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SAÚDE PÚBLICA | 17/03/2011 - 15:05

Manifestação reúne mais de 500 contra secretário Henry na AL

Patrícia Sanches e Laura Nabuco


Mais de 200 manifestantes percorrem as ruas de Cuiabá e pedem a "cabeça" de Pedro Henry

     Mais de 200 pessoas gritam palavras de ordem e pedem a “cabeça” do secretário estadual de Saúde, Pedro Henry. Os manifestantes protestam contra a implantação de um novo modelo de gestão, em que as Organizações Sociais de Saúde (OSS) vão administrar os hospitais. “O povo na rua, Henry a culpa é sua”, gritam os manifestantes, que exigem a sua saída do cargo.

    Os únicos políticos a acompanhar o movimento são os vereadores por Cuiabá Lúdio Cabral (PT) e Roossivelt Coelho (PSDB). Durante a caminhada, o tucano afirmou que foi necessário Henry, que é acusado de cometer crimes de improbidade administrativa contra o setor, anunciar o novo modelo para que a população enxergasse a real situação da saúde. O deputado licenciado teve o nome envolvido no escândalo que ficou conhecido como a máfia das sanguessugas.

   Após a passeata, que teve início na praça Ulisses Guimarães, na avenida do CPA, em frente ao Shopping Pantanal, por volta das 13 horas, os manifestantes seguem para a Assembleia Legislativa, onde participam de uma audiência pública promovida pelos deputados e as Câmaras de Cuiabá e Várzea Grande. "Tercerização é igual a privatização", diz trecho das faixas contra as OSS.

   Entre as reinvidicações dos manifestantes estava o modelo de gestão que o secretário estadual de Saúde, Pedro Henry (PP), vem propondo implantar. O progressista defende a terceirização dos hospitais e pronto-socorros com a contratação das chamadas Organizações Sociais, entidades filantrópicas que gerenciam, operam e executam as ações e serviços médicos prestados à sociedade.

   Para a secretária de Finanças do Sindicato dos Médicos, Elza Luiz de Queiroz, o modelo abre muitas brechas para corrupção no setor. "Não é exigido licitação para contratá-las, não há um controle social e elas também não precisam prestar contas ao TCE", pontuou. O modelo é, inclusive, o principal motivo da greve dos médicos em todo o Estado, iniciada no dia 10 deste mês.

   Nesta quarta (16) o modelo foi debatido mais uma vez entre os membros do Conselho Estadual de Saúde, que tem Henry como presidente. Na ocasião o secretário pediu que os conselheiros aprovassem a implantação do projeto, mas não obteve sucesso.

Às 15h30 - Henry é vaiado; Riva pede "bom senso"

    O clima é tenso na Assembleia e os manifestantes não pouparam vaias a Henry, que chegou a poucos instantes na audiência pública. O presidente da Casa, José Riva, do mesmo partido do secretário, assumiu o comando da audiência, reconheceu a importância do debate, mas pediu para que os ânimos sejam acalmados. “Que a partir de agora todos tenham o mínimo de bom senso para que todos sejam ouvidos”, afirmou.

   O espaço do auditório cedido pela Assembleia é curto, por isso, o presidente da Casa, José Riva, se desculpou: “Tentamos ter um espaço maior, mas já havia sido marcado um evento voltado ao dia da mulher”, esclareceu.

Às 15h48 - Isso não é a Casa da baderna, diz Riva

   Apesar dos apelos do presidente da Assembleia, os manifestantes continuam vaiando Henry. “Vocês têm o direito de aplaudir, vaiar, mas vocês têm que deixar o secretário falar. Quero que vocês ouçam”, pediu Riva.

   Depois afirmou que a Assembleia é a Casa do povo e que todos podem até morar lá, mas precisam deixar o secretário falar. “Quem não quiser ouvir, não é obrigado a ouvir. Isso não é a Casa da baderna. Se vocês insistirem nós vamos suspender a audiência”, ressaltou.

Às 16h - Henry diz que o sistema é falido

   Após muitos apelos, os manifestantes pararam para ouvir Henry. O secretário passou a relatar uma série de dados sobre a real situação da Saúde no Estado. Ele afirmou que cerca de 10 mil mato-grossenses esperam a oportunidade de ser atendidos. “Não estamos só falando. Estamos discutindo o sistema que está falido e não apresenta uma resolutividade na quantidade e qualidade desejada”, argumentou.

   Depois ele afirmou que pelo atual modelo do sistema, o Estado paga entre 4 e 10 vezes a mais o preço do serviço do que quando faz parcerias com a Santa Casa e hospitais filantrópicos. “Essa relação não é justa comercialmente nem com os nossos parceiros”.

