Cuiabá, 22 de Fevereiro de 2017

Arte e Cultura

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Sexta-Feira, 17 de Fevereiro de 2017, 08h:20 | Atualizado: 19/02/2017, 10h:20

Batalhas de rap fazem tremer centro de Cuiabá e jovens duelam na praça

Fernando Gomes

Batalha de Rap S�o Paulo

Rimadores se enfrentam mundo afora, Brasil adentro. Estilos são variados, mas o objetivo é ser o dono da última palavra

Iniciadas há cerca de quatro anos na capital, as batalhas de rap são uma expressão de arte nascida nas ruas de Nova York, Detroit, Chicago e outros grandes aglomerados urbanos dos Estados Unidos.

Obrigatoriamente dentro dos bairros negros – apesar de hoje existirem diversos nomes brancos no rap mainstream reconhecidamente iniciados nessa espécie de batismo da quebrada.

Em Cuiabá, acontece todas as quintas-feiras, a partir das 19h30, na Praça Alencastro, centro velho.

Costuma reunir pelo menos quatro dezenas de jovens para duelar com a força das palavras e sacadas de frases cujo objetivo é estocar o oponente com ideias. Aqui, como ainda é muito incipiente, alguns dos próprios participantes admitem que volta e meia alguns acabam extrapolando, partindo pra ofensas pessoais, não para a quebra dos argumentos do outro em si.

“Mas é parte do processo, eu penso. Depois a molecada aprende, com o tempo, que a levada é mais importante do que, por exemplo, xingar a mãe do outro, falar do peso do outro ou de alguma característica física que consideram defeituosa”, explica um dos batalhadores que prefere não se identificar.

Um gênero de estilo livre, é caracterizado por um tema sobre o qual se improvisa, mais ou menos como no free style, com a diferença é que necessariamente deve haver um confronto de ideias, rimas e ritmo. Como no slam poetry, o público decide quem foi o vencedor, mas diferente das batalhas de slam, o público o faz por meio de manifestações. Quem for mais aplaudido e ovacionado venceu.

Galeria: Batalha de Rap

A excitação em torno do que um responderá ao outro e, ao mesmo tempo, a velocidade com que os dois pensam são atrativos para o público formado por gente como o jovem Euvídio, 23 anos, trabalhador do centro.

“Acho impressionante como eles conseguem reunir palavras tão distintas numa frase. Cada um demonstra um pouco do seu conhecimento, e isso faz com que você pegue um pouco da ideia de cada um”, disse ao . Para ele, jamais foi fácil pensar tão rápido e ter sagacidade para se defender e ao mesmo tempo atacar com frases, conceitos. “Eu já tentei uma vez e não consegui. Passei a admirar ainda mais. Gosto muito também quando eles fazem freestyle (com um tema a ser desenvolvido, sem responder a outro MC)”, conta.

Camila, 20 anos, também gosta de assistir tudo ali e vê uma vantagem adicional. Para ela, a cena do rap renasceu em Cuiabá a partir do momento no qual foram iniciadas as batalhas. Desde o início, todas as quintas passaram a ser obrigatórias para os integrantes do movimento rap/hip hop local se reunirem. Se numa praça do centro, ponto neutro para todo mundo, tanto melhor.

"Acho impressionante como eles conseguem reunir palavras tão distintas numa frase"

Ela explica ainda que as coisas começaram a tomar proporções um pouco grandes demais devido a uns poucos, sempre prontos a abusar do momento de liberdade ao exceder na fumaça por ali. Como aglomerações do tipo e presença de policiais sempre foi uma mistura não muito salutar, acabou desembocando em constantes enquadramentos, revistas, repressão.

“E era uma galera que nem era tão integrante do movimento assim, sabe? Mas foi porque cresceu muito a movimentação das batalhas. Então, teve esse momento, primeiro deu muita gente, depois, foi esvaziando por causa das constantes chegadas da polícia, pra dispersar”, diz Camila.

Passada essa fase, entretanto, considera a estudante, tudo voltou ao normal e as quintas não passam sem reunir pelo menos 60 pessoas, entre batalhadores e fãs, na penúltima noite de trabalho da semana. “Na real, a cena tava bem parada, mas desde a primeira batalha semanal, tudo mudou. Nesses quatro anos, nunca parou. A exceção foi, se não me engano, no Natal e no ano novo. Eu fiquei três meses sem vir, mas por outros motivos”. Quem quiser pode participar, é só chegar.

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Comentários (4)

  • Dom Arn | Sábado, 18 de Fevereiro de 2017, 22h09
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    Discordo do comentário de que as verdadeiras batalhas ocorrem no CPA e em outros lugares, que aqui só tem branco, e pá. Escute, você sabe andar de ônibus ???? Então Pega um busão Cai pro centrão Vem tomar pé da situação E depois de sua opinião

  • Breno Dz6 | Sábado, 18 de Fevereiro de 2017, 13h08
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    que da hora RD news muito bacana a atenção dada ao movimento Hip Hop ...

  • Gabriel | Sábado, 18 de Fevereiro de 2017, 11h24
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    As batalhas já acontecem a mais de 5 anos... Sim, o Hip Hop nasceu na periferia e se espalhou pelo centro com o passar do tempo, por isso você só vê brancos por aí. As verdadeiras batalhas acontecem dentro das periferias! #cpa #expressão #jovem

  • JB | Sexta-Feira, 17 de Fevereiro de 2017, 09h49
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    JB, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

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