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CONFRONTO | 17/03/2010 - 23:46

Perri e Lessa sustentam legalidade de pagamentos

Andréa Haddad

   O ex-presidente e o ex-corregedor-geral do Tribunal de Justiça, Paulo Lessa e Orlando Perri, respectivamente, reagiram com indignação à ação popular proposta pelo advogado Marcos Souza de Barros, irmão do juiz aposentado compulsoriamente pelo CNJ, Marcelo Souza de Barros. Os ex-gestores classificaram de “retaliação e vingança” a denúncia de pagamento irregular de gratificações a partir do Fundo de Reaparelhamento do Poder Judiciário (Funajuris).

   Lessa argumenta que a Lei Complementar nº 270/07 autoriza a liberação de verbas indenizatórias a magistrados e rebate a acusação de que servidores do TJ, como a esposa Déa Lessa, receberam recursos a partir do Funajuris. “A legislação prevê o pagamento de auxílio moradia e ajuda de custo para aquisição de obras jurídicas por meio deste fundo, mas apenas a magistrados. Servidor algum recebeu recursos provenientes do Funajuris durante a minha gestão. Tudo foi feito dentro da legalidade”.

   Na avaliação de Lessa, a ação popular é fruto do desespero do advogado. Além de ter o irmão aposentado por envolvimento num esquema de liberação de créditos irregulares, Marcos de Barros foi denunciado há cerca de um mês por suposto envolvimento na fraude do processo licitatório para aquisição de 30 carros Toyota/Corollas que custou R$ 2 milhões aos cofres do órgão. Marcelo também é réu na ação que tramita na Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação Popular de Cuiabá. “Ele (Marcos) está numa situação muito difícil. Está perdido junto com o irmão”, reage Lessa.

   Perri endossa as declarações do ex-presidente e diz que recebeu recursos pelo Funajuris como todos os demais magistrados mato-grossenses, incluindo o próprio Marcelo de Barros. “Mas a verba de gratificação foi paga com verba do próprio órgão devido à função que eu ocupava, de corregedor”. Ele analisa que Marcos também deveria propor ações contra o irmão, já que todos receberam pela mesma fonte.

   O ex-corregedor pondera que o desembargador aposentado Mariano Tavassos, ao assumir o comando do órgão em março de 2009, baixou uma resolução que proíbe liberação de recursos a magistrados pelo fundo. “O Travassos simplesmente passou por cima da lei. Mas os pagamentos foram totalmente legais. Não era ordenador de despesas do órgão, mas não acredito que um presidente liberaria recursos a todos os magistrados se fosse ilegal”.

   Tanto Lessa como Perri disseram que já aguardavam retaliações pelos 10 magistrados aposentados compulsoriamente. “Recebemos a ação com naturalidade, já estávamos preparados para este tipo de tentativa de vingança. Por isso, estamos tranquilos”, disse o ex-presidente.

Comentários:
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  • Trosoba | 20/03/2010 07:57
    Poconé/MT

    Há quizílias pessoais, sim. Mas há uma lógica em todos os pagamentos, tanto os efetuados por um como por outro. Ou ambos são legais - as interpretações extensivas de leis podem até admitir - ou, na perversão,"crime de todos, crime de nenhum"

  • Maria De Millor | 18/03/2010 21:11

    Realmente, é vergonhosa essa explicação dada pelo Des. Perri. Desde que eu me entendo por gente sei que o FUNAJURIS tem aplicação, tao somente, para estruturação das Comarcas. Nunca soube que poderia, tb,ser usada para pagamentos de gratificações a Magistrados. Agora sei o porquê das Comarcas estarem quase falidas. A verba que DEVERIA ser destinada às melhorias foram parar onde??? No bolso dos srs. Desembargadores. Parafraseando Boris Casoy: "Isto é uma VERGONHA".

  • Valdecir Cunha | 18/03/2010 12:28
    Cuiabá

    Não houve ato ilícito. A lei complementar dá respaldo aos pagamentos. Este advogado Marcos só quer fazer barulho, pelo visto, teve o irmao aposentado e ainda foi denunciado pelo MPE

  • Luis Beltráo | 18/03/2010 09:54

    É uma grande imoralidade. A Lei Complementar em que se baseia a gestão Lessa (270/07) para respaldar os pagamentos, foi apresentada e negociada na Assembléia Legislativa pela equipe do Desembargador Lessa, ou seja, ele criou a legalidade para depois realizar a imoralidade, isto coloca a ALMT no mesmo balaio e mostra a relação promiscua que existe entre os poderes. A ALMT precisa ser investigada pois à época o presidente da AL era o Deputado Sérgio Ricardo, irmão de maçõnaria do Desembargador Paulo Lessa, inclusive frequentavam a mesma Loja MaçÔnica, àquela mesma do José Ferreira Leite. Tem muita sujeira embaixo deste tapete.

  • Marcelo | 18/03/2010 09:48

    Os recursos do Funajuris são oriundos de taxas cobradas nos cartórios e custas processuais, ou seja, quem paga é o povo. Dá na mesma, o dinheiro é público apenas chamado por outro nome. Trata-se de uma imoralidade pois Mato Grosso tem as taxas e custas mais altas do Brasil, tudo para alimentar a volúpia por dinheiro que impera no TJMT. A CPI do Judiciário efetivamente não fez o seu trabalho direito.






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