O Conselho Regional de Medicina (CRM) instaurou uma sindicância para apurar a conduta dos médicos que participariam de um esquema de venda de lugar na fila do SUS, além de oferecerem procedimentos cirúgicos no sistema privado para pacientes internados no Pronto-Socorro de Cuiabá. Conforme a presidente do conselho, Dalva Alves das Neves, foi destacado um conselheiro para ouvir os envolvidos e suas testemunhas.
Ele tem um prazo de 30 a 60 dias para apresentar um relatório em que apontará ou não a existência de indícios de má conduta por parte dos médicos. “Não vou revelar o nome do conselheiro, porque corre sob segredo de Justiça”, pontuou Dalva.
A avaliação será submetida a uma câmara composta por 7 conselheiros, que decidirão se deve ou não ser aberta uma Ação Ética Profissional. Neste caso, após mais uma rodada de depoimentos, o Pleno do CRM aprecia o caso, podendo punir os profissionais com penas que variam desde uma advertência até a cassação do registro dos médicos.
A instauração da sindicância ocorre alguns dias após o Ministério Público oferecer denúncia contra 6 servidores e 3 beneficiados pelo suposto esquema. Entre os acusados estão os médicos Médico Murilo Sant’Ana Barros e Marcos Benedito Corrêa Gabriel.
Conforme o promotor Arnaldo Justino da Silva, autor da denúncia, o esquema que também envolvia gesseiros e um instrumentalista cirúrgico, fraudava o sistema de regulação, sendo que o preço variava de R$ 300 a R$ 1 mil. O membro do MP revelou ainda que conforme as investigações, que são amparadas por depoimentos e escutas telefônicas, também foram identificados casos em que médicos ofereciam a possibilidade de realizar o procedimento pela rede particular, num valor médio de R$ 3 mil.
Diante da situação, nesta terça (3), o prefeito de Cuiabá Chico Galindo (PTB) determinou que a Corregedoria do Município instaure um procedimento investigatório para apurar as responsabilidades dos servidores pronto-socorro no suposto esquema. Ele determinou ainda que todos sejam afastados preventivamente. “ O pronto-socorro tem que tomar providências. Não pode ficar só com o médico que está na ponta”, reclama Dalva.
Reunião
Um dia após a denúncia do MP, foram divulgados vídeos relativos à falta de estrutura da unidade de saúde e, por isso, o CRM está convocando uma reunião com os secretários de Cuiabá, Antonio Pires, de Várzea Grande, Willian Caetano, de Rondonópolis, Valdecir Feltrin, além do estadual Pedro Henry para debater o caos do setor nesses municípios. “Vamos oficializar o convite para todos. Tem até esgoto na UTI do pronto-socorro”, reclama.
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