Sexta, 25 de Maio de 2012, 15:08 h

ANÁLISE | 14/06/2010 - 16:50

Com a Copa, pré-candidatos ficam de escanteio pelos próximos 30 dias

Romilson Dourado

  Pelos próximos 30 dias, o Brasil ficará atento ao que rola na África do Sul. À medida que a Seleção Brasileira ganha e prolonga sua estadia no país da Copa, mais o brasileiro se prenderá ao futebol. Ninguém pensa em outra coisa. São empresas liberando funcionários. As repartições publicas, então, nem se fala. O Mundial só sairá da cabeça mesmo a partir de 11 de julho. Aí, começam outros jogos, os das eleições gerais, quando serão escolhidos, em 3 de outubro, nome para Presidência da República, dois terços das 81 vagas de senador, 24 cadeiras na Assembleia e mais 8 na Câmara Federal como representantes de Mato Grosso.

    Muitos acreditam que o impacto da Copa do Mundo nas eleições é capaz de mudar cenários na corrida presidencial e também para governador. Embora o eleitor brasileiro costuma mudar o astral neste período e existam muitos candidatos que se aproveitam do interesse que as pessoas têm pelo futebol e busquem se promover, em meio aos exageros e incentivos da mídia junto aos torcedores, essas emoções não mudam o placar eleitoral. A história prova isso. Quem mais tentam tirar proveito das vitorias são os candidatos que representam o governo.

    Em 1994, quando o Brasil conquistou o tetracampeonato em cima da Itália, Dante de Oliveira, então no PDT, era candidato de oposição é ganhou o Palácio Paiaguás contra Oswaldo Sobrinho (PTB), que tinha apoio do então governador Jayme Campos (então PFL e hoje DEM). Fernando Henrique Cardoso (PSDB) chega à Presidência, derrotando o petista Lula.

   Quatro anos depois, o Brasil perde na final para a França, enquanto Dante, dois meses depois, reconquista o mandato, já pelo PSDB, contra Júlio Campos (PFL). FHC também garante mais quatro anos de gestão à frente do Palácio do Planalto. Em 2002, a Seleção ganha o penta realizada na Coréia do Sul e no Japão, na final contra Alemanha, enquanto, por aqui, Blairo Maggi chega ao Paiaguás 60 dias depois, liquidando a briga já no primeiro turno. Na época, o empresário estava no PPS. Nacionalmente, foi a vez de Lula vencer José Serra e conquistar a Presidência. Naquele ano, a euforia no futebol não trouxe nenhum benefício para Serra, candidato de FHC, e muito menos para Antero de Barros, nome empurrado pelo tucanato que estava no poder.

    Em 2006, o Brasil perde nas quartas de final para a França e, em Mato Grosso, Maggi reconquista a cadeira de governador no primeiro turno, assim como Lula no comando do país. Desta vez, Maggi e Lula abateram dois tucanos, Antero e Geraldo Alckmin.

   Agora, há três principais pré-candidatos colocados na corrida à sucessão estadual. Eles se mostram entusiasmados com a Seleção Brasileira nesta Copa e não poderiam se manifestar diferentes, sob pena de não ter a simpatia dos torcedores-eleitores. Silval Barbosa (PMDB), Wilson Santos (PSDB) e Mauro Mendes (PSB) vão assistir aos jogos da Seleção com camiseta com as cores verde e amarela. Entram no clima de euforia acreditando que os eleitores estão com um olho na eleição e outro na Copa. Os candidatos natos não querem ficar perdidos de vista. Quando a bola da Copa parar de rolar na África do Sul, eles entram em campo como protagonistas da disputa ao Paiaguás. Só um, ao final, não levará cartão vermelho do eleitor.

ANÁLISE | 09/06/2010 - 16:32

Operadores do direito precisam respeitar os políticos, diz Aluízio

Romilson Dourado

Aluízio Lima, presidente da Ucemmat   O presidente da Ucemmat, entidade que congrega as 141 câmaras municipais mato-grossenses, com 1.295 vereadores, Aluízio Lima, disse nesta quarta (9), em visita ao RDNews, que os chamados operadores do direito precisam ter mais respeito para com a classe política. Segundo ele, assim como existem políticos corruptos e que cometem crimes e atos de improbidade, há também em outros setores pessoas que fazem igual, inclusive no Ministério Público e no Judiciário. "É preciso separar o joio do trigo. A classe política tem papel fundamental na sociedade. É ela quem, por exemplo, representa o povo, administra os recursos públicos e elabora as leis. Não é porque uns cometem deslizes, que todos devam entrar na mesma vala", enfatizou o presidente da União das Câmaras Municipais do Estado que está no terceiro mandato.

    Para Aluízio, a sociedade tem de valorizar a classe política e vê-la com bons olhos. "Existem muitos políticos bons e bem intencionados", diz o vereador de quarto mandato de Salto do Céu (a 350 km a Oeste de Cuiabá). O dirigente lamenta o fato do juiz federal Julier Sebastião da Silva de, em seu despacho, na página 14 do processo que resultou em mais de 90 prisões por supostos crimes ambientais, enfatizar que o alvo das investigações seria políticos. "Ficou claro que houve viés político. Isso é muito ruim. A Justiça não pode ter lado e nem partido".

   Rumo às urnas

    Ex-militante do PFL (hoje DEM) e hoje no PR, Aluízio Lima diz que está acompanhando à distância os embates entre os pré-candidatos a governador, sendo eles Wilson Santos (PSDB), Silval Barbosa (PMDB) e Mauro Mendes (PSB). Perguntado sobre quem deles vai apoiar, o presidente da Ucemmat se esquiva: "Todos são bons candidatos, mas vejo o Silval como favorito". Quanto ao Senado, Aluízio não opinou, ou seja, ficou no muro.

    Já sobre a briga por cadeira na Assembleia, Aluízio se "desmancha" em elogios ao presidente do Legislativo, deputado José Riva, a quem chega a classificar de "o maior municipalista de Mato Grosso". "Vejo muitos bons pré-candidatos, mas considero o Riva como a maior referência política do Estado. Eu o acompanho e vejo o trabalho dele nos municípios e também em Cuiabá. Aliás, vou pedir voto para aqueles que valorizam as bases porque são nos municípios onde o poder público precisa estar mais presente". Questionado se a liderança de Riva não fica prejudicada devido aos processos a que este responde na Justiça, Aluízio Lima ponderou, sem entrar no mérito, que "existe muita perseguição ao deputado por ser bem sucedido politicamente."