Às 16h14Deputado Riva, assim fica difícil, diz Henry

  Os manifestantes continuam vaiando Henry durante o seu discurso. A situação coloca o secretário numa verdadeira “saia-justa”. “ Deputado Riva, assim fica difícil”, afirmou Henry. Após o apelo do parlamentar, Riva e Percival Muniz tiveram de colocar “panos quentes”. Pediram mais uma vez que todos fizessem silêncio para ouvir o secretário, que voltou a explicar os motivos que o levaram a defender uma mudança no modelo de gestão da saúde. Minutos depois o clima voltou a ficar tenso e Riva ameaçou encerrar a audiência. "Tem gente que veio aqui para badernar", criticou o presidente da Assembleia.

Às 16h29 - Novo modelo é a única forma de fazer Metropolitano funcionar, diz Henry

   O secretário de Saúde Pedro Henry afirmou que passar a gestão do Hospital Metropolitano, em Várzea Grande, para uma Organização Social é a única maneira de fazer a unidade funcionar. “E não venham me falar que não é, porque tudo está parado há anos”, afirmou

   Ele garantiu ao Ministério Público, ao TCE e Assembleia que vai montar uma comissão que vai gerir os recursos e convidou o sindicato e o conselho estadual dos Médicos para fazer parte do conselho. “O que não é justo é ver as pessoas morrem na rua. O governo não quer desempregar ninguém, diminuir salário de ninguém. O que o governo quer é atender a população que sofre e pede para ser operado”, bradou.

Às 16h44 - Entregar para o setor privado é assinar carta de incompetência, diz Sindimed

   O presidente estadual do Sindicato dos Médicos Edinaldo Lemos criticou a implementação do novo modelo de gestão da saúde e afirmou que diferentemente do que Henry tem dito, ele será prejudicial à categoria. “Prejudica o trabalho. Vamos sair de um modelo de concurso para um modelo de CLT”, ressaltou o sindicalista.

   Ainda segundo ele, a culpa do caos e sucateamento do sistema não é dos servidores, mas sim do governo. “Entregar isso para o setor privado é assinar a nossa carta de incompetência e nós não vamos assinar essa carta. Se quiserem que assinem sozinhos”.

Às 17h - Deputados votaram projeto a “toque de caixa”, critica sindicalista

   Para o presidente do Sindimed, os parlamentares votaram a “toque de caixa” o projeto que permite a mudança no modelo de gestão de saúde no Estado. “Acho que os deputados não sabiam ao certo o que estavam votando”, disparou. Para ele, o caminho adotado pelos parlamentares foi errado e atropelado, por isso, precisa ser revisto. “Se o gestor não se sente competente para agir, peça a opinião dos servidores, da população, mas não saia fazendo situações extremas, antidemocráticas, que tiram o direito dos trabalhadores”.

   Ele também fez questão de ressaltar que os médicos estão em greve há 7 dias porque não houve “comunicação” com a secretaria de Saúde. “Entramos em greve por falta de esclarecimento e de informação sobre a implementação das OSS”, ressaltou. Depois, afirmou que a categoria pediu uma audiência com Henry, mas não obteve resposta.

Às 17h15 - CRM reclama da falta de transparência

   Presidente do Conselho Regional de Medicina Arlan Azevedo, assim como Edinaldo também se mostra contra a implementação do novo modelo de saúde proposto por Henry. Ele pontua que assim o governo assinará uma carta de incompetência e reclamou também da falta de transparência da chamada “terceirização” do sistema. “CRM e todos os órgãos ficaram sobressaltados com o fato de você passar, por exemplo, bens sem licitação. Bens públicos que podem ser alienados.”, criticou.

   Arlan ressaltou ainda que devem ser pensadas outras saídas, como a ampliação dos consórcios e uso de uma fundação estadual. “Esse dinheiro terceirizado sai mais caro do que utilizar nos hospitais”.

Às 17h32 - Temos que odiar o pecado e respeitar o pecador, diz promotor

   O promotor Alexandre Guedes aproveitou a audiência pública para cobrar que o modelo proposto por Henry seja discutido amplamente. “Temos que odiar o pecado e respeitar o pecador”, ponderou. Ele afirmou ainda que apesar da lei aprovada ter como base um projeto implementado em São Paulo, há algumas diferenças fundamentais com o mato-grossense.

   “Em São Paulo, por exemplo, cada OS tem um conselho de administração, mas nossa lei não traz isso. Lá os conselhos têm participação nas emendas das OSs, o que aqui também não ocorre”, frisou. Por fim, o promotor lembrou que pelo modelo de São Paulo as OSs têm o direito de reservar 25% dos leitos para a rede privada, o que é um problema.

