Sexta, 25 de Maio de 2012, 14:39 h

CONFRONTO | 08/07/2010 - 16:03

Vetado à suplência, Sachetti trai Silval sinaliza apoio para Mendes

Romilson Dourado

Moisés Sachetti  O ex-presidente do Detran Moisés Sachetti, vice-presidente regional do PR, dá sinais de que poderá ser o próximo a trair o projeto de reeleição do governador Silval Barbosa (PMDB). Ele ficou na bronca por não ter sido escolhido como um dos suplentes nem de Blairo Maggi (PR) e nem de Carlos Abicalil (PT) e deve pedir desfiliação da legenda, da qual já foi presidente estadual, para apoiar Mauro Mendes (PSB) na corrida ao Palácio Paiaguás. Moisés é irmão do ex-prefeito de Rondonópolis e hoje presidente da Agecopa Moisés Sachetti.

    Em princípio, Moisés pretendia concorrer à cadeira de deputado federal. Percebeu que não teria chance de êxito nas urnas, recuou e, nos bastidores, começou a fazer lobby para vir a ser suplente de Maggi ou de Abicalil. Do ex-governador, ouviu ponderação de que não poderia ser escolhido porque ambos possuem a mesma base eleitoral, que é a Grande Rondonópolis (Sul), e perfis similares, ou seja, são mais técnicos que políticos. Assim que soube que o primeiro-suplente seria o ex-prefeito de Nova Marilândia e ex-presidente da AMM, José Aparecido, o Cidinho, Moisés passou, então, a mirar a suplência de Abicalil. De última hora, o petista buscou outros nomes para composição da chapa, um deles do empresário Altevir Magalhães (PMDB).

    Moisés Sachetti, que já concorreu a deputado e teve votação pífia, não encontrou respaldo da própria direção estadual do PR, sob o deputado federal Wellington Fagundes, na luta pela suplência ao Senado. Agora, em sinal de vingança política, quer abandonar o barco onde está Silval e os candidatos a senador Maggi e Abicalil, para se juntar a Mendes. Ele consultou o diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, que já atua em duas frentes, uma em apoio a Silval e outra, nos bastidores, em defesa do nome de Mendes. O curioso é que Pagot também é do PR e já foi carimbado como "primeiro conspirador" do grupo da situação.

    No Paiaguás, o comentário é que Moisés está "apunhalando" Silval pelas costas, considerando que o peemedebista, nas eleições municipais de 2008, chegou a se indispor dentro do PMDB e a contrariar Zé do Pátio, tudo para apoiar a reeleição do então prefeito rondonopolitano Adilton Sachetti, que acabou derrotado nas urnas. O problema é que esse tipo de reação de liderança política, quando pula para outro palanque em plena campanha, traz repercussão negativa a própria pessoa porque leva a pecha de traidora.

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CONFRONTO | 02/07/2010 - 07:19

Pagot defende Silval em público, mas atua para Mendes nos bastidores

Romilson Dourado

 Fernando Ordakowski

Luiz Pagot, mesmo filiado ao PR, coligado com PMDB de Silval, trabalha nos bastidores pela candidatura Mendes

    O ex-secretário de Estado do governo Blairo Maggi, executivo Luiz Antonio Pagot, diretor-geral do Dnit, órgão vinculado ao Ministério dos Transportes com mais de R$ 15 bilhões de orçamento anual, declara publicamente que apoia o projeto de reeleição do governador Silval Barbosa (PMDB), seguindo orientação do seu próprio partido, o PR, mas, nos bastidores, demonstra maior vinculação com Mauro Mendes, candidato ao Palácio Paiaguás pela coligação Mato Grosso Muito Mais (PSB, PDT, PPS e PV). Estrategicamente, Pagot está envolvido nas duas campanhas. Mesmo fora da coordenação geral, começa a atuar como espécie de trator, assim como fez nas duas campanhas vitoriosas de Jonas Pinheiro (já falecido) ao Senado e nas duas eleições de Maggi ao governo estadual.

    No último domingo, por exemplo, Pagot participou de uma reunião na casa de Emanoel Bezerra, servidor do TCE, ex-secretário da Prefeitura de Rondonópolis e sobrinho do cacique do PMDB, deputado Carlos Bezerra. Estavam presentes também o deputado Percival Muniz, candidato a senador pelo PPS e na chapa de Mendes, e sua esposa Ana Carla Muniz. Até esse dia, Mendes tinha acertado para ser o vice de Silval, o que vinha provocando reviravolta no meio político. Depois da reunião, quando recebeu orientação de Pagot, o empresário sentiu-se mais seguro e, no dia seguinte, anunciou que seria candidato a governador.

    Em entrevista coletiva, Mendes fez questão de dizer que iria enfrentar duas máquinas, representadas por Silval no Palácio Paiaguás e por Wilson Santos no Palácio Alencastro, por intermédio do prefeito Chico Galindo (PTB). Não fez menção, porém, ao fato dele próprio ter conseguido fortes financiadores de campanha, capitaneados por Pagot. No grupo da situação, que tem Silval à reeleição, Blairo Maggi e o petista Carlos Abicalil ao Senado, o clima é de desconfiança sobre as ações de Pagot, ex-secretário de Infraestrutura, Casa Civil e Educação da gestão Maggi. Uns já acusam-no de traidor político.

    Foi o próprio diretor-geral do Dnit quem orientou Mendes a deixar o PR e se filiar no PSB para viaibilizar o que se convencionou chamar de terceira via. Ademais, todos os principais aliados de Pagot estão na campanha do empresário, como Mauro Carvalho, da distribuidora Skol em Mato Grosso e cunhado de Luiz Lotufo, da empreiteira que mais fatura o governo estadual, José Carlos Pagot, que no início do governo Maggi, em 2003, presidiu o MTGás, e ainda Nilton de Brito, que assumiu o comando da Unit no Estado, e o empreiteiro Wanderlei Torres, da Trimec. Todos transitam no Paiaguás, mas se movimentam para reforçar a candidatura de Mendes.

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CONFRONTO | 29/06/2010 - 07:11

Percival ao Senado tira sossego de Maggi e incomoda Taques

Romilson Dourado

 Fernando Ordakowski

Percival Muniz possui base em regiões "dominadas" por Blairo Maggi e isso traz preocupação ao ex-governador

    Na corrida ao Senado, Blairo Maggi (PR), líder nas pesquisas de intenção de voto, ganhou um adversário de peso em todos os sentidos. Trata-se do deputado estadual Percival Muniz (PPS) que, para salvar a coligação Mato Grosso Muito Mais, resolveu fazer dobradinha eleitoral com Pedro Taques e numa coligação que tem os empresários Mauro Mendes ao governo e Otaviano Pivetta de vice. Embora apresente posições contraditórias, Percival é polêmico, não tem papas na língua, se destaca como exímio articulador político e vai ganhar força em regiões que até agora era mapeadas como territórios livres para passagem do ex-governador rumo ao Senado.

