Teatralização de supostos milagres, cobrança de altos dízimos, patrocínio a políticos e muito investimento em mídia para difundir as pregações são os principais segredos da Igreja Mundial. Em pouco mais de 12 anos ela se tornou um fenômeno, uma máquina de atrair fiéis, que também tem “ramificações” em Mato Grosso e que cresceu em Cuiabá, principalmente após o bispo Sidney Furlan arrendar o canal 08, que antes retransmitia a Band, para a veiculação dos cultos e pregações praticamente 24 horas por dia. A massificação da mensagem atrai fieis.
“Até há dois anos, a Mundial disputava fiéis pela TV em pé de igualdade com os concorrentes, alugando pequenas faixas da programação. Em agosto de 2008, deu um salto. A igreja fechou um acordo com a família Saad, do Grupo Bandeirantes de Comunicação, e passou a ocupar 22 horas diárias da grade da Rede 21, canal UHF com alcance nacional”, revela a revista Época desta semana. Uma reportagem especial acerca do assunto discorre sobre contratos também com a Rede TV.
Especula-se que até 2012 a Mundial terá ultrapassado a Igreja Universal, fundada em 1977, sob a liderança do bispo Edir Macedo. Hoje a Igreja Mundial, sob Valdemiro Santiago de Oliveira, reúne 2.350 templos, cerca de 4,5 mil pastores e tem sedes em mais 12 países. Só em aluguéis de imóveis para cultos a Mundial gasta R$ 12 milhões por mês, duz Época. Já a igreja de Edir Macedo tem 5.200 templos e 10 mil pastores.
Na reportagem assinada pelos jornalistas Ricardo Mendonça, Mariana Sanches e Juliana Arini, Época detalha o funcionamento da Igreja Mundial, comandada por Valdemiro, que curiosamente já foi missonário da Universal. Aliás grande parte dos pastores já atuaram na igreja de Macedo. Os jornalistas levantaram o funcionamento da Igreja Mundial em Mato Grosso. O ex-pastor Rafael Ferreira dá detalhes das táticas de arrecadação: “Em Mato Grosso havia uma meta de R$ 1 milhão por mês, além dos R$ 500 mil para pagar a TV. Eu era responsável pelos depósitos. Todo dia ia ao Bradesco do centro de Cuiabá e depositava de R$ 80 mil a R$ 100 mil na conta da igreja”, diz Rafael à revista.
Ainda segundo ele, os bispos participavam de “cursos de pregação”: “O bispo Sidney Furlan mandava a gente subir no altar e orientava sobre o que falar para comover o povo. Dizia que era preciso fazer um teatrinho, um sensacionalismo para o povo acreditar que a igreja era responsável pelas curas e milagres”, revelou o ex-bispo, expulso da igreja em dezembro. Ele alega descriminação por ser ex-homossexual e pede R$ 1 milhão na Justiça por discriminação e calúnia.
Sempre cercado de seguranças, Sidney Furlan costuma reagir às acusações atacando e, junto aos fiéis, se posa de vítima. Nos cultos se diz vítima de perseguição, prega milagres com o poder da fé, pede ajuda financeira e, nas entrelinhas, faz pré-campanha eleitoral. Em Mato Grosso a Igreja Mundial trabalha dois nomes para deputado estadual, a do ex-parlamentar Nataniel de Jesus, que também já foi da Igreja Universal do Reino de Deus, e o missionário conhecido pelo prenome de Brito.
Na pregação diária os bispos e pastores gritam, choram e pedem contribuições. Segundo a Época, os pregadores não hesitam em estabelecer valores altos para as contribuições. Valdemiro, por exemplo, já pediu até 30% da renda do fiel. “Você vai dizer para Deus o seguinte: Senhor, 70% de tudo o que o Senhor me der neste mês é meu. E 30% são da sua obra”, afirmou o fundador da Igreja Mundial, que inclusive, qualifica as ofertas em categorias: ouro (R$ 300), prata (R$ 100) e bronze (R$ 50). A principal é a ênfase da Igreja Mundial é o poder da cura.