RDnews - Poderes e Bastidores


ANÁLISE | 07/03/2010 - 08:11

Houve descontinuidade no 2º mandato de Maggi, diz Sucena

Andréa Haddad

Joaquim Sucena   Foto: Laércio Ojeda   Ex-secretário de Saúde do Estado e de Cuiabá e ex-secretário-chefe da Casa Civil no primeiro mandato do governador Blairo Maggi (PR), Joaquim Sucena (DEM) volta ao cenário político na Assembleia ao assumir por quatro meses a vaga do titular Wallace Guimarães (PMDB). Em entrevista exclusiva ao RDNews, o democrata faz uma avaliação dos sete anos e dois meses da gestão do republicano e discorre sobre o cenário eleitoral.

   Primeiro articulador político do governo Maggi, ao assumir a Casa Civil em janeiro de 2003, Sucena avalia que a gestão de Maggi até 2006 foi superior a do segundo mandato em termos de implementações de políticas públicas voltadas para a habitação e pavimentação asfáltica. “Após a reeleição, ele foi menos incisivo nestas ações, enquanto no primeiro mandato o governo fez melhor uso do Fethab”. O democrata pondera que a descontinuidade tem sido uma característica comum a todos os governantes reeleitos e não é uma primazia da gestão republicana. “Se analisarmos as administrações de todos os reeleitos, os segundos mandatos sempre foram piores. Talvez existam outros objetivos”.

   Ao analisar a nomeação de um militar, Eumar Novacki, para ocupar o cargo de secretário-chefe da Casa Civil, pasta historicamente voltada à articulação política, Sucena sugere que Maggi esteja chamando para si a incumbência de dialogar com os partidos da base aliada, enquanto Novacki tem somente a responsabilidade de responder pela parte administrativa e pela parte burocrática da secretaria.

   O democrata demonstra interesse em concorrer ao pleito deste ano, em especial à Câmara dos Deputados ou à senatória. “Tenho bom trâmite em todas as bancadas, mas ninguém é candidato de si mesmo. Qualquer político quer se candidatar, desde que tenha estrutura, apoio partidário e suporte financeiro”, avalia. Ele aguarda uma definição do DEM para definir uma virtual candidatura. “O quadro está muito indefinido, precisamos saber se os democratas vão ter candidato próprio, com o senador Jayme Campos, ou não. Temos que ver a questão dos apoios”.

   Embora não declare, Sucena deixa transparecer resistência à candidatura majoritária do prefeito cuiabano Wilson Santos, que disputa com Jayme a indicação do grupo para ser cabeça-de-chapa. Indagado se subiria no palanque do tucano, Sucena titubeia e, a fim de evitar a saia-justa, apela para a orientação partidária. “Se for o caso do partido decidir isto, se não subir no palanque dele, eu vou apoiar”, desconversa.

   Sucena assumiu a cadeira de Wallace na última quarta (3). A atuação parlamentar deve dar visibilidade suficiente para emplacar candidatura ao Senado ou a deputado federal. Médico, ele já promete atuar ativamente dos trabalhos da CPI da Saúde, instalada pela Casa. “Estou assumindo agora. Primeiro vou tomar dos trabalhos para depois analisar a proposição de projetos e a atuação na CPI, tenho que ver como estão os trâmites”.