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ANÁLISE | 08/04/2010 - 15:15

Disputa com Wilson, Silval e Mendes não aponta favorito

Romilson Dourado

    As pré-candidaturas a governador se afunilaram aos nomes de Wilson Santos (PSDB), Silval Barbosa (PMDB) e Mauro Mendes (PSB) e, a dois meses das convenções e a cinco das eleições gerais, não é possível apontar nem mesmo quem reune mais chance de ir para o segundo turno. Diferente das campanhas anteriores, as pesquisas de intenção de voto não revelam nenhum dos três com ampla vantagem.

Wilson Santos, do PSDBSilval Barbosa, do PMDB    Wilson, que renunciou ao mandato de prefeito da Capital para entrar na corrida ao Palácio Paiaguás, aparecia como o nome mais preferido até o ano passado. Ele vem se mantendo na liderança, mas se mostra incomodado com o crescimento dos concorrentes Silval e Mendes.

   O peemedebista assumiu a cadeira de governador no último dia 31 e, antes mesmo de substituir de vez Blairo Maggi no comando do Estado, já havia saído da condição de "lanterna" para brigar pela primeira colocação.

Mauro Mendes, do PSB   Candidato derrotado a prefeito de Cuiabá em 2008, inclusive no segundo turno contra Wilson, Mendes corre por fora e tem surpreendido até mesmo os menos otimistas com sua inserção no processo eleitoral. Mauro Mendes se afastou da presidência da Federação das Indústrias do Estado e se mostrou despreendido quando deixou o PR do ex-governador Maggi e migrou para o pequeno PSB, determinado a construir o que se convencionou chamar de terceira via. Foi impulsionado pelos dirigentes do PPS e PDT, deputados Percival Muniz e Otaviano Pivetta. Ambos sustentam a tese de que as duas legendas vão estar com Mendes, mas o clima nos partidos é de racha. Pode haver, inclusive, intervenção nacional.

   Pela primeira vez o eleitorado mato-grossense deve votar duas vezes para escolher governador. Até hoje o pleito se definiu no primeiro turno. Foi assim, por exemplo, com Júlio Campos, Carlos Bezerra, Jayme Campos, Dante de Oliveira e Blairo Maggi. Os dois últimos foram reeleitos.

   Em 1994, Osvaldo Sobrinho foi candidato ao Paiaguás pelo PTB e contava com apoio do então governador Jayme Campos (antigo PFL). Na fase de pré-campanha, figurava como favorito e tinha a força da máquina estadual. Dante, então no PDT, foi marcando posição até "engolir" os adversários. Conclusão: se elegeu governador com 471.104 votos, enquanto o petebista ficou com 167.072 e, Ivanildo Francisco (PSD), com 22.850 votos.

   No pleito de 98, Dante, já no PSDB, enfrentava forte desgaste popular e nem trabalhava projeto à reeleição, haja vista que a legislação não permitia disputa consecutiva para o segundo mandato no Executivo. Numa manobra do governo FHC e com apoio do velho PFL, foi aprovado o instituto da reeleição. O tucanato, então, jogou Dante no páreo. Na época, Júlio Campos (PFL) registrava mais de 60% das intenções de voto. Muitos já estavam chamando-o de "governador". Com o peso da máquina, Dante conseguiu reconquistar o mandato com 472.409 votos. Júlio amargou o segundo lugar, com 332.023. O petista Carlos Abicalil ficou em terceiro, com 64.619, seguido de Emanoel Novaes (Prona), com 3.904 e, por fim, Jaques de Carvalho (PRTB), com 2.753.

   Em 2002, Dante, com a popularidade em alta, lança Antero de Barros à sucessão estadual, após uma série de divergências internas, inclusive com o então prefeito cuiabano Roberto França, que resolve romper com o grupo. Antero liderava as pesquisas. O tucanato achava que garantiria mais quatro anos de poder. Eis que três meses antes das eleições surge o empresário Blairo Maggi. Pelo PPS, Maggi leva a eleição no primeiro turno. Chega a 619.655 votos. Deixa para trás Antero (360.296), o petista Alexandre Cesar (227.598), Sebastião Moreira, o Matrinxã (PSB), com 14.287 votos) e Joenete Carlos Pereira, o Linguiça (PGT), com 715 votos.

   Nas eleições de 2006, Maggi garante novo mandato, também no primeiro turno, aplicando nova derrota a Antero. Numa disputa com sete candidatos, o então socialista e hoje republicano obtem 922.765 votos. Antero fica com 279.873. A senadora Serys Marly Slhessarenko (PT) conquista 159.686, enquanto Mauro Lara de Barros (Psol) consegue 31.336; Bento Porto (PSC), 11.091; Josmar Alderete (PSDC), 2.624; Paulo Vieira (PRP), 2.007 e, Roberto Pereira (PHS), 1.779.

    Agora, os eleitores começam a viver o clima de novo confronto pelo Paiaguás. Quem for o vencedor conduzirá um orçamento anual de aproximadamente R$ 9 bilhões numa máquina com 23 secretarias, diversos órgãos, empresas e autarquias vinculados e quase 100 mil servidores.

     Wilson incorpora o discurso de oposição aos governos Maggi e Silval. Ele conseguiu "amarrar" apoio do PSDB, do PTB e do DEM. Mendes, por enquanto, só tem garantia do seu próprio PSB, já que PPS e PDT, que anunciaram adesão a seu nome vivem uma "guerra" interna sobre quem apoiar. Silval tem respaldo do PMDB, PR e PT e também sonha com partidos que continuam no muro, como o PP dos deputados José Riva e Pedro Henry. As articulações pela ampliação do arco de alianças são intensas porque, em meio a um cenário confuso, complexo e sem um franco favorito, quem reunir mais lideranças, embora algumas estejam "queimadas politicamente", tem chance de largar na frente.

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ANÁLISE | 22/03/2010 - 22:42

Maggi não crê em transferência de voto ao vice Silval em eleição

Patrícia Sanches

   O governador Blairo Maggi (PR) demonstra cautela ao falar sobre a transferência de votos para o vice Silval Barbosa (PMDB), que assume comando do Palácio Paiaguás em abril. O peemedebista disputará a sucessão do republicano em outubro. “Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa. Este resultado é um processo de mais de sete anos de construção. Silval vai ser analisado pelos seis meses do governo dele”, pondera Maggi.

   Ele comemora a aprovação popular de sua gestão e atribuiu o resultado positivo aos sete anos e três meses de muito trabalho Segundo o republicano, os percentuais positivos aferidos pelos institutos de pesquisa são o reconhecimento aos serviços prestados. “É uma avaliação pessoal da minha administração. Acredito que politicamente pode ajudar Silval, mas o que vão analisar é o governo dele”, destaca Maggi, que voltou a reafirmar a pré-candidato ao Senado.

