Sábado, 26 de Maio de 2012, 08:10 h
TRIBUNAL DE JUSTIÇA | 06/04/2010 - 10:44

Clarice substitui Juvenal; prova do concurso fica para 2 de maio

Flávia Borges

Desembargador Juvenal Pereira da SilvaDesembargadora Clarice Claudino da Silva   A desembargadora Clarice Claudino da Silva terá a missão de substituir Juvenal Pereira da Silva, que decidiu se afastar da Comissão do Concurso Público para Ingresso na Magistratura do Estado após o cancelamento da segunda fase das provas, conforme adiantou com exclusividade o RDNews – veja aqui. Nos bastidores, Juvenal teria se desentendido com o presidente da Comissão, desembargador Rui Ramos, após o sumiço de 16 das 49 provas dissertativas antes da correção, em 7 de março. O clima ficou tenso entre os membros da Comissão, até então formada pelos desembargadores Rui Ramos, Juvenal Pereira, Luiz Ferreira da Silva e pelo representante da OAB-MT, advogado João Norberto Almeida Brito. Rui Ramos apontou “falha humana” para justificar que a falta de organização e supostos indícios de fraudes no concurso tenham culminado no cancelamento das provas.

   Após a definição do nome de Clarice para compor o grupo responsável pela concretização do concurso, a nova tentativa de aplicação das provas foi marcada para 2 de maio, o que deve gerar incômodo aos candidatos, especialmente aos que residem em outras cidades e Estados. Pelo calendário inicial, em 2 de maio haveria a realização da prova de sentença, prevista como avaliação seguinte à prova dissertativa. Ambas fazem parte da segunda fase do concurso público para juízes substitutos.

   Rui Ramos justificou a anulação das provas alegando que o problema na correção foi detectado quando a direção realizava uma sessão pública no Plenário 2 do TJ para cruzar os dados das provas. Os cadernos não eram identificados com o nome dos concorrentes. Constavam apenas etiquetas com códigos de barra. Os cartões com a identificação dos candidatos foram colocados num outro envelope, o que dificultaria privilégios.

   Alguns candidatos que tiveram as expectativas frustradas após o cancelamento questionam o extravio das 16 provas e colocam em xeque todo o processo, já que ultrapassada a fase da prova dissertativa, os candidatos terão ainda as etapas de confecção de sentenças de naturezas cível e criminal. O concurso para provimento de cargos de juízes substitutos do Estado oferece 43 vagas e é formado, ao todo, por seis fases.

   Escândalos

   O TJ passa por um período extremamente delicado e uma verdadeira “avalanche” de denúncias toma conta do Judiciário mato-grossense. Em 23 de fevereiro, 10 magistrados foram punidos pelo Conselho Nacional de Justiça por desvio de cerca de R$ 1,5 milhão dos cofres do judiciário mato-grossense. Ferreira Leite era o Grão-Mestre da entidade maçonica em 2003, período em que também era o presidente do TJ. Naquele ano, a maçonaria montou uma cooperativa de crédito em parceria com a Cooperativa de Crédito Rural do Pantanal Sicoob Pantanal. A Cooperativa quebrou em novembro de 2004, quando teria surgido o esquema. Os créditos eram concedidos aos juízes, que os repassavam à Grande Oriente.

   Na ocasião foram punidos os desembargadores José Ferreira Leite, Tadeu Cury e Mariano Travassos, além dos juízes Marcelo Souza de Barros, Irênio Lima Fernandes, Antônio Horácio da Silva Neto, ex-presidente da Associação de Magistrados do Estado (Amam-MT), Marcos Aurélio dos Reis Ferreira, filho de Ferreira Leite, Juanita Cruz Clait Duarte (filha do ex-presidente do TJ desembargador Wandir Clait Duarte - já falecido), Maria Cristina de Oliveira Simões e Graciema Caravellas.

   Já em março foi a vez do desembargador José Jurandir de Lima ser aposentado compulsoriamente pelo CNJ. Contra ele pesou a denúncia de nepotismo. O magistrado teria contratados seus dois filhos para trabalharem em seu gabinete no período em que presidiu o TJ. Eles não compareciam ao trabalho e, mesmo assim, recebiam seus salários mensalmente.