    Ex-deputado federal constituinte, Percival vai confrontar Maggi em Rondonópolis, onde reside, foi vereador e prefeito por dois mandatos. É considerado uma das principais lideranças políticas na região Sul. Maggi também tem base no município, mas, por ter anunciado transferência da sede do Grupo Amaggi, do qual é um dos acionistas, de Rondonópolis para Cuiabá, assim que o seu compadre e então prefeito Adilton Sachetti perdeu a reeleição em 2008, passou a enfrentar desgaste do eleitorado.

     O deputado conseguiu também construir base em todo o Araguaia, onde, inclusive, possui fazenda. No Médio-Norte, Percival é praticamente desconhecido, mas aposta no apoio do colega deputado e candidato a vice-governador Otaviano Pivetta (PDT), ex-prefeito de Lucas do Rio Verde. Na Grande Cuiabá, vai contar com "empurrão" do candidato a governador Mendes, que concorreu e perdeu, no segundo turno, a última eleição municipal. O deputado socialista deve preencher sua chapa de suplentes com ao menos um representante do Nortão, tudo para tentar construir frentes nas todas regiões.

     O surgimento da candidatura de Percival para senador, com intenção de "atirar para todos os lados" e de ganhar visibilidade para disputa à Prefeitura de Rondonópolis em 2012, deve tirar o sossego não apenas do ex-governador Maggi, de quem foi aliado por praticamente todos os sete anos de mandato, mas até do aliado Pedro Taques, com quem vai fazer "dobradinha eleitoral". O deputado nada tem a perder. Entra como zebra e, dependendo do rumo que as eleições tomar, pode virar senador. Como possui maior "bagagem política" e, em tese, é mais conhecido do que o candidato do PDT, é provável que o deputado do PPS venha a ficar entre os quatro mais cotados para o Senado, deixando Taques para trás. São duas vagas em jogo e o quadro se desenha com sete candidaturas: Maggi, Antero de Barros (PSDB), Carlos Abicalil (PT), Taques, Percival, Jorge Yanai (DEM) e Mauro Lara (PSOL).

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CONFRONTO | 28/06/2010 - 10:33

Diogo desmente Rodrigo e não vai "bater chapa" com Taques no PDT

Romilson Dourado

Diogo Sachs descarta candidatura   O advogado Diogo Egídio Sachs negou qualquer pretensão de "bater chapa" na convenção do PDT marcada para quarta (30) com o ex-procurador da República Pedro Taques em eventual briga para o Senado. Ele se diz surpreso com as declarações nesse sentido de Rodrigo Rodrigues, que integra a Executiva regional pedetista. Excluído, Rodrigo passou a trabalhar contra a coligação Mato Grosso Muito Mais (PSB, PDT, PPS e PV), que fechou composição majoritária com Mauro Mendes ao Governo e Otaviano Pivetta de vice, além de Pedro Taques e Percival Muniz ao Senado.

    Ex-diretor da Agência de Regulação de Serviços Delegados (Ager-MT) e ex-delegado de Polícia, Diogo garante que Rodrigo, sequer, o consultou antes de anunciar sua eventual pretensão política. "Ele (Rodrigo) não me consultou. Não tem a minha anuência para ter falado isso". Diogo acredita que o ex-assessor do deputado Pivetta certamente deva ter procurado o blog para fazer tais comentários antes de consultá-lo para saber se, afinal, toparia ou não ser candidato. "Estou completamente fora disso. Estou cuidando do meu escritório de advocacia", explicou Diogo.

   Em verdade, Rodrigo tenta tumultuar o bloco que se firmou como terceira via. Mesmo isolado, acha que conseguirá excluir as candidaturas de Taques e Pivetta por entender que possui apoio da maioria dos convencionais que vão votar nesta quarta, durante o congresso do partido na escola estadual Liceu Cuiabano. Outro que também passou a disparar contra a aliança, tendo como principal alvo Pivetta, é Valdinei Barbosa, que também foi exonerado do gabinete do parlamentar. Rodrigo e Valdinei são dois dissidentes que, ao entrarem em conflito com a cúpula, acabam por prolongar uma crise política que poderia ter chegado ao fim neste domingo, com a decisão por projeto próprio. A dupla tem motivado o radialista Mário Márcio Torres a se lançar também como candidato a vice-governador na convenção do PDT para contrapor Pivetta. Pelo visto, tudo não passa de um balão-de-ensaio.

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CONFRONTO | 19/06/2010 - 19:57

De velhos aliados do PMDB, Silval e Wilson agora travam embates

Romilson Dourado


Silval Barbosa e Wilson Santos foram fortes aliados no PMDB e agora, em campos opostos, travam embate eleitoral

   Nesta fase das convenções, quando os candidatos, à espera da homologação de seus nomes para encarar o teste das urnas, começam a intensificar a campanha, há encontros inusitados. Velhos amigos que, na briga pelo poder político, se tornam adversários, passam a olhar atravessado para aquele com quem já atuou junto. Por outro lado, muitos que se apresentavam como inimigos políticos, se tornam aliados de primeira hora. Essa confusão e debandada na vida pública só não é maior porque o Tribunal Superior Eleitoral pisou no freio, quando instituiu, a partir de março de 2007, a regra pró-fidelidade partidária. Com isso, o temor da perda do mandato levou os ocupantes de cargos eletivos a se acomodar onde já estavam.

   Wilson Santos e Silval Barbosa, por exemplo, foram militantes do PMDB. Pelo partido, o hoje tucano concorreu, sem êxito, ao cargo de prefeito de Cuiabá, em 2000. Depois, ainda na legenda peemedebista conquistou cadeira de deputado federal, em 2002. A vitória de Wilson ao Palácio Alencastro só veio em 2004, quando já estava no PSDB e, depois, a reeleição, em 2008, também pela agremiação tucana.

     Enquanto Wilson teve passagem pelo PDT, PMDB e PSDB, Silval se mostrou "mais fiel" partidariamente. Começou no PTB e fincou bandeira de vez no PMDB. Foi prefeito de Matupá, deputado estadual por dois mandatos e, depois de se eleger vice-governador em 2006, chegou neste ano ao posto de chefe do Executivo estadual. Agora, Wilson e Silval estão em campos opostos. São os principais concorrentes à cadeira de governador. Vivem na trincheira. Não existe mais aquela conversa cordial de quando eram aliados.

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CONFRONTO | 15/06/2010 - 21:13

Números do Ibope para governo diferem da última pesquisa Mark

Romilson Dourado

Marco Polo, do instituto Mark   Os números desta segunda rodada do Ibope, com empate técnico em 29% entre Silval Barbosa e Wilson Santos, diferem da última pesquisa do instituto Mark, que trouxe o peemedebista com uma vantagem de 12 pontos percentuais sobre o tucano. No mesmo levantamento do Ibope realizado no mês passado, Silval aparecia em primeiro, embora com placar apertado: 31% a 27%.