  O republicano tem bastante sintonia com o governo Lula e chegou a ser cogitado para participar da coordenação da campanha da pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil. “Quando a ministra esteve aqui conversamos sobre o assunto, mas nunca mais tratei disto. A agenda dela está tão cheia que não tem espaço nem para telefonema”, brinca Maggi, entre risos.

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ANÁLISE | 10/03/2010 - 11:20

Quadro para governo lembra o de 98, avaliam sócios da Mark

Romilson Dourado

Empresários Bárbara e Marco Polo, do instituto Mark    O quadro sobre desempenho dos pré-candidatos ao governo estadual é similar ao de 1998. A observação é dos empresários Marco Polo e Bárbara Pinheiro, sócios do instituto Mark, único que desde o ano passado vem realizando amostragens para divulgação pública acerca do grau de satisfação do eleitorado dos virtuais candidatos. Eles observam que há 12 anos, Júlio Campos (então PFL) aparecia como líder absoluto nas intenções de voto, enquanto o governador da época Dante de Oliveira (PSDB) estava em dificuldades até para chegar ao final do mandato e nem sabia se poderia concorrer à reeleição.

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"Em 98, Júlio era imbatível e, com o instituto da
reeleição, Dante reverteu a desvantagem e
ganhou; agora, Wilson não é mais o líder
absoluto e Silval disputa no cargo de governador"

   Com a articulação do Palácio do Planalto, sob Fernando Henrique, junto com alguns ministros, entre eles Sérgio Motta (já falecido) e com as bancadas do PSDB e DEM, o Congresso Nacional aprovou a regra da reeleição. Isso, para Dante, foi determinante. A administração tucana passou a ter maior visibilidade, poder de articulação e de composições políticas num Estado que até hoje é dependente do poder público central, tanto que as pessoas ainda temem romper com o Palácio Paiaguás porque acabam trabalhando de forma direta ou indireta com o governo. Dante começou o projeto à reeleição em desvantagem para Júlio e, com o poder da máquina, conseguiu reverter o quadro e garantir novo mandato, inclusive no primeiro turno.

    Marco e Bárbara destacam que agora surge um fato inusitado e tão novo quanto a tese da reeleição, que é a pré-candidatura de Silval Barbosa, que assume o governo no próximo dia 31 e, no comando do Paiaguás, buscará a reeleição. O peemedebista vai usar o mesmo trunfo de Dante, em 1998, e de Blairo Maggi, em 2006, quando reconquistou a cadeira de governador. O casal observa que o prefeito de Cuiabá Wilson Santos (PSDB), a exemplo de Júlio em 98, estava liderando as pesquisas de intenção de voto com ampla vantagem e agora os números já apontam empate técnico entre o tucano e Silval, conforme mostrou o próprio instituto Mark.

   Wilson tem se baseado na história para reforçar a tese de que o governo não faz o sucessor, enfrenta desgaste e sentimento de mudança e que nem se elege a senador. Cita como exemplo de blefe nas urnas os ex-governadores Garcia Neto, Carlos Bezerra e Dante. O detalhe, observam Marco e Bárbara, é que Silval busca a reeleição, assim como Dante e Maggi, e o poderio da máquina tem contribuído para crescimento do peemedebista. O resultado disso é uma polarização entre Wilson e Silval e com tendência de vantagem do pré-candidato da situação. "Se consideramos o histórico, como muitos avaliam, Mato Grosso sempre deu a vitória ao candidato a governador que buscou a reeleição", pontua Marco Polo, ao lembrar que, mesmo Silval assumindo o governo agora vai tocar uma campanha no cargo de chefe do Executivo, portanto, em busca da recondução ao Paiaguás e isso tem um peso muito grande.

    Poder da caneta

    O casal Pinheiro contrapõe os argumentos de Wilson, que tem afirmado que o seu pior momento como prefeito e pré-candidato já passou. Em verdade, segundo Marco e Bárbara, "o pior momento para o tucano vai ser quando este entregar a caneta, ou seja, renunciar ao mandato de prefeito". "A partir daí, Wilson não terá mais nada a oferecer. E será que ele terá fôlego para manter o projeto majoritário entregando a caneta, enquanto Silval, ao contrário, passa a ter essa caneta nãos mãos?", perguntam os propritários do instituto Mark. Eles enfatizam que essa análise é feita simplemente com base na história política recente e no comportamento dos políticos. Acham até que a eleição possa ser decidida no primeiro turno.

   Marco Polo comenta ainda que Wilson precisa combater um conceito já formado junto ao eleitorado e em alguns segmentos sociais de que "não cumpre acordo". "Não sou eu quem está falando. É o que se ouve das pessoas. E isso está incomodando tanto Wilson que sua equipe de marketing lançou até jingle como contraponto, quando propaga a frase 'obras concluídas, promessas cumpridas'". Segundo o empresário, essa campanha publicitária chega a soar como deboche junto a algumas pessoas porque o prefeito enfrenta dificuldades para concluir projetos que seriam o carro-chefe da administração tucana, como as avenidas das Torres e Rodoanel, Eta Tijucal e as obras do PAC.

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ANÁLISE | 03/03/2010 - 14:47

Regras do CNJ darão clareza a pagamentos, argumenta Cunha

Patrícia Sanches

   O vice-presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Paulo da Cunha, acredita que o pagamento de benefícios a magistrados será mais claro e seguro após o escândalo envolvendo os juízes e desembargadores mato-grossenses. “Quando há uma regra as coisas ficam mais nítidas”, ressalta, numa referência às orientações do CNJ em fase de implantação pela corte mato-grossense. Em relação ao escândalo, ele nega ter participado ativamente do pagamento dos benefícios questionados pelo CNJ. Cunha evita críticas aos 10 magistrados aposentados compulsoriamente, mas pondera que na época não havia critérios para a efetuação dos pagamentos.

  O vice-presidente reconhece que a imagem do Judiciário está desgastada. Numa analogia, ele disse que, mesmo em meio à tempestade, o navio consegue seguir o seu caminho. "Meu desejo é superar esta crise institucional o mais rápido possível. Nossa alta missão de julgar não autoriza instabilidades prolongadas”, pondera.

   Em relação à desistência em disputar a vaga de presidente do TJ, Cunha alega estar satisfeito com a função de vice e ressalta os predicados do novo presidente, desembargador José Silvério. “Ele é dotado de uma grande competência e perspicácia para ocupar o cargo”.

