Segunda-Feira, 26 de Junho de 2017, 08h40
Citado em inquérito da PF, senador diz que demanda sobre portos não foi atendida

Alexandra Lopes e Bárbara Sá

Assessoria

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Senador Wellington Fagundes diz quer tido 38 reuniões sobre portos

O senador Wellington Fagundes (PR), citado em depoimento no inquérito da Polícia Federal que investiga o presidente Michel Temer (PMDB), diz que a principal demanda do Grupo Rodrimar sobre prorrogação de concessões obtidas antes de 1993 não foi atendida no decreto que define mudanças de regras no setor portuário. O decreto foi assinado em maio. 

No depoimento à PF, o executivo da Rodrimar, Ricardo Mesquita, afirma que pediu ajuda ao ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver problemas no setor portuário. A empresa pleiteava junto ao governo federal a prorrogação da concessão de exploração de áreas no Porto de Santos, que seriam reduto de influência de Temer. 

Ricardo também declara ter recebido informações de que o assunto seria resolvido. Nesse contexto que Wellington foi citado no depoimento.

“Os questionamentos foram porque era para atender também as concessões chamadas pré-93, antes de 93, inclusive, não foi atendido. E não foi atendido no decreto nº 9.048, de 10 de maio de 2017. Aquilo que era suspensão, exatamente, o decreto não atendeu”, disse o senador ao .

O caso foi reportado pela revista Época que diz que Ricardo foi encontrar Rocha Loures em uma cafeteira em São Paulo onde estava reunido com Ricardo Saud – diretor da JBS – discutindo sobre pagamento de propina. O executivo da Rodrimar afirma que conversou somente sobre o marco regulatório do setor portuário. O encontro aconteceu em 24 de abril.

Wellington é presidente da Frente Parlamentar de Logística de Transporte e Armazenagem (Frenlog). Ele conta que Rocha Loures - apontado como interlocutor de Temer com o setor privado - participava das reuniões com grupo formado por associações, pelos ministérios dos Transportes, Casa Civil, pela procuradoria da República e agências reguladoras do setor, além de parlamentares.

“Houve aquela reunião que foi transmitida pela televisão que ele estava junto com a pessoa que foi da JBS. Então, com isso, colocou-se em suspensão que poderia haver interesses também individualizados”, comenta. Conforme o senador, ele participou de 38 reuniões e que todas foram transmitidas pela internet.

Wellington afirmou ainda que presidente Michel Temer não usou a MP dos Portos para favorecer qualquer empresa. Reforça que Rocha Loures participava das reuniões como parlamentar. “Ele foi envolvido em outro processo, com isso, criou-se dúvida na imprensa.“

O republicano lembra que Rocha Loures esteve com representante da Rodrimar em São Paulo e esta reunião foi gravada – por este motivo teria gerado dúvida.

Homem da mala

Rocha Loures ficou conhecido como o homem da mala de Temer, após ter sido indicado pelo presidente à JBS Joesley Batista, em delação premiada, como seu interlocutor e ter recebido R$ 500 mil em propina. O recebimento e transporte do dinheiro foi filmado pela Polícia Federal e o ex-deputado federal está preso.


Fonte: RDNEWS - Portal de notícias de MT
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