Arte e Cultura

Sexta-Feira, 06 de Janeiro de 2017, 07h:28 | Atualizado: 08/01/2017, 03h:45

Comédias românticas são opções de cinema de qualidade em casa veja

Final de ano é sempre um período de maior aproximação entre as pessoas. Às vezes, no entanto, o que era pra aproximar acaba afastando, normalmente quando o assunto é assistir filme com a parceira ou parceiro. Normalmente um quer ver um gênero e o outro quer não concorda, quase sempre homens não gostam de ver comédias românticas, vistas como melosas ou femininas demais.

Mesmo não concordando que haja algo de errado com qualquer coisa por ser “feminina demais”, resolvemos dar algumas dicas de obras desse gênero menos citado por homens, que são capazes de, acima de tudo, proporcionar boas horas de cinema de grande qualidade. São oito ao todo, à parte o gosto pessoal de cada um, pelo menos cinco devem agradar homens e mulheres e, melhor ainda, sobreviver para várias conversas pós sessão.

Reprodução

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977).jpg

  Imagens do filme Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de 1977

Os principais critérios para escolha, fora a qualidade cinematográfica em si, foram a fuga dos clichês e a demonstração um pouco mais clara dos relacionamentos como eles o são. Há momentos bons e ruins em todos. Há vários finais felizes, mas também tem outros nem tanto e alguns são tristes mesmo, como em tudo na vida. Abaixo, os títulos e suas sinopses. A maioria maciça tem no Netflix ou por meio do Popcorn Time.

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977), dirigido por Woody Allen e estreado por ele, Diane Keaton e outros. A história começa com recortes da vida do humorista judeu, divorciado, Alvy Singer (Woody Allen). Ele nunca se recuperou muito bem do relacionamento e é do tipo que tropeça na vida, cedendo muitas vezes às neuroses. Para tentar melhorar, faz análise. No meio dessas viagens mentais, aparece Annie Hall (Diane Keaton), uma cantora em início de carreira cuja cabeça é um tanto quanto parecida com a dele em termos de complicações.

Ela corresponde ao afeto e não dura muito para irem morar juntos. Tudo parecia perfeito, até a vida se interpor entre eles e as crises conjugais começarem. O roteiro é como a maioria do nova-iorquino, recheado de monólogos do personagem principal e ritmo frenético como as ilações de Woody sobre tudo. Ganhou quatro Oscar, melhor filme, melhor atriz, melhor roteiro original e melhor direção.

Questão de Tempo (2013), dirigido por Richard Curtis, com Domhall Gleeson, Bill Nighy e outros. Ao completar 21 anos, Tim (Domhnall Gleeson) fica sabendo por meio do pai que ele tem uma habilidade muito peculiar, passada de geração em geração: todos os homens da família têm meios de viajar no tempo, só precisam isolar-se em um local escuro (como um armário) e pensar firmemente na época que desejam visitar. O personagem utiliza esse poder para conseguir uma namorada. Só tem um problema, as coisas nunca permanecem as mesmas depois de decisões tomadas. Há passagens bastante líricas, algumas tristes, mas o desfecho é mais leve do que o de Noivo Neurótico...

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2002), dirigido por Jean-Pierre Jeunet, com Audrey Tatou e outros. Este já se tornou um clichê entre alternativos e culturetes. Ainda assim, este belo filme francês mereceu o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2002, além das várias indicações a prêmios europeus de cinema. A história mostrada é a de Amélie (Audrey Tautou) indo morar em um bairro novo pra ela, em Paris, por motivos não muito bem explicados (a história é recheada de fantasia).

Tudo começa com um longo monólogo dela acerca do mundo e suas lições diárias. O desenrolar se dá quando ela encontra no banheiro da nova residência uma caixa com alguns objetos do antigo morador. Ela decide ir atrás dele para conhecê-lo e devolver as coisas. Uma espécie de fada-madrinha moderna, ela vai buscando “resolver” as vidas das pessoas à volta de si na nova comunidade. E dá-lhe passagens recheadas de momentos poéticos e algum nonsense intencional. O objetivo é esse mesmo, lembrar o quanto é preciso, às vezes, esquecermos a frieza objetiva das coisas para podermos, paradoxalmente, enxergar a vida como ela deveria ser – a partir do ideal do porvir, não das certezas do passado ou angústias presentes. Grande filme em ritmo alucinado, ancorado em ótimo roteiro e excelente trilha sonora.

Reprodução

Questão de Tempo (2013).jpg

  Reprodução do filme Questão de Tempo (2013), com os atores Domhall Gleeson, Bill Nighy

(500) Dias com Ela (2009), dirigido por Marc Webb, com Zooey Deschannel e Joseph Gordon-Levitt. História romântica que talvez melhor defina os dias atuais, de descompromisso e preocupação zero com qualquer coisa além de si mesmo para uns, retrato fiel da vida como ela é e sempre foi para outros. A personagem Summer (verão, em inglês) pinta e borda com a cabeça do pobre Tom (analogia para tolo em países de língua inglesa, na expressão Major Tom, imortalizada na música de David Bowie, por exemplo).

E ele se apresenta exatamente dessa maneira, feito um tonto, desde o começo da história, ao vê-la pela primeira vez, num elevador, enquanto tentava se isolar do mundo ouvindo The Smiths no volume máximo, no fone de ouvido. Começa ali um jogo de gato e rato onde quem determina os papéis desde o começo é a gatíssima Summer. (500) Dias com Ela tem um roteiro não linear, mas conta uma história cronologicamente acabada.