  O vice-presidente diz encarar com naturalidade as lamentações dos desembargadores, durante a sessão que elegeu Silvério,  quanto à decisão do CNJ de aposentar compulsoriamente 10 magistrados. Segundo Cunha, as declarações dos membros do Pleno do TJ não implicam em questionamentos à decisão do Conselho. A desembargadora Clarisse Claudino, por exemplo, reconheceu o momento delicado da instituição. Para ela, é necessário um resgate da imagem do Judiciário para não comprometer a legitimidade das decisões proferidas pelo TJ perante à sociedade.

ANÁLISE | 01/03/2010 - 19:41

Não entendo diferenciação da Justiça, argumenta Rabello

Simone Alves

Walter Rabello   O ex-deputado estadual Walter Rabello (PP), cassado em 2008 por infidelidade partidária, acredita que a Justiça tem diferenciações que ele não consegue compreender. Eleito em 2006 pelo PMDB, Rabello deixou o partido para ingressar no PP após 27 de março, data que valida a regra da fidelidade partidária, imposta em resolução do Tribunal Superior Eleitoral. Embora pondere suas palavras, evitando críticas diretas ao Ministério Público Eleitoral, órgão que fez o pedido de perda de mandato, o progressista lembra que o seu julgamento foi de imediato, enquanto há outros parlamentares que ainda têm recursos a serem julgados.

   Chica Nunes (atual DEM e ex-PDSB), por exemplo, foi afastada por improbidade administrativa e também pode ser condenada por infidelidade partidária. A representação que pede a perda de mandato da democrata está em trâmite na Justiça Eleitoral. O Ministério Público, por meio de assessoria, informa que acompanha o processo. Rabello, por sua vez, diz entender a morosidade da Justiça. “Entendo e respeito a decisão do Ministério Público, sim, só não entendo o fato do meu argumento, depois de tudo que afirmei, não ter sido aceito".

   Para exemplificar a diferenciação da Justiça, ele citou a recente decisão do Conselho Nacional de Justiça que decretou a aposentadoria compulsória de 10 magistrados mato-grossenses. “Como explicar esta diferença: os magistrados perderam seus cargos e continuam recebendo remuneração. Já os parlamentares ou gestores são obrigados a devolver os recursos. Mas sei que todos são inocentes até que se julgue os recursos no Supremo Tribunal Federal”, pondera.

   Rabello ingressou com recurso em dezembro do ano passado, na Justiça Eleitoral, na tentativa de reverter a decisão do TRE, mas não obteve sucesso. Agora recorreu ao Supremo Tribunal Federal. Ele mostra-se sem esperança de conseguir um julgamento positivo neste caso e por isto já movimenta o partido para apoiar seu nome na corrida a uma cadeira na Assembleia. Rabello acredita ser o principal puxador de votos da legenda. "Recebi mais de 70 mil votos na última eleição. Tenho minha representatividade e o partido reconhece isto".

   O apresentador de TV enfrentou uma série de problemas em 2008. Primeiro foi demitido da TV Cidade Verde, onde apresentava um programa popular que o ajudou a angariar votos. Depois disputou e perdeu no primeiro turno a eleição à Prefeitura de Cuiabá. Para piorar, teve o mandato de deputado cassado por infidelidade partidária. Hoje ele tem um programa na TV Rondon (SBT) e, com estilo populista, batalha para reconquistar vaga na Assembleia.

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ANÁLISE | 17/02/2010 - 12:03

Silval pode arranjar sarna para se coçar, diz Wellington sobre PT

Patrícia Sanches

   O presidente estadual do PR, deputado federal Wellington Fagundes, aconselha o vice-governador Silval Barbosa (PMDB) a não “meter a colher” na briga entre a senadora Serys Marly e o deputado federal Carlos Abicalil, ambos do PT, que travam uma verdadeira guerra interna pela indicação do partido para disputar a senatória. Wellington lembra que o PT é um partido complexo, formado por várias correntes. Segundo ele, Silval pode sofrer represálias e piorar a situação com os aliados se resolver intervir. “Mediar eu acho que ele deve, interferir não. Tem várias correntes e se Silval for lá resolver pode arrumar sarna para se coçar”, avisa o republicano, em entrevista ao Programa Cidade Independente, da Rádio Cidade, veiculado nesta quarta (17).

   Demonstrando querer mesmo ficar longe da briga dos petistas e fazer a política da boa vizinhança, Wellington afirma que, como presidente da sigla, não vai intrometer nas discussões internas do PT. “Como presidente de um partido, eu não posso meter a colher no outro. Tenho a preferência pelo melhor que eles escolherem. Não vou colocar o bedelho”, avisa. Serys e Abicalil entraram em rota de colisão depois que o deputado federal oficializou a pretensão em ser candidato ao Senado. Os dois disputam a “tapas” o apoio dos militantes do PT e, após muito debate, o partido deve definir o nome do pré-candidato em março. Apesar disso, a oficialização só deve ocorrer durante as convenções em junho. “Eles têm espaço para indicar um nome, vamos aguardar”, diz Wellington.

  Ele revela também que o PR não deve ter chapa pura tanto a deputado estadual quanto federal. Na avaliação do deputado de quinto mandato, o chamado “chapão” tem mais força e condições de eleger mais candidatos. Por isso, ele vai propor que PT e o PMDB também formem uma chapa mista para disputar a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal. Entre os novos nomes citados por ele para disputar uma vaga de federal está o do vice-prefeito de Várzea Grande Tião da Zaeli e o do vereador por Cuiabá Francisco Vuolo. “Vuolo pode sair para estadual ou federal. Temos muitos nomes”, disse. Sobre a participação das mulheres, ele alega que será respeitado o percentual de 30% exigido pela lei. “Ainda temos dificuldades para lançar candidatas. A política brasileira é machista, mas as mulheres estão avançando”, avalia.

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ANÁLISE | 12/02/2010 - 14:49

4 virtuais candidatos estão inseguros sobre alianças; PP segue no muro

Romilson Dourado

  Nem mesmo os pré-candidatos majoritários sabem, ao certo, quem vai estar com quem em termo de composição política nas eleições gerais de 3 de outubro. Jayme Campos e Wilson Santos, por exemplo, anunciam que fizeram um pré-acordo para o melhor dos dois nas pesquisas de intenção de voto vir a ser o candidato do bloco a governador. Nesse caso, a tendência seria de democratas e tucanos se juntarem, algo inédito, já que tratam-se de grupos que tradicionalmente estiveram em campos opostos. O quadro fica mais complexo e embolado ainda porque nenhum dos nomes colocados aparece nas pesquisas com ampla vantagem. Em pleitos anteriores, era comum nesta época o eleitorado vislumbrar com maior segurança quem seria o próximo governador.

