Sexta, 25 de Maio de 2012, 15:03 h

Artigo | 14/07/2011 - 07:06

Liberdade, liberdade, liberdade

José Patrocínio

José Patrocínio    Em 14 de julho se comemora o Dia Mundial da Liberdade do Pensamento. Assim, abordar o tema é impossível não mencionar o evento histórico da queda da Bastilha - prisão francesa do século XVIII - um dos marcos da revolução francesa e da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte da França em 1789.

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Comemoramos neste 14 de julho
 a liberdade do pensamento,
garantida na Constituição

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    De uma forma abrangente, a liberdade constitui direito fundamental de primeira geração com previsão constitucional outorgando ao cidadão a sua opção de escolha, sem a intromissão do Estado. A liberdade pressupõe a faculdade ou poder para que se possa agir segundo sua própria vontade, respeitadas as regras legais instituídas.

    Em nome da liberdade, o ser humano não pode ser escravo de outrem, temos o direito de ir e vir, organizar associações, passeatas, reuniões, escolher nossa profissão, educação e contratar com outrem. Pela liberdade podemos professar qualquer religião, nos expressar, emitir opinião, nos comunicar, pensar livremente, sem contar que hodiernamente temos a liberdade da escolha do sexo, em respeito à própria dignidade humana.

    O que se comemora no dia de hoje – a liberdade de pensamento – vem expresso no artigo 5º, inciso IV e 220 da Constituição Federal, abeberando-se nos ensinamentos da Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, reconhecendo a todo o cidadão o direito de externar suas idéias – por qualquer forma - políticas, científicas, religiosas, artísticas ou opinar sobre aquilo que acredita, sem nenhum tipo de censura de qualquer natureza, vedando-se o anonimato e respondendo por eventual abuso, cujo exame e apreciação ficará por conta do Poder Judiciário.

   É inquestionável o avanço do mundo sobre a questão da liberdade individual, mas incompreensível verificar que – ainda hoje - muitos profissionais da imprensa são processados e condenados por críticas a respeito de assuntos de interesse da sociedade expostos na mídia, instituindo verdadeira lei da mordaça àqueles que tem o dever de buscar, receber e difundir informações e idéias de toda a natureza.

   Não é mais tempo de retroceder, mas sim de olhar mais para frente, merecendo aplauso àquele que dedica seu tempo para difundir informações, opiniões, críticas, na maioria das vezes não poupando tempo, trabalho, sacrifício e extremo cuidado para dar uma opinião, denunciar um fato e até mesmo revelar ou esclarecer algo que é de interesse da coletividade, sem importar com os interesses meramente pessoais ou corporativos.

    Pela importância história representada por esta data, impossível não cair na tentação de reproduzir os artigos 18 e 19 da Declaração Universal dos Direitos do Homem: “Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.” “Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras.”

     José Patrocínio de Brito Júnior é advogado, professor universitário e escreve exclusivamente para este blog às quintas-feiras - jpbj.adv@uol.com.br

Artigo | 13/07/2011 - 07:51

Brasil! País de ladrões e sem Justiça?

Dejair Soares

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"A corrupção na administração pública agora é organizada,
quase partidarizada. Uma barbaridade inaceitável"
 Mário Covas
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     No período colonial, todos os navios que saiam de Portugal e vinham para o Brasil tinham sua cota de condenados. É por esse motivo que muitos afirmam que o Brasil foi formado por criminosos, assassinos e pessoas desonradas. A grande questão é: será, por isso, que este país é governado, em sua grande maioria, por ladrões, assassinos e pessoas desonradas?

     O Brasil é um país riquíssimo. Prova disso é fazer parte do G20, que envolve as 20 maiores potências de interesse dos capitalistas.

       Países de potencial econômico muito grande e que não impõem restrições burocráticas, de modo a inviabilizar futuros investimentos. Apesar do Brasil estar confortavelmente entre esses 20, sua estrutura é de um país subdesenvolvido. Tudo isso devido à incompetência para gerir projetos importantes ligados à educação, transporte, saúde, saneamento básico, segurança. Chega a deixar os outro 19 constrangidos. Deve ser por esse motivo que até hoje o Brasil ainda luta pela tão sonhada cadeira permanente no conselho de segurança da ONU.

     A ambição é grande. Primeiro criam-se formas que facilitam a corrupção, leis que protegem os políticos. Em seguida criam-se projetos e mais projetos, mesmo sem a menor competência para geri-los, afinal é dinheiro público, dinheiro fácil. Enquanto algumas dezenas de políticos agem em seu próprio benefício, outra parte não sabe sequer o que faz. Alguns deles pensam que este é o mal menor, mas não se lembram que, quem desvia um centavo que seja de pessoas que morrem nas portas dos hospitais sem receber atendimento, está condenado a apodrecer no inferno.

     A impunidade canta e dança nas entranhas do poder enquanto o povo se arrasta e geme nos corredores de hospitais e postos de saúde superlotados de pacientes e carentes de profissionais. Os corruptos palacianos desviam recursos e sangram uma nação alimentando a miséria, exaurindo recursos que poderiam ser aplicados na saúde, educação e segurança. Os “caras pintadas”, os revolucionários de outrora receberam dos governos que até agora passaram benesses de todo o tipo. Hoje ocupam até mesmo cargos de primeiro escalão. Em troca permitiram-se amordaçar e castrar, mostrando que, longe de serem idealistas, eram apenas mercenários agitadores em busca das “trinta moedas”. Um exemplo daqui de Mato Grosso é nosso “Toto Parentes”.

     O STF divulgou o parecer do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sobre o “escândalo do mensalão”. Gurgel pede a condenação de 36 dos 39 réus citados no processo. O caso foi, sem dúvida, o maior escândalo do país. Ficou comprovado o envolvimento de homens de confiança do presidente. Uma CPI investigou a participação das "tropas" palacianas e ministeriais na formação de uma quadrilha que captava irregularmente recursos para o pagamento de propina a parlamentares que votassem a favor de projetos do governo. Entre os 36 acusados estão parlamentares, ex-ministros e o nosso super secretário de saúde e deputado federal licenciado Pedro Henry (PP). Ele foi acusado de  formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

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"Sou obrigado a reconhecer que, com toda a corrupção que
houve de um tempo para cá, o que encontramos no governo Collor
deveríamos ter enviado para o Juizado de Pequenas Causas"
Pedro Simon
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     Fiz uma pesquisa dos maiores escândalos políticos no Brasil e, pasmem, nos últimos 30 anos foram 206 casos e nenhum, estou dizendo nenhum, julgamento e muito menos punição. A Justiça do nosso país parece caminhar a passos curtos, dada a latente ineficiência em julgar os casos.

     Cabem como exemplo os privilégios concedidos pelo judiciário aqueles que dispõem de bons advogados e, deste modo, conseguem resultados mais favoráveis. É verdade que tais concessões como "habeas corpus" ou liminares em favor de alguns ricos réus são concedidas nos termos da lei, mas e os pobres, ladrões de galinha que não têm acesso a bons advogados? Para eles o sistema é eficiente e implacável.

     Que a Justiça precisa ser mais eficaz ninguém discorda. Mas é preciso ampliar o acesso à todos e de modo igualitário. Estou convencido que, para mudar este país, há apenas o caminho da dor, como ocorre no Oriente Médio. Criando homens bombas para por um fim em toda essa catrevagem.

     Dejair Soares é publicitário e jornalista em Cuiabá - dejairsoares@terra.com.br

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Artigo | 12/07/2011 - 07:14

O declínio da liberdade global

Olga Lustosa

Olga Lustosa   A liberdade é o nosso estado natural, é quem nós somos e sempre seremos. Liberdade é o espaço que precisamos para existir por inteiro, para exercitar nossas paixões, cidadania, professar nossa fé, argumentar e duvidar. A liberdade deve estar contida nas escolhas e na consciência.

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Nenhuma força é tão poderosa o
suficiente para tirar completamente
nossa liberdade, não para sempre

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   Liberdade para alguns deve ser um ideal, para outros, uma ilusão, talvez um  objetivo, a verdade ou um modo de viver. Devemos exercer nossa liberdade para não permitir que a ideologia seja uma inquisição permanente.

   As inquisições políticas e religiosas precisam ser combatidas pelo favorecimento ao diálogo entre gente que pensa diferente. Nenhuma força é tão poderosa o suficiente para tirar completamente nossa liberdade, não para sempre. Nenhum regime tem conseguido conter a explosão da liberdade que surge espontaneamente e ganha corpo num processo de contaminação ardente.

   Estamos assistindo os povos do Oriente Médio levantando suas vozes contra os regimes opressores e sendo sistematicamente seguidos por outros países. Porém, nenhum homem será plenamente livre enquanto persistir o registro de pontuações baixas sobre a liberdade na escala mundial, isso é o que diz a organização americana “Freedom House”, fundada em 1941 por um grupo de proeminentes indivíduos, incluindo jornalistas, acadêmicos, personalidades políticas e líderes trabalhistas, o autoritarismo está desafiando as práticas democráticas em muitas partes do mundo.

   A última pesquisa divulgada avalia a liberdade no mundo, considerando os direitos políticos e civis, as práticas eleitorais, o pluralismo político e as funções dos governos. A liberdade civil é avaliada observando a liberdade de expressão, as crenças, liberdade de associar-se, cumprimento das leis, autonomia e respeito aos direitos individuais.

    De acordo com os resultados divulgados, o ano de 2010 foi o quinto ano consecutivo em que a liberdade global sofreu declínio. Nunca antes, esse declínio durou tanto tempo, continuamente. Isso preocupa e desconcerta, porque nem só as ações dos governos afetam a liberdade, há atores não governamentais também , mas quase sempre os governos estão diretamente envolvidos. Há, segundo a pesquisa 87 países denominados livres, parcialmente livres são 60, cerca de 31% dos 194 países avaliados e não livres foram contabilizados 47 países.

