A professora doutora da UFMT em Astronomia, Telma Cenira Couto da Silva, denuncia um esquema de cartas marcadas na Agecopa para a aquisição de um Planetário, equipamento que simula o céu, de acordo com a data e local da observação. O investimento pode chegar a R$ 1,5 milhão apenas com o equipamento. Na semana passada, diretores da Agência visitaram Feira de Santana (BA) para conhecer o Planetário do Museu Parque do Saber Dival da Silva Pitombo. Apesar da Agecopa não ter feito licitação para a compra do equipamento, a comitiva era formada pelos diretores da empresa Carl Zeiss, Luiz Henrique Sampaio e Ana Carolina Sampaio, consultor de projetos, Luiz Sampaio, e pelo arquiteto Carlos Poppi.
A professora da UFMT alerta que esse tipo de empreendimento não pode ser projetado sem que a máquina tenha sido adquirida, no caso da Agecopa mediante processo de licitação. “É necessário comprar o equipamento antes de fazer o projeto arquitetônico para não haver problema de desvio de foco”, diz Telma Couto. Ela lembra que esse é um princípio básico para quem elabora esse tipo de empreendimento.
A UFMT possui uma parceria com a Agecopa. Única astrônoma profissional do Estado, Telma Couto procurou o diretor de Assuntos Institucionais, Agripino Bonilha Filho, para informar que possuía um projeto de planetário, previsto para ser construído ao lado do Zoológico da UFMT e com capacidade para cerca de 60 pessoas. Na ocasião, segundo ela, Bonilha teria ponderado que a Agecopa queria construir algo maior, para 120 pessoas. A professora explicou que poderia fazer a adaptação sem custo algum para a Agência, desde que a máquina fosse licitada antes. Contudo, ela não obteve retorno do diretor. “Meu interesse é unicamente científico. Não cobrei um centavo, mas também não fui procurada. Percebi que a coisa toda estava amarrada. Ninguém pode fazer um projeto arquitetônico sem as especificações do equipamento”, frisa. Uma máquina voltada para um público de 120 pessoas chega a R$ 1,5 milhão. Esse valor seria desembolsado pela Agecopa apenas para comprar o equipamento. "No total, um investimento desse tipo pode alcançar R$ 3 milhões", diz a professora.
Bonilha, o diretor-presidente da Agecopa, Adilton Sachetti, e o diretor de Infraestrutura, Carlos Britto, não foram encontrados pelo RDNews para falar sobre o assunto. Segundo informações da Prefeitura de Feira de Santana, a Comitiva que visitou a cidade era formada pelo diretor de Estratégia, Yuri Bastos Jorge, e Bonilha, além do arquiteto Carlos Poppi. Representaram a empresa Carl Zeiss, o consultor de projetos, Luiz Sampaio, e os diretores Luiz Henrique Sampaio e Ana Carolina Sampaio - confira aqui.
Veja o e-mail enviado por Telma aos veículos de comunicação
"Estou sendo procurada por inúmeros conhecidos querendo saber se eu “já voltei da Bahia”! Como única astrônoma profissional no Estado de Mato Grosso, professora associada do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e doutora em Astronomia pela Universidade de São Paulo (USP), quero vir a público declarar que: NÃO fui convidada a participar desse projeto de planetário da AGECOPA, NÃO fui consultada a respeito do mesmo, NÃO tenho NADA a ver com este, e NÃO estou e nem estive na Bahia recentemente. Eu e uma equipe temos um projeto de um planetário cadastrado na UFMT, o “Planetário Sirius”, pequeno, e que certamente seria/será feito via licitação e com toda a lisura. O projeto desse planetário visou/visa principalmente a educação do povo da nossa terra, além do turismo local, naturalmente. Pelo visto, o Planetário Sirius foi completamente descartado pelos representantes do nosso governo".
Profa. Dra. Telma C. Couto da Silva
Quem quiser saber o final desta história, só consultar o site do TJ - CÓDIGO 443046 PROCESSO Nº329/2010 - a doutora está sendo interpelada, ou seja, falou demais...
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A Professora tem toda razão como cidadã e pessoa da área de questionar os trabalhos da AGECOPA. Entretanto, o que ela quer é ter o planetario na UFMT o que considero um erro. O Planetario deve ser um centro de lazer como o projeto de Campo Grande unindo outras atrações num novo espaço com arquitetura e atrações o que não dá na UFMT.
Vamos ficar de olho nesses ali baba da agecopa. esse grupo nao me engana ha ha ha
Cara prof. Doutora Cenira, como me sinto orgulhoso em ser aluno da UFMT e saber que ainda existem profissionais que primam, não somente pela lisura no uso do dinheiro público, como pelo melhor aproveitamento dos recursos oriundos do povo. De outro lado, lamentável é saber que precisamos mais do que leis, que podem facilmente serem burladas, para combater a ganância de alguns: é preciso caráter, valor interior, é preciso partilhar o sentimento do povo de onde emana o suado recurso. Parabens, professora! Receba nosso carinho e apoio. Paulo Ávila
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