    Na última amostragem da Mark feita entre 19 e 24 de maio, o governador estava com 38,2%, seis pontos percentuais a mais se comparada à pesquisa realizada pelo mesmo instituto entre 16 e 21 de abril. Wilson pontuava com 26,2%, contra 30,2% de abril, enquanto Mauro Mendes (PSB) aparecia com 16,1%, 3 pontos percentuais a menos - confira o levantamento completo aqui.

    Nas primeiras rodadas da Mark e do Ibope os números estavam praticamente similares. Agora, começam a apresentar diferenças, embora esta amostragem do Ibope tenha sido feita um mês depois do trabalho de campo da Mark. Questionado sobre os números diferentes, o sócio-proprietário do instituto Mark, empresário Marco Polo, disse considerar importante haver esse tipo de comparação porque traz mais transparência ao trabalho dos institutos de pesquisa. "Confio veementemente no meu instituto. Vamos ver se as próximas pesquisas confirmarão ou não essa tendência de empate para governador", destacou Marco Polo.

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CONFRONTO | 12/06/2010 - 07:40

Percival briga com todos e se isola

Romilson Dourado

    O presidente regional do PPS, deputado Percival Muniz, vem "atirando" para todos os lados e acabou arrumando confusão com lideranças, grupos políticos e pré-candidatos majoritários, inclusive com os próprios aliados. Agora, se vê isolado. Com posições contraditórias, ele admite concorrer a qualquer cargo eletivo, mas já perdeu a oportunidade de vir a ser vice da chapa de Mauro Mendes (PSB) a governador, motivado justamente pelo perfil polêmico e, pelo visto, só restará ao ex-prefeito de Rondonópolis buscar a reeleição.

   Percival, que já passou pelo PDT, PMDB, PSB e PSDB e hoje conduz o PPS em Mato Grosso, se envolveu em várias confusões. É daqueles que não tem papas na língua. Apresenta discurso que acaba perdendo a contundência por causa do seu histórico político. Nas eleições municipais de 2008, por exemplo, rompeu com Adilton Sachetti, que buscava a reeleição, e se transformou em cabo eleitoral do peemedebista Zé do Pátio. Depois, abandonou o palanque do hoje prefeito e, nos bastidores, se reaproximou de Sachetti, que foi derrotado.

   O deputado foi um dos responsáveis pelas duas eleições de Blairo Maggi ao Paiaguás, em 2002 e 2006. No segundo mandato, porém, se distanciou da administração, principalmente após a esposa Ana Carla Muniz deixar a pasta da Educação. Na Assembleia, pediu desculpas publicamente após comparar seus colegas parlamentares, incluindo ele próprio, a Caititu, por entender que todos andavam como porco do mato, em bando e numa só direção, em alusão ao fato da Assembleia seguir orientação do governo e votar projetos sem questionamentos.

    Mergulhado nas articulações visando às eleições gerais deste ano, Percival, em princípio, saiu em defesa do nome do senador Jayme Campos (DEM) para governador. Depois, passou a cortejar o ex-prefeito da Capital Wilson Santos (PSDB). Como Wilson insinuou, em discurso em Rondonópolis, que Percival, então vice-prefeito, teria "armado" contra o então titular Alberto de Carvalho para assumir a prefeitura, o deputado ficou na bronca e se distanciou do tucano. Passou, então, a motivar Mauro Mendes a entrar no páreo. Conseguiu convencê-lo a trocar o PR do ex-governador Maggi pelo PSB e se tornou opção para vice da chapa.

    O problema é que a orientação do presidente nacional da legenda socialista, ex-senador Roberto Freire, é para o PPS se coligar com o PSDB, que tem Wilson como pré-candidato a governador e José Serra à Presidência. Percival partiu para o enfrentamento com Freire, mas recuou quando percebeu que poderia ser destituído do comando da sigla e ainda ter o projeto de reeleição comprometido.

     Como a coligação Mato Grosso Muito Mais, como PSB, PPS, PDT e PV, encontra dificuldades para se viabilizar, inclusive devido a brigas internas entre o presidente do PSB Valtenir Pereira com Mendes, Percival agora dispara ataques ao governador Silval Barbosa (PMDB), que busca a reeleição. Acusa-o de comprar o PSB de Valtenir e de cometer abuso de poder político e econômico. A expectativa agora, nesta fase das convenções, e sobre quem Percival Muniz, com sua metralhadora giratória, vai escolher como "as próximas vítimas", enquanto as munições não acabam.

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CONFRONTO | 09/06/2010 - 10:52

Valtenir leva para convenção futuro de Mendes; PSB deve apoiar Silval

Romilson Dourado

  Fernando Ordakowski

Valtenir Pereira se articula por composição com o PMDB de Silval, enquanto Mendes insiste com projeto próprio

    O presidente regional do PSB, deputado Valtenir Pereira, encontrou uma estratégia "democrática" para, com apoio dos filiados, "derrubar" o projeto de candidatura própria de Mauro Mendes. Vai empurrar para o dia da convenção, que deve ocorrer na última semana deste mês, o destino político do empresário. Caberá a militância da legenda socialista decidir se lança Mendes ao Paiaguás ou se coliga com o PMDB, em apoio à reeleição do governador Silval Barbosa. Embora tentem conter os ânimos publicamente, Mendes e Valtenir estão em rota de colisão. Racharam o partido, que já é tido como nanico.

   De um lado, Mendes insiste com o projeto majoritário, com apoio do PPS, PDT e PV, legendas que também vivem sob conflitos. De outro, Valtenir sinaliza para composição com a base governista para, assim, tentar salvar sua reeleição, já que com a coligação Mato Grosso Muito Mais sabe que dificilmente se elegerá um deputado federal diante de um quociente eleitoral de 194 mil votos. O desejo de Valtenir, embora ainda desconverse sobre o assunto, é do PSB fazer parte da coligação pró-Silval, que já reune PR, PT, PMDB. Assim, o PSB entraria no chapão, que deve eleger de 4 a 5 federais, conforme estimativa do grupo. Já para estadual, o PSB concorreria com chapa pura. Essas negociações estão sendo "costuradas" com o bloco do governador e com a chamada turma da botina, ala conduzida pelo ex-governador Blairo Maggi, pré-candidato ao Senado.

    Assim como Pedro Taques, que está em pré-campanha ao Senado pelo PDT e aparece na condição de lanterna nas pesquisas, Mauro Mendes também se vê numa situação política delicada. Seu projeto está sendo "engolido" pelos concorrentes Silval e Wilson Santos (PSDB). Os dois jogam pesado na cooptação de partidos e lideranças. O PPS, por exemplo, está praticamente fechado com o tucanato, depois da orientação do presidente nacional Roberto Freire. O PDT abriu diálogo com o Paiaguás, mesmo sob protesto do seu presidente regional Otaviano Pivetta e do próprio Taques.