    Se Jayme for o cabeça-de-chapa, o tucanato deve indicar como vice o ex-prefeito de Rondonópolis Rogério Salles, que já foi vice de Dante de Oliveira (1999/2002). Assim, consolidaria a dobradinha DEM-PSDB. Nesse caso, Wilson concorreria ao Senado. Parte do PP torce pela consolidação do nome de Jayme, principalmente o presidente da Assembleia, deputado José Riva. Na prática, se o senador disputar o Paiaguás, teria apoio do PSDB e PP. Já outra banda do PP, capitaneada pelo deputado federal Pedro Henry e pelo secretário de Estado de Ciência e Tecnologia Chico Daltro, deseja aliança com o PMDB de Silval. São divergências como essas que deixam o PP em cima do muro.

     Wilson, hoje o principal nome da oposição, tem assegurado o PTB do vice-prefeito Chico Galindo, que está pronto para conduzir a Capital com a renúncia do pré-candidato tucano. Nessa composição PSDB-DEM, caberia aos democratas indicar o companheiro de chapa. Há uma disputa entre os deputados Zé Domingos, de Sorriso, e Dilceu Dal Bosco, de Sinop, para vice, assim como do prefeito de Alto Garças, Roland Trentini.

    Pré-candidato da situação, Silval tem "costurado" apoio do seu PMDB, PR, PT e dos nanicos PRB e PTC. Seu esforço é enorme para atrair legendas que hoje estão no arco de alianças do governo Blairo Maggi, mas que sinalizam para outro rumo, como PDT e PPS. Correndo por fora surge Mauro Mendes, empresário que deixou o PR e se filiou no PSB na expectativa de se tornar "fato novo" na disputa ao Paiaguás. Mendes passou a se reunir com maior frequência com o bloco do qual fazem parte não apenas PSB, PPS e PDT, mas também PC do B, PMN, PRTB e PV.

   O que mais consome tempo dos virtuais candidatos a governador são os nanicos. Acontece que quase todos os seus dirigentes fazem espécie de leilão partidário. O PV, por exemplo, participa das reuniões de Mendes, mas faz parte da gestão Wilson e ainda abriu diálogo com o tucano sobre alianças. Os comunistas sinalizam para Mendes, mas, por outro lado, sustentam o discurso de que vão seguir a tendência nacional e, nesse caso, o caminho mais provável seria apoiar Silval porque no palanque vão estar partidos da base do presidente Lula (PT).

   As definições sobre candidaturas e composições só vão ocorrer mesmo nas convenções, que acontecem de 10 a 30 de julho. Até lá, cada concorrente lança a estratégia que bem entender. Nenhum quer avançar sem, antes, saber os passos que foram dados dos possíveis adversários. Isso leva todos para a trincheira.

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ANÁLISE | 18/12/2009 - 09:08

Mendes vai ser fritado pelo próprio PSB, avalia blogueira

Romilson Dourado

   A economista e blogueira Adriana Vandoni considera que o presidente da Federação das Indústrias do Estado, Mauro Mendes, pré-candidato a governador pelo PSB, sempre foi plano B e se tornou até o plano A do grupo do governador governador Blairo Maggi. Segundo ela, a pré-candidatura do peemedebista Silval Barbosa, apoiado por Maggi, "não é necessariamente a dos sonhos de Blairo, que tenta apenas seguir regionalmente os rumos que Lula quer dar à união PMDB-PT em nível nacional". Adriana entende que, sob determinação de Lula, Maggi pavimenta seu retorno ao governo daqui a 4 anos, tendo em 2014 o apoio de Lula, que será novamente candidato à Presidência.

    Lembra que assim que Mendes trocou o PR pelo PSB, o presidente regional da legenda socialista, deputado Valtenir Pereira, colocou o empresário "numa bandeja de prata e saiu por aí alardeando aos quatro cantos que tinha um candidato ao governo". Em seguida, observa que algo mudou nessa relação, e o agora possível candidato ao governo pelo PSB passou a seguir o presidente do PPS, Percival Muniz, e dar demonstrações de que não precisa mais de Valtenir, que, por sua vez, não esconde mais o seu desapontamento.

   Adriana acha que Mendes não está prestando atenção nos acontecimentos nacionais. Observa, por exemplo, que Ciro Gomes não deve ser candidato à sucessão estadual e, de quebra, rejeitará a petista Dilma Rousseff na corrida ao Planalto. Assim, o PSB não deve ter o PT no palanque em MT. No fundo, para Adriana o que mais interessa ao PSB e fortalecer a bancada federal. "Isto quer dizer que aos olhos do PSB nacional, com Ciro fora, Valtenir é a noiva da vez. Mauro tem que ter muita bala na agulha para fazê-los pensar diferente".

   O artigo, sob título "Mauro pode virar a Dona Baratinha", está postado na seção Artigos, logo acima, à esquerda. Leia lá e comente cá.

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ANÁLISE | 04/12/2009 - 21:18

Pedro Lima fere a Constituição que ele ajudou a promulgar

Romilson Dourado

  Pedro Rodrigues Lima, fiscal aposentado da secretaria de Fazenda e que está preso sob acusação de envolvimento em fraudes junto com outras 26 pessoas, mancha o seu currículo e, aos 77 anos completados em 29 de junho, vê cair por terra toda uma trajetória marcada de um ex-parlamentar de bom conceito. Ele foi um dos 24 deputados que assinaram a promulgação da Constituição de Mato Grosso, em 1989.

   Já se foram 20 anos daquela data histórica de 5 de outubro. Pedro Lima fere a Carta que ele próprio assinou, afinal ela contém as leis que estabelecem direitos e obrigações de toda a sorte de atitudes tomadas pelos cidadãos em seus limites territoriais. Mesmo que venha a ser inocentado pela Justiça, já está condenado socialmente e politicamente.

   Durante três anos, a Assembleia liderou audiências públicas nas cidades-pólos para discutir as propostas. A Constituição do Estado foi oficializada um ano depois da Constituição Federal. Pedro Lima era a voz política da região de Alto Araguaia e esteve presente nas discussões em outros pólos. No ano passado, duas décadas depois, ele resolveu concorrer à Prefeitura de Alta Araguaia, onde reside à rua Sílvio José de Castro Maia, no centro. Já na reta final acabou desistindo da disputa eleitoral devido a problemas de saúde. Agora foi parar na cadeia.


