Cuiabá, 28 de Março de 2017

ECONOMIA E AGRONEGÓCIO

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Sexta-Feira, 17 de Fevereiro de 2017, 10h:46 | Atualizado: 17/02/2017, 18h:10

Centro de Pesquisa de R$ 2,5 mi para solos arenosos é lançado no Estado


Enviado especial a Campo Novo do Parecis

Carlos Palmeira/Rdnews

CAD do Parecis

 Estação Meteorológica montada no Centro de Aprendizagem e Difusão (CAD)

Foi lançado nessa quinta (16), em Campo Novo do Parecis (a 400 km de Cuiabá), o Centro de Aprendizagem e Difusão (CAD) do Parecis. O local recebeu um investimento inicial de R$ 2,5 milhões e tem como objetivo simular a reação de diferentes cultivares em solos arenosos. O centro, de acordo com os idealizadores, é inovador no país. 

O complexo é fruto de uma parceria entre a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT) e Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT). As atividades no local tiveram início em outubro passado, mas ainda estão em fase preliminar.

O pesquisador Leandro Zancanaro explicou que as áreas arenosas são consideradas, na comunidade científica,  de alto risco por causa da possibilidade restrita em relação ao manejo de cultivares como a soja. 

“O que caracteriza o solo arenoso é que ele tem abaixo de 15% de argila. Por causa disso, ele tem uma baixa retenção de água, baixa retenção de nutrientes, por causa da baixa quantidade de matéria orgânica, e ainda são áreas mais sensíveis à erosão. Isso torna o ambiente, como um todo, extremamente frágil para culturas anuais”, explicou.

O professor comenta que é preciso ter bom senso ao lidar com ambientes assim e que o espaço for muito arenoso, o melhor talvez seja nem explorar a área. Ele pontuou, porém, que algumas pesquisas apontam que achar um uso equilibrado entre a lavoura e a pecuária pode ser a solução nesses casos.

“Cultivar solos arenosos é possível desde que se respeite a realidade deles. Isso significa que talvez o produtor não deva cultivar soja todos os anos, somente eventualmente. O que nós precisamos e queremos mostrar nesse centro é que não podemos exigir dele o que nós exigimos de outros solos”, defendeu.

O presidente da Aprosoja, Endrigo Dalcin, falou sobre a importância de se realizar pesquisas com o tipo específico de área. Ele argumentou que Mato Grosso tem uma produtividade parecida há mais de 15 anos e que nessa altura “o filé mignon das áreas já foi ocupado”.

“Nós temos uma grande parte no Estado que vai expandir em áreas sensíveis e essa estagnada na elevação da produtividade vem dessas áreas. Então a gente precisa desenvolver tecnologias para que elas tenham produtividade muito parecidas com as áreas melhores, digamos assim”, afirmou.

Endrigo afirmou que o aporte financeiro foi dado pela Aprosoja, que deverá utilizar a expertise científica da Fundação MT como contraponto. A conversação sobre a abertura do centro aconteceu por dois anos e surgiu após abordagens dos próprios produtores rurais.

“Eles começaram a nos alertar que as pesquisas na área eram muito focadas na parte comercial e de que nós precisávamos melhorar isso, melhorar o manejo do nosso sistema produtivo como um todo. Os custos de produção estão crescendo e os produtores perceberam que nós precisamos contornar isso de alguma forma, senão daqui a pouco essa conta não vai fechar”, disse. 

Carlos Palmeira/Rdnews

CAD do Parecis

Folha com ferrugem asiática, principal problema nas plantações de soja no país

O diretor presidente da Fundação MT, Francisco Soares Neto, lembrou que um retorno em relação aos estudos no local deverão aparecer somente em um longo prazo. “Temos uma coleção de problemas forçados para tomar decisões e tomarmos como referência no futuro”, defendeu.

O representante da Fundação MT pontuou também que o laboratório em relação ao controle de pragas deverá ser um dos melhores frutos do trabalho. A parceria entre a instituição de pesquisa e a associação dos produtores deverá ser esticada para outros projetos.

CAD do Parecis

O CAD do Parecis é considerado um projeto inovador, porém ainda em estágio piloto porque todas as condições locais ainda estão sendo testadas. A localização do complexo - que está fixado na Fazenda Vô Arnoldo, do grupo Agroluz - foi escolhida com o auxílio dos produtores da região que indicaram o espaço, que está arrendado.

A fazenda conta com 14 cultivares diferentes - espalhados por uma área de 88 hectares - que estão sendo testados em diversas condições específicas. Entre essas simulações os pesquisadores buscam respostas das espécies vegetais para o uso de determinadas quantidades de substâncias como o gesso, enxofre, nitrogênio e até a incidência de pragas como a ferrugem asiática. 

A área é divida em cinco setores: o de nematologia, entomologia, manejo de solo, fitopatologia e herbologia e o de soja livre. Entre as tecnologias disponíveis aos pesquisadores está uma pequena estação meteorológica, por exemplo.

Os pesquisadores Fabiano Siqueri e Lucia Vivan explicaram que partes das pesquisas estão sendo guiadas por questionamentos dos próprios produtores, que oferecem determinados problemas que passam para o trabalho no campo posteriormente.

O comitê gestor do CAD é composto por membros da diretoria e do corpo técnico da Aprosoja, pelos fitopatologistas da Fundação MT - capitaneados pelo professor Leandro Zancanaro - e pelos presidentes das duas instituições.

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