   Além de priorizar sua recandidatura, o deputado Valtenir está dando troco em Mendes por considerar que este "agiu com arrogância" e procurou o PSB para filiação somente depois de ter feito várias articulações externas, principalmente com os presidentes do PPS e PDT, respectivamente, deputados Percival Muniz e Pivetta. Valtenir foi o último a saber da decisão do empresário de trocar o PR pelo PSB. Afoito, Mendes entrou no partido sem a preocupação de conquistar apoio da maioria do diretório estadual e não soube atrair os simpatizantes dos municipais. Isso o enfraquece internamente. Se depender da maioria dos filiados socialistas, que são orientados por Valtenir, a candidatura de Mendes não passa na convenção. Ele já percebeu que o processo de "fritura" começou.

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CONFRONTO | 08/06/2010 - 21:36

Taques é cobrado e briga no PDT

Romilson Dourado

 Fernando Ordakowski

Pedro Taques aderiu ao PDT, tenta consolidar seu projeto ao Senado, mesmo com obstáculos dentro do partido

   É extremamente delicada a situação do pré-candidato a senador José Pedro Taques. Motivado pela inexperiência política e falta de habilidade, ele acabou trombando com parte dos filiados do PDT, que ensaiaram coro contra o projeto majoritário por considerar Taques autoritário, centralizador e por ignorar algumas sugestões. Os rebeldes só recuaram com a intervenção do presidente regional, deputado Otaviano Pivetta. Mesmo assim, a crise continua. Foi tensa a reunião da Executiva realizada na segunda, um dia após Rodrigo Rodrigues, assessor de Pivetta e pré-candidato a deputado federal, trocar farpas publicamente com Taques.

    Na bronca por causa de conspirações, Pedro Taques compareceu à sede do partido, em Cuiabá, e logo mandou pegar sua ficha de filiação. Estava determinado a rasgá-la, dependendo do rumo das discussões. Pivetta o conteve. Disse que o ex-procurador da República não poderia jogar fora a chance de se consolidar como novo líder político e que a chance de se eleger senador é real. Filiados históricos, como Alonso Alcântara e Valdinei Barbosa, foram duros com Taques. Frente-a-frente, disseram que o pré-candidato precisa ter mais humildade no convívio com a militância. 

     Em verdade, Taques se mostra nervoso porque está chegando o período das convenções, que acontecem de 10 a 30 de junho, na condição de lanterna nas pesquisas de intenção de voto. Na briga pelas duas cadeiras de senador, ele ficaria hoje atrás do deputado federal Carlos Abicalil (PT), do ex-senador Antero de Barros (PSDB) e do ex-governador Blairo Maggi (PR). Sua esperança é de melhorar o desempenho nas pesquisas a partir do horário eleitoral e dos debates. Serão oportunidades para se tornar mais conhecido e de levar sua mensagem e proposta de trabalho a todo eleitorado.

    Por enquanto, o ex-procurador da República que renunciou ao cargo vitalício convicto de que vai virar senador está atuando mais como bombeiro para apagar incêndio dentro do PDT. As brigas em outros partidos do grupo, como no PPS e no PSB, surgem também como complicadores e acabam por prejudicar as pré-candidaturas de Taques e do empresário Mauro Mendes, que trocou o PR pelo PSB para entrar na corrida pelo Palácio Paiaguás como espécie de líder da terceira via e, assim, contrapor as candidaturas de Silval Barbosa (PMDB) e de Wilson Santos (PSDB). A água está entrando no barco dos dois.

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CONFRONTO | 01/06/2010 - 09:19

Baiano disputa espaço com o casal Bezerra por cadeira de deputado

Romilson Dourado

 Fernando Ordakowiski

No PMDB, o ex-secretário Baiano Filho corre por fora e enfrenta briga com Teté Bezerra por cadeira na Assembleia

   A pré-candidatura de Baiano Filho a deputado pelo PMDB começou a trazer preocupação ao casal Bezerra. Acontece que o deputado federal Carlos Bezerra, cacique do partido e pré-candidato a reeleição, aposta todas as fichas na eleição da esposa Teté à vaga na Assembleia e, se necessário, vai "patrolar" os aliados internos para não sair derrotado nas urnas. Com essa estratégia, ele prioriza tanto a mulher que os demais se consideram ignorados pelo partido e, mesmo assim, Teté corre risco de ficar atrás de Baiano, ex-secretário de Estado de Esportes e Lazer que permaneceu por mais de cinco anos fazendo ações políticas dentro da pasta, já pensando nas eleições. Baiano foi do PPS, migrou para o PR do ex-governador Blairo Maggi e ingressou no PMDB em busca de melhor espaço. Conseguiu reforçar sua base em Sinop, onde reside. Tem respaldo do prefeito Juarez Costa, do mesmo PMDB, e da esposa, vereadora Luzenir.

   Com um quociente eleitoral de 64 mil votos, a cúpula peemedebista tem consciência de que só deve eleger dois. Na melhor das hipóteses, conquistaria uma terceira vaga na sobra. Os nomes mais fortes, levando-se em consideração estrutura, densidade eleitoral e experiência política, são de Baiano, de Teté e do já deputado Adalto de Freitas, o Daltinho, que busca a reeleição, assim como Nilson Santos. Baiano ja disputou e perdeu a Prefeitura de Sinop. Antes, foi vereador por três mandatos (1992/2002). Em 2002, tentou, sem êxito, vaga de deputado estadual. No ano seguinte, virou secretário de Estado do governo Maggi e só veio a se afastar de vez da administração em março deste ano.

    Se dê um lado o PMDB ganhou força com a chegada de Silval Barbosa ao comando do Estado e agora como pré-candidato à reeleição, de outro perdeu espaço na Assembleia, com as renúncias de Juarez Costa e Zé do Pátio, hoje prefeitos de Sinop e Rondonópolis, respectivamente, e ainda com a perda de Walter Rabello, que foi para o PP e acabou cassado por infidelidade partidária. Entraram no lugar dos três Jota Barreto, que é do PR, Antonio Brito, que tem atuação tão pífia que nem buscará novo mandato, assim como Nilson Santos. O PMDB não possui hoje um "puxador de votos". Enquanto Bezerra acredita que Teté aproveitará essa brecha para ser a mais votada, Baiano corre por fora, com a máquina do Estado através do seu porta-voz, o sucessor Laércio de Arruda. Em Sinop, ainda convive com outros adversários em Sinop, que são o deputado Dilceu Dal Bosco (DEM) e o vereador Gilson de Oliveira (PP).

