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GREVE | 13/07/2010 - 19:17

Enfermeiros prometem parar hospitais particulares da Capital

Sissy Cambuim

   Resolvidos os impasses com médicos e dentistas, a saúde do Estado pode enfrentar uma nova crise. Dessa vez não é o setor público que se vê no centro das discussões e sim os hospitais particulares, que poderão sofrer com uma greve dos profissionais da área de enfermagem. O Sindicato dos Profissionais de Enfermagem de Mato Grosso (Sinpen/MT) convocou para a próxima sexta (16) uma paralização a partir das 7h.

   De acordo com o presidente do Sinpen, Dejamir Souza, serão cerca de 1,5 mil profissionais, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem que atuam nos hospitais particulares da Baixada Cuiabana e que iniciarão um movimento gradual de paralização de suas atividades. Isso porque a classe não chegou a um acordo com a rede privada para o aumento de salário pleiteado.

   Os profissionais reivindicam um piso de R$ 750 para técnicos e de R$ 1,6 mil para enfermeiros. Dejamir explica que as negociações com o Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de Mato Grosso (Sindessmat) ocorre há cerca de quatro meses, mas que o valor oferecido não atende as expectativas dos profissionais. “Nos ofereceram um aumento de R$ 80. Isso é uma vergonha”, ressalta.

   Segundo ele, a proposta do sindicato patronal é que o salário atual dos auxiliares de enfermagem, que é de R$ 510, chegue a R$ 535; dos técnicos passe de R$ 610 para R$ 640 e dos enfermeiros, de R$ 1.220 para R$ 1.299. “Isso deixaria nossos salários abaixo do piso dos garis, cobradores de ônibus e bem abaixo do salário dos motoristas”, comparou.

   Eles pretendem pressionar os hospitais para chegar ao que, conforme Dejamir, já tinha sido pré-acordado durante as negociações. “Eles nos dizem que não têm dinheiro, mas estamos vendo todas as reformas estruturais que estão fazendo. Dinheiro tem. Vivemos num momento de pujança da economia”, pontua. A paralização deve ter início às 7h nos hospitais de maior porte de Cuiabá e de estender por cerca de seis horas até as unidades menores. “Esse tempo é suficiente para causar um caos na saúde”, destaca.

   O sindicalista ainda garante que se o Sindessmat não ceder às reivindicações, a greve se espalhará por todo o Estado, com exceção da região Sul, onde os profissionais já conseguiram o aumento exigido.