    No país classificado como livre há abertura e competição política, respeito pelas liberdades civis, significativa vida independente e mídia independente. O Brasil está na categoria dos paises livres. Parcialmente livre é o país onde há limitado respeito pelos direitos civis e políticos e liberdades. Estados parcialmente livres freqüentemente vivem um ambiente de corrupção, conflitos étnicos e religiosos e um cenário político em que um poucos partidos, dominam a cena, embora haja certo pluralismo partidário. Um país que não é livre não respeita os direitos politicos básicos e a liberdade civil é sistematicamente negada ou reprimida.

   Há controversias e debates sobre a neutralidade e metodologia empregada na pesquisa, contudo a crescente restrição à liberdade no mundo dos regimes autoritários coincide com a falta de habilidade ou falta de vontade das democracias, para responder aos desafios autoritários e essa omissão traz sérias conseqüências para a liberdade global. O escritor peruano Mario Vargas Llosa, ao participar recentemente da Feira do Livro em Buenos Aires foi aconselhado a não emitir juízo político no evento. Conseguiram cercear a liberdade de expressão de Llosa que educadamente não fez nenhuma referencia a questão política, mas em entrevista disse que é muito triste ver vítimas da censura, praticando-a.

   Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e acadêmica de Ciências Sociais pela UFMT e escreve exclusivamente neste blog toda terça - olga@terra.com.br

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Artigo | 04/07/2011 - 07:25

Para entender o PSD – Parte V

Vinicius de Carvalho

Vinicius de Carvalho   Chegamos ao último artigo da série sobre a formação do Partido Social Democrático (PSD). Um dos seus grandes desafios é chegar ao eleitorado distribuído pelos pequenos e médios municípios, que tem um perfil conservador e está subrepresentado nas eleições para governador e Presidência da República.

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Talvez este seja o principal eleitorado
buscado pelo PSD, disperso pelos
municípios com menos
de 20 mil habitantes
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    As eleições presidenciais de 2010 mostraram uma divisão bem pronunciada na votação, conforme o porte do município. A Senadora Marina Silva foi mais bem votada nas capitais, municípios mais populosos e regiões metropolitanas, com destaque para o sudeste e centro-oeste. Já Dilma Roussef teve melhor desempenho nos municípios pequenos, enquanto José Serra manteve uma certa estabilidade. Nos municípios com mais de 150.000 habitantes, Dilma teve 40,5%, Serra 31,3% e Marina 26,7% e naqueles com mais de 500.000 habitantes, os resultados foram 40,9%, 29,64% e 27,76%, respectivamente.

    Estes dados reforçam a tendência histórica de oposicionismo do eleitorado dos grandes centros, polarizada pelo velho PTB entre 1946-1964, o MDB durante o bipartidarismo (1966-1978), PMDB, PSDB e PT na redemocratização. Este eleitorado apresenta melhores níveis de renda e também maior percentual de escolarização, o que lhe confere perfil mais crítico e independente face às redes clientelistas.

     Já o eleitorado dos pequenos municípios demonstra um comportamento mais conservador, tendendo a votar nos candidatos governistas. Para se ter ideia, mesmo em 2002, quando Lula alcançou votação expressiva de 46,4% no primeiro turno, ele teve 41,63% dos votos válidos nos 100 menores municípios do país, contra 35,3% de Serra, considerado governista.

     Talvez este seja o principal eleitorado buscado pelo PSD, disperso pelos municípios com população inferior a 20.000 habitantes. Segundo dados do IBGE (2008), tais municípios representavam 70% do total, reuniam 25% da população e 51,64% do Produto Interno Bruto (PIB) do setor primário do país. Apenas na região nordeste, são 1202 municípios, equivalendo a 67% do total. Se pegarmos os municípios até 50.000 habitantes, chegamos a 79,38% do PIB primário e 33% da população.

     Este eleitorado vota em partidos como PP, Dem, PTB e PR nas eleições para vereador e prefeito, mas não para Governador e Presidente da República. Estes quatro partidos citados tiveram em conjunto 33,3% dos votos para prefeito e 26,5% para vereador em 2008, elegendo 37% dos prefeitos nos municípios com menos de 10.000 habitantes e 32% naqueles com população entre 10.000 a 20.000 habitantes. Além disto, tiveram 25,8% da votação para deputado federal e 19,5% para deputado estadual em 2010.

     A abordagem que o PSD vem adotando para nacionalizar as preferências deste eleitorado é apresentar um discurso centrado no agrarismo e no municipalismo. Ambos são tradicionais no Brasil, remontando ao Segundo Império e República Velha. São, portanto, presenças muito fortes no pensamento conservador, sobressaindo-se de tempos em tempos conforme a conjuntura política e econômica.

     O agrarismo sempre destacou a vocação agrícola do Brasil, por conta da abundância de recursos naturais e o municipalismo dá maior ênfase aos municípios no pacto federativo. A confluência da concentração de tributos em nível federal com a progressiva municipalização das políticas públicas vem trazendo à tona estas duas marcas do discurso conservador no Brasil e podem formar o núcleo programático do novo PSD, de acordo com as declarações dos seus principais signatários.

    Quer dizer, os municípios e a produção agropecuária seriam os verdadeiros esteios do “Brasil Real” e uma candidatura a Presidência com boa estrutura partidária, financiamento, alianças políticas estaduais certas e um bom candidato (ou boa candidata), pode atrair este eleitorado e reequilibrar a disputa político-partidária em nível nacional no Brasil.

    Confira também as abordagens anteriores sobre o PSD na seção Artigos, no alto da página do blog, ou se preferir clique abaixo em
    Parte I
    Parte II
    Parte III
    Parte IV

    Vinicius de Carvalho Araújo é professor universitário, especialista em gestão pública, gestor governamental do Estado e mestre em História Política e escreve exclusivamente para o blog às segundas-feiras - www.professorvinicius.com.br

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Artigo | 26/06/2011 - 07:35

Odontologia para bebês: você conhece esta especialidade?

Jackelyne Pontes

Jackelyne Pontes     Na maioria das vezes, quando pergunto aos pais de recém-nascidos se eles já levaram seu bebê para uma consulta com o dentista, ouço como resposta uma outra pergunta: “Para que levar o meu filho ao dentista se ele não tem dentes?”.

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 Comportamento dos pais tem papel
 importantíssimo dentro da família,
 principalmente quanto à questão da
saúde, pois ditam os padrões a
serem seguidos pelos filhos

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     Esta especialidade da odontologia se chama Odontologia para Bebês ou Bebê Clínica. O ideal é que essa consulta seja feita antes do bebê nascer, um pré-natal odontológico, onde a gestante é instruída sobre a sua saúde bucal e a saúde bucal do seu bebê. Esclarece-se as alterações que ocorrem durante a gestação, a importância da amamentação, uso de chupetas e mamadeiras, orientação sobre hábitos inadequados, como por exemplo chupar o dedo e como proceder em casos de traumatismo resultante de acidentes como quedas ou batidas.

     Algumas questões são recorrentes acerca das doenças bucais específicas da gravidez: quais alimentos são importantes para o desenvolvimento dos dentes do bebê, há riscos para a gestante e o bebê em se fazer uso de anestésicos ou exames radiográficos, quais as formas de transmissão da doença cárie. Os enjôos e vômitos causam uma maior acidez bucal contribuindo para a formação bacteriana e descalcificação dos dentes, e uma higiene bucal satisfatória prevenirá doenças da boca, inclusive a cárie.

     O comportamento dos pais tem papel importantíssimo dentro da família, principalmente no que diz respeito à questão da saúde, pois ditam os padrões a serem seguidos pelos filhos. Esses padrões de comportamento assimilados na primeira infância permanecem fixados profundamente pela vida afora. Filhos são responsabilidade dos pais, que devem cuidá-los e orientá-los amorosamente.

      Importante destacar que a formação dos dentes de leite começa na sexta semana de gestação e dos dentes permanentes no quinto mês de vida intra-uterina. Apesar da cárie se manifestar apenas após a erupção dos dentes, o bebê que é iniciado com sua higiene bucal precoce aceita e incorpora com mais facilidade em sua rotina o ato da escovação.

     A cárie é uma doença bacteriana transmissível, por isso devemos evitar o compartilhamento de talheres e copos, assoprar os alimentos ou beijar o bebê na boca. Os dentes de leite são importantes pois servem de guia para os dentes permanentes , proporcionam uma melhor mastigação e consequentemente digestão, assim como um crescimento harmônico das estruturas da face. Uma criança com cáries tem a sua integração social comprometida.

     A primeira visita do bebê ao odontopediatra deve acontecer logo após o nascimento. Este atendimento especializado é oferecido na rede particular e também nas clínicas odontológicas municipais espalhadas pelos bairros da capital onde em uma delas tenho prazer e orgulho de trabalhar.

     Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva pela UFMT e escreve exclusivamente para este blog todo domingo -  jackelynepontes@gmail.com

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Artigo | 22/06/2011 - 07:00

O PT institucionalizou a robalheira

Dejair Soares

     O PT conseguiu o que tanto perseguiu: tornar as bilionárias obras da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 uma ação entre amigos, sujeitas a toda sorte de manipulações e falcatruas. A Medida Provisória 527, cujo texto-base foi aprovado na Câmara, cria um verdadeiro balcão de negócios sob pretexto de agilizar os eventos esportivos que o país sediará. Protegida por sigilo, a corrupção ganhará os gramados.

