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CÂMARA DE CUIABÁ | 30/08/2010 - 13:45

Adevair acredita que cassação de Ivan inviabiliza disputa à Mesa

Patrícia Sanches

   A cassação do mandato do vereador Ivan Evangelista (PPS) é tida por Adevair Cabral (PDT) como um dos principais motivos para sua “derrota” na disputa pela Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá, antes mesmo da eleição, que deveria ter ocorrido na última quarta (25). A escolha chegou a ser adiada para a próxima quarta, 1º de setembro, mas deve ocorrer nesta terça (31) durante a sessão ordinária do Legislativo. Ivan foi o principal “mentor” do plano de Adevair, que queria ser o sucessor de Deucimar Silva (PP). Coube ao socialista conversar, articular e “amarrar” os apoios necessários para que o pedetista se consagrasse como o novo comandante da Casa. O “castelo” de Adevair começou a ruir depois que Ivan foi cassado por suposta compra de votos em 2008, quando foi reeleito.

   No lugar dele assumiu Júlio Pinheiro (PTB), que iniciou uma frenética articulação para cooptar apoio dos indecisos e trazer integrantes da ala pró-Adevair para seu lado. Foram intensas reuniões, que entraram madrugada adentro e, na quarta, horas antes da sessão, Pinheiro conseguiu o apoio do vereador Leve Levi (PP), que por estar licenciado orientou o seu suplente Juca do Guaraná (PP) para que também aderisse ao nome do petebista.

   Magoado com a “traição” de alguns companheiros e sem perspectiva de conseguir os votos necessários para se sagrar presidente da Mesa Diretora, Adevair não só “jogou a toalha”, como abdicou de qualquer outro cargo na chapa, que deve ser encabeçada por Everton Pop (PP). “Fiquei magoado principalmente Leve Levi (PP), que até um dia antes estava com a gente e depois mudou de lado. Eu estava eleito e essas coisas me deixam magoado”, desabafou Adevair, em entrevista ao RDNews. Na tumultuada sessão de última quarta, que acabou sendo suspensa devido a uma avalanche de acusações e trocas de dossiês, Adevair chegou a afirmar que Levi é um traidor.

   Logo em seguida, acusou o suplente do progressista, Juca do Guaraná (PP), de ter recebido três cheques, que totalizariam R$ 120 mil, para mudar de lado e acompanhar Júlio Pinheiro (PTB). Dois dos cheques, segundo ele, teriam sido assinados pelo vereador Clovito Hugueney (PTB), que juntamente com Juca registrou queixa crime por danos morais contra Adevair. “Não falo mais nada sobre este assunto. Apenas o presidente Deucimar vai falar sobre isso”, desconversou o pedetista ao ser perguntado se vai levar a frente as acusações imputadas a Clovito e Juca.

  Nesta segunda, às 20h, Deucimar, Adevair, Pop, Francisco Vuolo, Chico 2000, Lúdio Cabral, Totó César e Toninho de Souza, vão se reunir na casa de Pop para tentar fechar uma nova chapa e agregar novos aliados. Apesar do apoio de Toninho ser dado como certo por Adevair, ele estaria em cima do muro e pode compor com Pinheiro, inviabilizando de vez a chapa de Pop. “Acredito que com essa composição vamos trazer para nosso grupo Domingos Sávio e Arnaldo Penha. Neste caso Pop seria eleito”, analisa Adevair. A mudança de lado dos peemedebistas seria orientada pelo diretório municipal e estadual do PMDB. De todo modo, ainda é muito difícil prever o que deve acontecer, mas, por enquanto, Pinheiro é o que tem mais chances de se consagrar o novo presidente da Mesa Diretora.