O deputado Guilherme Maluf, do PSDB, defendeu nesta sexta (30), dois dias após estourar o escândalo nacional do superfaturamento de máquinas pesadas que tem provocado reviravolta no Palácio Paiaguás, a convocação de delegados fazendários, que iniciaram as investigações, dos três secretários e seus adjuntos envolvidos em todo o processo licitatório e ainda de empresários credores, entre eles Pérsio Briante, que já se posicionou publicamente sobre cobrança que partiram de membros do governo sobre devolução de dinheiro supostamente pago a mais. Suspeita-se que nos esquemas tenham havido negociações de propina. Os equipamentos foram adquiridos no final do ano passado na gestão Blairo Maggi e repassados às prefeituras no mês passado, a uma semana de Maggi renunciar ao mandato.
Segundo Maluf, é preciso ter responsabilidade e discernimento e não transformar o fato em algo eleitoreiro. Ele entende que, primeiro, é preciso ouvir as pessoas que direto ou indiretamente participaram nas negociações para compra de 705 máquinas ao custo de R$ 241 milhõees para, somente depois, decidir se cabe à Assembleia instaurar CPI. "Vamos ouvir primeiro as pessoas. Não quero uma CPI eleitoreira. É preciso termos postura um tanto moderada", observa o parlamentar tucano, que tem o ex-prefeito da Capital Wilson Santos como pré-candidato a governador.
Maluf considera as denúncias gravíssimas e entende que a Assembleia não pode ser conivente e, por isso, precisa contribuir na apuração dos fatos. O deputado enfatiza que, pelo que se levantou até agora, está comprovado que há indícios de fraudes no processo licitatório, tanto que o próprio governador Silval Barbosa já admitiu que houve sobrepreço de R$ 26,1 milhões. "Está comprovado que todo o processo se mostra viciado". Maluf observa que, se o Paiaguás não se posicionar claramente para a população acerca desse escândalo, poderá amargar não só consequências jurídicas, como também prejuízos eleitorais, já que Silval está em pré-campanha à reeleição, e, Maggi, ao Senado.
Segundo Maluf, membros do Ministério Público Federal, como o procurador da República Mário Lúcio Avelar, deveriam acompanhar as oitivas, já que os recursos com os quais as máquinas foram adquiridas são oriundos do BNDES, instituição vinculada à União. "Quero que um representante do MPF nos acompanhe nessas oitivas", pondera. Maluf vai propor à Mesa Diretora que convoque, já para a próxima semana, os secretários Vilceu Marchetti (Infraestrutura), que já pediu exoneração, Éder de Moraes (ex-Fazenda e hoje na Casa Civil) e Geraldo de Vitto (Administração), assim como membros do segundo escalão. Foram estas três pastas que conduziram as licitações. Coube à Infraestrutura montar o processo, à Administração realizar o pregão e, à Fazenda, então sob Eder, efetuar o pagamento.