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“A corrupção não é uma invenção brasileira,
mas a impunidade é uma coisa muito nossa”
 Jô Soares
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     A MP proposta pelo governo implode o rigoroso modelo de licitações adotado no país desde 1993. Para “flexibilizar” as obras, o PT aboliu a transparência dos contratos pagos com recursos públicos e concedeu à FIFA e ao Comitê Olímpico Internacional (COI) poderes que ultrapassam o de todas as esferas da República.

     O texto, aprovado com o voto de 272 parlamentares, torna sigilosos os orçamentos das obras dos dois torneios, além de permitir que seus custos sejam aumentados indefinidamente. Tudo ao abrigo da luz do sol, nos escurinhos onde as ilicitudes se movimentam com desenvoltura. O ambiente onde o PT mais se sente à vontade.

     Hoje a estimativa de custos de uma obra pública é divulgada no edital de licitação, calculada a partir de estudos e projetos previamente realizados. Vence o certame quem se propor a realizar o serviço pelo menor preço. O valor pode até aumentar durante a execução, mas apenas até o máximo de 25% para empreendimentos novos e 50% para reformas.

     Todas essas regras agora cairam por terra. No lugar delas entrou o "caráter sigiloso", que determina que o orçamento não seja mais publicado no edital, nem divulgado ao longo da realização do empreendimento. Só órgãos de controle terão acesso a essas informações, mesmo assim, apenas depois da obra pronta.

      As empreiteiras também ficarão responsáveis por todo o pacote, desde o projeto até a entrega "das chaves", e não precisam fornecer os detalhes do que é feito. Os aditivos contratuais, por sua vez, terão como limite de gastos a estratosfera.

     Há outros agravantes. O texto, aprovado pela base aliada na Câmara, permite que todo tipo de obra possa ser realizada pelo "regime diferenciado". Cidades que nem terão jogos da Copa, situadas até 350 quilômetros das sedes, também poderão "flexibilizar" a contratação de obras. Empreendimentos que nada têm a ver com esportes ficarão livres de amarras, basta que estejam de alguma forma, vinculados aos jogos.

     Regras tão obscenas e danosas ao interesse público foram penduradas na medida. Não bastasse isso, mudanças de última hora, como a que restringiu o acesso permanente de órgãos de controle, foram incluídas como "contrabando" na MP pelo seu relator, o deputado petista José Guimarães, o mesmo que teve um assessor detido com dólares escondidos na cueca.

     As reações já começaram aparecer. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, considerou o novo regime diferenciado de contratações  “escandalosamente absurdo”. A União dos Auditores Federais de Controle Externo alertou: “É mais complicado, demorado e custoso resgatar recursos públicos que já foram aplicados indevidamente do que, por meio de atuação preventiva, evitar que eles sejam gastos de maneira irregular, ineficiente ou ineficaz”.

     Corrupção e fraudes são pragas corriqueiras em obras públicas no Brasil. O governo federal conhece bem essa realidade, mas parece mais empenhado em ocultá-la do que em combatê-la. A MP 527 é um verdadeiro "habeas corpus preventivo" para a bandalheira. O único interesse que essa obscenidade preservará será o da corrupção.

     O Ministério dos Esportes já avisou ao TCU que a prestação de contas de novos contratos relacionados a obras e serviços para a Copa, de valor estimado em R$ 10 bilhões, vai depender da conveniência do Poder Executivo. Não custa lembrar que em dois anos os custos das arenas da Copa já subiram 58%.

     Com estas novas regras, o PT esta implantando a maior roubalheira para a realização das obras da Copa e das Olimpíadas no Brasil. Vai  passar o rolo compressor por cima de todos os órgãos fiscalizadores. França, Coréia do Sul, Japão, Alemanha, África do Sul, Sidney, Atenas e Londres colocaram à disposição de sua populações, de forma detalhada, o andamento dos gastos. Em alguns casos com atualização em tempo real. "Se queremos sediar a Copa, a regra é essa", disse o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira.

     Orçamentos de bilhões resguardados por sigilo só têm serventia para quem quer fazer negócios escusos. Imagine quanto uma empreiteira pagará para conhecer a proposta de uma concorrente. O que hoje é transparente e aberto à fiscalização da sociedade foi transformado em ouro para ser negociado no mercado negro pelo PT.

     Felizmente este cheque em branco para a corrupção encontrará muita dificuldade para prosperar. Nas votações que estão por vir, o Congresso tem tudo para derrubar essa MP. O governo Dilma terá que pôr todos os seus tratores em campo para institucionalizar a roubalheira.

     "Ladrão julgando ladrão, 500 anos de corrupção", Renato Araújo.

     Dejair Soares é publicitário e jornalista em Cuiabá - dejairsoares@terra.com.br

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Artigo | 21/06/2011 - 07:15

O mundo sombrio das mulheres nos países em desenvolvimento

Olga Lustosa

Olga Lustosa   Desde 1.900, as mulheres travam debates críticos contra a opressão e desigualdade de oportunidades nos mercados de trabalho e, em 1.908, aconteceu na cidade de Nova Iorque a primeira marcha envolvendo 15 mil mulheres, exigindo redução da carga horária, melhores salários e direito ao voto. Entendo a democracia como sinônimo de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres na sociedade e no governo. Mas ironicamente, as mulheres representam a maioria dos eleitores, contudo, poucas ainda são candidatas por aqui e pelo mundo afora.

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 A mulher, com oportunidade de participar
da economia, tem aumento na renda
familiar, investe em educação
e saúde dos filhos
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     Trabalho forçado e tráfico de mulheres são hoje formas modernas de escravidão, que expõem histórias terríveis de abuso, exploração, ameaças com uso de força ou coerção. Mais de 600 mil pessoas são traficadas durante um ano e 70% são mulheres. Em muitos países, as mulheres são ainda propriedade de alguém,sofrem mutilações e humilhações públicas. Sem nenhuma voz política para trazer o alento da mudança, essas mulheres são vítimas da violência doméstica e do estupro sistemático.

    Acontecimentos recentes no Oriente Médio marcam, de forma indelével a vida das mulheres. Uma poeta do Bahrein, de 20 anos está presa por recitar poemas criticando o governo. País onde a liberdade de expressão tem suas barreiras e não pode haver referencia aos governantes. Yemen, Líbia e Síria são países que em comum, compartilham o tratamento injusto e bruto as mulheres. A preocupação com a violência contra as mulheres nem sempre é só retórica.

    A jornalista saudita Nadina Al Bedair, numa entrevista a televisão nega que esteja havendo avanço na relação do estado com a mulher na Arabia Saudita,onde os direitos humanos não são observados. As mulheres, embora estejam reagindo, ainda não podem dirigir ou votar. A leitura do livro “Half the Sky”,( Metade do Céu), escrito por Nicholas D. Kristof e Sheryl WuDunn, vencedores do prêmio Pulitzer, é uma narrativa que abre o panorama sombrio do mundo povoado pelas mulheres e faz chamamento contra o mais perverso tipo de violação dos direitos humanos; a opressão das mulheres nos países em desenvolvimento, onde reconhece-se claramente que as mulheres sofrem desproporcionalmente com as causas da pobreza.

    Segundo as Nações Unidas a 60% das pessoas mais pobres do mundo, são mulheres. A pobreza não é algo inevitável. É fruto das decisões, das práticas e crenças que impedem as pessoas, sobretudo as mulheres de desenvolverem suas potencialidades.

     Segundo os autores, a chave para amenizar a questão é transformar a opressão em oportunidades, é prover as mulheres de possibilidades entrar no mundo formal dos negócios, é dar-lhes acesso aos financiamentos para montarem pequenos comércios. A mulher, com oportunidade de participar da economia, tem aumento na renda familiar, investe em educação e saúde dos filhos. Investir nas mulheres significaria aliviar a pobreza e diminuir a corrupção. Dotar as mulheres de oportunidades de negócios seria transformá-las em agentes reais da mudança.

     Hoje governos e organizações não-governamentais tentam promover políticas eficientes para proteger os direitos das mulheres. No G-20 há solicitação para se colocar a abertura dos créditos as mulheres na agenda de discussão deste ano de 2011, como meio efetivo de aumentar a prosperidade global. Na perspectiva do Instituto Clinton de Iniciativa Global – é preciso educar as meninas com qualidade para se reescrever o futuro das mulheres e para que isso ocorra é premente a inclusão financeira da mulher até o ano 2020.

     Há organizações que já efetivamente realizam projetos de inclusão financeira das mulheres. Li sobre o projeto “Pro Mujer”, que financia pequenos projetos comerciais, planos de saúde e treinamento para mulheres empreendedoras em cinco países da America Latina e que no ano de 2010, distribuiu 204 milhões de dólares em empréstimos para mulheres. Observação feita por Organizaçao internacional aponta que entre as 10 maiores democracias do mundo há maior proporção de mulheres ocupando cargos na estrutura do governo.

     Há mulher presidente, primeira-ministra, astronauta, médica, advogada, executiva de grandes corporações, mas apenas em alguns países. No Brasil, governdo pela primeira vez por uma mulher, as empregadas domésticas constituem a única categoria que não é contemplada na Legislação Trabalhista, por mero descaso.

      A representação global das mulheres nos governos é ainda ínfima, apenas 19,1 % dos assentos nos parlamentos mundiais são ocupados por mulheres e sem ter assento à mesa, a mulher não pode legislar, negociar a paz ou formular uma agenda de reforma do futuro. "Queremos um mundo onde não existam desigualdades baseadas na classe, em gênero, em raça, em nenhum país. Queremos um mundo onde as necessidades básicas se convertam em direitos básicos e onde a pobreza e todas as formas de violência sejam eliminadas". (Conferencia Mundial de Mulheres em Nairobi, em 1985).

    Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e acadêmica de Ciências Sociais pela UFMT e escreve exclusivamente neste blog toda terça -  olga@terra.com.br

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Artigo | 19/06/2011 - 07:09

Participação social: direito de voz

Jackelyne Pontes

Jackelyne Pontes   A Constituição Federal de 1988 passou a definir saúde como um direito de todos e um dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos, e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação (Artigos 196 e 198).

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 Não se pode pensar saúde
sem a participação social
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    Como parte da formação acadêmica, mestrandos do Instituto de Saúde Coletiva da UFMT são estimulados a pensar a saúde como um conceito dotado de diversas vertentes que não só a ausência de doença, pois o conceito de saúde é ditado pela realidade do povo, sendo assim estão impregnados nele as emoções, as relações sociais, fatores econômicos e educacionais, históricos, familiares, políticos e também de acesso à saúde.

     Não se pode pensar a saúde sem a participação social, sem o envolvimento dos indivíduos que ao expressarem suas necessidades de segurança, educação, alimentação, cultura, acabam por trazerem a tona suas aspirações e contribuem para a constante modificação deste conceito, fazendo valer a democratização e ajudando a construir novos caminhos.

      Muitas vezes nos perguntamos onde e como podemos nos fazer ouvir. Um dos instrumentos legítimos colocados à disposição da população são as ouvidorias, e devemos lançar mão desse valioso recurso. Mas muitos desconhecem o seu significado. Ouvidoria é um canal de comunicação. As secretarias estaduais e municipais de saúde possuem esse serviço onde a população pode sugerir, reclamar, denunciar, reivindicar e porque não elogiar, colaborando efetivamente como cidadãos, seja por telefone, internet ou mesmo pessoalmente. Porém a ouvidoria deve ser um canal não burocratizado, fácil, ágil, democrático, ético.

    Cabe aqui resgatar o significado da palavra ouvir, que é muito diferente de escutar. Escutar está ligado ao sentido da audição, e ouvir é escutar criticamente, entendendo, elaborando e principalmente percebendo a ação. Temos que nos fazer ouvir! A ouvidoria introduz a nossa voz, a voz do usuário, no sistema de saúde. E nós usuários temos esse poder de fazer com que as ações que nos beneficiem passem da teoria para a prática e seja real, basta que tenhamos conhecimento de como faze-lo e principalmente que o façamos.

    Quanto a mim, na incansável, apaixonada, punjante e porque não dizer utópica vontade de colaborar insisto: manifestemo-nos!

     Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva pela UFMT e passa a escrever exclusivamente para este blog todo domingo -  jackelynepontes@gmail.com

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Artigo | 17/06/2011 - 06:44

Prefeitura de Rondonópolis recusa título de mestrado do Mercosul

Rosângela Cadidé

Rosângela Cadidé     Universidades Federais do Brasil não dão conta da demanda para promover cursos de pós-graduação, assim muitos professores se deslocam para se capacitar fora do país
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    Uma professora em Rondonópolis me disse: “Muito me admira o prefeito que, antes se mostrava um homem que lutava em prol dos direitos dos profissionais da educação, não aceitar títulos de mestrados só porque a universidade não é brasileira. Ele seria um dos pioneiros se a situação fosse inversa, a exemplo de representantes de outros Estados como Rio de Janeiro e Roraima. Isso daria uma arrancada em sua caminhada política. O que ele não sabe é que o ensino oferecido tem qualidade e muita qualidade. Não fui a Assunção, no Paraguai, comprar nenhum diploma. Fui me aperfeiçoar e ampliar meus conhecimentos e realizar meu sonho e com responsabilidade, já que no Brasil as universidades se fecham numa redoma de vidro, onde poucos são beneficiados.”

    Compreende-se a importância de se ter professores capacitados por meio de um processo formativo contínuo, que busque constantemente fundamentos teóricos, pois o professor assume grande parte da responsabilidade do trabalho em sala de aula, pelo fato de fazer a mediação aluno/conhecimento. E é, dentro desta conotação da realidade que se insere a busca do professor por aperfeiçoamento, aprimoramento ou desenvolvimento de novas potencialidades, para uma escola competente, dentro das novas exigências impostas pela cultura plural, heterogênea, ética e facilitadora da cidadania.

   Este é, pois, o momento de se refletir sobre a necessidade de se investir em educação, na formação do professor ao longo de sua vida profissional, de forma contínua, efetiva e eficiente, para que a sociedade colha os frutos através da ação social de seus professores e alunos, como um produto final reerguendo valores de pátria, nação, tornando-a mais humana e humanizadora, com modelos de vida mais digna, mais feliz e mais respeitável, entre seus cidadãos.

    Mas, infelizmente a rede de cursos de pós-graduação strico sensu das universidades federais do Brasil não atende a sua enorme demanda hoje existente, fato surpreendente, pois se trata de uma postura totalmente incoerente com a de um país que carece de mestres e doutores para aprimorar sua educação e que estabeleceu a qualificação do seu corpo docente como uma das metas prioritárias da educação. Assim, a propósito dessa situação, a adesão do Brasil a acordos internacionais para a aceitação mútua de títulos universitários de graduação e pós-graduação obtidos em universidades dos Estados-Partes foi interpretada, pelos brasileiros atuantes na área da educação superior, como um veemente incentivo do governo federal para que pudessem ingressar em cursos ofertados por universidades estrangeiras, notadamente de Portugal e dos países integrantes do Mercosul.

    Esse incentivo conduziu centenas de docentes e outros profissionais do Brasil a realizarem cursos de pós-graduação em universidades estrangeiras. Muitos optaram por cursos totalmente presenciais em universidades do exterior e outros o fizeram em universidades de Portugal (país integrante do denominado "Primeiro Mundo") ou de países do Mercosul (especialmente a Argentina, que tem elevado padrão na área de Educação, como se faz sentir pelo seu elevado número de ganhadores do Prêmio Nobel). Porém, o que se verifica é que os professores que optaram por fazer cursos de pós-graduação em universidades estrangeiras têm sido, com frequência “barrados” na aceitação de seus títulos, desprezados pelo próprio poder público, que os incentivou a ingressar nessa empreitada.

   E esta empreitada, deve-se ressaltar, é muitas vezes mais árdua, devido à divergência de idiomas e, eventualmente, dos métodos de avaliação; e mais onerosa para o estudante, uma vez que, na maioria dos casos de que se tem conhecimento, dão-se às suas próprias expensas - daí dizer-se que praticamente não existem ônus para o país.

    Temos como exemplo em meio a tantos outros professores que vivenciaram/vivenciam essa realidade, a história da professora de Rondonópolis Sebastiana Aparecida Alves, que não teve o seu título de Mestre em Ciências da Educação pela Universidade Autônoma de Asunción aceito pela prefeitura e não quis permanecer no anonimato, pois, segundo ela, há inúmeros professores na mesma situação. Sebastiana é concursada desde 1994. Atualmente coordena a Escola Melchides Figueiredo Miranda, da rede pública municipal de ensino de Rondonópolis. Embora com salário baixo, ela procurou investir com recurso próprio em sua capacitação, principalmente quando viu um dos seus sonhos sendo interrompidos (o desejo de fazer mestrado).

    Ela participou do seletivo para o mestrado em Cuiabá na UFMT. Passou na prova escrita e também na de proficiência de línguas - entre 545 candidatos, passaram 20 e ela ficou entre eles. Mas, na hora da entrevista, foi informada pela orientadora de que disponibilizava apenas uma vaga. Então, se viu obrigada a procurar outras possibilidades, uma delas fazer mestrado em Assunção. Iniciou o curso de mestrado em julho de 2007, apenas nos meses de suas férias, isto é, a cada seis meses, para não se afastar das atividades. Seus gastos com despesas ultrapassavam a R$ 3,2 mil por semestre, incluindo passagens, diária de hotel, alimentação e, principalmente, mensalidade que tinha que pagar seis todas as vezes que pisava os pés no país vizinho.

    Então, com o salário de professora, tinha que economizar para conseguir terminar o seu curso. Segundo relato da mestra Sebastiana, o ensino oferecido é de ótima qualidade e as aulas são ministradas por professores-doutores, inclusive de docentes de universidades brasileiras renomadas. Em 2010, de posse do seu título, encaminhou pedido de elevação de nível, respaldada no acordo do Mercosul que prevê em seu artigo 4º que "a validade dos títulos estrangeiros, para os fins que menciona, aos nacionais de cada Estado", e em seu artigo 5º, que "limita a validade automática do titulo" que, "somente conferirá direito ao exercício das atividades de docência e pesquisa", devendo se proceder ao  reconhecimento dos títulos para qualquer outro efeito.

   Para tanto, se entende que a elevação de nível deve ser efetivada e o acordo respeitado. Além disso, no PCCS (Plano de Cargo, Carreira e Salários) da rede Municipal de Rondonópolis, não há restrição a títulos de universidades estrangeiras. Porém, com tudo isso, teve parecer indeferido pela Procuradoria-Geral do Município, não aceitando o seu título de mestre. Diante do exposto, procurou reunir com os mestrandos do município para informá-los do ocorrido e pensar em soluções para resolver o problema, já que não seria exclusivamente dela.

   Nessa trajetória, perceberam que não estavam na luta sozinhos, pois contavam com apoio de vereador Reginaldo, do deputado estadual Percival Muniz e do senador Pedro Taques, os quais se solidarizaram e estão engajados nessa luta. Agora, o que diria a secretária de Educação e Cultura Marilda Rufino (que é professora), diante dessa situação aos colegas de profissão, sendo ela aluna de mestrado de país do Mercosul (Pedro Juan, no Paraguai)? Vale lembrar que cargos de confiança não são vitalícios.

