Sábado, 26 de Maio de 2012, 03:52 h
TRIBUNAL DE JUSTIÇA | 05/06/2010 - 09:10

Após ter a casa visitada por PF, Miotto já cogita aposentadoria

Patrícia Sanches

   O juiz Círio Miotto, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Várzea Grande, que teve a casa visitada por agentes federais no mês passado durante a deflagração da Operação Asafe, deve solicitar a sua aposentadora nos próximos dias. Ele já teria, inclusive, pedido levantamento dos cálculos salariais, conforme revela o jornal A Gazeta deste sábado (5). Mesmo assim, fontes ligadas ao Tribunal de Justiça garantem que o magistrado já deu entrada no pedido para deixar de exercer a profissão. Informações extra-oficiais são de que ele poderia se aposentar porque nos últimos 5 anos ocupa vaga de juiz-substituto de segundo grau, que responde por julgamentos na ausência de desembargadores.

  Ele chegou, inclusive, a disputar a promoção para desembargador na vaga de Shelma Lombardi de Kato, mas o Pleno no TJ elegeu Alberto Ferreira de Souza. Miotto atua no Poder Judiciário desde 1985. Já o presidente do TRE Evandro Stábile também teria cogitado a possibilidade de se aposentar, mas recuou após ser informado que não tem o tempo de magistratura necessário. Ambos são investigados pelo Supremo Tribunal de Justiça e aparecem no processo, que contém mais de sete mil páginas sobre um suposto esquema de venda de sentenças no Estado, envolvendo magistrados, desembargadores, advogados e lobistas.

  As investigações que comprometem os magistrados tiveram início em 2006. O STJ teria detectado pelo menos 14 casos de intermediação de venda de sentenças e, por isso, deflagrou a Operação Asafe, prendeu nove pessoas e cumpriu 30 mandados de busca e apreensão, seis deles na casa de juízes e desembargadores. O nome de Miotto aparece em escutas telefônicas de uma suposta negociação de habeas corpus que beneficiaria o pecuarista Lóris Dida. Tudo teria sido negociado pelo advogado Max Weyzer, preso pela PF.

   Já Stábile, fotografado em situações delicadas, tem o nome citado em ligações e vive uma intensa pressão externa. A OAB e o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) exigem o afastamento de Stábile da presidência do TRE, mas, por enquanto, ele resiste. Tirou férias de 30 dias para tentar amenizar a situação. Todo o procedimento investigatório é conduzido pela ministra Nancy Andrighi, que analisa os depoimentos das pessoas presas ou que prestaram esclarecimentos à PF, além de análise minuciosa da documentação apreendida pelos agentes federais. 

Comentários:
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  • Carlos Simões | 06/06/2010 10:40
    cuiabá

    Se pedir carteira no OAB iremos impugnar o pedido, se não presta para ser juiz, não presta para ser advogado!!!






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