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Sexta-Feira, 23 de Dezembro de 2016, 07h:45 | Atualizado: 29/01/2018, 17h:18

Clovis se torna Papai Noel Pantaneiro e alegra a vida dos ribeirinhos - veja

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Papai Noel Pantaneiro

Papai Noel Pantaneiro vai encarar as águas de MT para alegrar a vida de moradores dos rincões

Além de manter durante o ano inteiro um projeto de inclusão literária feito a partir de um Volkswagen Kombi e uma Willis Rural cheias de livros que ele distribui de graça a quem quiser, mas principalmente a comunidades carentes e ou afastadas do centro da cidade, Clóvis Mattos também se dedica a encarnar o Papai Noel em shopping centers.

Revela ao , entretanto, ser o bom velhinho de modelo europeu somente disfarce para sua verdadeira intenção – dar vida ao Papai Noel Pantaneiro (saiba como contribuir no final da matéria).

Nessa versão mais brasileira e sertaneja da história controversa -– para alguns, São Nicolau, bom, caridoso; para outros, um espírito antigo que encarnava um velho macabro cujo objetivo era lembrar os maus de suas falhas ou simplesmente atormentar crianças (no meio da Floresta Negra, Alemanha, onde as duas versões nasceram) -–, o bom velhinho não usa rena, mas uma canoa.

Também não voa, mas singra as águas do pantanal mato-grossense para, como na versão tradicional do início do século 20, levar presentes às pessoas cuja vida se desenvolve ao ritmo de sabiás, tuiuiús, jacarés, onças, sucuris e cheias e secas. Uma gente, conta Clovis, esquecida por todos, inclusive do imaginário popular em torno do lugar.

“Lembra-se muito das belezas naturais, mas ninguém fala dos pantaneiros, da gente que vive ali e que, muitas vezes, não têm acesso a praticamente nada. Bastante sofridos e carentes”, explica o responsável pelo projeto de inclusão literária e papais noéis nas horas vagas.

Ele segue esclarecendo que seu Natal Pantaneiro pretende conseguir doações para as crianças ribeirinhas pelo quarto ano consecutivo. “Ele [o projeto] vem numa crescente que eu não esperava, nunca tinha feito uma campanha desse tamanho para arrecadar presentes. Normalmente, eu comprava os presentes, como compro ainda, e usava as doações somente para inteirar”. Acontece que o projeto foi tomando uma proporção além das forças econômicas dele.

"Quem conhece o
Pantanal sabe quanta
gente tem enfiada lá
dentro,no que chamo
de terra das águas"

Só no ano passado, foram entregues impressionantes 2.300 presentes para as crianças e adultos do Pantanal. E não só brinquedos, mas roupas infantis, calçados e outras lembranças e utilidades. Ainda que, óbvio, os brinquedos ainda sejam a maior demanda, pois o ato de presentear visa as crianças, porque são elas que esperam pela data durante o ano todo.

“Quem conhece o Pantanal sabe quanta gente tem enfiada lá dentro, no que eu chamo de terra das águas. Gente que não recebe absolutamente nada durante muito tempo”, continua Clovis Matos, lembrando a importância de haver também um Papai Noel a entregar esses gestos de reconhecimento ou mera lembrança. Esse é o motivo de ele sempre pedir para os colaboradores doações de peças não muito sofisticadas, condizentes com o viver daqueles seres humanos.

“Peço coisas simples, carrinhos, bolas, bonequinhas e livros infantis. Nada complicado, o mais importante é conseguir coisas que possam fazer um número grande de coisas, porque a cada ano aumenta o trajeto que fazemos. E este ano ele será bem maior”, comemora Matos enquanto se prepara para descer o rio, Pantanal adentro,  levando esses presentes. As proporções são tão maiores que desta vez ele terá o suporte e ajuda de equipes da Delegacia de Meio Ambiente (Dema), que vai acompanhar Papai Noel do pântano para realizar um trabalho de educação ambiental, além de ajudar na descida do rio.

Antes dos brinquedos, roupas e outros presentes, Clovis Matos já era velho conhecido dos sertanejos, pois tem um trabalho em prol da leitura dentro do Pantanal há sete anos.

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Papai Noel Pantaneiro

Papai Noel alegra a vida dos mato-grossenses que, muitas vezes, ficam ilhados nos rincões do Estado. Além dos brinquedos, roupas e presentes, Clovis Matos leva projeto de literatura para a região

Nesse tempo, coordenava projeto da UFMT com alunos de Comunicação e ensinava pessoas a lidar com máquinas fotográficas e transformar o celular em um equipamento que podem usar mais vezes, além do cotidiano comum.  Passou a ensinar todos a fazerem vídeos, principalmente, dando oficina de produção e um monte de coisas para que os ribeirinhos do Pantanal contem a história deles por eles mesmos. “É muito fácil uma equipe de reportagem chegar, fazer uma matéria preestabelecida, buscar o que quiser e trazer pra cá. Porque o que eles nos contam é bem diferente”.

Essas histórias evidenciam o quanto a pobreza é grande no entremeio das águas. Clovis viu nisso uma oportunidade para ajudar os pantaneiros a fazerem um registro, como ele próprio passou a fazer. Foi esse também um dos motivos para o aumento do trajeto e do número de localidades visitadas, para fazer um trabalho historiográfico do Pantanal.

Quem quiser doar pode entrar em contato com o próprio Matos no WhatsApp (65) 98135-1176, pelas mídias sociais (só procurar por Clovis Mattos, no Facebook) ou se quiser fazer a entrega, existem três pontos para receber: o Colégio Master Boa Esperança, o Museu Histórico, na Praça da República, no centro da cidade, ou no Gran Bazar Pac, bar localizado no começo do Largo da Mandioca, da praça de mesmo nome e que expõe inclusive trabalhos do papai Noel. 

Há certa urgência, pois Clovis vai encarnar a versão pantaneira do bom velhinho no dia 25 mesmo. “Lá, não fico igual o Papai Noel do shopping, desenvolvi uma roupa especial para o Papai Noel Pantaneiro, para a realidade deles, e para o meu conforto maior também, porque é uma bermuda, uma bata larga e o gorro preso num chapéu característico do Pantanal”. De acordo com ele, uma maneira de evitar estranhamento e gerar reconhecimento. “É algo de identificação maior com a gente do Pantanal. Não tem nada a ver eu chegar com aquela roupa pesada do Papai Noel tradicional”.

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