    Não é justo, nem lícito que o poder público municipal impeça professores, assim como a mestre Sebastiana, de exercer direitos assegurados por lei vigente e, ademais, trata-se de um direito social fundamental, nos termos do artigo 6º da Constituição do Brasil (inserido nos direitos sociais à educação e ao trabalho), o qual tem aplicação imediata. A negativa dada não somente a professora, mas também a outros colegas de profissão do município é ilegal e arbitrária, pois traz graves constrangimentos para o seu portador, quer no meio acadêmico, onde ganha a sua vida, quer seja entre os amigos, e, ainda, no seio familiar, surge o direito do lesado à reparação dos danos morais sofridos, que são gravíssimos, mormente para quem vive da atividade acadêmica, já que muito perde em sua reputação, quando deveria ganhar.

    Além disso, como a não-aceitação do título impede o seu portador de usufruir os direitos financeiros que ele lhe proporcionaria, caberá, ainda, a cumulação do pedido de indenização dos danos morais com a indenização dos danos materiais. Estes últimos correspondem ao que o portador do título deixaria de ganhar se estivesse com o título devidamente aceito (lucros cessantes), como também tudo o quanto gastou na realização do curso cujo título está sendo recusado (danos emergentes).

     Sendo assim, tendo-se em consideração que o problema da revalidação atinge direitos sociais fundamentais (educação e trabalho) de uma parcela bastante ampla da comunidade docente do Brasil, cabe perfeitamente a elaboração de denúncia individual, ou por meio do sindicato ou outra associação de classe, perante o Ministério Público Federal - de preferência à Procuradoria da República em Brasília, de onde poderia ser obtida uma solução que alcançasse todas as universidades do Brasil. Os interessados poderão impetrar mandado de segurança contra o ato da autoridade da instituição que recusar o reconhecimento do título, requerendo medida liminar e sua confirmação definitiva, para ordenar o reconhecimento do titulo adquirido.

    Professores, não fiquem no anonimato. Denunciem o desrespeito aos seus direitos, ainda mais, quando se percebe que é por falta de vontade política. Faça isso, a exemplo da professora Sebastiana. Cada conquista adquirida individualmente valerá para toda a classe.

   Rosângela Fernandes Cadidé é professora há 10 anos das redes pública e particular, formada em Letras com Especialização em Recreação e Lazer pela Universidade Federação de MT e escreve neste blog às sextas - rosangelacadide@hotmail.com

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Artigo | 15/06/2011 - 07:54

O grande debate na Câmara

Dejair Soares

"Não devemos ter medo dos confrontos...
Até os planetas se chocam e, do caos, nascem às estrelas", 
Charles Chaplin.

     O prefeito de Cuiabá, Chico Galindo, apresentou na semana passada o Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB). A proposta passará agora por audiências públicas e depois análise da Câmara para se transformar em lei. O problema é que o prefeito só considerou dois parágrafos do terceiro artigo da Lei nº 11.445, omitindo outros dois que tratam de problemas cruciais que a Capital enfrenta e ainda quis posar dizendo que apresentou o projeto. 

     O que dizem esses parágrafos: 

     Os que foram considerados tratam do  "abastecimento de água potável: constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações necessárias ao abastecimento público de água potável, desde a captação até as ligações prediais e respectivos instrumentos de medição" e do "esgotamento sanitário: constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente".

     Já os que foram omitidos deveriam considerar no PMSB a "limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, transbordo tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e vias públicas" e a "drenagem e manejo das águas pluviais urbanas: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de drenagem urbana de águas pluviais, de transporte, detenção ou retenção para o amortecimento de vazões de cheias, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas".

     O Conselho Nacional das Cidades estabeleceu, por meio da Resolução 33/2007, o prazo até dezembro de 2010 para os municípios elaborarem, de forma participativa, seus planos de saneamento básico. Caso contrário, teriam, a partir de 2011, interrompidos os repasses da União destinados ao saneamento.

     Prefeito Galindo, o que o senhor apresentou à sociedade é apenas um diagnóstico do abastecimento de água e da coleta de  esgoto em Cuiabá, não um PMSB. Só que o senhor insiste em afirmar que é, como se ele estivesse realmente de acordo com o artigo 19 da Lei Federal nº. 11.445, de 05 de janeiro de 2007, que estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico, e o Decreto 7.217, de 21 de Junho de 2010, que regulamenta a referida lei.

      O senhor omitiu informações e tentou enganar a sociedade e até mesmo a Câmara de vereadores. A lei é clara e o senhor está fugindo do debate a respeito da limpeza urbana, manejo dos resíduos sólidos e da drenagem das águas pluviais. Esses temas são os maiores problemas que Cuiabá enfrenta hoje. Seu diagnóstico serve apenas para saber qual será a melhor forma de se desfazer da Sanecap, privatizá-la.

      Senhores vereadores, o desenvolvimento de uma cidade, nos aspectos econômicos e sociais, passa necessariamente por políticas públicas devidamente efetivas e adequadas. Não podemos perder de vista que num PMSB está incluso o direito fundamental à vida, à habitação, à saúde, ao meio ambiente equilibrado ecologicamente. 

      O que está sendo apresentado à Câmara e a Cuiabá é um simples diagnostico do que já é feito com a água e o esgoto. Caberá aos senhores aceitarem ou não esse engodo entregue por um prefeito que todo sabem detestar os cuiabanos.

      Não pense, senhor prefeito, que nossos vereadores são bobos. O senhor deveria pedir desculpa ao povo por ser um grande mentiroso.

      Dejair Soares é publicitário em Cuiabá

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Artigo | 14/06/2011 - 07:08

Fatos que desaquecem a alma

Olga Lustosa

Olga Lustosa    A vida não é ficção. E a construção de um projeto de vida requer um planejamento e a vida das pessoas é seguramente o melhor de todos os projetos de construção. Já mudei tanto o meu projeto; de partido, mudei minhas convicções, a ideologia, o rumo da vida.

    Porque a vida não será nunca um rito sequenciado, com acontecimentos lineares. Ganha-se aqui, perde-se ali. Há quem amou muito, há quem perdeu o único amor. Assim, simples mesmo.

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Nosso olhar em sintonia com o
coração não pode perder a
capacidade de indignar-se

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    Os fatos acontecem quando você se expõe, quando é vencido o medo, os preconceitos, quando se quebra conceitos antigos contidos no complexo entendimento que a vida não é feita apenas de ornamentação. É um desafio após o outro, feridas que sangram, feridas que cicatrizam e feridas que contaminam.

     Olho a rua, as pessoas apressadas, movimentos desconfiados, troca de palavras ásperas. Eu não quero compartilhar esse sentimento de que nada tem jeito, tudo dá medo, de que os suspeitos se escondem e espreitam. É preciso fundamentar a existência em boas práticas e transformá-las em ações efetivas de compartilhamento, é preciso olhar para o outro, com olhar de quem está enxergando além do universo das aparências. Esse olhar desarma a má intenção, aproxima os opostos. Olhando retrospectivamente os anos, diria que os fantasmas não mais assombram, embora não existam garantias consistentes para mantê-los distantes.

    Porém, as mazelas não devem se tornar familiares. Nosso olhar em sintonia com o coração não pode perder a capacidade de indignar-se. Para falar sobre a pobreza – uma doença incurável em todo o mundo, temos que ver além das causas sociais da miséria. A pobreza é uma realidade que não deve ser banalizada, tanto as causas quanto a falácia em torno dela; a violência é comum a todos; a política produz e reproduz com surpreendente rapidez o “tipo ideal”, o político sagaz, que lança mão de estratégias inusitadas para prosperar.

     Há os que, à sombra do passado influente, tentam erguer fortaleza, há conflitos mesquinhos e falsas promessas, que estrangulam nossa política. Há os que pedem além do que merecem, há os que burlam a lei para se beneficiar. Há e em toda parte há, o medalhão. Aquela figura que dança em torno do poder, que se esconde atrás do influente, dando tapinhas, fazendo afagos, não sai do senso comum, não avança, não muda, não progride. O medalhão tem que manter-se sempre à beira da mediocridade. O medalhão enriquece ilicitamente, desconversa, titubeia , até o dia em que a máscara cai.

     Eu não me contento mais em ser uma cidadã passiva, que caminha sem olhar pra trás. Eu quero escutar o que estão falando. Não podemos parar de perguntar e produzir respostas. As crianças devem receber respostas honestas, mas eu não saberia o que dizer se me perguntassem se há legalidade para um deputado sair por aí prestando consultoria. Não seria tráfico de influência? Por que se empreende tamanho esforço para proteger pessoas que não são relevantes para nosso país, tampouco para nossa história?

    Não quero quebrar o paradigma de dizer a verdade, mas não saberia explicar porque a Corte Suprema nos obrigou a adotar um italiano de origem duvidosa. Membro do grupo terrorista sem expressão alguma, chamado Os Proletários Armados para o Comunismo, Cesari Battisti pertencia a uma organização pequena e regional, que deixou de existir três anos mais tarde, após assassinar três pessoas. O italiano não era nenhum líder revolucionário, os assaltos eram praticados para sustento do próprio grupo, que sequer possuía vinculação ideológica.

     Embora a decisão seja um ato soberano do Executivo que deve ser respeitado, há controvérsias quanto a moralidade e até mesmo necessidade de se expor pelo mesmo. Não deve se concretizar, mas se o governo italiano recorrer ao Tribunal de Haia, o Executivo brasileiro e o Supremo sairiam diminuídos desse episódio.

