O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Carlos Alexandre Rodrigues Coronel, se vê envolvido num processo judicial em que é acusado de invadir parte de um terreno da Igreja Mitra Arquidiocesana de Cuiabá, localizado no bairro Jardim Independente. Segundo a acusação, o militar invadiu 40 metros quadrados de um terreno da igreja. O processo corre na Justiça, mas a briga é, no mínimo, curiosa.
Em sua defesa, o coronel afirma que, numa atitude solidária, teria feito acordo com uma idosa que ocupava o espaço. Segundo ele, a mulher reside no local há cerca de 30 anos. Ao ser questionado pela reportagem sobre a denúncia, o comandante apresentou fotos que ilustram as condições precárias em que a idosa vivia aos fundos da residência. “É no meio destes escombros e entulhos que ela e o marido moravam. O que eu fiz foi um acordo para melhorar a vida dela”, sustentou.
Ele admite que realmente aumentou seu terreno, que antes era dividido por um muro com rachaduras provocadas pelas grandes raízes de uma árvore, responsáveis por infiltrações em sua piscina. Ele alega que fez uma caridade. “Paguei e consegui doações para construir a casa para o casal. Eles não possuíam nem mesmo banheiro. Fiz isso com uma contrapartida aceita por eles, que inclusive acompanharam as obras”, defendeu-se.
O responsável pela Igreja chegou a ir no local pedir a suspensão das obras. A Mitra conseguiu na Justiça a reintegração de posse do terreno, mas o coronel recorreu ao Tribunal de Justiça e derrubou a liminar concedida em 1ª instância. O processo continua em tramitação no Judiciário. A Igreja quer o terreno de volta e, para tê-lo em parte ou ao todo, terá também que retirar o casal do local, conforme alerta o comandante.
Antes de ser promovido a coronel, em julho do ano passado, Carlos também se envolveu numa "disputa de poder", conforme ele próprio classifica. Uma denúncia que tramita na Justiça Militar supostamente evidencia usurpação de função pública, acúmulo de outra atividade e ainda defesa de interesses particulares para benefício de academia de Bombeiros Civil. Um dos fatos que evidenciaria o suposto desvio de conduta é a participação dos bombeiros voluntários nas vistorias que competem ao Corpo de Bombeiros Militar.
Com resposta taxativa, o comandante negou participação em tais atos e disse ter documentos comprobatórios de que não exerce função na Academia de Bombeiros Civil e dos Bombeiros Voluntários. “Essas denúncias, em verdade, escondem uma disputa por comando”, alertou.
O comandante afirma que, por um certo período, o Corpo de Bombeiros Militar se sentia responsável por vistoriar a atuação da Academia de Bombeiros Civil, mas que as disposições sobre quem fiscaliza não estão definidas. “Eles atuam nas funções inerentes a eles e nós na nossa função”, sustentou. Essa última denúncia estaria tramitando na Corregedoria do Corpo de Bombeiros Militar. O protocolo data de 2007, quando o Carlos ainda detinha a patente de tenente-coronel. “Como poderia ultrapassar minha competência da forma em que sou acusado sem estar no Comando-Geral”, ironizou o comandante.