Arte e Cultura

Sexta-Feira, 13 de Abril de 2018, 08h:07 | Atualizado: 16/04/2018, 08h:35

Com perspectivas abóbadas, arquiteto defende qualidade de vida na cidade veja

Luiz Bassam explica ponto de vista e ressalta equilíbrio do tripé para uma sociedade mais sustentável

Mário Okamura

luiz claudio bassam

Arquiteto paranaense Luiz Cláudio Bassam defende priorizar qualidade de vida na cidade

O espaço tem que ter alma. A afirmação é do arquiteto paranaense Luiz Cláudio Bassam. Com fala mansa, olhar sereno e roupas confortáveis, ao mesmo tempo em que trabalha em projetos e leciona em Cuiabá, leva uma vida tranquila.

Para Bassam, antes que se imagine que tal afirmação se trate de uma credulidade sagrada, a força de expressão é técnica, pois cada lugar pode ter um potencial de sensações térmicas e visuais, pensadas por um profissional de arquitetura.

 “Não é simplesmente criar um invólucro para abrigar as pessoas e proteger de sol e de chuva”, explica em entrevista na sede do .

Desde fevereiro de 1989 em Cuiabá, conhecido também como "arquiteto do sentimento", conta que a formação está baseada no período modernista da arquitetura, movimento do século XX e que carrega na genética profissional a preocupação com a sociedade. “É a geração dos arquitetos que foram formados para mudar o mundo.”

Talvez por esta herança, hoje o profissional é um dos maiores defensores da arquitetura e moradia mais democrática. Defende que mais do que projetista, é um agente social e precisa intervir na vida das pessoas, gerar reflexões ao equilibrar um tripé que ampara a sustentabilidade Segundo ele, isso só ocorre quando se usa recursos naturais com racionalidade, uma economia consciente e uma justiça social. "Se este tripé não funcionar, não existe sustentabilidade.”

Casado com a londrinense Nery Bassam, o casal tem três filhos cuiabanos, e juntos também fundaram a escola Quintal do Jacarandá, com pedagogia Waldorf. O ambiente da escola apresenta muitas árvores frutíferas, como jabuticaba, regadas com amor e metodologia que preza pela consciência ambiental e liberdade dos estudantes.

Talvez tenhamos que mudar para propor uma nova linguagem de arquitetura

Conforme o arquiteto, é perceptível o mal-estar das pessoas na Capital e, por isso, é difícil se manter saudável em uma cidade com clima desagradável, transporte precário e muitas diferenças sociais. Ao exemplificar este fato com a intervenção dos arquitetos, que ele define como agentes sociais, através da Lei de Assistência Técnica 11.888/2008, que foi aprovada há 10 anos e ainda não foi implementada. “Assim como esta lei assegura que as famílias de baixa renda recebam de forma gratuita a assistência técnica, e tenham projetos seguros e viáveis em casa, para cada pessoa que procura um arquiteto devemos provocar a reflexão e não apenas seguir as tendências.”

A preocupação, segundo Bassam, é por conta do crescimento com as prioridades industriais, investimentos em áreas ditadas pelas especulações imobiliárias, falta de participação do poder público, o que gera um estado precário para garantir qualidade de vida às comunidades mais carentes.

“Talvez tenhamos que mudar para propor uma nova linguagem de arquitetura, e para isso é preciso responder os novos paradigmas contemporâneos, que é a dita sustentabilidade. Este termo está virando uma palavra da moda, esse é o problema. Para sustentar é preciso uma economia energética, dentro de valores não muito altos e com o tripé, que também se equilibra nas questões sociais”, afirma.

Mário Okamura

luiz claudio bassam1

 Arquiteto diz que é preciso estimular um novo jeito de pensar a cidade e a casa

De acordo com o professor, historicamente, o poder público sempre esteve atrelado ao capital e a especulação imobiliária, na maioria das cidades brasileiras o direcionamento é viável apenas para as empresas, e Cuiabá não é diferente. Neste sentido, aponta a configuração espalhada, que, segundo ele, tem a ver com a ausência do poder público ou é totalmente baseada nas necessidades da empresa que quer investir em determinadas áreas da cidade.

"E aí o poder público tem que levar infraestrutura para essas áreas”, argumenta, ao ressaltar que o município dificilmente ganha com isso, pois investe em prol do giro comercial, e não das pessoas, principalmente daquelas que moram longe dos bairros bem localizados.

Sobre as pessoas que o procuram, explica que boa parte chega com uma ideia preconcebida, e que boa parte destas tendências não proporcionam um bom resultado para a cidade. “Questiono e provoco a reflexão. O que você quer? Por que você quer? Por que está se usando? Para mostrar quem está querendo inserir essa tendência. É preciso estimular um novo jeito de pensar a casa, um novo jeito de pensar a cidade e cada espaço. Só assim voltaremos a equilibrar o tripé e, quem sabe, amenizar o clima agressivo que temos e tantas outras questões paralelas a isso."

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Comentários (2)

  • luciana | Sexta-Feira, 13 de Abril de 2018, 11h01
    2
    0

    Esse vai viver bastante....

  • ezequiel paixao | Sexta-Feira, 13 de Abril de 2018, 09h47
    1
    4

    KKKKKKKKKKKKKK gostei do começo do texto : Com fala mansa, olhar sereno e roupas confortáveis kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk olha a cara do cidadão.

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