      Fatos assim desaquecem a alma, diluem as prioridades, não produz notícia, gera excesso de ruído na mídia nacional e internacional.
Mas na minha insistente viagem rumo a desafios interiores maiores e sem me abandonar a uma esperança vã, reconheço que há homens e mulheres que inspiram pela coragem, pela ousadia com que perseguem a paz e a justiça social. Há visíveis progressos e avanços no país, no Estado, na cidade, na minha vida e na sua. Há políticos éticos e sérios, homens solidários que estão comprometidos com bons relacionamentos, bom trabalho, que enxergam mais as oportunidades do que os problemas.

     E se persiste momento  de monotonia em sua vida, avalia,  assuma riscos que transcendam o senso comum, olhe para os lados, para o chão, para o alto. Se ver o sol, agradeça. Se não ver o sol, verá o céu e, então, já terá valido a pena e você não terá movido montanhas.

     Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e acadêmica de Ciências Sociais pela UFMT e escreve exclusivamente neste blog toda terça-feira (olga@terra.com.br)

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Artigo | 09/06/2011 - 07:42

Recall: instrumento de cidadania

José Patrocínio

José Patrocínio   Em que pese a apatia da classe política brasileira em avançar nas propostas modernizadoras objetivando a reforma política e eleitoral, tal assunto passou a despertar interesse obrigatório a partir das discussões travadas no âmbito da sociedade civil organizada que, a propósito, em passado recente, fez aprovar duas leis de iniciativa popular sobre a questão política eleitoral, uma sobre a cassação de mandato quando comprovado captação ilícita de sufrágio e outra denominada ficha limpa, que veda a candidatura de pessoas condenadas perante a segunda instância em crime de maior potencial.

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 "Instituto reccal visa instituir o arrependimento
eleitoral, porquanto permite aos próprios
eleitores a revogação de mandato eletivo
de políticos que os frustraram"

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    Com a mobilização permanente da sociedade organizada que exige aperfeiçoamento do processo democrático, a reforma política – na atual conjuntura brasileira –, entendida como proposições que objetivam em sentido macro alterar a estrutura política nacional é imprescindível para o aprimoramento democrático de nossa nação, não podendo ser postergada sob pena de comprometer os avanços a partir da promulgação de nossa Carta Magna.

    As conquistas obtidas são inegáveis, mas temas de suma importância não podem ficar represados no âmbito do Congresso Nacional, devendo ser submetidos ao seio da população para que sejam devidamente debatidos, tal como ocorreu na ocasião do referendo sobre o desarmamento.

    O instituto reccal – um dos temas em pauta no Congresso Nacional no bojo da reforma política –, merece mais atenção e divulgação, pois é um mecanismo que visa instituir o arrependimento eleitoral, porquanto permite aos próprios eleitores a revogação de mandato eletivo de políticos que os frustraram, seja por incompetência ou mesmo traição à confiança depositada para o exercício do mandato.

    O Instituto que representa a forma popular de desconfiança do cidadão eleitor é conhecido na Europa, adotado também em inúmeras unidades federativas nos Estados Unidos da América do Norte, tendo como exemplo a destituição do ex-governador da Califórnia Gray Davis, cedendo lugar ao astro do cinema Arnold Schwartzeneger.

     Tal instituto é de vital importância porque a sociedade civil brasileira vem a todo momento dando manifestação de elevado grau de descontentamento com a classe política, em razão dos vários escândalos protagonizados por distintos personagens da alta cúpula dos poderes constituídos, levando a população ao completo descrédito, assim por ser um assistente passivo no modelo atual, nada pode fazer em desfavor dos representantes que não honram o mandato titularizado através da delegação popular, ficando mercê da justiça que obediente aos trâmites processuais e o elevado número de ações, torna possível que um político desonrado exerça na plenitude o seu mandato, em prejuízo de toda a população.

     Diante disso o cidadão brasileiro carece de instrumento modernizador que demonstre efetivamente sua vontade em tempo real, sem entraves e burocracias, extirpando do poder – via direta -- qualquer representante que não mais mereça a confiança de quem o elegeu, o que via de conseqüência importaria para o mandatário maior disciplina na condução dos negócios de interesses da população, menos corrupção e maior controle pelos principais interessados: o povo.

     Para haver possibilidade da existência do recall faz-se necessário a alteração do sistema normativo através de emenda constitucional, como forma de implementar mais um instrumento de participação popular a exemplo do referendo, plebiscito e da iniciativa popular que são formas de exercício de soberania popular através da realização de consultas diretamente ao povo.

     Dada a crise política não tão recente instalada no congresso nacional, destacam-se mais os escândalos do que as ações parlamentares, onde o ato político de maior repercussão nacional da política brasileira provém dos tribunais, não do congresso nacional tal como deveria ser, assim necessário instituir mecanismos – a exemplo do recall -- que auxiliem no aprimoramento do Estado Democrático de Direito.

    José Patrocínio de Brito Júnior é advogado, professor universitário e passa a escrever exclusivamente para este blog às quintas-feiras - jpbj.adv@uol.com.br

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Artigo | 07/06/2011 - 07:10

O olhar voltado para a vida cotidiana

Olga Lustosa

Olga Lustosa  A cultura se movimenta, as vezes e muitas vezes com movimentos desarticulados, mas que sempre impulsionam para o progresso de uma determinada cultura. Nem tudo está ligado a tudo como uma rede e nem tudo afeta o funcionamento do sistema cultural. As pessoas são alimentadas e moldadas segundo sua cultura. O que é sagrado para uma, pode ser profano para outra. Deve-se compreender uma cultura a partir do seu cotidiano, conhecer a identidade e o que pensa e fala quem produz as riquezas culturais.

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 Parque Indígena do Xingu é um mundo extraordinário,
onde índio não é só homem pintado de jenipapo
e urucum, mas um ser supersticioso,
que conta historias fantásticas
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    A cultura de um povo é como o conjunto dos textos escritos pela vida deles, pelos ritos, canções, danças, jogos e troca de presentes. É através das diferenças que nos reconhecemos nos outros, pois a distância é um elemento essencial para a percepção dos contrastes. Reconhecemos nosso próprio costume quando observamos um costume diferente. Alteridade é isso; reconhecer-se no outro.

    Muitos grupos produzem suas próprias fronteiras, para resguardar seu modo de viver e pensar. Aos poucos devemos quebrar essas barreiras, porque se não compreendemos um povo, não temos como nos situar entre eles. As Culturas diferentes geram um modo peculiar de produzir história. História que as pessoas herdam, usam, renovam os hábitos e costumes, acrescentam e transmitem aos outros, numa relação de troca que acontece a todo momento.

     A cultura é nosso modo de vida, é o legado que recebemos e depois deixamos para o nosso grupo social. Falar de cultura em plena semana de aniversário de 50 anos da criação do Parque Indígena do Xingu mais parece um pretexto para eu penetrar nesse mundo extraordinário, onde índio não é só homem pintado de jenipapo e urucum, mas um ser supersticioso, que conta historias fantásticas, como escreveu Orlando Villas Boas, no livro A Arte dos Pajés.

    Tive a sorte de ter ido ao Parque Indígena do Xingú algumas vezes, caminhar ao lado do grande Líder Aritana Yawalapiti, ouvir entusiasmada os projetos de Ianacolá. Hospedamos no Posto Leonardo e dalí, montados num velho trator visitamos os Kamayurá, dormimos em redes na casa dos hóspedes, um grande salão de uso comunitário. Presenciamos a ordem que se estabelecia naturalmente ali, na divisão da comida e do trabalho. Nos alimentamos de peixe assado, de beiju de mandioca e pequi. Mas os ovos de tracajá e carne de caça eram também servidos.
Todo movimento era uma demonstração cultural carregada de simbolismo e magia. Tentávamos entender um pouco de cada cena que se passava diante dos nossos olhos perplexos; a paisagem, as cores, a nudez!

    As aldeias são dominadas por grupos de descendência, mas o índios xinguanos desenvolveram rituais de interação entre as tribos diversas, como os casamentos e a prática do moitará e isso foi tornando suas culturas similares.

    No inicio do período de seca, os índios começam a movimentar o sistema de troca, chamado moitará. As trocas são controladas pelos Caciques e podem se dar entre aldeias ou entre famílias. Eles carregam os objetos que pretendem trocar; artesanato, frutas, redes e se dirigem a casa escolhida para iniciar a negociação. Víamos os objetos serem passados de mão em mão e de repente, um objeto era colocado no chão pela família visitada. Esse era o objeto escolhido e se a negociação fosse aceita pelo visitante, estava feito o moitará.

    As crenças e as práticas das mesmas levam à superstições e aos ritos, tais como; o da flauta sagrada, tocada na casa dos homens, onde se passam os ritos masculinos e que as mulheres não devem vêr e nem tampouco saber quem as toca. E se por ventura tocadas no pátio da aldeia, mulheres e crianças ficam trancadas nas casas até o término do ritual. No mundo dos Kamayurá a proibição não é apenas visual, é também auditiva, as mulheres não devem sequer ouvir o som das flautas.

    A eficácia das práticas mágicas dependem da crença na magia por parte do doente ou enfeitiçado. No mundo Xinguano sómente os homens podem se tornar Xamãs. Os Xamãs são grandes feiticeiros, homens que mantém relações íntimas com as forças naturais, controlam as relações das aldeias com o mundo sobrenatural, a relação entre o homem e o espírito que habita a floresta e os rios, que traz doenças, invade as casas e se transforma em animal da floresta.

    Os espíritos aparecem apenas para as pessoas doentes e para o Xamã em transe. Quando não são curados, a morte é recebida com tranqüilidade e não há incompatibilidade alguma entre a alegria e a morte. E a dança em homenagem aos mortos é conhecida como Quarup. Uma cerimônia que as palavras não descrevem mas é o ritual do Adeus Aldeia das Almas e acontece nem sempre, numa data fixa, porque depende da chegada do período de seca. Cada povo indígena celebra seu próprio Quarup, convidam as aldeias vizinhas, dura dois dias regados a muita música e comida farta.