As idas e vindas no calendário dos 500 dias retratados servem apenas para criar uma metáfora do que acontece na cabeça e no coração do agora já miserável Tom, perdidamente apaixonado por uma mulher cujo compromisso possível é só com ela mesma e as próprias satisfações, sejam elas sexuais, financeiras, românticas ou diversão. Tudo é ela, que, se de um lado diz a ele que não quer compromisso, jamais o liberta totalmente do jogo de dissimulação e sedução constante. Escolheu pra isso um rapaz com evidentes dificuldades sociais e baixa auto-estima. E ela torce e retorce o infeliz. Grande filme.

Feitiço do Tempo (1993), dirigido por Harold Ramis, com Bill Murray e Gena Davis. Para dar uma quebrada no clima melancólico, ainda que divertido, esparramado pelas quase duas horas de (500) Dias com Ela, há a simpática história de um repórter, vivido por Bill Murray, de um canal de televisão local de uma cidade dos Estados Unidos, cuja incumbência é fazer uma matéria sobre um dos eventos típicos das pequenas cidades dos EUA, no caso, o Dia da Marmota.

Cansado de uma vida que ele considera injusta e com nenhuma paciência para o “acontecimento”, que é saber se a marmota sai ou não da toca, e assim “prevê” se o inverno vai ser rigoroso ou não, ele vai com a maior má vontade do mundo para o lugar. Acontece que lá conhece outra repórter, vivida por Geena Davis, e por ela se apaixona. Ela não vai muito com a cara dele e nada dá certo. Entretanto, ele é obrigado a reviver infinitamente aquele dia. Como tudo é sempre o mesmo, a paixão sentida pela colega é a única constante que ele quer manter na vida. Passa então a buscar conquistá-la todos os dias. Não dá pra contar mais sem estragar.

Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças (2004). Dirigido por Michel Gondry. Com Jim Carrey e Kate Winslet. Ainda no terreno do fantástico, Brilho Eterno... é a história de um casal pego no meio de uma crise. As brigas são constantes, mas a ligação entre os dois não parece ter via de saída. Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) se amam muito, mas se conhecem pouco. Ao menos era o que achavam até que, numa das separações, Clementine decide submeter-se a um tratamento experimental cujo objetivo é apagar a memória das pessoas. Ela quer esquecer Joel de qualquer maneira, nem que seja arrancando-o artificialmente da cabeça.

Joel torna-se, assim, pouco a pouco um estranho para ela. Inicialmente, ele entra em depressão e, obviamente, sofre horrendamente. Decide, então, ele mesmo submeter-se ao esquecimento involuntário, mas o cérebro não concorda com ele e passa a inserir Clementine em memórias outras das quais ela não fazia parte, como maneira de não esquecê-la.

Bela discussão sobre o valor dos relacionamentos nos dias atuais, quando várias máquinas nos levam à tola certeza de que é possível substituir amor por vivências de prazer outras, tantas quantas possíveis. A recusa e o apego de Joel aos bons dias com a namorada e o desespero por vê-la partir, não mais fisicamente, mas de dentro de si, proporciona talvez os melhores momentos do filme. Ótimo roteiro, grande filme de direção e fotografia impecável.

Ela (2014), dirigido por Spike Jonze, com Joaquim Phoenix e Scarlet Johansson. Esta peculiar história de amor envolve diversas questões do cotidiano destes anos 10 ao relatar uma história de amor entre um homem solitário, Theodore (Joaquim Phoenix), e um programa de inteligência artificial (Scarlet Johansson) de voz, trejeitos e comportamento femininos.

Galeria: Dicas de cinema em casa

Fortemente pautado na crítica à maneira como as novas tecnologias andam tomando espaço demais nas vidas de todos (com consequências ainda não devidamente dimensionadas por ninguém) , o filme, como a maioria dos trabalhos de Jonze, aposta na estranheza aparente para contar uma história de amor clássica de contornos trágicos. O personagem Theodore vai da descrença total à paixão avassaladora em questão de dias, ao conhecer a personalidade do programa. Apesar de parecer absurda, a história de amor ali relatada é sensível, de uma beleza muitas vezes não conseguida com casais de carne e osso.

ABC do Amor (2006), dirigido por Mark Levin, com Josh Hutscherson e Bradley Whitford. Para que as coisas terminem de forma leve, o último recomendado trata do primeiro amor. E o faz da maneira que deve ser: cheio de inocência e ternura, pernas bambas, perda de voz e frios na barriga. O roteiro mostra alguns meses na vida de Gabe Burton, um menino de 10 anos, começando a se despedir da infância pura e simples, ao se ver com vontade de estar cada vez mais próximo da colega de escola Rosemary.

Ambos moram em Manhattan, e isso leva o diretor a abusar dos grandes planos gerais sobre as paisagens mundialmente belas e famosas da cidade. O cuidado com a fotografia e o ritmo, além do roteiro bem escrito, afastam qualquer possibilidade de tédio ou entrega aos clichês. Gabe faz de tudo para tentar resolver as mãos suadas, a garganta seca e outras reações corpóreas a cada vez que vê Rosemary ou simplesmente ouve a voz ou se lembra dela. Numa das cenas cômicas, ele começa a lutar karatê somente porque ela já o faz. É um desastre. Poucas vezes esse tempo de descobertas foi tão bem retratado e respeitado no cinema. Difícil achar quem não goste.

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