O desembargador José Silvério Gomes deve ser eleito nesta quarta (3) o novo presidente do Tribunal de Justiça. Ele exercerá mandato tampão até o final deste ano. O nome de Silvério surge como “indicação” do chamado blocão, composto por desembargadores ligados ao ex-presidente Paulo Lessa e ao ex-corregedor Orlando Perri, autor das denúncias que culminaram na aposentadoria compulsória de dez magistrados no final do mês passado, entre eles o então presidente do TJ, desembargador Mariano Travassos. Eles foram acusados de desviar cerca de R$ 1,5 milhão para socorrer a Loja Maçônica Grande Oriente.
O vice-presidente Paulo Cunha era até então o mais cotado para assumir a vaga de Travassos. Numa articulação do bloco que ganhou força com o afastamento dos magistrados condenados pelo Conselho Nacional de Justiça, porém, o nome de Silvério foi lembrado por ser conhecido como “apaziguador”. E é este exatamente o perfil que os desembargadores esperam do próximo presidente num momento de crise como este, em que o escândalo envolvendo os dez magistrados ganhou repercussão nacional. A punição do CNJ aconteceu no último dia 23, ou seja, apenas 5 dias antes de Travassos completar um ano à frente da presidência do TJ. Por isso será necessária a realização de nova eleição.
Foram condenados o ex-presidente do Tribunal de Justiça, José Ferreira Leite, os desembargadores José Tadeu Cury e o atual presidente do TJ, desembargador Mariano Travassos, além dos juízes Marcelo Souza de Barros, Irênio Lima Fernandes, Antônio Horácio da Silva Neto, ex-presidente da Associação de Magistrados do Estado (Amam-MT), Marcos Aurélio dos Reis Ferreira, filho de Ferreira Leite, Juanita Cruz Clait Duarte (filha do ex-presidente do TJ desembargador Wandir Clait Duarte - já falecido), Maria Cristina de Oliveira Simões e Graciema Caravellas.
O esquema começou em 2003, quando os envolvidos criaram uma cooperativa de crédito vinculada à maçonaria, da qual o ex-presidente do TJ Ferreira Leite era grão-mestre. Eles foram denunciados em 2008 pelo ex-corregedor do TJ, desembargador Orlando Perri, por desvios de verbas e materiais na construção do Fórum de Cuiabá e favorecimento em licitação e tráfico de influência envolvendo desembargadores. As denúncias envolvendo supostos pagamentos ilegais a magistrados e desembargadores expuseram um racha sem precedentes na cúpula do Judiciário de Mato Grosso e ganharam destaque nacional. O Pleno do TJ é composto por 30 desembargadores. Cada um deles recebe salário de R$ 22 mil e mais uma série de regalias e privilégios. Já o presidente ganha R$ 24 mil.