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SAÚDE PÚBLICA | 28/09/2010 - 12:06

Médicos da rede estadual ameaçam paralisar trabalhos

Laura Nabuco

   Os médicos da rede estadual declaram estado de greve nesta segunda (27), após assembleia-geral e ameaçam "cruzar os braços" nos próximos dias. A decisão foi tomada após uma longa reunião com representates de hospitais regionais do interior, da secretaria estadual de Saúde e do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso. Na oportunidade, diante da insatisfação dos profissionais, foi apresentada a proposta de implementação de um plano de carreira para ele. De acordo com a diretora do sindicato, Elza Luiz de Queiroz, os médicos delimitaram um prazo de 10 dias para a aprovação do projeto pela Assembléia Legislativa. "Ultrapassado este prazo entramos em greve-geral em todo o Estado", alerta a sindicalista.

   Além do plano de carreira, os médicos exigem a regularização de seus subsídios. "Somos a única categoria da área da saúde que não tem um salário regularizado", frisou a diretora, que fez questão de salientar que este fato prejudica, principalmente, a distribuição de profissionais pelo interior do Estado. "Hoje nós temos uma concentração muito grande de pacientes em Cuiabá. Precisamos que o Estado dê incentivos para que os médicos fiquem no interior", ponderou.

  Ainda conforme ela, atualmente um médico que trabalha 40 horas semanais no regime de plantão recebe cerca de R$ 3,6 mil por mês.  Hoje 800 médicos trabalham na rede estadual, sendo que menos de 500 são concursados. Segundo a sindicalista, os outros profissionais são contratados, o que para ela, é uma manobra ilegal.

  Entre as reivindicações da classe, também estão melhores condições de trabalho. Em Tangará da Serra, por exemplo, o hospital regional já conta com um centro cirúrgico e equipamentos novos, mas que ainda não estão sendo utilizados porque não foram instalados. "Em Água Boa é ainda pior porque temos praticamente um hospital inteiro encaixotado", reclama Elza.

   Recentemente, os médicos residentes do Hospital Júlio Miller chegaram a promover uma paralisação e cobraram um reajuste de 28% na bolsa-auxílio que recebem mensalmente. Os mais de 120 médicos mantiveram um efetivo de apenas 30% do quadro para garantir atendimento aos casos de urgência e emergência - veja aqui. A greve dos residentes teve fim no dia último 17 de setembro.





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