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CONFRONTO | 31/05/2010 - 07:32

PPS racha e deve sofrer intervenção

Romilson Dourado

 Fernando Ordakowski

Percival Muniz garante apoio a Mauro Mendes, enquanto Ivan Evangelista diz que sigla estará com Wilson Santos

   Os presidentes do diretório estadual e do municipal de Cuiabá, respectivamente, deputado Percival Muniz e vereador Ivan Evangelista, travam uma briga interna pela definição do rumo do PPS nas eleições no Estado. Ambos já recorreram à direção nacional, sob o ex-senador Roberto Freire (PE), e apresentam versões diferentes. Percival sustenta que a legenda socialista já decidiu, por maioria absoluta, pelo apoio ao nome do empresário Mauro Mendes (PSB) na corrida ao governo estadual. Nesse caso, o próprio deputado ou sua esposa Ana Carla Muniz entraria na chapa como vice. Já Ivan garante que a orientação nacional é por coligação com o PSDB, que tem o ex-prefeito cuiabano Wilson Santos como pré-candidato a governador. Para acabar com a polêmica, a tendência é que a Nacional venha decretar intervenção, o que resultaria na dissolvição do diretório para nomeação de uma comissão provisória.

    Divergências ocorrem em todos os partidos, principalmente às vésperas das convenções, mas os maiores conflitos estão dentro do PPS, PDT e PT. Qualquer que seja a decisão, dificilmente essas siglas conseguirão convergir os filiados para a unidade. As brigas entre Percival e Ivan foram para o campo pessoal e, para piorar, são motivadas por interesses pessoais. O deputado, para ser vice da chapa majoritária, vê como única chance aliança com Mendes, num bloco que conta com PSB, PDT e PV. Ivan, por sua vez, se comprometeu a conduzir a agremiação para os braços de Wilson após conseguir indicar aliados para vários cargos na prefeitura, num acordão envolvendo o petebista Chico Galindo, que tomou posse no Palácio Alencastro com a renúncia do tucano. No encontro do último sábado do bloco pró-Wilson, composto pelo PSDB, DEM e PTB, Ivan levou cerca de 50 militantes para fazer barulho. Foi o primeiro a discursar e reforçou que o PPS estará no grupo.

    Com o então governador Blairo Maggi no quadro de filiados, o PPS que havia se tornado o maior partido no Estado, ocupando vários cargos eletivos, entre eles o comando de 55 prefeituras e com uma bancada de 6 deputados na Assembleia, ficou minguado com a saída de Maggi, hoje no PR. No Legislativo mato-grossense só sobrou Percival. Como o partido não consegue construir a unidade visando o pleito deste ano, a tendência é que fique mais pequeno ainda.

    Ex-deputado federal constituinte e ex-prefeito de Rondonópolis por dois mandatos, Percival esteve reunido com Freire semana passada. Deixou o encontro espalhando que a aliança com Mendes estava fechada, com respaldo da Nacional e que a única condicionante seria do PPS mato-grossense apoiar o presidenciável tucano José Serra. Como foi provocado depois pelo grupo de Ivan, vereador de quarto mandato, Freire apresentou versão diferente da de Percival. Avisou que não abre mão da aliança com o tucanato. A decisão oficial, pelo visto, vai mesmo para as convenções, inclusive até sob risco de haver intervenção no diretório estadual.

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CONFRONTO | 30/05/2010 - 07:09

Sob Bezerra e Totó, velho PMDB quer lançar Elarmin ao Senado

Romilson Dourado

Deputado Carlos Bezerra, cacique do PMDB    O cacique do PMDB, deputado federal Carlos Bezerra, prepara um movimento de bastidores, numa ação com o seu afilhado político Totó Parente, para lançar ao Senado o ex-deputado e ex-superintendente do Incra-MT, advogado Elarmin Miranda. Essa foi a estratégia encontrada pela velha safra do partido para pressionar tanto o governador Silval Barbosa, que busca a reeleição, quanto Blairo Maggi, líder nas intenções de voto para o Senado. O ato deve ocorrer na próxima semana e, se não for contido, pode provocar racha na base governista, já que os nomes colocados à senatória são de Maggi e do deputado federal Carlos Abicalil (PT).

   Com o nome de Elarmim colocado como alternativa peemedebista à chapa majoritária, o grupo que se sente excluído de cargos pelo Palácio Paiaguás pretende deixar acuado a dupla Silval-Maggi e, assim, abrir, na marra, negociação para o advogado. A intenção é emplacar Elamin como primeiro-suplente, de preferência de Maggi. O bloco aceita também vaga para suplência de Abicalil, que aparece empatado tecnicamente com Antero de Barros (PSDB) na corrida às duas vagas que serão abertas para representação de Mato Grosso no Congresso Nacional.

   A decião por lançar Elarmin surgiu no decorrer da semana. Embora não admita publicamente, o ex-vereador por Cuiabá Totó Parente, que vem agindo também em sintonia com o pré-candidato a governador Mauro Mendes (PSB), voltou a bater no seu colega de legenda, governador Silval. Na reunião, disse que o chefe do Executivo continua agindo como um "banana", não abre espaço para os "companheiros de sigla" na administração e "faz o jogo que o Blairo quer" e, para piorar, não segue as diretrizes do PMDB. Foi a partir dessas discussões que a velha guarda sugeriu lançar o nome de Elarmin para provocar discussão na base governista sobre projetos majoritários. Mesmo considerando Maggi uma "pessoa difícil para negociar", inclusive por já se considerar eleita, os peemedebistas capitaneados por Bezerra e Totó vão exigir participação na chapa.

    Não será uma tarefa fácil. Em meio a uma série de sugestões, Maggi já tem praticamente definido o seu primeiro-suplente. Trata-se do ex-secretário de Projetos Estratégicos e ex-prefeito de Nova Marilândia, José Aparecido dos Santos, o Cidinho (ex-DEM e hoje PR). Cidinho presidiu a Associação Mato-Grossense dos Municípios por duas vezes e estava em pré-campanha a deputado estadual quando recebeu convite do ex-governador para compor a chapa. A direção estadual do PR tenta avocar para si essa discussão, com o propósito de indicar Moisés Sachetti à primeira-suplência, mas essa estratégia, pelo visto, surgiu tarde demais. Só restaria para Elarmin a segunda-suplência na chapa de Maggi, condição que o "velho PMDB" não demonstra interesse.

   No caso de Abicalil, não existe definição de nomes. Dentro do PT quatro se inscreveram para as duas vagas. O deputado posterga a definição, que deve ocorrer mesmo nas convenções do próximo mês. As vozes do "velho PMDB" não têm ecoado no Paiaguás por razões estratégicas. Silval conta com pesquisas qualitativas que mostram alto índice de rejeição a figuras como de Totó e Bezerra e, por isso, decidiu mantê-los à distância. Não quer ser contaminado por mais desgaste. Seus assessores consideram que o governador já enfrenta problemas demais, principalmente depois dos escândalos sobre compra superfaturada de maquinário e as prisões de membros da administração estadual por causa de crimes ambientais.

