
A falta de comprometimento do deputado federal Valtenir Pereira com a pré-candidatura ao governo do empresário Mauro Mendes (PSB) e a divisão interna no PPS tem gerado apreensão nos pré-candidatos proporcionais do Movimento Mato Grosso Muito Mais. Eles se dizem preocupados com o comportamento considerado dúbio de Valtenir, presidente estadual do PSB. No último final de semana, por exemplo, o líder socialista não compareceu às visitas da caravana a Porto Espiridião e Araputanga, fato que gerou mais especulações.
Valtenir pondera que as ausências são eventuais e diz que divide seu tempo entre o Movimento e as atividades parlamentares. “Não posso deixar minha atuação parlamentar à deriva”, reage. Em nota em seu site, o deputado argumenta que participou de mais de 20 eventos, desde o início do ano, com o pré-candidato do partido. “Estive fortalecendo o Movimento e apresentando Mendes ao interior”, frisa. Outro que não tem participado de todas as caravanas é o presidente estadual do PDT, deputado estadual Otaviano Pivetta. Ele alega compromissos particulares e é representando por outras lideranças pedetistas.
Entre os membros do movimento que congrega PSB, PDT e PPS é consenso a falta de entendimento entre Valtenir e Mendes. Há quem diga que a relação literalmente “azedou”. Enquanto o empresário demonstra entrosamento com os pedetistas, em especial com o pré-candidato ao Senado pelo PDT, Pedro Taques, Valtenir teria o costume de se reunir sozinho com os colegas do PSB. As lideranças reclamam que o deputado prioriza o projeto à reeleição em detrimento do apoio à pré-candidatura de Mendes. Especula-se que o parlamentar está mais próximo do projeto do governador Silval Barbosa (PMDB) à reeleição do que do próprio grupo.
Briga
O apoio do PPS é outra problemática que precisa ser resolvida. Apesar de integrar o Movimento Mato Grosso Muito Mais, em âmbito nacional a legenda estará no palanque do ex-governador de São Paulo e pré-candidato à presidência, José Serra (PSDB). Enquanto a situação não é definida, o presidente do PPS regional, deputado Percival Muniz, permanece ao lado de Mendes, a contragosto do vice-presidente da legenda, vereador Ivan Evangelista, que defende o apoio ao pré-candidato do tucanato ao governo, Wilson Santos, ex-prefeito de Cuiabá.
A definição deve acontecer nesta quinta, no encontro do PPS na Assembleia, mas também pode perdurar. Se as lideranças optarem por Wilson, o acordo entre PSB e PDT ficaria insustentável. Por outro lado, caso o PPS não chege a um consenso nesta quinta, vai ganhar força as especulações de que o PDT pode deixar o grupo e lançar projeto independente. Nesse caso, os pedetistas priorizariam apenas o projeto de Pedro Taques ao Senado.