Em 1989, Pedro Rodrigues Lima (em destaque) aparece na imagem ao lado dos demais deputados constituintes
Foto: Demóstenes Milhomem

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ANÁLISE | 24/11/2009 - 14:06

Questões do concurso têm viés político e falha ortográfica

Romilson Dourado

  As provas que começaram a ser aplicadas em Mato Grosso no maior concurso público do país no último domingo e, logo em seguida, suspensas, apresentam algumas perguntas e sugestões de resposta com viéis político e falhas de ortografia. Em meio à confusão, muitos dos 271 mil candidatos inscritos fizeram as provas, enquanto outros nem tiveram acesso ao conteúdo, já que por volta de 10 horas os fiscais e coordenadores anunciaram a nulidade motivado por uma série de problemas, entre eles de "vazamento" de provas e gabaritos e pela falta de estrutura logística.

   No caso do concurso para gestor governamental, com 4.253 concorrentes para 50 vagas, pelo menos duas das 80 questões programadas chamaram atenção. A de número 71 traz, justamente na resposta certa, uma palavra escrita de forma equivocada, certamente por erro de digitação. Ao invés de "pregão eletrônico", aparece "cregão eletrônico". A questão 43, só faltou mencionar o nome do governo do presidente Lula. Pergunta o seguinte: "É considerada política pública de combate à pobreza e desigualdade social do atual governo federal". Em seguida, apresenta cinco alternativas. A correta é a letra b com "Bolsa Família", um dos programas sobre o qual o presidente Lula mais faz propaganda.

   O governo do Estado assegura que não tem acesso e muito menos influência sobre as perguntas e respostas. Toda a responsabilidade pela elaboração das questões ficou acerca da Unemat, que conta com sua Coordenação de Concursos e Vestibulares (Covest/Unemat). No geral, segundo alguns dos candidatos que responderam as questões do concurso para gestor governamental, o conteúdo foi equiparado ao de ensino médio.

   Até esta quarta o governo do Estado anuncia nova data para o concurso. As provas serão elaboradas de novo pela Unemat, mas agora sob uma fiscalização mais rigorosa e cuidados especiais para evitar tantos erros primários.

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ANÁLISE | 22/11/2009 - 22:07

Apagão está para Dilma assim como concurso para Maggi

Romilson Dourado

   O apagão está para a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff (PT), pré-candidata à sucessão presidencial, assim como o fiasco do maior concurso público do país em Mato Grosso está para o governador Blairo Maggi (PR), virtual concorrente ao Senado. Esses problemas vão ser lembrados com ênfases pela oposição nas eleições do próximo ano.

    Desde o apagão elétrico que durou cinco horas e atingiu 18 Estados no início do mês, Dilma tem procurado explicações, sob bombardeio dos opositores, principalmente do DEM e PSDB, que vão repetir as alianças no pleito de 2010 para contrapor a petista. O cerco se fechou contra a pré-candidata de Lula. Ela foi convidada a prestar esclarecimentos no Congresso Nacional.

   Por aqui, Maggi passará a conviver agora com críticas de um PSDB que ensaia projeto próprio na esperança de reconquistar o Palácio Paiaguás com o prefeito cuiabano Wilson Santos. O que seria o maior concurso público do Brasil, com 274 mil inscritos para disputa de 10.086 vagas de servidores do Estado, se transformou numa decepção geral. Sob responsabilidade da Unemat, instituição que compõe a estrutura da máquina do governo, as provas seriam realizadas neste domingo. Uma série de erros e irregularidades levaram a coordenação a anular o concurso. Houve até vazamento das provas antes da hora. Candidatos registraram queixa na polícia. Muitos vieram de outros Estados especialmente para fazer o concurso.

   Assim como Dilma busca argumentos para explicar o apagão, Maggi procura explicações quanto ao concurso que não foi realizado. Seu secretário de Administração Geraldo de Vitto e o reitor da Unemat, Taisir Karim, cuja gestão enfrenta denúncias por supostos atos de improbidade, tentaram justificar, mas não convenceram. Estão sendo taxados de incompetentes, situação que acaba por manchar também a imagem do governo do Estado. Mesmo com anúncio de que na próxima semana já sairá nova data para o mesmo concurso, os inscritos se mostram inconformados.

   São passos administrativos dos assessores do governo dados equivocadamente. O que poderia somar e render milhares de votos às candidaturas de Maggi ao Senado e do vice-governador Silval Barbosa (PMDB) ao Palácio Paiaguás, pode agora vir a subtrair. Por mais que se esforcem para superar o problema, o estrago foi feito, principalmente por mexer no bolso de quase 300 mil pessoas. Quem está sorrindo da desgraça alheia é o tucano Wilson Santos, mesmo estando enrolado com tantos pepinos na Prefeitura de Cuiabá, como as empacadas obras do PAC e a crise na saúde pública. (Romilson Dourado)

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ANÁLISE | 18/10/2009 - 20:29

Governador, pé no freio!

Romilson Dourado

  O governador Blairo Maggi desistiu da ideia de desistir da política. Ele e seus correligionários republicanos se mostram desnorteados com a saída do empresário Mauro Mendes do PR. A ida do ex-candidato a prefeitura de Cuiabá para o Partido Socialista Brasileiro (PSB) pegou a classe política de surpresa e mudou o cenário das eleições de 2010. Até a antecipada campanha do vice-governador Silval Barbosa, ao Palácio Paiaguás, ficou abalada.

   Nos últimos dias, veio à tona a nova decisão da não desistência do governador no processo político. A euforia foi total na cúpula republicana, pois os mesmos sentiam-se fora das decisões eleitorais de 2010, depois da perda para o PSB. Nesse novo desenhar do quadro eleitoral, os republicanos imaginam que seja a tábua de salvação do maior partido do estado - quando o assunto é prefeitos e vereadores eleitos nas eleições de 2008 – a candidatura do Blairo ao senado. Mas, tem muito cacique incentivando o governador a sair candidato, mas na hora de pedir votos faltam os índios.

    O arco de apoio e alianças que formam em torno do governador são de velhos adversários e aliados pouco confiáveis. O PT sempre esteve do lado oposto do atual governo, seja em 2002 com Alexandre César, ou 2006 com a senadora Serys Marly, ambos disputando candidatura ao governo. O PMDB foi adversário em 2002, com o deputado federal Carlos Bezerra disputando o senado na chapa de Antero de Barros do PSDB. Bezerra, por sua vez, tem dito em entrevistas recentes que o governador é autoritário e centralizador. Permanece distante do Paiaguás ainda vários aliados de 2006, como o PDT, PV, PTB, PMN e por último o PSB com a filiação do Mauro Mendes.

