Cuiabá, 22 de Fevereiro de 2017

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Sexta-Feira, 27 de Janeiro de 2017, 08h:08 | Atualizado: 29/01/2017, 08h:08

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Carnaval traz volta do Imprensando Bebum e homenageia poetas saiba

Todo ano os desfiles dos blocos carnavalescos cuiabanos tornam-se comoção à parte dentro da maior festa popular do país. Neste 2017, os destaques são o retorno do Imprensando o Bebum (bloco mítico formado por jornalistas e fundado pelo falecido Malik Didier há quase 30 anos) e homenagens a personalidades nascidas aqui, como os poetas Manoel de Barros e Silva Freire, além do recentemente falecido Jejé de Oxum e Oyá pelo bloco Vem Oyá Jejé.

Esses blocos todos desfilam na Orla do Porto em 28 de fevereiro. Também estão se preparando (aqui, mas para sair em Chapada dos Guimarães) o Bode do Karuá, o Bloco do Bigode e o mais antigo em atividade, o da torcida organizada do Mixto Esporte Clube Boca Suja.

Tchélo Figueiredo

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A Prefeitura de Cuiabá realizará o carnaval na Orla do Porto devido à crise financeira, diz secretário

Atualmente, Cuiabá conta com sete blocos (oficiais) e uma escola de samba. O lado nem tão positivo foi a impossibilidade de fazer o chamado carnaval descentralizado, nos bairros, pois o carnaval cuiabano que se aproxima terá um orçamento de somente R$ 270 mil, segundo informou o secretário municipal de Cultura, Esporte e Turismo da Capital, Renato Anselmo Vilela, em entrevista a um canal de televisão e a uma rádio.

Ele explicou que a crise econômica atual levou a prefeitura a tomar medidas austeras. Assim, não haverá carnaval nos bairros, à exceção da chamada Orla do Porto e a Praça da Mandioca. “O carnaval é uma festa linda e originalmente brasileira. Faz parte da cultura do nosso povo. Teremos uma festa um pouco mais simples, mas realizada com muito empenho”, declarou.

Garantiu também empenho máximo para proporcionar grandes eventos à população cuiabana, não só no carnaval, mas “também nos eventos religiosos”, de acordo com a assessoria de comunicação.

Na mesma entrevista, o secretário assegurou ainda visitas aos ensaios dos blocos pela cidade. A mais recente a receber Renato, até o fechamento desta matéria, era a Império de Casa Nova, no CPA I. “Tivemos uma reunião com a presidente da Associação de Blocos de Cuiabá (ABLOC), Cleomance Saldanha, a Pretinha, e dizemos a eles que vamos ver a melhor forma de ajudar a todos, mesmo com um orçamento tão curto”, argumentou.

As duas celebrações do rei tolo e da rainha do carnaval serão na Praça da Mandioca, onde serão escolhidos, inclusive, apesar de a abertura do edital para as inscrições ao posto ainda não estarem abertas, e a Orla do Porto. O carnaval do Distrito de Nossa Senhora da Guia também está mantido.

Homenagens

O bloco Vem Oyá Jejé foi fundado em 2016 e, de acordo com a coordenadora, Alessandra “Leleca” Barbosa, surgiu como uma maneira de superar a perda do folclórico colunista Jejé. “Juntamos eu, Madona, Julio Carcará e Jorge Catumba. Julio [ator, escultor, artista plástico] já criou de cara um boneco do Jejé”, conta Leleca.

Ela afirma que este ano, além do próprio Jejé, homenageado sempre, haverá também referências e homenagens em bonecos dos poetas cuiabanos Manoel de Barros e Silva Freire. O custeio do bloco é próprio, apesar de eles aceitarem, obviamente parcerias.

“Tiramos dinheiro do nosso bolso, mandamos fazer camisetas e convidamos as pessoas por mídias sociais. Madona procurou autorizações, conseguimos bateria e carro de som. Com apoio do Flor Ribeirinha, acabou virando o bloco dos artistas, saímos com Aline Figueiredo, Lucia Palma, chegamos a quase 500 pessoas”, explica Alessandra. As camisetas do bloco serão vendidas a R$ 40.

