ECONOMIA E AGRONEGÓCIO

Quinta-Feira, 09 de Novembro de 2017, 10h:10 | Atualizado: 09/11/2017, 11h:21

Aprosoja entra na Justiça contra Monsanto para tentar anular patente de soja intacta

Gilberto Leite/Rdnews

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Ao centro, o presidente da Aprosoja Endrigo Dalcin com representantes da instituição

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) ingressou na Justiça Federal pedindo nulidade da patente de Soja Intacta da Monsanto (patente PI 0016460-7) por entender que o registro não cumpre os requisitos legais previstos na Lei de Propriedade Industrial.

A Aprosoja entende que a patente deve ser revista pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) e declarada nula pelo Judiciário. A entidade pede ainda o depósito em juízo dos royalties até o julgamento do mérito do caso. Na última safra foram pagos R$ 733 milhões de royalties à Monsanto.

Além dos questionamentos técnicos e pareceres de especialistas apresentados à Justiça, o pedido está lastreado na Lei da Propriedade Industrial, que prevê que: “a ação de nulidade poderá ser proposta a qualquer tempo da vigência da patente, pelo Inpi ou por qualquer pessoa com legítimo interesse”.

De acordo com o presidente da Aprosoja, Endrigo Dalcin, a entidade faz um acompanhamento das patentes que estão entrando no Inpi em cima de tudo que diz respeito a soja acerca das validades e se atendem todos os requisitos. “As biotecnologias apresentadas aos produtores deixaram de ser eficientes há muito tempo. Estamos no país onde uma e meia tecnologia funciona somente para o controle de lagarto. O produtor está questionando sempre o quanto isso traz para o bolso do produtor, trazendo em rentabilidade”, disse Endrigo durante coletiva nesta quinta (9), na sede da Aprosoja.

O presidente ressalta que a entidade não é contra a pesquisa, a inovação, a tecnologia ou o pagamento de “propriedade intelectual”. “Pelo contrário, somos a favor de todo esse investimento que leve ao desenvolvimento econômico, mas não podemos concordar com que nossos associados paguem por tecnologia objeto de patente que inúmeros professores e especialistas na área afirmam ser nula”, explica o presidente.

Gilberto Leite/Rdnews

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Presidente da Aprosoja, Endrigo Dalcin, durante coletiva nesta quinta

Estudo da Aprosoja e pareceres de especialistas consultados identificaram três irregularidades iniciais na patente da Monsanto. A empresa não informou ou demonstrou tecnicamente quais construções gênicas foram originalmente concebidas e testadas, não se podendo aferir até que ponto há um efeito técnico inovador necessário à concessão de uma patente.

Foi observado ainda que a patente não revela integralmente a invenção, de modo a permitir que, ao final do período de exclusividade, possa ser acessada por qualquer pessoa livremente, evitando que uma empresa se aproprie indevidamente da tecnologia por prazo indeterminado.

Outra falha grave, em desrespeito à Lei de Propriedade Industrial, é a adição de matéria após o depósito do pedido de patente junto às autoridades brasileiras, ampliando ilegalmente o escopo original da patente.

A Lei da Propriedade Industrial (9.279-96) prevê, em seu artigo 46, que “é nula a patente concedida contrariando as disposições desta Lei”. Já o artigo 48 define que “a nulidade da patente produzirá efeitos a partir da data do depósito do pedido”. A patente da Soja Intacta da Monsanto protege, como principal invenção, uma sequência de DNA transgênica, a qual teria sido introduzida em plantas de interesse agronômico, como a soja. Tal sequência seria útil para regular a expressão de genes em tais plantas transgênicas. Ocorre que, após análise da patente, observou-se que esta não cumpre com os requisitos mais básicos e elementares para a obtenção de tal privilégio.

Irregularidade

Essa não é a primeira vez que os produtores rurais de Mato Grosso questionam a conduta da Monsanto. Em 2012, a Aprosoja identificou que a multinacional estava cobrando por uma patente que estava vencida há dois anos.

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e outros 47 sindicatos alegaram na Justiça que o direito de propriedade intelectual em relação à tecnologia Roundup Ready (RR) estava vencido desde 1º de setembro de 2010, o que a tornava de domínio público. Após decisões judiciais favoráveis à Famato e aos sindicatos, a Monsanto suspendeu a cobrança de royalties, beneficiando produtores rurais de todos os estados brasileiros. Os produtores tinham a receber na época, cerca de R$ 1 bilhão por safra. (Com Assessoria)

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