   Os antigos parceiros do governador Blairo provavelmente estarão em palanques opostos ano que vem. O DEM, do senador Jaime Campos, caminha para uma aliança com o PSDB, pois se sente excluído do atual governo em detrimento do PT que foi adversário. O PP, dos deputados Pedro Henry e José Riva e de outras lideranças, que formou uma forte chapa proporcional para 2010 sentem-se fora da composição majoritária da base governista para o próximo pleito, devido a preferência da vaga de disputa ao senado ao partido dos trabalhadores. O PPS, de Percival Muniz, se aproxima do PSB na expectativa de viabilizar Mauro candidato ao governo, abrindo espaço para ser vice.

    O PT encolheu eleitoralmente em Cuiabá, reduziu sua bancada de três vereadores em 2004, para apenas um em 2008, reelegendo Lúdio Cabral. O PMDB cuiabano passa por uma grave crise, tem suas duas maiores lideranças, os vereadores Lutero Ponce e Domingos Sávio enfrentando processos de cassação de seus mandatos, e por último o prefeito de Rondonópolis Zé do Pátio declarando apoio ao Wilson Santos. Por isso, esta composição PMDB, PT e PR ainda é frágil para eleger Blairo senador. Os iluminados republicanos precisam entender que Maggi nunca disputou uma eleição no partido, foi eleito duas vezes governador pelo PPS.

   Coloque o pé no freio governador!

   Valdinei Barbosa é administrador de empresas, analista político e secretário de Relações Institucionais do PDT/MT (valdineibarbosa1974@gmail.com)

ANÁLISE | 06/05/2009 - 08:00

PR fica sem perspectiva futura de liderança, diz articulista

Romilson Dourado

 Lideranças do PR ficaram numa situação de fragilidade política com a desistência do governador Blairo Maggi (PR) em disputar uma cadeira no Senado em 2010. A avaliação é do articulista político, professor aposentado da UFMT e PhD em História da América Latina pela Tulane University (EUA), Alfredo da Mota Menezes. "Quem mais perde com esta decisão do governador é o PR, pois o Maggi era o principal puxador de votos da legenda", avalia. O recuo do líder republicano compromete não apenas a corrida ao Palácio Paiaguás, mas também os proporcionais, ou seja, pré-candidatos a deputado estadual e federal. "Sem o Maggi, o PR fica sem uma perspectiva futura de liderança. Não tem um grande nome. Há candidatos do porte de Homero Pereira e Wellington Fagundes (ambos federais), mas será que eles vão suprir a necessidade pelo tipo de liderança que o Maggi exercia?", pergunta Alfredo, que afirmar fazer essa análise sem levar em consideração o fato de ser ligado ao PSDB, partido opositor aos republicanos.

   Para ilustrar a fragilidade do PR no atual cenário político mato-grossense, o articulista comparou o impacto de uma reunião hipotética entre líderes do PR e o senador Jayme Campos, tendo a pré-candidatura de Maggi ao Senado ou do presidente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, ao governo. "Com estes dois nomes, o PR com certeza iria negociar com o Jayme com mais força. Mas, sem as pré-candidaturas de Pagot e Maggi, líderes do PR estarão enfraquecidos para negociar, sem conseguir impor suas condições. É um panorama completamente diferente. O Jayme é o que mais angaria apoio após estas desistências", apontou.

   Democratas e tucanos

   Perguntado se a possível coligação entre DEM e PSDB, siglas que atuam em campos opostos há décadas em Mato Grosso, provocaria a percepção de incoerência e revolta nos eleitores, Alfredo da Mota Menezes foi pragmático. "Em política, é quase impossível firmar uma composição por desejo do povo. Os acordos são feitos com base nos interesses das lideranças e nunca da população". Mesmo com o fim da verticalização, que obriga partidos a reproduzirem nos Estados as alianças firmadas em nível nacional, o articulista acredita numa aliança entre tucanos e democratas. "As duas siglas já fecharam acordo para lançar candidato à presidência da República. É praticamente impossível que estejam em lados opostos em Mato Grosso. O nome da deputada federal Thelma de Oliveira e do ex-senador Antero Paes de Barros certamente vão aparecer numa composição com o DEM de Jayme Campos".

   Ao ser indagado sobre o interesse do procurador da República em São Paulo, Pedro Taques, e do juiz federal Julier Sebastião da Silva, em disputar cargos eletivos, Alfredo Menezes ponderou que na política "há coisas republicanas e não republicanas", numa alusão ao ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), "e eles (Taques e Julier) certamente não aceitariam algumas imposições das velhas raposas". O articulista atestou, por outro lado, que os dois nomes são excelentes, pois primam pela atuação ética e honesta. "O Julier e o Pedro Taques merecem todo o nosso respeito porque são pessoas honestas e de incontestável formação moral. Só por terem enfrentado o Arcanjo, merecem todo o nosso respeito".

   Para ingressar na política, no entanto, terão que abandonar a magistratura. "Primeiro, terão que deixar os cargos, o que os coloca no mesmo patamar dos outros candidatos. Em segundo lugar, aquilo que possuem de melhor, a ética e a honestidade, são características que os tornam mais frágeis na hora de fazer os arranjos políticos. Alguns políticos com quem eles terão que lidar são republicanos, mas outros não. Você acha que as velhas raposas vão ter coragem de propor alguma coisa não republicana para os dois?", indagou. (Andréa Haddad)

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ANÁLISE | 02/05/2009 - 21:03

Não vou sair da política

Romilson Dourado

   No correr da semana que passou tomei a decisão de não concorrer a qualquer cargo eletivo nas eleições de 2010. Não posso dizer que foi uma decisão fácil. Mas garanto que foi uma decisão necessária. Vinha, há algum tempo, questionando a possibilidade de ser candidato a uma das vagas ao Senado, mas tinha sérias dúvidas, principalmente quanto aos sacrifícios pessoais e aos de ordem familiar, sem contar que a carreira política não precisa ser exercida exclusivamente dentro de um mandato. Não pretendo me desligar do processo político.

   Na realidade, não quero ser escravo da política ocupando um cargo político e fazendo dele trampolim para outro cargo político. Não nasci na política. Quero continuar como um membro atuante na política. Por isso, penso que a sociedade não deve dar um passo para trás. O passo deve ser para frente. O capital político construído no período em que estou governando Mato Grosso, somado com o esforço e a compreensão da sociedade, cobra de nós que devemos construir avanços firmes e permanentes.
Tenho sido muito questionado sobre o meu futuro político. Confesso que depois de oito anos em dois mandatos de governador, preciso de um tempo para respirar, para andar por Mato Grosso e avaliar se o esforço serviu para produzir mudançass. Quero ouvir as pessoas, ser eu mesmo, e poder me perguntar: valeu a  pena? Quero ser julgado pela sociedade, e não pelo voto. Não gostaria de ser apenas mais um no processo.