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CONFRONTO | 26/05/2010 - 10:10

Totó já abandona Silval e articula o marqueteiro Duda para Mendes

Romilson Dourado

Ex-vereador Totó Parente   Depois da frustração por não ter conseguido emplacar correligionários em cargos de primeiro e segundo escalões do governo Silval Barbosa, do seu partido, o PMDB, o ex-vereador por Cuiabá Totó Parente "colou" em Mauro Mendes, pré-candidato a governador pelo PSB. A primeira estratégia de bastidores de Totó para mostrar poder de articulação foi promover um encontro entre o empresário e o marqueteiro Duda Mendonça. A ideia é ter Duda como consultor de marketing.

    Nesta fase de pré-campanha, Mendes, que disputou e perdeu a Prefeitura de Cuiabá no pleito de 2008, é orientado pelo jornalista e publicitário Lúcio Sorje e quer reforçar a equipe, contratando Duda Mendonça. O trabalho de Totó não poderia vir a público para não deixá-lo em saia-justa com Silval, mas a informação sobre conspiração "vazou".

    Duda foi quem conduziu a campanha vitoriosa de Lula à Presidência, em 2002. Quatro anos depois, ele se afastou do Palácio do Planalto devido ao seu envolvimento no escândalo do mensalão. Em Mato Grosso, Duda fez campanha e saiu derrotado com o deputado federal Wellington Fagundes à Prefeitura de Rondonópolis em 2004. Totó Parente tem se esforçado agora para Duda e Mendes chegarem a um acordo. Nessa negociação, o ex-vereador também ganha o seu quinhão.

     A investida de Totó pró-Mendes já ganhou repercussão negativa junto ao governador Silval, que busca a reeleição, e também provocou a ira de alguns líderes do PMDB. Eles consideram injusto o ex-vereador partir para represália, já que sinaliza para oposição ao peemedebista, após não conseguir cargos na administração.

    Totó pertence à velha guarda peemedebista. Foi vereador (2000/2004). Antes, concorreu e perdeu para deputado pelo Estado de São Paulo. Em 2004, foi derrotado a prefeito de Cuiabá, com votação decepcionante. Em 2006 ajudou na coodenação da campanha presidencial de Anthony Garotinho. Entre os cargos comissionados ocupados por Totó estão de assessor do ministro Alexandre Padilha (Assuntos Institucionais) e de secretário de Desenvolvimento do Centro-Oeste, vinculado ao Ministério da Integração Nacional. Hoje, atua nos bastidores em Brasília, Rio e Mato Grosso. Para estas eleições, Totó até ensaiou pré-candidatura a deputado estadual, mas desistiu para apoiar Teté Bezerra, a pedido do seu padrinho, o cacique peemedebista Carlos Bezerra.

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CONFRONTO | 23/05/2010 - 13:10

Sob clima tenso, encontro do PT é marcado por troca de acusações

Romilson Dourado

   O encontro estadual do PT para definição de candidaturas e do rumo para as eleições de outubro começou neste domingo sob clima tenso. Cerca de 400 militantes estão no auditório da Fimtec, no Porto, em Cuiabá. O congresso teve início às 10h30. Deve se estender até às 15h.

    Em meio a discursos, os grupos do presidente estadual do partido, deputado Carlos Abicalil, e da senadora Serys Marly, expõem clima de racha. A cisão vem desde as prévias do mês passado, quando Abicalil venceu Serys para ser candidato ao Senado. A partir daí, Serys levou seus aliados a fazer campanha contra Abicalil, inclusive defende para o Senado a pré-candidatura do ex-procurador da República Pedro Taques, que é filiado ao PT, e, para governador, o empresário Mauro Mendes (PSB).

    No encontro, houve troca de farpas e acusações. Todos que se inscreveram como postulantes às candidaturas majoritárias e proporcionais foram apresentados. Quando foi anunciado o nome de Abicalil para o Senado, metade da plateia o aplaudiu, enquanto os demais ficaram em silêncio e de braços cruzados. Foi uma forma de protestar contra o que Serys chamou de boicote a seu projeto de reeleição. Na abertura, a senadora ponderou que voltará a usar da palavra para debater as pautas.

    Embora o bloco de Abicalil represente a maioria, não será tarefa fácil para o dirigente petista concluir o encontro sem deixar sequelas. O que deveria ser apenas uma proposta em debate, a de votar por apoio a candidatura ao Palácio Paiaguás do governador Silval Barbosa (PMDB), a militância decidiu ampliar a discussão e sugeriu mais duas alternativas.

    Agora, os delegados vão votar por adesão à candidatura de Silval ou de Mendes ou até para só decidir o nome de quem vai apoiar no final de junho, já dentro do prazo-limite estabelecido para as convenções. O grupo de Abicalil se movimenta para fechar logo coligação pró-Silval. Existe, inclusive, proposta do Paiaguás de abrir mais espaço ao petismo no primeiro escalão, tudo para conquistar logo oficialmente o partido. Hoje o PT conduz a Educação, sob Rosa Neide.

    A maioria dos discursos foi em tom raivoso, expondo brigas internas e até acusações contra petistas chamados de alprados por envolvimento em escândalos, o que contribuiu para manchar a imagem da legenda. Entre os que discursaram antes da discussão das pautas estão o ex-presidente do PT da Capital Jairo Rosa, a ex-deputada estadual Vera Araújo, os deputados estaduais Ságuas Moraes e Ademir Brunetto e o próprio Abicalil.

CONFRONTO | 17/05/2010 - 07:33

PSDB orienta ação na Justiça contra maquinário para sufocar efeito PAC

Romilson Dourado

Aparecido Alves, do PSDB   A ação popular movida contra o governo do Estado, que resultou na decisão da Justiça de determinar perícia técnica no maquinário distribuído aos municípios por causa de indícios de sobrepreço e de outras irregularidades, foi articulada nos bastidores pelo PSDB, legenda do ex-prefeito cuiabano Wilson Santos, pré-candidato a governador.

    Em princípio, seria o próprio partido quem assinaria a ação, mas, como a informação "vazou" e houve temor de que o tiro poderia sair pela culatra, buscou-se, então, entendimento com Antonio Sebastião Gaeta, morador em Jaciara.

    O pedido para Gaeta recorrer à Justiça foi tramado pelo vice-prefeito de Jaciara Leopoldo Mendonça, pelo ex-vereador Milton Ferreira Júnior e pelo coordenador das obras do PAC em Cuiabá Aparecido Alves, o Cido, que também possui base eleitoral no município. Leopoldo e Cido são do PSDB e, numa análise junto à cúpula estadual, com participação do ex-senador Antero de Barros e do principal interessado no assunto Wilson Santos, concluíram que, com a formalização da denúncia, poderia complicar ainda mais a situação política e jurídica do ex-governador Blairo Maggi e do sucessor Silval Barbosa, que busca a reeleição. A estratégia seria tumultuar e causar transtorno nas prefeituras porque há possibilidade de todas as máquinas pesadas e caminhões que estão operando nos municípios serem recolhidos para o trabalho de perícia em Cuiabá. Nesse caso, o desgaste seria maior para as imagens de Maggi e Silval, pré-candidatos ao Senado e ao Paiaguás.

