Sem acordo com o Paiaguás, os servidores do Detran voltaram a “cruzar os braços”. A decisão foi tomada após a categoria rejeitar o reajuste anual de 8%, mais a correção de inflação até 2014. Os servidores reivindicam aumento de 90%. Com a retomada da paralisação, o sistema do órgão deve “travar”, prejudicando a emissão e renovação de CNHs, licenciamentos, emplacamento de veículos, dentre outros serviços. Apenas 30% dos mais de 600 servidores continuam trabalhando.
Para se ter uma ideia, desde janeiro o Detran realizou mais de 147 mil tipos de procedimentos. Apenas em julho já são 17.203 mil, o equivalente a 5.886 mil a menos que os 23.089 mil de janeiro. Até agora, já foram emitidas, por exemplo, 7.109 CNHs, no quesito 1ª habilitação. Enquanto a média nos meses sem greve é de mil documentos, em junho, quando os servidores cruzaram os braços pela primeira vez, foram emitidas 845 e, em julho, somente 551.
A última revisão salarial dos servidores foi em 2008, com previsão de reajuste de 10% ao ano. Eles alegam que a inflação acumulada no período defasou os rendimentos. Diante disso, querem recomposição de 57% para o nível técnico, 131% para agentes de trânsito e 96% para auxiliares de nível básico.
A primeira paralisação da categoria teve início em 28 de junho e foi suspensa em 11 de julho. Em meio à pressão, o Detran reforça que está pronto para negociar, mas que, para isso, os servidores devem voltar ao trabalho. O governador Silval Barbosa (PMDB) tem afirmado que não debate reajustes com grevistas. O problema é que a situação está cada vez mais insustentável. Além dos servidores do Detran, os funcionários da Sema e da Polícia Civil resolveram cruzar os braços. As duas últimas categorias tiveram a ilegalidade das greves determinada pela Justiça, mas mantêm a paralisação.
Sou servidor do DETRAN-MT. Sinto-me humilhado com o descaso do Governo com a nossa categoria e com os demais cidadãos. Não conseguimos entender o motivo de estarmos recebendo um tratamento diferenciado das demais autarquias e de outras categorias que tiveram um reajuste médio de R$900,00 no piso salarial. Pergunto: por que o Governo do Estado odeia o DETRAN-MT?
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