Cuiabá, 21 de Janeiro de 2017

Variedades

A | A

Sábado, 07 de Janeiro de 2017, 07h:28 | Atualizado: 08/01/2017, 03h:41

trajetória

Figura do jornalismo de MT, Carioca já trabalhou no Pasquim trajetória

O jornalista e publicitário Adir Henrique Ribeiro, o Carioca, é figura conhecida do meio da comunicação mato-grossense. Prestes a completar 60 anos, ele chegou em Mato Grosso no final dos anos 70, no meio de uma daquelas crises típicas da juventude. Ainda no Rio de Janeiro, entrou numas de deixar para trás tudo e sair pelo mundo na companhia de um amigo.

E esse tudo incluía, por exemplo, trabalho nas grandes agências de publicidade fluminenses, produções e artes para uma emissora de televisão no Rio, um emprego fixo no lendário jornal Pasquim, aquele mesmo do Ziraldo Alves Pinto, Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o Jaguar, Hebert José de Souza, o Betinho, Henrique de Souza Filho, o Henfil, entre outras lendas do jornalismo brasileiro.

Gilberto Leite

Adir Henrique(carioca)gilberto leite (15).jpg

   Carioca mostra o portfólio da época em que trabalhou no Pasquim com renomados do jornalismo

Tudo poderia parecer pleno, conquistado, nos dias de hoje. Entretanto, naquelas curvas usuais do destino, o que deveria ser apenas uma pausa para a própria cabeça, um escape da pressão profissional no Rio, terminou por se tornar a escolha de uma vida. De Cuiabá ele foi visitar Poconé (a 105 km de Cuiabá); lá, conheceu uma menina, gostou dela. Ela correspondeu. Namoraram, ficaram noivos. Casaram. Hoje, 34 anos depois, continuam juntos, casados há 32.

Ele lembra que estudava, em plena ditadura militar, meados de 1970, na faculdade de publicidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Sentado no pátio, um colega o informou sobre um concurso de histórias em quadrinhos e caricaturas dentro da universidade. Ele resolveu participar e ganhou. O prêmio era um emprego no Pasquim. Óbvio que ele aceitou.

“Mas na época trabalhava também numa agência, como desenhista, além do Pasquim. Foi nesse tempo que uni publicidade e jornalismo, mas deixei o curso de jornalismo um pouco de lado, continuava na universidade e, por isso, não tinha tempo pra nada, mas o Pasquim era a melhor escola de jornalismo que podia existir”, lembra.

Em um de seus portfólios daqueles tempos, um anúncio institucional de uma agência fala em crise, comento o fato de aquele texto, mesmo escrito em 1982, caberia perfeitamente nos dias atuais. Ambos rimos sobre a constatação de que o Brasil não mudou muito fora as novas tecnologias, seguimos em crise institucional, política, moral, econômica. Ele segue lembrando a trajetória.

Conta ter nascido e crescido em Copacabana e como sempre gostou de atividades ligadas ao entretenimento popular. Durante a Copa de 1970, vencida pelo Brasil, ele foi um dos responsáveis por pintar o calçadão com motivos alusivos às cores da bandeira e tradicionalmente festivos hoje espalhados pelo país. “Cresci de frente pra praia. Desde os 13, 14 anos, já promovia eventos na praia, de surf, futebol, futevôlei. Sempre gostei disso, de anunciar, fazer, desenhar”.

Abaixo, vídeo feito por Carioca para o Carnaval de 2008, onde ele encena como "Globeleza".

Naqueles tempos, anúncios eram feitos basicamente à mão, textos eram fotocompostos e depois reduzidos. As ilustrações eram criadas no braço mesmo, com traços à caneta. Nada de computador, tela, teclado ou mouse. E foi por meio dos desenhos que ele passou a se sentir fascinado com as inovações tecnológicas trazidas pelo austro-alemão Hans Donner via Rede Globo. Tão longe, tão perto, Carioca fazia produção de novelas no mesmo canal, mas jamais conseguiu transpor a barreira até o considerado gênio do design daqueles tempos.

