica de direito privado, associação ou entidade de classe;
   2. Os representados podem ser agente público, órgão ou setor específico de ente estatal;
   3. As preocupações com o acusado foram ampliadas, com a possibilidade de consulta do teor da acusação e dos autos, de garantias para o contraditório e a ampla defesa,além da proteção à honra e à imagem da pessoa investigada, com divulgação das informações para o público apenas após a conclusão da investigação;
   4. Os órgãos federais deverão priorizar os trabalhos das suas respectivas comissões de ética, de modo a dar celeridade aos procedimentos instalados;
   5. As autoridades competentes não poderão alegar sigilo para deixar de prestar informações solicitadas; 
   6. A Comissão de Ética Pública manterá banco de dados de sanções aplicadas, para fins de consulta pelos órgãos ou entidades da Administração Pública Federal, em casos de nomeação para cargo em comissão.

    Portanto, é possível observar que o Decreto 6029 colocou os instrumentos à disposição. Resta saber se haverá vontade política para a sua utilização.

   Vinicius de Carvalho Araújo é gestor governamental do Estado, mestre em História Política, professor universitário e escreve neste espaço às segundas-feiras - vcaraujo@terra.com.br

Artigo | 25/09/2011 - 00:00

Parceria é a palavra do momento

Jackelyne Pontes

Jackelyne Pontes    Antes de tudo, eu quero e preciso dizer que tenho orgulho da minha profissão, e principalmente de ser militante sindical. No sindicalismo aprendemos, após inúmeras reuniões, mesas de discussões, manifestações, assembleias, debates e afins, a decifrar expressões, detectar articulações e perceber intenções, até a mais oculta. É o bônus da experiência. Desenvolvemos o que eu gosto de chamar de sensibilidade sindical.

   A odontologia vem passando por um momento único, de união de suas entidades em prol da classe, com pretenções políticas sim, porém não politiqueiras. Quisera eu poder capturar o clima de parceria que presenciei nesta semana em uma reunião com a gestão para discutirmos pontos cruciais de interesse da categoria e da população do município de Cuiabá, usuários do SUS (Sistema Único de Saúde) e descrevê-lo aqui com todos os seus detalhes.

    O que posso afirmar é que a palavra parceria foi exaustivamente repetida por ambas partes, o que é um grande avanço, já que em tempos recentes tivemos sérias dificuldades de acesso ao gestor. À mesa estavam presentes os representantes do Sinodonto (Sindicado dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso), ABO (Associação Brasileira de Odontologia), CRO (Conselho Regional de Odontologia), a coordenadora de saúde bucal e acessória jurídica das entidades, juntamente com os senhores secretário e subsecretário de Saúde.

    Mais uma vez a pauta foi extensa, as condições em que se encontram as clínicas odontológicas localizadas em nossos bairros foram expostas. Suas estruturas físicas encontram-se precárias. Muitas clínicas apresentam infiltrações nas paredes, tetos que ameaçam desabar, bombas d’água, aparelhos de ar-condicionado e autoclaves (usados para esterelizar os instrumentais) que queimam repetidamente e necessitam de manutenção constante, infestações de insetos, assim como falta segurança e de materiais de consumo.

     Informamos também ao gestor que é necessário contratação de novo concurso público para suprir a necessidade de profissionais nas mais diferentes áreas da odontologia, assim como técnicos e auxiliares de saúde bucal (TSB e ASB) e equipe de apoio (recepcionistas, profissionais da limpeza) e valorizar o RTA (Responsável Técnico Administrativo) que gerencia a unidade e necessita de ser devidamente preparado para tal, oferecendo curso de gestão em saúde. Desta maneira desprecarizamos os vínculos de trabalho, já que na atual realidade contamos com uma grande quantidade de profissionais prestadores de serviços, com alta rotatividade devido ao seu contrato de trabalho ser precário, frágil. Assim melhoraríamos a olhos vistos a qualidade do atendimento prestado ao usuário.

    Para a nossa satisfação encontramos portas abertas e ouvidos para ouvir. Assim com intenção de medidas resolutivas, porém condizentes com a realidade e com os pés no chão. Esperamos então, senhor gestor, comemorarmos vitórias conjuntas, porque com boa vontade, transparência, parceria, e principalmente com conhecimento da realidade podemos chegar a soluções efetivas. E antes que perguntem: sim, este é um artigo recheado de esperança.

    Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva pela UFMT e escreve exclusivamente para este blog todo domingo - jackelynepontes@gmail.com

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Artigo | 23/09/2011 - 00:00

Síndrome e dicas de prevenção em defesa da saúde do professor

Rosângela Cadidé

Rosângela Cadidé   Nos dois últimos artigos foi ressaltado que tanto o ambiente de trabalho quanto a função que o docente desempenha o tem exposto permanentemente a uma degeneração progressiva da sua saúde mental, além de estar entre as três principais categorias atingidas pela Síndrome de Burnout (assunto do artigo anterior).

    A sociedade tem conhecimento que há também ambientes escolares que não contribuem para manter a saúde dos alunos. As instituições governamentais não têm como prioridade máxima políticas públicas que valorizem a qualidade de vida, principalmente do professor que dedica praticamente todo o seu tempo à escola em que trabalha, fincando assim vulneráveis a inúmeras doenças adquiridas neste contexto.