    Na ação, Gaeta, que tem como advogado Félix Marques, candidato derrotado a deputado e a vereador, pede confisco das máquinas, indisponibilidade dos bens de Maggi, do secretário Éder de Moraes (Casa Civil) e dos ex-secretários Geraldo de Vitto e Vilceu Marchetti, que pediram exoneração das pastas de Administração e Infraestrutura, respectivamente, e ainda que todos venham a responder por atos de improbidade. Os pedidos foram deferidos parcialmente pelo juiz federal Julier Sebastião da Silva.

    O problema é que, politicamente, esse tipo de procedimento se torna uma faca de dois gumes. De um lado, surge um PSDB em defesa da moralidade e da investigação das denúncias sobre superfaturamento na aquisição do maquinário, que custou R$ 241 milhões, com financiamento do BNDES, mas, de outro, traz uma certa ira de prefeitos e moradores porque ficariam sem os serviços de melhoria na infraestrutura, principalmente no caso de recuperação de estradas vicinais. Na bronca, eles poderiam enfraquecer a candidatura de oposição.

   A jogada do tucanato, que sonha em reconquistar o Paiaguás com Wilson, oito anos depois de comandar o Estado com Dante de Oliveira (já falecido), é explorar o escândalo das máquinas para sufocar um outro escândalo, o das fraudes nas licitações das obras do PAC na Capital, que resultaram no ano passado até em prisões de advogados, agentes públicos, empreiteiros, políticos e servidores. Assim, os tucanos acham que, na pior da hipóteses, vão ficar empatados com o grupo de Maggi e Silval quanto aos esquemas de fraudes. A oposição tem problemas com o PAC e, a ala governista, com as máquinas.

   Os projetos do PAC, com previsão de R$ 238 milhões de investimentos da União em saneamento básico em Cuiabá, continuam empacados desde a gestão Wilson como prefeito. Agora, quem está sob ameaça de também ficar empacado são os municípios, que receberam do Estado maquinário superfaturado. Essas discussões transcedem ao interesse da Justiça e ganham maior força na questão política, afinal, estamos a um mês das convenções e a quatro das eleições gerais.

(Às 11h40) - Coordenador do PAC nega relação com Gaeta; ex-vereador também contesta

   Aparecido Alves, da Executiva regional do PSDB e coordenador do PAC em Cuiabá, contesta a informação de que teria agido nos bastidores, no sentido de motivar Antonio Gaeta a propor ação popular contra o governo do Estado diante do escândalo das máquinas. "Não tenho qualquer relacionamento com o Gaeta. Além do mais, fiquei sabendo que ele é filiado ao PR", afirma Cido, que está se dedicando à campanha do colega tucano Wilson Santos à sucessão estadual.

   O ex-vereador por três mandatos Milton Ferreira garante também não ter qualquer participação na decisão de Gaeta. Lembra que atua como secretário de Indústria e Comércio de Jaciara e que deixou o PMDB e está prestes a ingressar no PR do ex-governador Blairo Maggi. Miltinho diz ser até adversário político de Gaeta. "Estou indo para o PR e não tenho qualquer envolvimento nessa ação. Acredito na inocência de Blairo Maggi nesse processo que resultou na compra das máquinas", diz Milton, para quem a matéria acima está provocando constrangimento e clima de desconfiança junto ao prefeito Max Russi, que é do PR, partido que apoia o projeto de reeleição do governador Silval Barbosa.

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CONFRONTO | 08/05/2010 - 08:40

Abicalil vira saco de pancada de Serys; senadora age como infiel

Romilson Dourado

 Fernando Ordakowski

Carlos Abicalil, dirigente do PT, enfrenta oposição de Serys, que tenta vingá-lo e dificultar sua eleição ao Senado

    Carlos Abicalil enfrenta um drama dentro do PT do qual é presidente estadual: o fantasma do efeito Serys. Ele venceu as prévias para poder concorrer ao Senado, mas se vê assustado com a dimensão que ganhou a campanha da senadora contra sua candidatura. Serys já fez dois pronunciamentos da tribuna do Senado, especialmente para atacar o que chama de boicote do PT de Abicalil a seu projeto de reeleição. Ela até chorou. Alega que sua exclusão do páreo representa até discriminação contra as mulheres. No fundo, age com infidelidade partidária. A estratégia de Serys Marly e de se passar de vítima e, assim, deixar a vida pública daqui a sete meses com a sensação de que só não prosseguiu com mandato porque fora boicotada.

   Abicalil reune hoje as melhores condições eleitorais para a corrida ao Senado se comparado ao nome de Serys, conforme tem mostrado as pesquisas de intenção de voto. Ademais, a tendência Unidade na Luta, da qual é um dos líderes, agrega a maioria dos filiados petistas. Mesmo com a popularidade em baixa, Serys insistiu com o projeto à reeleição até ser derrotada nas prévias. Agora, na bronca, não só lidera movimento anti-Abicalil, como já anunciou que seu candidato a governador será o empresário Mauro Mendes (PSB), em detrimento do peemedebista Silval Barbosa (PMDB), com quem o petismo deve fechar aliança. Para o Senado, ao invés de aderir ao nome do colega de legenda, Serys já avisou que fará campanha para o ex-procurador da República Pedro Taques (PDT).

    Deputado federal de segundo mandato, Abicalil enfrenta quatro desafios neste processo eleitoral: viabilizar seu projeto ao Congresso Nacional, levar o partido a eleger ao menos um federal e dois estaduais, costurar entendimento interno para fechar composição com o bloco pró-Silval e evitar debandada de petistas, que engrossam o movimento em defesa de Serys e que ameaçam com desfiliação em massa.

    Tanto Serys quanto Abicalil já concorreram, sem êxito ao governo estadual. Abicalil disputou em 98 e, Serys, em 2006. A hoje senadora foi deputada por dois mandatos e teve passagem relâmpago pela secretaria de Educação no governo Carlos Bezerra, cacique do PMDB, partido rejeitado hoje pela senadora petista. As brigas internas a cada processo eleitoral tem "engolido" o PT, que chegou ao poder central mas, em Mato Grosso, continua como coadjuvante desde a sua fundação, há quase três décadas.