   Sei que a decisão de não concorrer em 2010 está gerando e vai gerar muitos outros questionamentos políticos e partidários. Porém, fui eleito e reeleito e tenho responsabilidades com o governo e com a sociedade que confiou em mim. Vou continuar governando com pulso firme, promovendo novas obras, cobrando a conclusão de obras, criando novos projetos e acompanhando o andamento de todas as responsabilidades com as quais assumi compromissos.

    Não tenho necessidade de fazer uma carreira política contínua. Penso que nos tempos atuais uma série de valores novos nos cobra atitudes novas, como não ter medo de tomar decisões, de respeitar os desejos da sociedade e devolver-lhe a confiança de ter sido eleito e reeleito. Mas, diante dos questionamentos, reafirmo que não vou sair da política, nem do processo político. Construi fortes relacionamentos, compromissos com os destinos de nosso Estado, e uma vez tendo ocupado o cargo de governador e convivido com tantos problemas de todas as naturezas, e com as expectativas sociais, um governante não pode afastar-se completamente. Precisa manter-se no processo político, no máximo, como magistrado nas situações políticas, e como interlocutor de segmentos da sociedade junto ao governo federal e a tantas outras situações importantes.

     Por isso, quero sinalizar com clareza que vou para outro lado da política, com a tranquila convicção de que cumpri o papel e a missão que a sociedade de Mato Grosso esperou de mim. Isso não da minha personalidade. Pensei bastante, ouvi a minha família e conclui por não disputar nenhum cargo em 2010. Confio que a sociedade, os partidos, os partidários e o sistema político se articularão da melhor maneira para a construção dos projetos políticos de 2010 e do futuro. A única diferença, é que não estarei dentro dele como candidato. Mas estarei junto cumprindo todas as funções e papéis como responsável pelos destinos da administração do governo de Mato Grosso.

   Blairo Borges Maggi é engenheiro agrônomo e governador de Mato Grosso desde janeiro de 2003

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ANÁLISE | 06/04/2009 - 11:22

Valtenir nega que posse de Mário Lúcio motivou consulta

Romilson Dourado

  O presidente da executiva estadual do PSB, deputado Valtenir Pereira, negou nesta segunda (6) que a consulta feita junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tenha relação com a posse do então suplente e agora deputado Mário Lúcio (PMDB) na Assembleia, no lugar da titular Vilma Moreira - veja mais aqui. Segundo Valtenir, a consulta foi feita a pedido do Diretório Nacional do PSB, que o incumbiu "da missão" pelo fato de ser advogado e defensor público. "Recebi a missão de fazer esta consulta pela direção nacional, mas não tem relação alguma com a posse do Mário Lúcio." A coincidência de pauta se deu porque Mário mudou de legenda pós-eleições de 2006.

  Ele concorreu a deputado pelo PV e hoje está no PMDB. Juristas consideram-no um infiel partidário, o que poderia impedir Mário de ocupar a cadeira. Mesmo assim, o ex-vereador cuiabano tomou posse na AL sem enfrentar questionamentos na Justiça Eleitoral. Nesse caso, caberia ao PV, legítimo dono da vaga, a iniciativa de recorrer à Justiça.

   Segundo o deputado, a consulta foi motivada por demanda dos 22 diretórios estaduais do PSB. "O partido tem representantes em 22 dos 24 Estados do Brasil e os membros dos diretórios cobram um posicionamento da executiva nacional. Mas, em nenhum momento, questionamos a posse do Mário Lúcio, até porque nenhum dos questionamentos se encaixa no perfil dele", apontou.

   No documento junto ao TSE, Valtenir faz o seguinte questionamento: "O titular de mandato eletivo que saiu da agremiação partidária pela qual foi eleito (partido A) e se desfiliou antes de 27/03/2007 (...) caso mude novamente de legenda sem justificativa (indo para o partido C), pode ter o mandato cassado por infidelidade partidária?".

   O deputado socialista, derrotado à Prefeitura de Cuiabá no ano passado, também perguntou se “o suplente de senador que se desfiliou, antes de 27/03/2007, do partido A, pelo qual compôs chapa majoritária, data limite definida pelo TSE, consoante Resolução 22.610/TSE, migrando para agremiação B, pode perder a condição de suplente ou mesmo ficar impedido de assumir a vaga do titular, caso mude para o partido C, diverso daquele pelo qual foi eleito?". O ministro Ricardo Lewandowski é o relator da consulta. Ele deve responder aos questionamentos nos próximos dias. (Andréa Haddad)

ANÁLISE | 21/12/2008 - 08:51

Eleitor diz não à linha dura de Sachetti e Rossato

Romilson Dourado

Fernando Ordakowski 

 Os prefeitos Adilton Sachetti, de Rondonópolis, e Dilceu Rossato, de Sorriso, têm algo em comum. Eram do PPS e, sob empurrão do governador Blairo Maggi, pularam para o PR. Empresários do agronegócios, os dois tentaram novo mandato e foram rejeitados pelos eleiores. O que os intriga é que as pesquisas apontam que fizeram boa administração e há reconhecimento disso do próprio eleitorado. Sendo assim, por quê, então, foram derrotados à reeleição?

   O governador Maggi tem a explicação. Segundo ele, não basta o gestor público ser linha dura, honesto, transparente e trabalhador. É preciso ser político e adotar a estratégia do tapinha nas costas. Sachetti e Rossato são tidos como administradores xucros e arrogantes e foram carimbados como representantes da elite. São daqueles que não fazem muita questão de cumprimentar o eleitor e respondem "não" antes mesmo de alguém encerrar algum pedido ou reivindicação.

  As urnas mostraram que esse perfil não cabe na política. Mesmo com grande estrutura de campanha, Sachetti pagou o preço com a derrota para Zé do Pátio, um deputado estadual identificado com as camadas populares. Em Sorriso, Rossato foi derrotado pelo empresário Chicão Bedin (PMDB), também com perfil mais populista.

  Outros prefeitos do "time" de Sachetti e Rossato conseguiram a reeleição, mas em meio a muito sufoco, como Dimorvan Alencar, de Campo Verde, e Getúlio Viana, de Primavera do Leste.

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