    A Unesco, OIT e OMS destacam a necessidade de melhoria nas condições de trabalho prioritária para o desenvolvimento do processo de aprendizagem, além da melhoria da qualidade de ensino e bem-estar físico, psíquico e social dos professores, incluindo a valorização salarial. Pesquisa feita com mais de 8 mil professores da educação básica da rede pública de nossa região revela que 15,7% apresentam a Síndrome de Burnout, que reflete intenso sofrimento causado por estresse laboral crônico (dados obtidos da Cartilha “Burnout em Professores” do Psicanalista e Psicopedagogo Chafic Jbeili).

    O autor ressalta que a divulgação da síndrome é necessária para conscientizar a categoria sobre os riscos que esta traz; para buscarmos meios que evitem o adoecimento, já que não há investimentos nesse setor. Achei muito interessante essa cartilha e quero compartilhar com meus colegas de profissão algumas informações para ser mais uma a participar desta luta constante: “Cuidar da Saúde do Professor”, pois devemos seguir rigorosamente aquele ditado popular: “melhor prevenir do que remediar.”

    A prevenção evita que futuramente não tenhamos que fazer uso de medicação e várias sessões de psicoterapia. Eis algumas dicas exclusivamente para professores e que servem para evitar ou amenizar o estresse laboral e diminuir as possibilidades da Burnout: primeiramente, mudar o estilo de vida, repensar no espaço em que o trabalho ocupa em nossa vida, procurando rever conceitos, hábitos alimentares e principalmente reorganizar o tempo e atividades harmonicamente; pois o acúmulo de afazeres diários gera estresse e compromete a qualidade das atividades, podendo afetar inclusive a autoestima do profissional.

    O professor deve realizar suas funções com zelo e profissionalismo sem comparar seu desempenho ou estilo de trabalho entre os colegas, com intuito de querer ser melhor que os outros. Pare de exercer sua função como se fosse uma infinita competição, pois devemos sempre promover ou buscar qualidade nas relações interpessoais. A presença de amigos ou a interação prazerosa com outras pessoas libera “Ocitocina” (conhecido como “hormônio da amizade”). Ele diminui em nosso organismo a quantidade de “Cortisol” (hormônio do estresse). Além disso, a qualidade nas relações interpessoais proporciona mais segurança no ambiente de trabalho.

    Outra dica, extremamente importante, é procurar fazer algum tipo de atividade física. Alguns professores até brincam dizendo que sua rotina é maior do que qualquer atividade física. Devemos lembrar que “corpo são resulta em mente saudável”, pois as atividades físicas liberam hormônios essenciais à saúde do corpo e da mente, como por exemplo, a “Dopamina” que atua diretamente no sistema nervoso central, funcionando como um analgésico natural e precursor da sensação de bem estar.

    Enquanto aguardamos que nossos governantes tenham a sensibilidade humana para elaborar políticas públicas que priorizem “A Saúde do Professor” vamos tentar (apesar de ser complicado) programar melhor nossas atividades do dia a dia, procurando sempre deixar um espaço para intervalos importantes, que diferem da rotina de trabalho do professor, mesmo quando não é terminada na maioria das vezes no ambiente escolar. Professor sempre leva trabalho para casa. Lembre-se a saúde é um bem essencial a todos os seres humanos. Seja você também mais um participante dessa luta: “Cuide da Saúde do Professor”; compartilhe essas informações.

   Rosângela Fernandes Cadidé é professora há 10 anos das redes pública e particular, formada em Letras com Especialização em Recreação e Lazer pela Universidade Federação de MT, coordena o Centro de Estudos às Forças Armadas e escreve neste blog às sextas - rosangelacadide@hotmail.com

Artigo | 22/09/2011 - 17:31

Engenheiro André Bellucci agora no quadro de articulistas do blog

Romilson Dourado

André Bellucci   O Blog do Romilson fecha o quadro de 7 articulistas com o contratação efetivada nesta quinta do engenheiro civil, empresário e trainer André Luiz Bellucci. Ele vai escrever artigos exclusivos para publicação aos sábados. Aos 32 anos, André tem atuação forte também na Dale Carnegie Course, uma organização que se tornou líder mundial em treinamentos empresariais porque trabalha para o desenvolvimento de cinco áreas-chaves: liderança, comunicação, autoconfiança, habilidades interpessoais e controle do estresse.

    Ele adianta que vai comentar sobre conceitos, valores, atitude, comportamento e lições capazes de mudar o caráter das pessoas. "O que define uma pessoa é a atitude. A partir daí é possível saber se vai ser vencedora", enfatiza André.

    Faz questão de se identificar como cuiabano. É casado com a orçamentista Mônica Santolaia Bellucci. Trata-se de um observador nato e que vai trazer para os internautas exemplos da vida cotidiana com olhares e focos talvez nunca imaginados. De certo modo, são ênfases nos artigos que contribuirão para com a melhoria do ser humano.

   Desejamos às boas-vindas a André Bellucci. Ele passa a integrar uma equipe de colaboradores que, cada um a seu jeito e maneira, discorre sobre variados temas, com a mais absoluta liberdade. Aos domingos, o espaço é reservado à cirurgiã-dentista Jackelyne Pontes. O professor universitário Vinicíus de Carvalho escreve às segundas e, a cerimonialista Olga Lustosa, às terças.

   Na quarta, é a vez da escritora e blogueira Inês de Oliveira Martins, a Vovó Antenada. O advogado José Patrocínio apresenta seu artigo às quintas, enquanto a professora Rosângela Cadidé, às sextas. Agora, para completar o time de articulistas, chega André Bellucci, com artigo aos sábados. Todo artigo entra no ar logo à meia-noite. Para ter acesso a todos já editados eles basta clicar em Artigos, no link no alto desta página, do lado esquerdo.

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