Os 10 magistrados punidos com a aposentadoria compulsória após o suposto envolvimento no esquema de desvio de dinheiro do Tribunal de Justiça irão prestar depoimento, na próxima semana, no Supremo Tribunal de Justiça (STJ). Os desembargadores José Ferreira Leite, Mariano Travassos e José Tadeu Cury, que faziam parte da cúpula administrativa do TJ na época dos fatos, serão os primeiros a serem ouvidos. Os três irão depor na próxima segunda (8). Em seguida, será a vez dos juízes Marcelo de Souza Barros e Maria Cristina Simões. Já os depoimentos das magistradas Graciema Carvellas e Juanita Clait Duarte serão dia 22. Os demais acusados, juízes Irênio Lima Fernandes, Antonio Horácio da Silva Neto e Marco Aurélio Ferreira, ainda não sabem quando vão depor.
Na segunda, Ferreira Leite será o primeiro a ser ouvido. Na época dos fatos, ele ocupava a presidência do Tribunal (2003-2005) e teria ordenado o desvio de recursos para a maçonaria, tendo Tadeu Cury como vice-presidente e Travassos, atual presidente afastado do TJ desde o dia 25, no cargo de corregedor-geral de Justiça. Embora a fase dos depoimentos mal tenha começado, o inquérito possui seis volumes e 59 apensos. Entre os documentos constam os enviados pela Polícia Federal e por MPF e MPE.
As investigações tiveram início em 28 de janeiro de 2008, de maneira sigilosa, pelo STJ. O inquérito foi instaurado a partir da acusação encaminhada pelo então corregedor-geral de Justiça, desembargador Orlando Perri. De lá para cá, o STJ já quebrou o sigilo bancário de todos os envolvidos e a PF cumpriu mandados de busca e apreensão no setor de pagamentos de magistrados no Tribunal. Em vista do escândalo, o CNJ deve inspecionar o TJ ainda este semestre a fim de verificar, entre outras coisas, a regularidade no setor financeiro e se o Tribunal cumpriu as determinações legais para pagar verbas aos magistrados.
Nova Eleição
O novo presidente do Tribunal deveria ser escolhido em sessão marcada para esta quarta (3). Cogitados para assumir o cargo, os desembargadores Paulo Cunha e Jurandir Lima são rejeitados pelos demais magistrados. Cunha, que é o atual vice-presidente, pode vir a perder votos por simbolizar a continuidade da gestão Travassos. Já Lima responde a procedimento disciplinar no CNJ por nepotismo e tem julgamento marcado para a próxima terça (9). Diante disso, o nome mais cotado passou a ser o do desembargador José Silvério.