Cidades

Terça-Feira, 13 de Fevereiro de 2018, 08h:36 | Atualizado: 13/02/2018, 08h:45

Banco de Alimentos oferece até 30 kg de comida a 380 famílias carentes de Cuiabá

Gilberto Leite

Banco de alimentos

Itens do banco de alimentos são perecíveis, tais como verduras, frutas e legumes e podem ser levados a cada 15 dias

Pelo menos 380 famílias que vivem em situação de vulnerabilidade social, em Cuiabá, são beneficiadas com até 30 kg de alimentos ofertados pelo Banco de Alimentos, uma unidade da secretaria municipal de Serviço Social. Às famílias são ofertados alimentos perecíveis, tais como verduras, frutas e legumes, que podem ser retirados a cada 15 dias. Cada família que passa pelo local leva para casa de 15 a 18 itens.

Antes disso, foram visitadas por assistentes sociais de algum dos 14 Centros de Referência de Assistência Social (Cras) espalhados pela Capital, que avaliaram as necessidades de cada uma delas. “E é um projeto muito bonito. Você vê chegar famílias com crianças aqui e quando damos uma simples bananinha a criança já fica alegre porque no dia a dia ela não tem nem isso”, comenta o coordenador do Banco, Sebastião Ferreira Filho, em entrevista ao .

Os produtos são recebidos da agricultura familiar por meio de um Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) viabilizado através do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Prefeitura de Cuiabá.

O coordenador ressalta que, mesmo as pessoas que chegam em busca de alimentos e não têm cadastro, não saem de mãos vazias do banco. “A gente tendo a mercadoria, ela não sai de mão abanando. A gente oferta uma sacola para ela. Lógico, chamamos a assistente social para entrevistar essa família e explicamos que devem procurar o Cras da região onde moram para que visitem a residência, façam a avaliação e aí venham com encaminhamento do Cras”, pontua.

Sebastião estima que mais de 60% da população de Cuiabá desconhece a existência do Banco de Alimentos. Apesar de 380 famílias serem atendidas, há 800 cadastradas. O coordenador atribui isso ao corte sofrido em maio do ano passado pela Conab, fazendo com que o Banco ficasse sem receber alimentos da agricultura familiar até dezembro.

Gilberto Leite

Banco de alimentos - Sebasti�o Ferreira Filho

Coordenador do Banco de Alimentos, Sebastião Ferreira Filho, explica que os produtos são recebidos da agricultura familiar

“Mas não deixamos de atender as famílias. Fizemos parcerias com mercados, com atacadistas e cerialistas para receber alguns produtos e tentar fornecer, porque elas não têm culpa de, de repente, a Conab cortar o projeto”, lamenta.

Neste sentido, o  servidor revela que recebeu pedido do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), e da primeira-dama Márcia Pinheiro, para que estude meios para ampliar o projeto em até 50% até março. Para tanto, ele adianta que será feita uma reunião nas próximas semanas com assistentes sociais e coordenadores dos 14 Cras para que façam reavaliação nessas 800 famílias e verifiquem se ainda estão em estado de vulnerabilidade. “Porque há muitas outras que têm necessidade de receber esses alimentos”, pondera.

Outra possibilidade que tem sido avaliada é levar os sacolões até os Cras para que lá seja feita a distribuição, evitando que as pessoas tenham que atravessar a cidade em busca do alimento.

“Quem mora nos bairros distantes como o Pedra 90, o Jardim Vitória, gasta em média duas horas para vir até aqui e retornar, fora o dinheiro do ônibus. Isso é muito dificultoso para essas pessoas”. Para que isso seja colocado em prática o banco precisa de um veículo apropriado para transportar as mercadorias.

Metodologia

As famílias são atendidas pelo programa por seis meses. Após esse período, são novamente visitadas por assistentes sociais. Se constatado que ainda carecem dos alimentos, são mantidas por mais seis meses. “Só que tem famílias que estão no programa desde 1996, quando Roberto França criou o projeto. Então, quer dizer, será que essas famílias não saíram do estado de vulnerabilidade?”, indaga.

Gilberto Leite

banco de alimentos

Cestas do Banco de Alimentos têm entre 15 e 18 produtos perecíveis; mesmo pessoas que chegam e não têm cadastro, não saem de mãos vazias

Estrutura

O banco de alimentos conta com 15 funcionários, entre nutricionistas, biólogos, assistentes sociais e classificadores de alimentos, que selecionam os alimentos enviados por mercados. Os alimentos ficam guardados em uma câmara fria e depois são levados para um galpão, onde são ensacados. As mercadorias são recebidas nas segundas, terças e quartas pela manhã. Já os dias de entrega são quarta, quinta e sexta.

Há 10 meses na coordenação do banco de alimentos, Sebastião cita que antes eram as pessoas quem traziam sacos para transportar os produtos. Isso fazia com que as famílias esperassem horas até que os sacolões fossem montados. “Então eu pedi para o secretário que comprasse a embalagem. A gente condiciona o produto na embalagem. A família chega e nós só conferimos o cadastro e entregamos”.

Em 10 meses que estou aqui fomos assaltados seis vezes. Tenho esses boletins de ocorrência e até hoje não veio um policial aqui

Quando há sobra de alimentos, são ofertados a entidades filantrópicas. “Porque de sexta para segunda, o produto já tem uma perda, então ofertamos para essas entidades”. Ainda assim, o banco é aberto para receber doações.

Furtos

O coordenador lamenta que o banco tenha ficado em estado de abandono durante muitos anos. “Isso aqui, há mais de 10 anos, alagava mesmo. Coisa que com oito tijolos resolvemos. Mas, a nossa maior dificuldade é o local onde nos encontramos, porque o bairro do Porto é muito mal visto devido aos vândalos e usuários de droga”, comenta e mostra uma pequena mesa com vários cadeados cerrados durante furtos sofridos pela unidade.

Já foram furtados 18 ventiladores, ar-condicionado, microondas e computadores. “Em 10 meses que estou aqui fomos assaltados seis vezes. Tenho esses boletins de ocorrência e até hoje não veio um policial aqui para saber para onde que estão sendo levados esses materiais subtraídos daqui. Porque se existe o ladrão, existe alguém que compra esses objetos. O que precisa melhorar é a segurança”.

No último assalto, ocorrido em 6 de janeiro, foi levada a balança usada para pesar os alimentos. “Os produtos quando chegam para nós precisam ser pesados porque a Conab paga os produtores de acordo com o que eles fornecem e precisamos dividir os alimentos de forma igual entre as famílias. Hoje estou com uma balança emprestada”.

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