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Sexta-Feira, 02 de Fevereiro de 2018, 13h:00 | Atualizado: 04/02/2018, 10h:03

Atraso na obra da AML passa dos 3 anos e história de Mato Grosso apodrece a esmo

Um complexo cultural com atividades permanentes de lazer e conhecimento. Era o que prometia o governo do Estado por meio de sua secretaria de Cultura na primeira quinta-feira de dezembro de 2016, data em que, pela segunda vez, era apresentado um novo projeto de reforma. Essa promessa acontecera dois anos antes, porém, de lá pra cá, nada aconteceu, reclama o advogado e acadêmico (presidente da Academia Mato-grossense de Letras à época), Eduardo Mahon.

Facebook - reprodução

Casa Barao de Melga�o - obras

Acervo da Casa Barão de Melgaço jaz em local inapropriado por causa dos constantes arrombamentos ocorridos no complexo da AML

Era o início da gestão Pedro Taques e do então secretário de Cultura, Leandro Carvalho. Apelidado de shopping cultural pelo governador, o local foi arrombado várias vezes e o material lá guardado, retirado dali para não ser roubado (arrancaram até mesmo a placa de bronze em homenagem ao Barão de Melgaço e só não a levaram por causa do peso).

“O resultado é o abandono. Eis aqui a memória de (Cândido) Rondon, de (Antonio de) Leverger, de Dunga (Rodrigues), de Estevão e Rubens de Mendonça, os jornais de 150 anos, os mapas e diários da Guerra do Paraguai. Tudo amontoado, abandonado, esquecido. Pedimos socorro. Socorro contra a ignorância, contra o descaso, contra arrogância. Socorro!”, escreveu Mahon em um post no Facebook.

À reportagem do , ele conta que firmou, junto com o governador e o então secretário, a cessão do espaço ao Estado para a tal reforma jamais tirada do plano das ideias. “Assinamos um contrato onde o governo dizia que faria uma biblioteca moderna, muito interativa, chamado por ele até de shopping cultural. E não aconteceu nada no final das contas. Três anos se passaram, as obras não foram iniciadas mas impediu que alugássemos o local, então, ficou um impasse muito grande”, explica Mahon.

Esse mesmo local abrigou um dia a primeira faculdade de direito de Mato Grosso. Tal referência histórica, porém, foi solenemente ignorada pelos meliantes, mais ou menos como o estado em que poderiam jazer as citadas relíquias do passado público local. “Como fomos assaltados muitas vezes na parte onde guardávamos o acervo, fomos impelidos a guardar em outro local, sem muita condição, mas tudo é parte do complexo da Casa Barão”, continuou o acadêmico.

Projeto paulistano

Apresentado com entusiasmo e pompa na AML (veja foto daquele dia nesta mesma página), foi nada além, diria Kipling, de Uma Luz Que Se Apagou: “Existe um conceito preexistente de biblioteca como sendo um lugar onde se guarda livros. Isso está mudando.

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Casa Barao de Melga�o - obras

Até a placa em homenagem ao almirante Leverger foi roubada. Ladrão não aguentou carregar, vizinho guardou e devolveu depois

A biblioteca é um lugar de conhecimento e deve ser acolhedor e atrativo, deve fazer com que as pessoas sejam atraídas para lá e possam usufruir do espaço como um todo”, observou o arquiteto Higor Oliveira, autor do trabalho elaborado pelo escritório A4, vencedor do processo licitatório para a reforma do prédio.

Um projeto que “teve como referência outras instituições que seguem um novo conceito de biblioteca, como a Villa Lobos e a Biblioteca São Paulo, ambas na capital paulista”, conforme as palavras de um texto da assessoria da SEC à época em dezembro de 2016.

“Assim será a nova sede da Biblioteca Pública Estadual Estevão de Mendonça (BPEEM), que irá ocupar o prédio da antiga Faculdade de Direito de Mato Grosso, anexo à Casa Barão de Melgaço, no centro de Cuiabá, sede da Academia Mato-grossense de Letras (AML) e do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT)”, disse o governador Pedro Taques e repetiu a comunicação, na cerimônia realizada no Palácio Paiaguás, quando presentes também estavam o ex-secretário de Cultura, a historiadora Elizabeth Madureira, a presidente da AML de então, Marília Beatriz de Figueiredo Leite, e o presidente do IHGMT, João Carlos Vicente Ferreira.

A obra estava então orçada em R$ 9 milhões e seria construída nos três pavimentos do prédio, onde se espalhariam espaços amplos e arejados, um café, um jardim interno e espaços dedicados aos imortais da Academia e aos acervos de ambas as instituições.

Outro lado

A SEC respondeu à reportagem, por email, via assessoria de comunicação, reconhecendo a tratativa para uma "mútua cooperação de desenvolvimento de políticas públicas de incentivo à leitura, com foco na revitalização e modernização da Biblioteca Pública Estadual Estevão de Mendonça". Disse também que a partir da assinatura desse termo foi realizada uma carta convite para criação dos projetos de reforma do edifício de Anexo da Casa Barão de Melgaço.

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Casa Barao de Melga�o - obras

Pedro Taques durante apresentação do projeto do complexo cultural AML-Biblioteca-IHGMT

"Em janeiro de 2017 foi entregue parte dos projetos, mas ficou faltando parte dos projetos de engenharia e, por isso, não foi possível realizar a licitação", continua a assessoria da SEC. "No mesmo ano foi feita uma nova carta convite para a contratação de projetos estruturais e compatibilização, que será entregue até o mês de março deste ano".

Somente após a entrega desses projetos é que a instituição poderá "passar para a próxima etapa que é a de licitação da obra. A SEC deverá contar com a parceria da equipe da Secretaria de Cidades (Secid) para realizar os trabalhos, visto que a equipe da SEC não possui condições para realizar concorrência desta magnitude".

Para efetivar essa licitação é necessário "empenhar algo em torno de R$ 10 a R$ 12 milhões e, com as dificuldades financeiras que o Estado passa, é algo que deverá ser discutido na esfera política".

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Comentários (2)

  • marcos | Domingo, 04 de Fevereiro de 2018, 11h59
    1
    0

    rd news sejem imparciais, quando tiver commentarios contra o governo, deixe a noticia la em cima como estava pela manha cedo, , voces são puxadoresde saco do governo?hum

  • marcos | Domingo, 04 de Fevereiro de 2018, 06h15
    1
    0

    muitas secretarias e autarquias precisam de arquivo, muitos secretarios e presidentes de de autarquias vão mendigar um local , tovez que tem reuniao com secretarios respectivos da pasta, o esquisito é que , quando o poder judiciario e legislativo pede algo ao paiaguais logo logo são atendidos, ja os secretarios e presidentes de autarquias , não são atendidos, e de onde sai os recursos para pagar os poderes? saem dos servidores do executivo, e esses ficam a mingoa.

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