    A morte não é o fim para os povos xinguanos. Os mortos se reencontram na Aldeia das Almas. O Parque Indígena do Xingú não é um mundo perfeito, é certo, mas agora está em festa e daqui eu penso no universo xinguano com encantamento contraditório porque lendo Geertz aprendi que é importante que um ser humano possa ser um enigma para outro ser humano.

   Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e acadêmica de Ciências Sociais pela UFMT e escreve exclusivamente neste blog toda terça-feira (olga@terra.com.br)

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Artigo | 03/06/2011 - 07:00

Traficantes impedem o trabalho de professora, revela Rosângela

Rosângela Cadidé

Rosângela Cadidé   “Vou mais um dia para a escola, desanimada, com medo e certa de que minhas aulas não serão dadas conforme planejei. Quando saio, tenho sensação de que estou sendo seguida”
Revelação de uma professora da rede estadual de ensino
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   O comentário desesperador acima foi feito por uma colega de profissão. Ela pediu anonimato para contar o drama pelo qual passou a viver após tentar convencer grupo de jovens estudantes a abandonar as drogas. Professora há mais de 18 anos, ela dedicou 10 deles ao trabalho numa escola pública no período noturno. Viu a necessidade de desenvolver projeto que conscientizasse jovens a não usar drogas.

    Percebeu interesse deles pelo assunto e todos até estavam participando dos debates. Mas, mal sabia que os seus problemas estavam apenas começando. De repente, é interrompida em seu trabalho para atender a um telefonema na secretaria do colégio. Recebe ameaças verbais de traficantes.

    Em princípio, pensou que seria trote, mas as ameaças continuaram e sempre os traficantes diziam: “Pare de atrapalhar o meu comércio. Vá fazer o seu serviço que é dar aula de sua disciplina.” Além disso, percebeu inúmeras vezes ao retornar para sua casa que estava sendo seguida. Constatou que o seu projeto estava surtindo efeito, pois estava tirando jovens do tráfico e certamente diminuindo o lucro de traficantes.

    A professora não sabia se naquele momento poderia ficar alegre ou triste com a situação. Percebeu que estava colocando a vida em risco e também de seus familiares. Agora imagine: como fica o psicológico dessa educadora, após as ameaças! Deveria retornar à sala de aula como se nada tivesse acontecido?

     A direção da escola, preocupada com a integridade física da professora e da comunidade escolar, pediu que ela parasse de trabalhar o projeto.

     Meu Deus! Como conviver com essa inversão de valores tão gritante? O que mais falta acontecer? É lamentável essa situação. Com certeza, ninguém gostaria de estar no lugar dessa professora, que em seu local de trabalho é atingida, talvez não pelas ameaças, mas pela sensação de impotência diante de tamanha violência.

    Solidarizo-me com a colega de profissão e com tantos outros que passaram ou que estão passando pela mesma situação. Que Deus tenha piedade de todos nós professores. Que possamos trabalhar com mais segurança e que sejamos reconhecidos e valorizados pela importância da nossa profissão! Definitivamente, não queremos estar em evidência por fatos lamentáveis como esses.

    Rosângela Fernandes Cadidé é professora há 10 anos da rede pública, formada em Letras com Especialização em Recreação e Lazer pela Universidade Federação de MT e escreve neste blog às sextas (rosangelacadide@hotmail.com)

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Artigo | 20/04/2011 - 07:00

O PSDB quer dominar ou ficar sendo dominado?

Dejair Soares

     “O consenso é a negação da liderança”, Margaret Thatcher. 

     O articulista não tem a missão de escrever para agradar a todos os públicos, mas deve e precisa equilibrar argumentos técnicos com argumentos políticos.

     Maquiavel escreveu "O Príncipe" por volta de 1513 e La Boétie escreveu "Discurso da Servidão Voluntária" a cerca de 1534. Dois autores célebres do século XVI e que possuem filosofias frontalmente opostas.

     O primeiro ensina como conquistar e manter o poder. Segundo ele, para alcançar o poder e submeter o povo todos os meios são legítimos. "O Príncipe" dita normas para exercer o poder com astúcia. Com linguagem direta e sedutora, aponta truques políticos e métodos inescrupulosos que permitem anular adversários e subjugar a população.

      La Boétie não se conforma ao ver que o povo entrega o potencial de sua liberdade e de seus direitos aos que exercem o poder. Considera que, em geral, os tiranos são produtos da população habituada à submissão. Lamenta a conivência do povo que adere a políticos espertalhões, hipotecando-lhes apoio. Com isso, o povo debilita-se e fortalece o poder que o esmaga.

     Seguindo a linha de pensamento dos célebres pensadores, vamos analisar Cuiabá.

     O PSDB já apresentou o deputado Guilherme Maluf como candidato à prefeitura de Cuiabá para 2012. O vice prefeito de Cuiabá, Francisco Bello Galinho (PTB), assumiu a prefeitura deixada por Wilson Santos (PSDB), que concorreu ao Governo do Estado ficando em terceiro lugar. No dia oito de abril, aniversário de Cuiabá, Galindo presenteou o PSDB com a seguinte frase: "Todos os ex-prefeitos de Cuiabá nunca se preocuparam com as finanças do município, é por isto que Cuiabá esta este caos". Traduzindo, não é o mesmo que dizer que todos os ex-prefeitos, incluindo os do PSDB, foram incompetentes?

     As críticas feitas pelo prefeito Chico Galindo geraram um silêncio absoluto dentro do PSDB. Não se ouviu um ranger de dente por parte de seus líderes, tanto estadual quanto municipal. O PSDB está subjulgando o povo de Cuiabá, visto que tem em sua base de sustentação Galindo, quatro vereadores e três secretário: Perminio Pinto, de Educação,que também é tesoureiro do diretório estadual do PSDB; Édiva Pereira Alves, de Trânsito e Transporte; Paulo Borges, de Infraestrutura.

     Este descalabro administrativo que Cuiabá está vivendo de total responsabilidade do PSDB. Vamos ser mais objetivos. O vereador Paulo Borges é eleito pelo PSDB e se licenciou para atuar como secretário de Infraestrutura. Ele é o responsável por todos os burracos da cidade. No pensamento maquiavélico, Galindo vai alegar que deu esta pasta para o PSDB administrar e resolver os problemas da cidade. Certo está ele, que vai debilitando o PSDB e se fortalecendo para esmagá-lo lá na frente. O partido reclama, ele dá um cargo e fica “tudo como dante no quartel de Abrantes”.

     Foi em protesto a este tipo de clientelismo que Franco Montoro declarou no manifesto de fundação: “Longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas, nasce o novo partido”. As ações de um partido são pontuadas pelo seu estatuto e de forma programática. Sem esses princípios o partido se transforma numa legenda de oportunistas.

     Qual é a posição do PSDB em relação à privatização da Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap)? A proposta é defendida por Galindo, será que o partido vai referendar isto? Até agora o que está estampado é a total desorganização. Basta ver o posicionamento dos vereadores, cada um querendo salvar o seu. Para La Boétie, são claras as posições desses parlamentares, a esperteza é que lhes interessa.

     O PSDB tem créditos, tanto éticos quanto morais. Um partido que referendou uma nova política econômica para esse país não precisa ser reerguido por nenhum de seus líderes. É preciso que suas bandeiras históricas sejam defendidas por todos. O que se deve perguntar é: o PSDB quer voltar a dominar ou ficar sendo dominado?

      Dejair Soares é publicitário em Cuiabá

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Artigo | 09/03/2011 - 09:00

Tudo é "Bello", tudo é lindo!

Dejair Soares

   "O homem de palavra fácil e personalidade agradável raras vezes é homem de bem", Confúcio.

   Os poderes Executivo e Legislativo de Cuiabá não vêm cumprindo com seu dever, usufruindo somente do erário sem ter o mínimo de comprometimento com a máquina pública. Cuiabá é a Capital do Estado, não merece toda essa mazela administrativa. Está faltando respeito com esta bela e maravilhosa cidade, que recebe a todos que aqui chegam com seu calor humano.

   O senhor Francisco Bello Galindo, que aqui chegou, foi bem acolhido pelos cuiabanos. Em pouco tempo tornou-se uma pessoa influente. Sabemos o preço que custou para ser prefeito de Cuiabá! Nossa cidade não merece este castigo, pelo péssimo acordo que o senhor fez. Cuiabá esta suja, feia, uma cidade sem vida administrativa, sem coleta de lixo, sem transporte coletivo decente, falta água em todos os bairros da cidade, o pronto socorro está caindo aos pedaços, mosquito da dengue dando rasante na cabeça das pessoas. Cuiabá está mais para um campo de guerra do que para uma Capital. Ruas e mais ruas cheias de buracos, sem asfalto, atoleiro em todo lugar.

   Prefeito, o seu staff é de uma incompetência de dar medo, sabem da situação e não dão à mínima para as reclamações dos munícipes que pagam seus impostos. O povo não está pedindo favor, seus secretários são pagos para trabalhar. Além do mais, solicitar trabalhos para esses incompetentes é o mesmo que pedir nada a ninguém. Prefeito, se juntar a sua gestão e a do Wilson Santos, confesso, que o Murilo "Dormindo", ganha dos senhores. O senhor é pior que "Nero", só falta por fogo em Cuiabá. Mas já conseguiu ferir os sentimentos e envergonhar esta Capital, que vai completar 292 anos, com sua incompetência administrativa.