   Recentemente mais um escândalo. Dessa vez a denúncia de que havia indícios de venda de sentenças no Estado fez com que magistrados perdessem o sono. O processo corre em segredo de Justiça e apura a existência de um grupo formado por servidores, lobistas e advogados que manipulariam os computadores do Departamento Judiciário Auxiliar e de Informática para que algumas ações fossem direcionadas para determinados juízes e desembargadores. Também estaria sendo investigada a participação de magistrados no esquema.

Comentários:
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  • Zequinha De Abreu | 10/04/2010 19:52

    Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • Gilcélia Mussi | 08/04/2010 08:29

    DR. SILVÉRIO, SEI QUE O SENHOR É UM HOMEM SÉRIO E HONESTO, E ENTENDE AS ANGÚSTIAS QUE UM CONCURSEIRO PASSA, POR GENTILEZA, PEÇA A BANCA QUE LIBERE AS NOTAS DOS QUE REALIZARAM AS PROVAS QUE FORAM ANULADAS. ALGUNS TIVERAM ACESSO A TAIS NOTAS, MAS A GRANDE MAIORIA NÃO TEVE. PRA QUEM SE PREPAROU PRA ESSA PROVA DURANTE ANOS, ESPEROU UM MÊS PELO RESULTADO, NADA MAIS JUSTO QUE APESAR DE NÃO MAIS SER RELEVANTE AO CERTAME , POSSA TER CONHECIMENTO DO NOTA OBTIDA. ISONOMIA, DÊ ACESSO À TODOS. NÃO A APENAS ALGUNS. FICO TRISTE DE PERCEBER O DESCASO QUE ESTA BANCA ESTÁ TENDO CONOSCO. ANULAM A FASE DO CONCURSO , E DIZEM QUE NÃO REVELARÃO AS NOTAS OBTIDAS PORQUE ESTAS JÁ NÃO SÃO RELEVANTES. PRA QUEM FICOU 5 HORAS ALI SENTADO, LEVOU MALAS DE VADEMECUMS, VIAJOU DE OUTRO ESTADO, GASTOU COM HOTEL, TEVE ESPERANÇAS NA SERIEDADE DO CONCURSO, NADA MAIS JUSTO QUE TAL BANCA DISPONIBILIZASSE TAIS AVALIAÇÕES. SERÁ QUE TODAS ESSAS PESSOAS TERÃO QUE PERDER MAIS TEMPO AINDA COM ESSE CONCURSO REDIGINDO HABBEAS DATA E RECLAMAÇÕES AO CNJ. ONDE ESTÁ O PRINCÍPIO DA TRANSPARÊNCIA?

  • Observante | 07/04/2010 07:32

    Sugiro ao candidato frustado que envie ao Núcleo de Concursos do TJMT cópia autenticada dos comprovantes das despesas que teve ao vir fazer a prova ora anulada (bilhete de passagem, nota fiscal de hotel, etc), e peça o ressarcimento. E não desista desse concurso! Certamente vc está bem preparado e tem grandes chances de sucesso!

  • Sucuri | 06/04/2010 18:37
    Nortão

    Caro candidato frustrado. Venha novamente fazer o concurso e mudar a realidade de nossa justiça. Não desista de seus sonhos. Faz uma forcinha vai!

  • Candidato Frustrado! | 06/04/2010 15:48
    Rio de Janeiro

    Sou um dos candidatos prejudicados com a anulação da prova. Como não tenho possibilidades financeiras de retornar ao Mato Grosso, além de não ter recebido sequer um pedido de desculpas formal por parte da comissão de concurso, abandono o certame. A certeza que carrego é que não serei eu o prejudicado por não prestar uma prova que já havia feito e passado (com uma nota que, por certo, me deixaria nas primeiras colocações) e sim o TJ deste estado carente de Magistrados, em especial, aqueles com vontade de trabalhar e desprovidos de qualquer relação com o Poder.






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