Cuiabá, 22 de Fevereiro de 2017

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Sexta-Feira, 17 de Fevereiro de 2017, 08h:20 | Atualizado: 19/02/2017, 10h:21

Entre donzelas e fantasias, escritora aflora os sentimentos conheça aqui


De Rondonópolis

Divulgação

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Luana é um dos destaques da literatura local

Luana Madrepérola, pseudônimo da escritora a rondonopotitana, que nasceu em 7 de junho de 1989, já diz tudo. É na literatura dela em que se encontram a força do feminino, a fantasia, a inocência e os sentimentos. Filha de uma jornalista, Luana diz que cresceu em meio aos livros, contos e poesias escritas pela mãe, o que lhe despertou desde cedo a vontade de escrever e ler muito. “Todo escritor é um bom leitor”, define.

Com a influência, aos 14 anos começou a escrever os primeiros contos, e se arriscar em romances. “Ainda eram textos bem infantis”, conta. Mas daí para frente não parou mais. Os contos começaram a fazer parte de sua vida e em 2010, ela criou um blog, onde passou a publicar alguns de seus contos. A internet era um incentivo. “Apesar de ser um blog pessoal alguns contos acabavam sendo publicados e como a literatura começou a ser uma profissão, eles iam parar na internet também”, relata.

Luana cursou então Letras, Língua Portuguesa e Literatura pela UFMT em Rondonópolis, e agora é mestranda em Estudos da Linguagem pela UFMT em Cuiabá. Mesmo com as atividades profissionais, Luana não deixa de lado a produção literária. “Você acaba produzindo um pouco menos, mas não deixa de produzir”, diz.

Seu primeiro livro “As Donzelas e as Sombras” foi lançado em 2015 em Rondonópolis e reuniu 42 contos produzidos entre 2011 e 2013, selecionados porque tinham como pano de fundo uma mesma temática. A fantasia, o feminino, as donzelas, a inocência, a juventude e os sentimentos estavam tudo ali reunidos.

"No bosque perto da minha casa morava uma donzela. Bem, ela se mostrava como uma donzela, mas eu tinha certeza que se tratava de uma criatura mágica. Ela tinha uma aura luminosa, algo de místico e etéreo... Eu a admirava imensamente e certo dia eu a convidei para o chá da tarde. Coloquei a mesa no jardim, usei a porcelana mais elegante, pratiquei os meus mais aprimorados dotes culinários e fiz um arranjo com as suas flores favoritas. Eu a esperei por horas, mas ela não apareceu. Juntei todas as coisas e as guardei com lágrimas contidas nos meus olhos." (Trecho do conto Chá da Tarde)

Mesmo com uma literatura mais juvenil, Luana faz pensar. Faz aflorar sentimentos, e em muitos momentos mostra, por meio da fantasia, a vida como ela é. Tanto que o livro é dividido em três partes. Primeira é “Encantamento”, que a própria escritora define como o momento infantil, um conto de fadas. Na segunda, “Paixões”, seria a adolescência, uma fase mais mulher. Já, na terceira, “Sombras”, são os contos trágicos e sombrio, mais realistas, a vida como ela é.

Galeria: Escritora Luana Madrepérola

"Tudo ao redor era vidro. Era possível ver através, mas havia uma barreira e atravessá-la significaria machucar-se. Os olhos dela eram quentes, acolhedores e da cor do café; enquanto os dele eram como estilhaços de vidro, cristais de gelo ou qualquer coisa bela e cortante. Sabiam que não eram feitos um para o outro, mas estar juntos por alguns momentos bastaria... Ou talvez não, mas era o que lhes restava" (trecho do conto Nuances).

Se o primeiro livro é mais juvenil, o segundo, que está sendo finalizado pela escritora, é o amadurecimento. “A Casinha de Boneca”, ainda sem data para ser lançado, terá contos mais densos e longos voltados para o inconsciente. “É o sonhar e estar acordado”, define a escritora, “sem deixar de estar em um conto de fadas”.

Para Luana a essência poética tem que ser sentimental, algo diferente da profissão que exerce, que é mais filosófica e racional. “Busco algo universal, que é o sentimento, nele alguém sempre se identifica”.

Mas se nos livros o conto de fadas é realidade, a vida de escritora não é feita de flores. Lidar com editores e a questão financeira não são estimulantes. “Quando você decide por esta carreira não pode focar na questão financeira, infelizmente, acho que é isso que desencoraja novos escritores”, desabafa.

Luana mantém ainda um página no facebook sobre o livro.

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