O BNDES pode vir a cobrar em uma só fatura o montante do empréstimo feito ao governo de Mato Grosso, se ficar comprovado que ocorreram irregularidades na aquisição dos 408 caminhões e quase 300 máquinas, posteriormente distribuídas para os 141 municípios. Além disso, o Estado pode ser inserido no Cadastro de Inadimplentes (Cadin), ficando com a "ficha suja", comprometendo futuras operações. O caso se tornou um escândalo depois que a auditoria solicitada pelo governo comprovou que houve sobrepreço na compra do maquinário. Segundo os cálculos da auditoria, houve uma diferença paga indevidamente, totalizando mais de R$ 26 milhões. O caso ganhou destaque no Jornal Nacional.
O empresário Pérsio Briante, dono da Extra Caminhões Ltda e do Jornal Circuito MT, resolveu "abrir o jogo" e contar como foram feitas as negociações com o governo do Estado, inclusive as escolhas das concessionárias. Em entrevista ao MTTV nesta quinta (29), Pérsio afirma que, após ter recebido quase a totalidade do pagamento pelas 95 máquinas pesadas vendidas para o Estado, foi procurado pelos secretários Éder de Moraes (ex-Fazenda e hoje Casa Civil) e Vilceu Marchetti (Infraestrutura) para que devolvesse parte do pagamento. Eles alegaram que o governo havia feito uma "má compra" e, por isso, solicitava a devolução do valor referente ao juros, algo em torno de R$ 800 mil.
Após receber uma denúncia, o então governador Blairo Maggi solicitou uma investigação pela Auditoria-Geral e pela Procuradoria-Geral do Estado. Foi descoberto que a administração fez pagamento à vista e, mesmo assim, as empresas faturaram notas com juros de quase 2% ao mês. No documento da licitação, os valores cobrados pelos quatro fornecedores foi de R$ 246,3 mil por cada caminhão adquirido, independente da marca. No entanto, o valor desses mesmos modelos de veículos em uma concessionária cai cerca de R$ 55 mil. O próprio Pérsio garante que uma máquina da mesma marca é adquirida por um consumidor comum por R$ 176 mil. Pérsio afirma que não irá devolver dinheiro algum se não houver uma determinação da Justiça.
A secretaria estadual de Infraestrutura foi a responsável pela condução de todo o processo licitatório. Já a Administração, sob Geraldo de Vitto, coordenou o pregão. A Fazenda, que era comandada por Eder, fez o pagamento. Mas Pérsio garante que o governo não quis vender para uma empresa apenas. "Ele (governo) ofereceu para os participantes: quem quiser, acompanha". O empresário ressalta que, mesmo após a descoberta do superfaturamento pelo governo Maggi, os pagamentos continuaram a ser feitos regularmente. Visivelmente irritado, Pérsio questiona "por que ele (Maggi) não cortou o pagamento e cancelou a licitação?".
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