Considerado um dos principais alvos da CPI das PCHs, instalada na Assembleia para investigar supostas irregularidades no setor, o empresário Eraí Maggi (PDT), primo do ex-governador e senador Blairo Maggi (PR), adianta que vai prestar esclarecimentos caso convocado pela Casa, mas nega ser proprietário ou ter participação acionária neste tipo de empreendimento no Estado.
“Vou colaborar, mas não tenho nada a dizer (sobre as denúncias) porque não faço parte deste projeto que eles falam que tenho. É comentário em vão”, sustenta. Dono do Grupo Bom Futuro, ele participa em Cuiabá de palestras do Congresso Internacional de Direito Constitucional, que aborda A Constituição e o Meio Ambiente, realizadas entre esta sexta (26) e sábado (27), no Centro de Eventos do Pantanal.
Eraí é acusado de interferir em processos na Sema. Há deputados que teriam recebido dossiês com relatos de manobra e conchaves na secretaria para beneficiar grupos de empresários.
O pedetista refuta as acusações de favorecimento. Porém, ao mesmo tempo em que nega ter participação no setor, Eraí afirma com veemência que o prazo para a liberação das licenças pela Sema é igual ao de todos os Estados. “Acho que aqui não tem favorecimento. Em todo o país, leva-se o mesmo tempo. Basta fazer um estudo bem elaborado e deixar de conversa, de blábláblá”, chega a dizer, em tom efusivo.
Após ser indagado reiteradas vezes sobre o tempo médio que a Sema leva para liberar as licenças, Eraí reconhece que o prazo oscila de um a dois anos, dependendo da qualidade dos engenheiros contratados. “Para obter uma licença é preciso verificar as quatro estações, ter bons engenheiros, e cumprir todos os termos de referência. Isto se não modificar alguma coisa, não é tão fácil”, admite.
Na tentativa de negar participação acionária em PCHs, ele garante que só faz parte de um consórcio para pavimentação de uma estrada na região de Diamantino. “Tem um sumidouro, que está sendo preservado. O rio entra, some e aparece depois de 400 metros, é um lugar muito bonito e muito visitado. Queremos manter a estrada reta. Levamos oito anos para construir. Houve necessidade de encurtar distância para transportar as crianças até a escola e no médico, entre outras coisas”, frisa Eraí.
Enquanto ele se esforça para convencer que só tem envolvimento na obra da estrada, o grupo empresarial do primo Blairo Maggi possui, por exemplo, seis das 11 PCHs construídas ao longo de 130 km do rio Juruena, que passa por Sapezal, do lado esquerdo, e Campos de Júlio, Comodoro e Juína, à direita. O empreiteiro Carlos Avalone também é dono de usinas na região. Os empreendimentos são questionados pelo fato da bacia do Juruena abrigar 11 terras indígenas de cinco etnias, com cerca de 88 aldeias. “O Blairo tem (PCH), mas eu só seria beneficiado se fosse filho, sobrinho ou neto dele para pegar alguma herança”, brinca Eraí.
Ao final, ele aproveita para fazer um panorama positivo do desempenho do coronel Alexander Maia no comando da Sema. O militar entregou o pedido de exoneração na última segunda (22). "O Maia fez um bom trabalho, mas cada um analisa de uma forma, pois é uma secretaria complicada, tudo que envolve o meio ambiente é polêmico", avalia.
Não duvidem se esta pseudo CPI das PCH's terminar numa suculenta pizza regada a muitos tapinhas nas costas e doações para campanhas politica. Onde todos os envolvidos sairam com aquele sorrisinho de quem ganhou mais uma. Ou alguém já viu alguma CPI dar em alguma coisa aqui em MT?
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