Comentários:
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  • Carlos Henrique | 17/03/2011 21:20
    Cuiabá

    O secretario Pedro Henry esta no caminho certo, a Gestão dos Hospitais regionais no poder das OS com controle dos conselhos municipal de Saúde, MP e toda a sociedade quem vai ganhar são os usuários do SUS, sabe por quê? Vai acabar com a mamata de medico que tem dois até três vínculos mais aparece apenas em um horário. Querem exemplo? Vão ao PS de Cuiabá a qual quer hora e dia e observe a escala de ortopedista é pra ter dois profissionais no período de 12 horas, mais não acontece 1 trabalha das 07 as 13 horas e outro das 13:00 as 19:00 horas mais no final do mês recebem integral. Outro exemplo os cirurgiões são 4 de plantão mais fazer revezamento em um plantão 2 trabalha no outro plantão descansa mais no final do mês recebe integral. E o Tal dos médicos visitadores que deixam de comparecer no seu plantão e os coitados dos pacientes ficam sem medicação deixando os enfermeiros e tec. de Enfermagem em situação complicada, pois paciente tomando Antibiótico mais sem a prescrição dos médicos não pode ministrar a medicação. Mais no final do mês estes médicos Plantonistas recebem integral. Quem ler este depoimento vai dizer tudo isto é incompetência dos gestores, mais não é! Isto é a MAFIA DE BRANCO que quando os Gestores implantam procedimentos para controlar e fiscalizar a classe médicas eles se rebelam e fazer Greve dizendo que é pensando no bem do Paciente ou no SUS, mais Usuário do SUS não deixem ser enganado novamente pela MAFIA DE BRANCO. Hoje quem esta passando por esta situação é o Secretario Estadual de Saúde, Pedro Henry onde propõem a Administração dos Hospitais Regionais feito pelas OS, em 2009 que passou por esta situação foi o Secretario de saúde do Município, Luiz Soares onde começou a cortar o salários dos médicos do PSF que não comparecia no seu posto, os médicos do PS de Cuiabá que faltavam ou a noite abandonava o plantão as 23:00 horas gerando um caus. Nem o CRM e nem o Sindicado dos Médicos nunca se posicionaram perante as inúmeras denuncias feitos pelos gestores para ajudar a coibir as infrações dos maus Médicos. Só sabem fazer escândalo com a situação estrutural do Pronto Socorro.

  • Suely | 17/03/2011 19:57

    Como colocou sabiamente o Dr. Julio Muller Neto em artigo recente , o SUS é muito mais que Assistencia Médico-Hospitalar, é encadeamento de ações que deveriam minimizar as internações, fortalecendo a prevenção. Rídiculo afirmar que o caos em que se encontra o SUS em MT, deve-se ao modelo de gestão atualmente nos quatro hospitais regionais, pior ainda fazer crer a sociedade que tal medida "implantação das OSs" vai mudar a atual situação, ora esses quatro Hospitais representam aproximadamente 10% do total dos leitos destinados aos SUS e é isso que vai mudar o atual cenário? Desculpa , mas isso é chamar a nós matrogrossenses de idiotas.

  • Marcos Paulo | 17/03/2011 19:51
    cuiaba

    esses mercenarios desses medicos que ganha alta salarios. Nao consegue medicos aqui em Cuiaba menos de 35 mil por mes pra trabalhar , Outra coisa no pronto socorro só dorme, tem poucos ai que trabalha de verdade

  • Maria Maria | 17/03/2011 19:50
    CUIABA

    OS SERVIDORES DA SAUDE TEM QUE IR A LURTA MESMO E EXIGIR O QUE E MELHOR PARA POPULAÇAO E PARA SI PROPRIO DEVER EXIGIR CONCURSO, E O SECRETARIO SE SAUDE SENHOR PEDRO HENRY NAO TEM TANTA MORAL PRA ISTO ESTA COM ISSO PROVANDO SUA INCOMPETENÇIA POIS NAO E CAPAZ E ADMINISTRAR A SAUDE E QUER PASSAR PRA OUTROS,E PRA QUEM SERÁ PASSADO EM?QUEM VAI SER ESCOLHIDO?QUAL E A JOGADA DA VEZ?TEM QUE SAIR CONCURSO,E VOCES EM DEPUTADOS QUE VERGONHA MAIS ISTO JA ERA ESPERADO,VOCES SO TEM COMPROMISSO COM VOCES E MAIS NIMGUEM,FORA SECRETARIO CONCURSO JÁ.

  • A. C. Mantas | 17/03/2011 19:48

    Não é questão de talvez o modelo esteja errado. O modelo é simplesmente pra favorecer as OS tipo aquelas que caíram com a operação da PF em 2010 como a OSCIP Ideas de Tangará e era justamente desviando recursos da saúde... Será que as pessoas tem memória curta... Meu deus será que é tão difícil de ver pra onde o RIVA e Henry quer levar o dinheiro do Povo






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