   Mas tudo é "Bello", tudo é lindo, no reino de Chico Galindo. Seu único objetivo é vender a Sanecap, já tendo proposta de R$ 300 milhões. Tudo acertado pela Dupla Consultoria, contratada pelo próprio prefeito para encontrar compradores para a Sanecap. Como prêmio seus diretores ainda foram nomeados na direção da companhia de saneamento.

   Com este jeito manso, Galindo implantou no Poder Executivo a maior compra de partidos políticos da história de Cuiabá. Não tem dinheiro para tampar um buraco, mas tem para criar novas secretarias. Prefeito Chico Galinho, o Wilson Santos já foi para Coimbra (Portugal). O melhor que o senhor faria seria ir junto com o seu clone de incompetencia, antes mesmo de Cuiabá ser demolida com o apoio desses partidos e seus vereadores.

   Dejair Soares é publicitário em Cuiabá

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Artigo | 03/02/2011 - 18:22

Só o "além" para reconstruir o PSDB

Dejair Soares

   "Longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas, nasce um novo partido". Recomeçar é preciso quando o que temos já não corresponde mais aos nossos anseios. Já se passaram 22 anos de existência. Um partido extremamente jovem, chegou ao poder, não prematuramente, mas por ter tido líderes do mais alto nível da democracia brasileira. Pessoas de alta sensibilidade por ver e sentir o partido naquele momento da história deste país. Foram os saudosos Mário Covas, Franco Montoro, Sérgio Motta e José Richa, os principais líderes da fundação deste partido.

    Penso eu que Mário Covas deve estar decepcionado vendo todos esses "erros" que o partido vem cometendo, não tendo capacidade de avaliar o rumo que tomou e, o pior de tudo, de não respeitando a delegação que o povo brasileiro lhe deu: ser oposição. Neste momento sinto que Serjão, um cara extremamente estratégico, ao mesmo tempo foi um trator dentro do partido. Dizia: "Mário! Mário! Mário pede para o Chico Xavier psicografar para a direção nacional/estaduais que, quando fundamos este partido, deixamos um manifesto de fundação".

   Zé Richa responde: "Psicografar coisa alguma, Serjão. A direção desse partido tem é que tomar vergonha na cara e respeitar as suas militâncias. Lembra quando fundamos este partido? Sabíamos defender as nossas teses, éramos pragmáticos com as bandeiras que defendíamos. Hoje, se você perguntar qual a reforma trabalhista, a tributária ou a eleitoral que o PSDB defende, esses asseclas não sabe nem o que é isso. Sem falar da principal bandeira, que é o parlamentarismo. São estas bandeiras que o partido deveria estar debatendo com os diretórios estaduais e municipais e no Congresso Nacional. Estão preocupados somente em usar o partido nos períodos eleitorais e fazer dele um balcão de negócios.

   A luta pela redemocratização do país, a implantação do plano real, a sua luta, Serjão, pela democratização das telecomunicações, eles têm vergonha em defender.  Foi o PSDB que lutou, implantou e deixou o senhor Luiz Inácio Lula da Silva pegar toda essa conquista, como se fosse dele. O meu partido se acovardou perante o PT.

   Mário Covas intervém! Richa, você esta extremamente correto em dizer tudo isto. Mário pergunta: "Montoro você viu a postura dos nossos candidatos ao Governo, ao Senado, e os candidatos a deputado estadual e federal em Mato Grosso?" Montoro responde: "Vi Mário", e pergunta: "E você Mário, lembra daquele nosso senador, o ex-senador Antero?" Mário responde: "Lembro Montoro, as coisas mudaram muito neste partido. Em nenhum momento das eleições ele se mostrou como oposição aos governos Estadual e federal. Muito menos defendeu as bandeiras históricas do PSDB. Colocou foi o Lula no horário eleitoral pedindo voto a ele. Oportunista, achando que o povo é bobo, disputou duas eleições batendo no Blairo Maggi e nesta acabaram ficando amigo. Admitiu que a primeira vaga no Senado seria do seu ex-maior inimigo político. Se eu estivesse vivo, ele teria que se explicar para o partido", finaliza Mário Covas.

   Serjão diz, então: "Pessoal, vamos chamar o Dante, afinal estamos avaliando o seu Estado", e completa: "Dante, estamos discutindo as eleições de Mato Grosso". Dante responde: "É, eu escutei o Mário falando do nosso candidato ao Senado. Mário está correto, foi um erro que cometi em vida. Permitir que ele saísse candidato ao Governo em 2002, a vez era do Roberto França". Franco Montoro pergunta a Dante: "É verdade que na eleição de 2004, o candidato a prefeito por Cuiabá, o senhor Wilson Santos, não permitia a sua participação nos comícios e arrastões? Mandava você se esconder ou se abaixar, para que o povo não pudesse te ver Dante?". "É verdade Montoro", responde Dante. Montoro fala: "Então foi com o Wilson Santos que o Serra apreendeu a mesma tática para esconder também o Fernando Henrique".

   Com a calma que lhe era peculiar, Montoro faz a sua avaliação diante de todas as argumentações dos companheiros: "Estou aqui pensando em tudo que vocês falaram. Quero concordar com tudo", e pede: "Mário, na hora que você falar com Chico Xavier, inclua na sua fala que estamos de olhos nestes artistas. O partido tem que estar ligado com o pulsar das ruas. Esta provado que a direção não entendeu o recado das urnas. Somos um partido de oposição tanto na esfera nacional quanto na estadual, como é o caso de Mato Grosso".

   Neste momento o combativo Zé Richa fala: "A grande verdade é que não podemos permitir, Mário, Sérgio, Montoro e Dante, essa sujeira que estão fazendo com o PSDB. Estão usando o partido somente para interesses pessoais". Serjão responde: "Zé, você esta certo. Só para ter conhecimento, lá no Mato Grosso tem um amador no partido. Ele parece mais um feitor de escravo. Intervém nos diretórios municipais que tem pontos divergentes do dele". Zé pergunta: "E quem é esse feitor?". Serjão responde: "É um capitão-do-mato. O nome dele é Aparecido Alves". Zé responde: "Só podia ser um Aparecido".

   Mário intervém, diante de todos os pedidos: "Estou vendo que, além de falar com Chico Xavier, vou ter que falar também com Mao Tsé-Tung para fazer um limpa neste partido". Então entra na sala Néstor Kirchner: "Pessoal, o camarada Che Guevara solicita a presença de todos os líderes da América Latina para uma reunião". Serjão pergunta: "Qual é a pauta desta reunião, Néstor?". Ele responde: "É para saber se é possível reconstruir o PSDB no Brasil e se existem condições deste partido respeitar os resultados das urnas: ser oposição um dia".

   Dejair Soares é publicitário em Cuiabá

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Artigo | 17/01/2011 - 16:03

Clóvis Roberto

Dejair Soares

   "Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons, mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis", Bertold Brecht.

   Acordei esta manhã com uma saudade de você, meu velho amigo Clovis Roberto, e resolvi escrever este singelo artigo. A nossa vida aqui na Terra é passageira, mas sabemos que algumas pessoas passam uma vida toda e nem sabem para o que vieram, diferentemente do seu caso. Como disse Bertold Brecht, você era daqueles imprescindíveis meu amigo.

   Todo final de tarde era sagrado Clovis aparecia na banca do Gringo, na avenida do CPA, para "trocar umas ideias" e saber dos acontecimentos que estavam ocorrendo na cidade. Ele era uma pessoa muito ligada com o momento e isso era o seu diferencial. Sempre junto do povo, ouvindo elogios e pedidos de ajuda de todos os sentidos. Após ouvir as pessoas seguia para comprar o seu pão. Esse era Clovis Roberto.

   Sempre nos cumprimentávamos. "Clovis qual a orientação?", perguntava. "Não creia na palavra de um homem quando seus atos dizem o oposto", ele respondia. "Clovis, essa não entendi", eu falava e ele afirmava: "Um dia você entenderá".  

   Um verdadeiro homem não tem de ser um príncipe encantado, ter muito dinheiro ou um status considerável. Há outras características, na minha ótica, mais importantes. A maturidade é a primeira delas e caráter é a segunda. Há atitudes que fazem a diferença e que podem levar uma pessoa a ser um grande homem. Coerência seria outro atributo e todos esses o meu companheiro Clóvis Roberto tinha.

   Tem um ditado popular: "ninguém é insubstituível". Hoje eu discordo plenamente deste ditado. O Clóvis sempre será insubstituível. Homem de estatura moral, uma pessoa que nunca baixou a cabeça para quem quer que seja. Homem ligado com o seu tempo, crítico, justo, verdadeiro, fiel, corajoso, amigo dos amigos, sempre pautado na defesa dos oprimidos. Esse era Clóvis Roberto.

   Eu diria que Maquiavel definiria Clóvis com esta frase: "Um príncipe é necessário ter o povo como amigo, pois, de outro modo, não terá possibilidades na adversidade". 

   Numa de nossas conversas perguntei: "Clovis, porque nós brasileiros tratamos os nossos artistas e atletas como deuses? Talvez porque nos faltem herois políticos?" Clovis, respondeu, como disse Nelson Rodrigues: "A única unanimidade nacional é o Pelé e eu incluo Ayrton Senna".

   Nos Estados Unidos os fundadores do país e outros herois políticos são tratados como ícones nacionais. Não seria a hora de nós mato-grossenses valorizarmos mais a biografia de nossos grandes homem? Não para endeusar, mas, sim, para mostrar para as futuras gerações os princípios que eles defenderam. Um povo sem memória é um povo que não existe!

   Clóvis, quando você me disse, "Não creia na palavra de um homem quando seus atos dizem o oposto", não entendi. Hoje sei como lhe responder: o Cadeia Neles.

   Dejair Soares é publicitário, pós-graduado em gestão pública e ambiental

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