Sexta, 25 de Maio de 2012, 22:58 h
POLÊMICA | 16/06/2010 - 08:08

Prefeitura oferece sua sede e até cemitério à família por dívida

Patrícia Sanches

   A Prefeitura de Cuiabá ofereceu escolas urbanas, rurais, mistas, centros comunitários, mercados, loteamentos no Alphaville, praças, conjuntos habitacionais, cemitérios e até a sua sede para cobrir o pagamento de R$ 9,8 milhões em precatórios numa ação judicial relativa à desapropriação de terrenos onde hoje existe o bairro Coophamil. A denúncia foi feita pelo vereador petista Lúdio Cabral e pelo procurador Sérgio Benedito Barros Parreira na sessão desta terça (16). Ao questionar o oferecimento destes imóveis, que não são desafetados (autorizados pela Câmara para serem utilizados para o pagamento de dívidas) , os dois levantaram uma polêmica discussão em torno da forma como o poder público municipal tenta quitar seus débitos antigos.

   Neste caso, por exemplo, a queda-de-braço começou ainda na década de 70. Desde então, Clorinda Vieira de Mattos tenta receber o dinheiro referente a desapropriação de terrenos que somariam uma dívida de R$ 58 milhões. A briga culminou no bloqueio de R$ 10 milhões que quase impediu o pagamento dos salários de mais de 14 mil servidores - veja aqui. Segundo Parreira, Clorinda chegou a aceitar o acordo, mas desistiu depois. O que intriga é o fato de como a prefeitura iria entregar cemitérios, por exemplo, para quitar a dívida caso ela tivesse aceitado o acordo.

  O vereador petista questiona também o fato do procurador-geral Fernando Biral ter nas mãos uma procuração "ad negotia", quando é permitido negociação de bens, e não ser "ad judicia", quando o advogado não tem permissão para concretizar o negócio. Assim, ele estaria supostamente autorizado a pagar dívidas judiciais com bens públicos sem o aval da Câmara. “Este fato é no mínimo curioso porque a doação dos terrenos precisam de autorização do Legislativo. Como é que um procurador vai a uma audiência já com poderes para negociar esses imóveis públicos?”, questiona Lúdio. Ele diz estranhar também o fato do ex-procurador-geral Ussiel Tavares acompanhar as audiências de negociação com a família mesmo não tendo mais nenhum vínculo com a prefeitura. O líder do prefeito na Câmara, Paulo Borges (PSDB), reafirmou que a procuração concedida a Biral segue o mesmo modelo da que o procurador-geral do Estado tem.

   Ele enfatiza que o Palácio Alencastro não realizou qualquer ato ilegal e que a polêmica em torno do procedimento se deve a uma briga entre grupos de procuradores. “Alguns deles estão numa briga interna. Não há nada de errado e nenhum imóvel da prefeitura foi entregue para o pagamento de dívidas sem a autorização da Câmara”. Os procuradores estariam revoltados com a aprovação da mensagem 0025/2010 que congelou o salário de 18 procuradores da Capital e elevou o subsídio de outros 9 que recebiam R$ 3,8 mil – veja mais aqui. De todo modo, Lúdio aguarda a resposta da prefeitura ao requerimento feito por ele para solicitar informações referentes a procuração dada a Biral.

Comentários:
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  • Odair | 16/06/2010 21:05
    Cuiabá

    tudo foi feito de acordo com a lei. Só quem não entende é que fica falando o que não sabe e o Dr. Ussiel tem todo o direito de acompanhar a audiencia: primeiro porque é pública e segundo porque foi iniciada na gestão do Dr. Ussiel -e nada mais justo do que ele comparecer para orientar o novo Procurador Geral do Municipio. O Dr. Ussiel é nobre e conhecedor mais do que ninguem das leis.

  • Antonia | 16/06/2010 21:04
    Rio Claro

    De acordo com matéria veiculada na imprensa, no dia 22 de abril, o atual Procurador Geral de Cuiabá acompanhado do EX Doutor Ussiel Tavares, esteve na central dos precatórios com herdeiros do espólio Clorinda, é preciso investigar essa participação, sob pena de não bem explicada, vir acarretar advocacia administrativa. E isso é vedado, assim não Prefeito Francisco Galindo.

  • Ricardo | 16/06/2010 13:46

    Ave maria cheia de graça,nos livrais das patifarias e de todo mal,amém.

  • Dinara | 16/06/2010 13:07
    Cuiabá

    É um verdadeiro absurdo o rol dos bens imóveis dados em garantia para pagamento de dívidas de precatório, até porque no caso do Palácio Alencastro, esse é um bem inalienável. No caso do cemitério, mesmo que ele seja público, os túmulos são particulares. Além do mais a se optar por dar bens em garantia, eles devem ser previamente desafetados. A Prefeitura de Cuiabá na gestão do PSDB, engendrou barbaridades, ao arrepio da lei. E a Administração atual, deve tomar todos os cuidados, visto que sua Excelência, Doutor Ussiel Tavares, afrontosamente, ao que consta sem cargo algum, ou seja, sem qualquer legitimidade, ainda atua ostensivamente como se no poder executivo municipal estivesse. Além disso ser ilegal, passa a idéia de pessoa oferecida e sinto muito doutor, oferecido de tão barato, não tem preço.

  • Rita De Cassia | 16/06/2010 13:03
    Cuiabá

    Parabéns Vereador Lúdio Cabral, ao trazer a sociedade, situação escabrosa do ponto de vista legal. E também ao Procurador. Até a sede da Prefeitura na dança? Isso mostra o despreparo jurídico da chefia do jurídico municipal, com esse rol de bens oferecidos, é digno de figurar no anedotário de piadas ridículas, dado o total desconhecimento da lei aliado a total desprezo pelo povo que mora nesta cidade, a todos os seus habitantes. Agora vindo de quem veio, se pode esperar tudo, é preciso apurar com rigor.






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