Galeria: Carnaval cuiabano

Quem também está comemorando a participação no carnaval é a jornalista Priscila Mendes. Ela vai reviver o conhecido Imprensando o Bebum, fundado pelo também jornalista falecido nos anos 90 em um acidente de carro Malik Didier. “Sim, está confirmado, já bloqueei a agenda. Vamos desfilar na segunda (27). As camisetas valerão a entrada e vão custar R$ 25 por pessoa ou R$ 40 duas camisetas”, conta Priscila. Ela espera a participação de 250 pessoas no carnaval. O tema ainda não foi definido, mas o retorno sim.

Outro tradicional bloco a participar será o Pelô Meu Saco, que já vem realizando ensaios de bateria e esquentas frequentes. O último foi no domingo (22) e contou com a presença de bandas de pagode e uma bateria de escola de samba.

Fundado em 1970, o bloco da Boca Suja (torcida organizada do Mixto) se orgulha de ser o mais antigo bloco carnavalesco em atividade. Também vão desfilar na Orla do Porto, já estão em ensaios frequentes mas ainda não divulgaram o tema deste ano.

A organização do carnaval do município envolve as secretarias municipais de Cultura, Esporte e Turismo, de Mobilidade Urbana, de Ordem Pública, de Saúde, de Serviços Urbanos e de Governo e Comunicação, além de parcerias com a Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Samu e o Juizado da Infância e Juventude, por exemplo.

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Comentários (4)

  • Arlindo Ministério Público do Estado de | Sábado, 28 de Janeiro de 2017, 12h42
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    O Carnaval é a maior festa popular que atinge cerca de 40% da população brasileira,tornou-se uma festa muito violenta e nos dias atuais cerca de 60% da população brasileira não gostam do carnaval utilizando deste tempo festivo para fazer um retiro espiritual,viajar para reencontrar parentes,amigos e familiares outros por "Trabalho" outros por emprego,emfim,os festejos de momos a cada ano que passa ou que vem chegando tem mudado a forma de como as pessoas venham se comportar com o Rei Tolo e a rainha do Carnaval,afinal de contas na Praça da Mandioca agora tem gerência e pelo que estamos vendo nenhum desses supostos blocos se apresentaram para as respectivas Associações existentes e os mesmos serão barrados de adentrarem ao local atrapalhando assim a programação já existente,fiquem atentos.

  • Mauro Leite | Sábado, 28 de Janeiro de 2017, 09h49
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    Caro moreira, vc nunca ouviu dizer que a CULTURA forma sábios; a educação e homens? Louis Bonald. Vegonhoso é um povo sem cultura!

  • Moreira | Sexta-Feira, 27 de Janeiro de 2017, 18h32
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    Vergonhoso é a prefeitura doar dinheiro público - do IPTU e serviços - para essa folia, ou farra, como preferirem. As demandas estão aí, e 1 real gasto inadequadamente vai faltar lá na frente.

  • Ronaldo Pacheco | Sexta-Feira, 27 de Janeiro de 2017, 11h19
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    . O Bloco Imprensando o Bebum foi fundado por Malick Didier, Rosana Vargas, Isa Ramos, Waldemir Félix, Ronaldo Pacheco, Maurício Barbant, Fernando Baracat, Ademar Andreola, Américo Correa, Marcos Bergamasco, e outros jornalistas, para desfilar no carnaval de 1987, em Cuiabá. A bateria era "emprestada" pela Escola de Samba Marinheiros do Samba, do bairro Cidade Verde, sob o comando de Mestre Nelsinho (in memorian). Malick era o principal agitador e uma espécia de presidente (não existia diretoria formal). Depois da morte dele, na primeira metade da década de 1990, o Imprensando Bebum foi assumido pelo Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor), quando passou a ter organização, e acumulou bons resultados - dois vice-campeonatos e vários terceiros lugares, no desfile de blocos. Chegou superar blocos muito fortes, como Urubu Cheiroso, Beleza Pura e Boca Suja, entre outros. É muito bom saber que o imprensando está de volta. Bela reportagem, querido amigo Rodivaldo.

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