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CONFRONTO | 02/05/2010 - 22:23

Jayme tenta enquadrar prefeitos e vice; há resistência a Wilson

Romilson Dourado


Senador Jayme Campos, que não se empenhou na campanha dos candidatos do DEM em 2008, com exceção do caso do  irmão Júlio Campos, cobra comprometimento e fidelidade dos gestores ao nome de Wilson ao governo
Foto: Edson Rodrigues

   O senador Jayme Campos, cacique do DEM, dará ultimato aos prefeitos e vice da legenda no sentido de "abraçar" a pré-candidatura a governador do ex-adversário político dos anos 1990 e 2000 Wilson Santos (PSDB). Ele convocou reunião para esta segunda (3) à noite, no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá. O ex-governador tenta empolgar os filiados a se envolver no projeto majoritário. O problema é que muitos resistem. Não declaram publicamente porque, sob á égide da lei pró-fidelidade partidária, temem contrariar a sigla e enfrentar processo de expulsão, o que culminaria até na perda do mandato. Apesar disso, nos bastidores, vários dos 23 prefeitos democratas eleitos em 2008 assumem que vão apoiar o projeto de reeleição do governador Silval Barbosa (PMDB).

   Jayme está diante de uma missão árdua. Ele assumiu compromisso de, dentro do arco de alianças com PSDB, DEM e PTB, reforçar a candidatura de Wilson à sucessão estadual. Caberá ao DEM, inclusive, indicar o vice da chapa. Há dois desafios internos para o cacique do antigo PFL, que "morreu" para provocar o nascimento do DEM: convencer os filiados de que as divergências do grupo com Wilson são coisas do passado e encorajar os gestores a se contrapor ao nome de Silval, que detém o poder da máquina estadual.

    Como o senador pouco ajudou seus então candidatos a prefeito no pleito de 2008, agora se mostra impotente para cobrar empenho e fidelidade. Os prefeitos eleitos e/ou reeleitos pelo DEM argumentam que não tiveram apoio da cúpula, principalmente de Jayme, que preferiu permanecer praticamente toda a campanha no palanque do irmão em Várzea Grande, o ex-governador Júlio Campos, que acabou derrotado pelo hoje prefeito de dois mandatos Murilo Domingos (PR). Democratas que se mostram rebeldes acham que agora é o momento certo de dar o troco ao cacique do partido e, de quebra, enfraquecer a candidatura tucana ao Paiaguás.

    Minguado

    Na última eleição, o DEM saiu menor. Seus 23 prefeitos que conquistaram êxito nas urnas são de municípios pequenos. Juntos, eles representam 139,7 mil eleitores. Dentro do mapa eleitoral que emergiu do pleito de 2008, o DEM ficou com a quinta maior fatia do eleitorado mato-grossense. Está atrás do PT, que elegeu 18 prefeitos de municípios com 153,7 mil eleitores; do PP, com 213,8 mil eleitores distribuídos em 21 municípios; e do PMDB, que tem 22 prefeituras de municípios que, juntos, reunem 376,5 mil eleitores. O PR é o maior, com 32 prefeitos em municípios que representam 525,3 mil eleitores. O PSDB, que até 2002, sob o então governador Dante de Oliveira, era a maior sigla, tem 5 prefeituras. O PPS registra 8 prefeitos cujos municípios somam 56 mil eleitores e, o PDT, 4 municípios com 73 mil.

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CONFRONTO | 29/04/2010 - 11:13

Sob crise, Cintra assume Cultura; Mário deixa o comando do PDT

Romilson Dourado

Mário Márcio Torres, do PDT    Mesmo sob resistência de setores do PDT, o professor e suplente de vereador Sérgio Cintra assume oficialmente nesta sexta (30) a pasta da Cultura da Capital. A solenidade está prevista para as 9h, no Clube Feminino. Em entrevista ao RDNews nesta quinta, o radialista Mário Márcio Torres, que foi reconduzido à presidência da comissão provisória da Capital e já pedirá renúncia do cargo, disse que a decisão de sacramentar o nome de Cintra é do prefeito Chico Galindo (PTB).

   Segundo ele, a direção pedetista havia aprovado a indicação de Paola Reis, mas esse procedimento surgiu tarde demais, porque, numa articulação antes junto ao Palácio Alencastro, Galindo tinha aceitado Cintra como futuro secretário, em substituição a Adevair Cabral, que retorna à Câmara. Quem mais se articulou para emplacar Cintra não foram nem os pedetistas, mas sim o médico e ex-secretário de Saúde da Capital na gestão Wilson Santos, Aray da Fonseca, pré-candidato a deputado estadual pelo PTB, mesmo partido de Galindo. Aray fechou acordão com Cintra para este apoiá-lo na corrida à Assembleia e, em moeda de troca, emplacá-lo como secretário. E, assim, bateram o martelo, com aval do prefeito.

    Mário Márcio disse que o seu nome está sendo usado indevidamente por colegas pedetistas e, por isso, decidiu que nesta sexta vai protocolar junto à Justiça Eleitoral o seu afastamento da presidência do diretório municipal. Ele argumenta que não concorda com a intransigência de alguns, que querem até expulsão dos vereadores do partido e rompimento com a gestão Galindo. "Quem tem o poder da caneta é o prefeito e o partido não pode vetar companheiro do partido", enfatiza o dirigente, acerca da escolha pelo Alencastro do nome de Cintra em detrimento do de Paola. "Vou deixar a presidência do partido porque não quero me indispor com ninguém. Tem muita gente falando por mim".

    O PDT vive uma situação emblemática, principalmente quanto ao diretório da Capital. Esteve recentemente sob comando do vereador Toninho de Souza, que deixou a direção para Mário retornar ao posto. Agora, o radialista também pede para sair. Por causa de brigas internas, a legenda tem perdido quadros e representatividade. Chegou a ter duas secretarias no Alencastro, mas ficou sem Esporte e Cidadania, hoje sob o vereador licenciado Néviton Fagundes (PRTB). Só restou a Cultura.

    Com Wilson

    Mário Márcio tomou a decisão de deixar a presidência por outras razões. É que o seu candidato a governador é o ex-prefeito da Capital Wilson Santos, de quem é velho amigo, enquanto o PDT está fechado com Mauro Mendes (PSB). Argumenta que já tinha adiantado para os colegas que em junho iria pedir afastamento para fazer campanha para o tucano. Ele fez alusão à frase de efeito "Quem conhece Brizola, vota Brizola", usada na campanha presidencial de Leonel Brizola (já falecido), em 1989, para, emendar: "Eu conheço Wilson e voto Wilson".

    Para o pedetista, o tucano "é um cara de valor". "Ele (Wilson) vai superar o desgaste porque tem capacidade e nos debates vai mostrar os feitos de quando foi prefeito de Cuiabá", enfatiza Mário Márcio. Diz ainda não ter contra os demais pré-candidatos mas, por laços de amizade, vai trabalhar pela eleição de Wilson a governador. Já o seu candidato ao senador será o pedetista Pedro Taques. Adianta que apoiará também os candidatos proporcionais do partido.

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