A frustração o levou à ruptura com a rotina até então vivida. “Eu pensei: quer saber de uma? Chega de esquentar a cabeça, vou cair na gandaia, no mundo”. Propôs a um amigo a ideia de pegarem o carro, todo dinheiro que tinham e rodar enquanto conseguissem. Acabou indo parar na Bahia, rodaram todo o país e vieram parar em Mato Grosso, “quase duros”. Aqui, ficou sabendo que Geraldo, o publicitário, precisava de gente para a campanha do então candidato Júlio Campos. Ele aceitou um emprego de cinegrafista na campanha. Alugou uma casa na Morada do Ouro. Havia um tio em Poconé e este utilizava constantemente o contato com o Rio, essa proximidade acabou levando-o a conhecer a esposa Mariange. Casaram-se em 1981 e efetivou o trabalho na MCA, depois na Z8.

Por esse tempo, foi um dos fundadores da Rádio Atividade, a primeira a abrir espaço para as ainda nascentes bandas de rock da cidade. Foi nesse tempo que ele promoveu gincanas de carros. Na principal delas, o encerramento era em frente ao falecido Pinos Ball, na avenida do CPA. Na festa, o primeiro show aberto das bandas do circuito underground, entre elas, o GTW. O ano? 1989. Conseguiu mais uma vez o que ele gostava: barulho, muito barulho.

Gilberto Leite

Adir Henrique(carioca)gilberto leite (40).jpg

 Produtor Carioca  ao lado do apresentador e radialista Luciano Faccioli na época do Cidade 40º

Nessa fase, houve uma breve pausa no trabalho com comunicação, pois acabou aceitando o convite do sogro para trabalhar em uma serraria em Poconé. Como o sogro morreu três anos depois, foi obrigado a administrar o negócio, mais um garimpo, o principal negócio de Poconé naquela época, aliás. Entretanto, acabou a febre do ouro por lá.

Foi quando ele voltou para trabalhar na tevê Cidade Verde, onde foi trabalhar como cinegrafista e editor. “Fiquei lá 16 anos”, lembra. Lá, além das próprias matérias, ele produzia a de colegas. Terminou conhecendo o radialista e apresentador Everton Pop. Apesar da desconfiança inicial com relação aos, digamos, métodos de trabalho do novo produtor, tudo acabou dando certo. Nascia o programa Baixada 40 Graus.

“Aí que inventamos o Carioca, baseado no Pânico, mas era um apelido que já era meu. Foi aí que trouxe o Nandinho [Desleal, numa gozação explícita com o nome da maior colunista social da época, Nayd Leal]. Dei a ideia de fazer uma espécie de coluna social da periferia, de quem mora longe”. Lugar onde os outros programas de colunismo não iam. A jornada durou oito anos ininterruptos, com bons índices de audiência e reconhecimento popular. Não dava para andar mais nos bairros sem arrastar multidões.

Desse tempo também contam os encontros com celebridades nacionais, entrevistadas para o programa. O apresentador Everton Pop foi eleito vereador por esse mesmo tempo. Foi quando começou também a derrocada, com discussões, brigas e o esfacelamento do grupo em vários pedaços. Demitido do canal de televisão em 2012, para sobreviver, voltou a fazer campanhas, agora no interior.

Retornou em 2014, em outro canal de televisão. O espaço foi fechado em 2016, no meio da crise brasileira. Foi convidado, então, a fazer a campanha a vereador do delegado Marcos Veloso. Venceram. Deve assumir um cargo no gabinete dele. Nesse período de pausa, se diverte ficando em casa com a família e os amigos.

Vídeo, abaixo, de Carioca na cobertura de um show do saudoso Milionário e José Rico.

Galeria de Fotos

Postar um novo comentário

Comentários (2)

  • Gilston | Domingo, 08 de Janeiro de 2017, 13h26
    0
    0

    Tenho visto ele na mídia e paece ser gente boa, tá sempre alegre. Gente assim, é que eu me inspiro pra viver por meio de tanta gente falsa mentirosas e gananciosa pelo poder, que não tem palavra, palavra dada e empenhada e não cumprida.

  • Dayane Senna | Sábado, 07 de Janeiro de 2017, 18h12
    0
    0

    Meu grande amigo, parceiro, Carioca é um homem abençoado!! Que lindo este texto contando sua história meu amigo, vc merece todo atenção e carinho!!! Parabéns Adir, não me esqueço os anos que passamos juntos na TV Band, trabalhando no jornalismo, figuraaaaa vc meu amigo!!!

Matéria(s) relacionada(s):