Blairo Maggi (PR), que entregou nesta quarta (31) o comando do Paiaguás a Silval Barbosa (PMDB), assegura ter consciência de que ao sair do governo deixa de ser blindado e deve sofrer muitas críticas, principalmente de adversários políticos. Mesmo assim, ele demonstrou tranquilidade. “Estou preparado e vou responder a todos os questionamentos de forma pontual. Fizemos um governo pautado pela transparência, tomamos algumas medidas necessárias e vou responder as críticas”, disse, em entrevista no Centro de Eventos Pantanal.
O republicano afirmou que as suas lágrimas nos últimos discursos não são de tristeza. “Deixo o governo com bastante tranquilidade. Amanhã estarei em outras lutas. Minha vida sempre foi assim e tenho outros desafios pela frente”, afirmou ele, numa referência à pré-candidatura ao Senado.
Ele confidenciou que fez tudo o que podia, mas muitos projetos não puderam ser executados por falta de orçamento. “Gostaria, por exemplo, de ter colocado ar-condicionado em todas as escolas do Estado ou de ter em nossos quadros mais 5 mil policiais. Infelizmente, por falta de orçamento, não deu”. Mesmo assim, ele ponderou que houve avanços e que disse deixar o Estado muito do que o encontrou. “Foram dois mandatos de muita conquista. Fizemos tudo o que era possível dentro da nossa capacidade”.
Perguntado sobre as questões ambientais, ele admitiu que no começo da gestão fez colocações equivocadas, reconheceu falhas, mas ressaltou que depois disso houve uma imensa mudança que ajudou a melhorar a imagem do Estado. No começo da administração, Maggi era apontado como o destruidor da natureza, enquanto hoje é o "queridinho" dos ambientalistas. Prova disso é ter recebido o prêmio "Motoserra de Ouro" e, recentemente, bombons de cupuaçu dos diretores do Greenpeace. "Depois desses momentos de turbulência veio o reconhecimento”.
O ex-chefe do Paiaguás contou ainda que deve descansar por alguns dias antes de começar o seu “estradeiro pessoal”, rumo às urnas. Ele enfatizou que não pretende “meter a colher” no governo de Silval e que o peemedebista terá total liberdade para tomar as decisões que achar necessário. “Agora, se ele me procurar em busca de conselhos, posso dar”, disse Maggi.